sábado, 7 de fevereiro de 2026

No Oriente Médio a tensão aumenta

Pessoal, a situação segue bastante comoplicada no Oriente Médio. A frota estadunidense presente ao Sul da Península Arábica passou a derrubar os drones de observação iranianos e os chineses incluíram um navio de observação e controle eletrônico, que provocativamente estaria operando próximo à frota estadunidense.

Por seu lado o Irã já tentou apreender um petroleiro de bandeira estadunidense, o que foi impedido por um navio de guerra do EUA nas proximidades, e já apreendeu ao menos outros dois navios petroleiros, sem bandeira ou nacionalidade das tripulações divulgados, mas foi divulgado que os tripulantes foram entregues à justiça. Esse ato tenta mostrar uma forte disposição em fechar o Estreito de Ormuz.

Enquanto isso ocorre o EUA segue enviando material e equipamentos para a região. Também já vemos comentarista falando que os norte-americanos não estão enviando mais um grupo de ataque de porta-avião, mas sim dois grupos de ataque, concentrado uma força de ataque aéreo gigantesca na área.

Em resposta Irã, China e Rússia intensificaram o envio de material e equipamento para Teerã, e gigantescos aviões de carga são frequentes em várias ocasiões diárias.

O Laranjão, no fundo, é um daqueles valentões que vemos em comédias românticas adolescentes da sessão da tarde. Ele é grandalhão, agressivo, e vive ameaçando e batendo nos meninos mais fracos que ele, mas quando vê alguém do mesmo porte ele recua.

Com toda essa descrição, vemos que os dois lados estão tentando pressionar, acossar o outro, seja com a derrubada de drones, seja com a apreensão de petroleiros. A princípio o Irã não parece interessado numa guerra e está tentando evitá-la mostrando forte poder de dissuasão, e o EUA só partirá para o ataque se perceber que tem poder militar suficiente para sobrepujar o inimigo com sobras. Se levarmos em conta que ambos consideram a situação existencial, então isso ainda se prolongar por um bom tempo, ou alguém comete algum erro importante que defina a situação.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Doomsday ameaça o Planeta

Pessoal, a situação no Oriente Médio se deteriora cada vez mais, e um ataque estadunidense ao Irã é cada vez mais provável. O problema que o EUA enfrenta é que ele ainda não reuniu as forças necessárias para um ataque a um país do porte do Irã. Isso quem diz são especialistas militares como Douglas MacGregor ou Larry Johnson. Não são os únicos.
Sim o grupo de ataque do Lincoln já está na área, escondido atrás da península Arábica para evitar ataques. Outros recursos materiais e humanos também, mas a doutrina estadunidense é que são necessários 2 grupos de ataque com porta-aviões para esse tipo de ação.

E a situação complica mais, porque navios de guerra chineses e russos se dirigem à região para exercícios programados previamente. Minha dúvida é se eles permanecerão na região após os exercícios.
Além disso o Irã está bem mais forte do que no período da guerra dos 12 dias, ocorrida a cerca de 7 meses. Muito material russo e chinês chegou para reforçar as capacidades defensivas e também ofensivas dos iranianos. O chamado "eixo da resistência" está de sobreaviso, e entrará em ação se houver qualquer ataque ao Irã. Para completar o quadro há rumores de que os iranianos realizaram um teste nuclear, e ainda 
que o Irã planeja um ataque preventivo, além do já batido fechamento do Estreito de Ormuz.

Fato é que as superpotências estarão com suas forças muito próximas de um confronto direto. Um ataque, seja de que lado vier, tem potencial para incendiar toda a região e levar a economia global a um rápido colapso. Logo outras potências também devem aderir ao conflito, e dos 2 lados. Da mesma forma, o conflito não ficará restrito a essa região, e deverá se espalhar ainda mais do que na última Guerra Mundial. Nostradamus disse que a 3ª Guerra teria início nessa região. Estivesse ele certo ou não, o fato é que o Relógio do Apocalipse nunca esteve tão próximo da meia-noite.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

EUA recua no Irã e mostra queda de capacidade

 Pessoal, o Presidente do EUA divulgou um twitter em que informou que não iria mais bombardear o Irã, e num momento que muitos torciam por uma notícia dessas, no fundo ela surpreendeu, e aqui rapidamente entenderemos o porquê disso.

Há meses Trump vinha ameaçando os persas de uma ação bélica com vistas a mudança do regime dos Aiatolás. Algo mais pesado do que o executado na Venezuela. Para isso ele tomou algumas ações.

1- Deslocou tropas e uma enormidade de equipamentos, principalmente maios aéreos de bombardeio, como caças, bombardeiros estratégicos, mísseis de cruzeiro de longo alcance, aviões de carga e reabastecimento aéreo;

2- Enviou as frotas capitania das pelos porta-aviões Roosevelt e Lincoln para o Oriente Médio,

3- Junto com outros países que têm interesse na região, chegou a promover uma tentativa de revolução colorida, mas está falhou,

4- Chegou a anunciar um ataque iminente.

Mas ele recuou e 4 foram os motivos principais.

1- Os países da região pediram para que não houvesse o ataque, negaram o uso de seus espaços aéreos para isso e também ajuda para a defesa das bases estadunidenses da região. Entre esses países estão Turquia, Arábia Saudita e até Israel. Russos e Chineses também interferiram decisivamente,

2- O Irã bloqueou os sinais usados pelo sistema Starlink, impedindo o prosseguimento das manifestações e deve ter interferido em outros sistemas que fazem uso de sinais eletrônicos também,

3- A reação de alguns países que aos poucos percebem que as ações estadunidenses visam o bem exclusivamente de suas próprias elites.

4- A possibilidade de um conflito na Groelândia.

A verdade é que o cobertor bélico comandado pela Casa Branca está cada vez mais curto. Não há recursos financeiros, humanos, e apesar de ainda terem muito equipamento, este está defasado além de ser muito caro. O aumento de orçamento para USD 1,5 trilhão não garante a inversão dessa situação nem a médio prazo, muito menos no curto. E quanto mais eles têm tomado essas ações desastrosas, mais o mundo se vira contra eles. A queda tem sido mais rápida do que o previsto, mas ela será mais dolorosa também, e para todos. Mas isso não garante que o Irã esteja seguro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Mais conflitos no horizonte

Pessoal, estive meio ausente nos últimos dias porque os conflitos não estão tão intensos no momento, mas as forças ainda que sigam atuando, estão mais devagar um pouco, estão se reposicionando, se reorientando, após os últimos pesados desenvolvimentos. A extração de Maduro na Venezuela; o ato de pirataria contra petroleiros, que culminou com o apresamento do petroleiro russo; o cancelamento das negociações pelo Kremlin, e o uso de um Oreshnik que destruiu instalações estadunidenses e o maior depósito de gás na Ucrânia; e as declarações estadunidenses de que tomarão posse da Groelândia de uma forma ou outra, mesmo contra a vontade de seus habitantes deram motivos a essa diminuição do ritmo. 
Mesmo assim as coisas não estão paradas. Os líderes dos principais países europeus deram declarações dúbias sobre a Groelândia, que oscilam entre tentar apaziguar o EUA e a garantir que defenderão o território dinamarquês com armas. Também deram declarações que oscilam entre iniciar conversas com vistas ao fim das hostilidades e à normalização das relações com os russos (é aqui que esse acordo ridículo que Lula defende entre o Mercosul e a UE começa a ficar perigoso ao Brasil).

Do outro lado as coisas também não estão paradas. O Coronel Larry Wilkerson divulgou que os russos já apreenderam ao menos 12 navios mercantes estadunidenses no Mar Negro, todos levando armas e suprimentos à Ucrânia. Os russos também estão agindo fortemente no âmbito diplomático e comercial contra os norte-americanos, tendo inclusive imposto algumas sanções a eles, incluindo a exportação de combustível para as usinas nucleares do EUA, e do qual eles são totalmente dependentes.

Os chineses também subiram bastante o tom de suas ações nos âmbitos diplomático, comercial e jurídico. Além de terem ameaçado diretamente ao EUA em caso de interferência com os investimentos chineses na Venezuela.

No Irã irrompeu uma série de manifestações populares. As notícias são desencontradas, ainda que todas concordem que há insatisfação popular com problemas econômicos que têm afetado a população. Entre as fakenews de que o governo iraniano já teria cometido um genocídio na casa de dezenas de milhares, até a disputa de narrativa entre se as manifestações pedirem providências do governo ou se pedem cambio de regime, passando pela presença de agentes infiltrados e o uso de redes sociais Ocidentais para incitar a população aos protestos, e ao regime iraniano se defendendo de mais esse ataque, o fato é que não está longe o 2º confronto entre o Ocidente, representado principalmente pelo Estado israelense, e o Irã. E dessa vez o confronto promete ser mais violento, e pode começar pelo Irã, porque há conversas entre a liderança persa para fazerem um ataque preventivo. Como eu já disse, um novo conflito ali atingirá fortemente a China, mas poderá ser fatal aos europeus, e esse pode ser um dos motivos de estarem mudando o discurso quanto aos russos 

Por mais que pareça ter diminuído o ruído entre Ocidente e Sul Global, a verdade é que as forças dos dois lados estão se reposicionando, e podemos esperar novos confrontos armados, e ainda mais violentos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Putin interrope negociações com EUA

Pessoal, um desenvolvimento no conflito no Leste Europeu indica não apenas o prolongamento das hostilidades, mas também a perda de paciência por parte dos russos em negociações absolutamente infrutíferas e que nitidamente buscavam apenas tentar impor uma derrota a quem está vencendo. Sim, após reunião com seu Conselho de Segurança, o líder russo decretou o fim das negociações. Três são os motivos principais para isso:

1- A tentativa insistente do Ocidente em usar fundos russos congelados para a reconstrução da Ucrânia.

2- A tentativa insistente de impor um cessar-fogo, mesmo que disfarçado, para que a Ucrânia seja rearmada e treinada para o retorno do conflito.

3- A tentativa mal disfarçada de incluir a Ucrânia na OTAN, através de uma garantia de segurança inspirada no art. 5 da organização militar.

Outro ponto, e que não foi mencionado até o momento para a decisão, é que o EUA, que sob a liderança trumpista tenta posar de neutro e parte não beligerante no conflito, não apenas participa ativamente nas ações, com o fornecimento de armas, logística, estratégia e inteligência, como foi o mentor e maior instigador das hostilidades no Leste Europeu.

Além do fim das negociações, Putin também usará o exclave de Kaliningrado para posicionar armas nucleares, provavelmente em Oreshniks, que ameaçarão a Europa ainda mais de perto.

Mas isso não quer dizer que não se chegue a um acordo negociado para o conflito, e basta que os Ocidentais cheguem com uma proposta que contemple plenamente as condições mínimas russas. Só que isso ainda está um pouco longe de acontecer, afinal, é até o último ucraniano.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Maduro extraído. O Imperio contra-ataca?

Pessoal, a extração de Maduro, que nada mais é do que um sequestro, orquestrada e executada pelos EUA na noite do dia 2 de janeiro levou o mundo a um novo nível de estresse. Se os pactos, chamados se "legislação internacional", já vinham sendo sistematicamente ignorados, a ação absurdamente sem regras internacionalmente aceitas acabou de vez com qualquer esperança de uma normalização nas relações entre Estados que pudesse ser esperada no curto prazo, e isso já repercute não apenas na Venezuela, mas também em outras regiões tensas e conflagradas do Globo. Falaremos disso em outra oportunidade, e agora mostraremos as inconsistências dos atos na Venezuela. 

1- Um país que está há meses em estado de alerta máximo, esperando uma invasão, ou uma ação do tipo executada a qualquer momento foi pego desprevenido e não esboçou nenhuma resistência.

2- O país talvez não resistisse a longa e forte pressão estadunidense de invasão, mas tinha totais condições de rechaçar e prender boa parte das tropas usadas na ação do dia 2 de janeiro e causar sérios danos aos que escapassem.

3 - As falhas apontadas nos 2 primeiros pontos indicam traição interna, ou acordo de cúpula. Militares estão envolvidos, a questão é saber quem mais está?

4 - A reação já começou. Delcy Rodríguez, Vicepresidente de Maduro, assumiu o poder com apoio da Corte Constitucional. Seguramente tem apoio de boa parte das FFAA, e também da população.

5 - Delcy Rodríguez acionou uma série de dispositivos pré-arranjados, e que garantem sua administração, driblam o dólar, impedem a extração de petróleo sem o consentimento de técnicos venezuelanos, além de acionar os 4,5 milhões de milicianos que defenderão a soberania do país.

Com este quadro, antes de tudo precisarmos aguardar para ver até que ponto a estrutura venezuelana governista está comprometida. Parte dos militares está, mas quem mais?

De cara podemos dizer que Trump terá muita dificuldade de implantar seu governo fantoche em Caracas, se é que conseguirá. A Venezuela não é a Síria, Líbia, ou outro país fragmentado. A cisão entre povo e classe dominante não é cisão suficiente para garantir um controle do país, mesmo com apoio bélico estrangeiro.

A tendência é que os Venezuelanos consigam retomar o controle total do país, mas não dá para descartar um aumento nas tensões, ou mesmo uma guerra civil, que poderá acabar de vez com o governo Trump, e com qualquer aumento de popularidade que sua ação circense possa parecer ter dado.

Como eu disse, China, Rússia e Irã não podem deixar a Venezuela cair. Eles já deram ajuda e condições para impedir uma ação como a orquestrada, mas não podem impedir uma traição ou acordo que impeça o uso das facilidades de defesa fornecidas. Eles seguirão apoiando o novo governo venezuelano, já o fizeram fortemente em duras ações e declarações diplomáticas, e voltarão a apoiar a resistência que se forme, inclusive belicamente. Como os próprios Ocidentais fazem na Ucrânia ou Taiwan.

A ação da Secretaria da Guerra de Trump foi espetaculosa, foi midiática, foi ao estilo Hollywoodiano. Momentaneamente ela pode dar fôlego a seu contestado governo, mas de nenhuma forma ela parece ser definitiva, e ainda pode se voltar contra o próprio Trump, caso a pior possibilidade de longo confronto com participação estadunidense se concretize. Uma derrota de suas intenções nos ricos campos de petróleo da Venezuela, e/ou a chegada de sacos pretos com soldados caídos podem colocar o prestígio que lhe resta na sarjeta da política de Washington. Até porque tradicionais aliados do EUA, como Reino Unido, Alemanha e França, já se posicionaram contra as ações do Gigante das Américas. Isso sem falar do chamado Sul Global 

E a Venezuela? 

Ela é o proxi, o peão da História. Ela pode acelerar muito a queda do Império, mas não pode revertê-la.