domingo, 29 de março de 2026
Mudança de governo à vista
terça-feira, 17 de março de 2026
Campanha no Oriente Médio não corre bem
Pessoal, a situação no Oriente Médio segue enrolada para o Ocidente. Donald Trump já anunciou a vitória sobre as forças iranianas algumas vezes, mas os mísseis e drones seguem sendo lançados por todo o Oriente Médio, e com mais força sobre Israel. Da mesma forma alguns líderes europeus, como Friedrich Merz dão algumas declarações que chegam ao nível da patetice, porque não se espera isso de alguém lotado num cargo dessa importância. Sim, porque só falta implorar para que o Irã cesse seus contra-ataques baseado em um suposto “não direito” da Nação Persa em se defender. Trump também já apelou para uma bobagem dessas, mas Trump é Trump. E o que mais corrobora para a situação delicada em que Trump se meteu é sua pressão sobre a Europa e outros membros da NATO para que enviem navios para a reabertura do Estreito de Ormuz, o que tem gerado negativas da grande maioria, e dos principais países da aliança militar. Para se ter ideia do desespero, até à China ele recorreu, recebendo uma reprimenda como resposta.
Como fazer pouca besteira é bobagem, Trump está enviando cerca de 5.000 fuzileiros navais para a região. A tentativa de utilizar esses militares para uma invasão pode terminar em uma enorme tragédia. O EUA também já bombardeou a Ilha Kharg, de onde sai a maior parte do petróleo exportado pelo Irã. Os persas identificaram que o ataque partiu dos Emirados Árabes Unidos, e enviou mensagem para o governo dos Emirados para que evacue suas instalações de exportação petrolífera, ou seja, haverá retaliação pesada.
Esse quadro promete se tornar um longo e desgastante conflito. Para Trump é um enorme desastre, porque sua condição é cada vez mais delicada internamente enquanto as economias estadunidense e mundial se tornam cada vez mais instáveis, e com tendências a uma enorme crise devido a inflação vinda do aumento do petróleo e até de alimentos, porque a região em guerra é uma das maiores produtoras e exportadoras de fertilizante do mundo, o que promete uma quebra de safras agrícolas ainda este ano.
quinta-feira, 12 de março de 2026
Luta no Oriente Médio é existencial
Pessoal, a situação no Oriente Médio segue extremamente quente e cada vez mais perigosa em termos um conflito alastrado a uma conflagração global real. Exemplo é que as duas nações mais poderosa militarmente da Europa, em termos de equipamentos, estiveram a ponto de enviar armadas para apoiarem o EUA e Israel com base no art. 5 da OTAN, só que o art. 5 é para quando alguém é atacado, mas aqui quem atacou foram os membros da Aliança. E apesar de a coligação EUA/Israel seguir causando graves danos ao Irã, há inúmeras denúncias de ataques à civis e instalações civis, o que é um revés político, ainda que não reflita em organismos internacionais, como a ONU.
Falando em ONU, no dia 11 de março o Conselho de Segurança aprovou resolução contra o Irã, para que os persas parem de atacar os países do Golfo, com ênfase a Bahrein e Jordânia. Estranhamente Rússia e China não vetaram tal resolução, optando por se absterem. Eles devem saber o que fazem, mas a abstenção abre espaço político para que se busque legitimar uma aliança internacional mais ampla contra os persas, até porque não acredito que Teerã venha a seguir tal resolução. Fazê-lo seria simplesmente não resolver uma situação que voltaria a se tornar ruim aos persas em pouco tempo. Seria uma questão de as forças que o atacam se reposicionarem, rearmarem e reduzirem suas debilidades.
Já para Israel a coisa está bem ruim. Mesmo com toda a censura imposta à divulgação do resultado dos bombardeios iranianos, muita informação tem conseguido vazar, e todas são unânimes em afirmar que a defesa aérea já não existe ou é absolutamente ineficaz, que os danos são muito grande e amplos, e mesmo por terra tem havido reveses, com o Hezbollah retomando territórios que estavam nas mãos dos iranianos. E parece que os Houthis finalmente se juntaram ao conflito, e atacaram o primeiro petroleiro que tentava passar pele Estreito de Bab-el-Mamdeb.
E não nos enganemos, porque todo conflito bélico é, acima de tudo, um conflito político-econômico. Apesar de eivado de discursos sobre “armagedon, povo escolhido, terra prometida, etc.”, o que está realmente em disputa são o controle sobre rotas marítimas e terrestres vitais para o comércio mundial, sobre uma das maiores reservas de energia fóssil do planeta, e a possibilidade de se impor sobre outros povos e determinar relações internacionais.
E sim, para os Estados da região é um conflito existencial, porque todos eles estão sujeitos a transformações profundas, e até mesmo deixarem de existir como Estado no final desse processo bélico. Os grandes Estados que estão por trás desse conflito (e na Ucrânia também), é apenas uma questão de como irão se posicionar no mundo, mas não há um risco existencial em si.
Mas nada disso é Armagedon. Através da brumas da História vemos o florescer e o ocaso de grandes impérios. Às vezes milenares, como o romano, outras efêmeros, como o de Alexandre o Grande. Mas todos sempre foram forjado a ferro e fogo. A situação agora é análoga.
sábado, 7 de março de 2026
Operação no Oriente Médio complica mais pra Trump
Sim, os países do Oriente Médio já estão todos envolvidos, agora a situação começa a transbordar para o Mediterrâneo e alguns outros países próximos ao Irã, como Turquia e Armênia. Quando falo desse envolvimento é no sentido de atuarem ativamente no conflito.
E enquanto o conflito segue com bombardeios brutais, com muitos indícios de baixas pesadas de ambos os lados, e com o EUA enviando mais um grupo de ataque de porta-aviões para a região, o que totalizará 3 grupos de ataque na área, e começam a transferir equipamentos de outras regiões do Planeta, incluindo a Ucrânia, e mostra que a ação não está sendo esse passeio no parque que eles dizem ser, vemos muitas manifestações por importantes capitais europeias, asiáticas, Canadá, e até algumas cidades no EUA.
Enquanto tudo isso acorre, a UE se divide entre apoios declarados e tímidos à ação estadunidense, ações isoladas para resolver seus próprios problemas energéticos e oposições declaradas a essas ações.
Internamente Trump se enrolou ainda mais. A resistência iraniana caiu como uma bomba, e há forte oposição popular, o que já reflete politicamente, a ponto de já haver movimentação no Congresso do EUA para cobrar o Presidente por iniciar uma guerra sem a devida autorização, e de estados contra a nova rodada de tarifas. Claro, tudo isso irá evoluir de acordo com a evolução no enorme campo de batalha que se tornou o Oriente Médio, mas até agora ela não é favorável a Trump, apesar de toda a bravata e distorção que coloca em seus pronunciamentos.
segunda-feira, 2 de março de 2026
Ataque ao Irã foi erro estratégico imenso
Pois é pessoal, o EUA, junto com Israel, atacou o Irã e iniciou um momento de caos no Oriente Médio. Diferente de 8 meses atrás, quando o Irã contra-atacou Israel cerca de 18 horas depois do primeiro ataque, dessa vez o contra-ataque iraniano levou menos de meia hora. Alguns fontes falam em algo entre 10 e 15 min para que o Irã lançassem seu contra-ataque. Outra mudança importante também foi a diferença entre o contra-ataque, que se concentrou apenas em Israel e em bases israelenses, e desta vez o contra-ataque foi amplo e incluiu alvos estadunidenses e israelenses por todo o Oriente Médio.
E essas diferenças são importantes para entendermos o porquê da situação estar se desenrolando desta forma, e das estranhas reações de lideranças Ocidentais. Sim, a maioria, principalmente as lideranças políticas estão com o já esperado discurso ufanista, com a já conhecida ladainha de bomba atômica do Irã, ameaçando o Irã para que se renda, e outras bobagens que repetem de forma quase automática. Mas algumas lideranças militares deixam escapar que a situação escapou completamente às projeções feitas para o desenvolvimento do conflito.
Muita coisa pode ter contribuído para essa “surpresa”, mas entre os principais fatos estão não terem escutado o próprio ex-Chefe do Estado Maior Conjunto do EUA, que avisou a Presidência do país de que um ataque desencadearia uma reação difícil de ser detida, e por isso foi demitido; de não contemplarem o fato de que o Irã aprenderia com as experiências passadas; de subestimarem as capacidades dos iranianos, e de esperar que eles se renderiam aos primeiros ataques às instalações civis.
Essa confusão começou com o bombardeio conjunto do território iraniano por EUA e Israel. O ataque atingiu algumas autoridades persas, sendo o Aiatolá Khamenei, o líder supremo do país, a principal vítima. Alguns líderes militares também pereceram no ataque.
Mas também foram atingidos alvos civis totalmente indesculpáveis, como uma escola de ensino fundamental para meninas, levando à morte de ao menos 80 meninas, e pelo menos 100 feridas. Scot Ritter fala de mais uma escola do mesmo tipo bombardeada no segundo ataque a Teerã.
Como eu disse, o contra-ataque do Irã foi amplo, e está sendo realizado de forma praticamente ininterrupta, já tendo ocasionado a destruição completa ou parcial de mais de 10 bases estadunidenses na região. Também há relatos da destruição de alvos como uma usina de dessalinização em Israel, de alojamentos de oficiais de alta patente do EUA, de escritórios de agências de espionagem estadunidenses, empresas prestadoras de serviço às forças armadas de EUA e Israel, o Porto de Haifa, edifícios e instalações de forças armadas, um navio de guerra do EUA e um de Israel, base naval em Israel, o porta-aviões Abraham Lincoln, que está em retirada, ataque direto a outros navios da frota, entre outros alvos militares, mas desta vez também há relatos de ataques a áreas civis de cidades israelenses, principalmente em Tel Aviv. Economicamente tivemos o imediato fechamento dos estreitos de Ormuz e de Bab Al-Mandab, o que inviabiliza a exportação dos hidrocarbonetos da região, e interrompe a principal rota de comércio marítimo entre Europa e Ásia, o que já começa a elevar preços dos hidrocarbonetos e logo levará ao aumento de preços de produtos.
Já os ataques de EUA e Israel têm se concentrado prioritariamente em Teerã, e além de alvos civis, atingem alguns alvos militares, no estilo que já foi utilizado antes para a mudança de regimes. Foram destruídos os prédios do quartel general da polícia, da guarda revolucionária iraniana, da sede da TV estatal e da rádio estatal do país, além de seguirem buscando a decapitação de lideres iranianos.
E como eu disse num texto de 30 de janeiro, um ataque ao Irã levaria a uma guerra regional praticamente imediata, e tinha a tendência de se espalhar além da região. Logo no primeiro dia já tínhamos mais de 10 países envolvidos no conflito, alguns envolvidos diretamente em ações bélicas, fossem ativas, fossem passivas, e alguns em apoio estratégico e material: além de EUA, Israel e Irã, também já tínhamos China e Rússia em apoio aos persas, e logo no primeiro dia foram envolvidos Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Iémen e Iraque. No segundo dia já tivemos a inclusão de Síria, Líbano, Turquia, Reino Unido, França, e Itália tivemos o trio europeu, Reino Unido, Alemanha e França declarando que devem se juntar a EUA e Israel contra o Irã. Além disso tudo vemos a adesão das milícias armadas regionais Hamas, Hezbolla e Houthis ao Irã, e de ISIS e Estado Islâmico a EUA e Israel.
No meio de toda essa confusão eclode uma série de protestos em capitais do Oriente Médio, com protestos contra a intervenção e presença dos EUA na região, contra Israel, em apoio ao Irã e que chega à tentativa de invasão de embaixadas estadunidenses na região, e fortes confrontos com as polícias locais.
Como eu disse, a tendência era o conflito se espalhar além do Oriente Médio, e se o conflito não for desescalado urgentemente, há a possibilidade de outras potências se alinharem aos atuais envolvidos, levando a uma guerra mundial pior do que a ocorrida nos anos 40 do Século XX, com enorme potencial de se tornar uma guerra atômica.
Trump parece ter percebido isso, e estimulado por vários bilhões de dólares já perdidos em material e equipamento, e algo em torno de 600 baixas de pessoal militar, e já no segundo dia pediu a intervenção de Omã, e algumas fontes também falam da Itália, para conseguir um armistício com o Irã. A princípio a resposta persa foi um sonoro não, mas podemos esperar a intervenção de outras potências para que haja um armistício e nos próximos dias as hostilidades cessem, apesar de isso ser apenas mais uma parte de um conflito mais amplo que já ocorre entre Ocidente e Oriente, inclui o conflito na Ucrânia e várias escaramuças na África.
E aqui quero chamar a atenção para um fato interessante. Se pegarmos os dois principais conflitos atualmente, vemos uma linha justamente onde se considera que, politicamente, Oriente e Ocidente se tocam. A Ucrânia é a terra do meio, um contato entre Oriente e Ocidente, e por onde grandes invasões ocorreram da Ásia à Europa. Já o Oriente Médio é considerado o ponto de transição ente Europa e Ásia mais ao Sul, também tendo sido região em que exércitos de ambos os lados passaram para conquistar terras de um lado ou outro. Os próprios persas chegaram à Grécia, e Alexandre o Grande chegou à Índia.
Mais uma vez os dois lados estão em choque, mas dessa vez ambos possuem armas que não acabam com o planeta, mas podem tornar a presença humana sobre ele uma coisa rara.