Pessoal,
a
situação no Leste Europeu está escalando e começando a preocupar.
Em março de 2026 os russos divulgaram uma lista com endereços de
várias empresas em países da Europa Ocidental e do chamado Ocidente
alargado, que incluem Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Lituânia,
República Tcheca, Espanha, Israel, Países Baixos,
Polônia,
Itália,
Turquia, Letônia.
Segundo os russos essas empresas produzem e fornecem peças, drones,
e outras armas usadas pela Ucrânia, e que agora estão atacando o
território russo em profundidade, o que significa uma mudança
estratégica no conflito, porque se une a abertura do espaço aéreo
de alguns países bálticos para que esses ataques sejam possíveis
sem o risco de serem impedidos pela artilharia anti-aérea russa. À
época, Medvedev, o ex-Presidente russo, e atual Vice-presidente do
Conselho de Segurança do país, postou que a Rússia poderia
retaliar duramente os agressores do território russo, e anexou a
lista à sua postagem. O
recado que as empresas desses países estão sujeitas a essa
retaliação foi claro.
Mas
apesar disso, desde essa época a coisa piorou, e os ataques passaram
a atingir a infraestrutura, principalmente a ligada a área de
energia, e áreas civis da Rússia. Até o momento os russos não
atacaram as empresas listadas, mas caíram drones ucranianos na
Letônia, o que foi atribuído à interferência russa em seus
sistemas de navegação. Seja como for, o Ministro da Defesa do país
se demitiu após o ocorrido. E até agora, mesmo com tudo isso os
russos não retaliaram nos países Ocidentais, e os ataques na
profundidade russa não pararam.
Mas
algo mudou. Zelensky prometia atacar o grande desfile militar do 9 de
Maio na Rússia, o dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, que
eles chamam de Grande Guerra Patriótica. O aviso de Moscou foi
claro. Mandou evacuar o centro de Kiev, e caso houvesse qualquer
ataque o centro da capital ucraniana seria pulverizado. O tom foi tão
alto que Zelensky emitiu um decreto proibindo qualquer ataque aos
desfiles do Dia 9, e eles não ocorreram, ainda que tenhamos visto
alguns ataques a outras áreas.
Só
que os repetidos ataques a civis e à infraestrutura russa geraram
pressão interna pelo fim da guerra, mas não por ceder aos
interesses dos ocidentais e da Ucrânia, mas um fim dado por vitória
russa. E parece que a pressão começa a surtir efeito, porque poucos
dias após o dia 9 de maio os russos realizaram o maior ataque com
mísseis e drones aos ucranianos. Foram ao menos 1600 drones e 200
mísseis que atingiram seus alvos, a grande maioria em Kiev, mas
Liviv também foi atacada.
Kiev
respondeu, também com um grande ataque, e voltou a acertar os mesmos
tipos de alvos. O problema é que depois deste grande ataque os
russos aumentaram o ritmo de ataques diários, estão quase
conquistando a totalidade dos territórios dos 4 oblastes contestados
na região da chamada Nova Rússia, e já se aproximam de Sumy,
capital do oblast de mesmo nome, e que logo pode entrar em disputa
também. Como foi avisado na última vez que negociaram, os russos
reclamavam 4 oblastes, mas em outra oportunidade poderiam ser mais.
Em
meio a tudo isso a imprensa internacional divulga que Xi Jinping
teria dito a Trump que Putim um dia, ou agora, a depender da fonte,
se arrependeria de ter iniciado o conflito na Ucrânia. Bem, dois
pontos aqui. O primeiro é que o conflito já existia. Na verdade ele
existe desde 2014, o que gerou os dois Acordos de Minsk. Inclusive os
russos já tinham certo envolvimento no conflito, estavam e estão
sendo ameaçados dia após dia pelos ucranianos e pela Europa
Ocidental, e em 2022 eles apenas entraram de vez nas escaramuças.
O
segundo ponto é mais específico, e mostra o fato de que os russos
têm esse problema em suas fronteiras, não do outro lado do maior
oceano da Terra e com os agitadores próximos sendo ilhas pouco
militarizadas e que oferecem pouco risco ao território e povo de seu
país, como é o caso dos chineses. No dia em que eles sentiram o
risco próximo a suas fronteiras, eles enviaram 300.000 homens e
interferiram diretamente na Guerra da Coreia, causando o cessar-fogo
que já dura décadas, e reduzindo sensivelmente o risco que sentiam.
Mas
a fala de Xi Jinping também pode ser apenas uma isca plantada para
tentar criar problemas na relação entre Pequim e Moscou, até
porque Putin chegou esta semana com uma grande comitiva na capital
chinesa para a conclusão de uma série de negociações e a
assinatura de uma série de acordos que aproximará ainda mais os 2
países. Além disso está programada a assinatura e divulgação de
um documento que seria uma espécie de “certidão de nascimento”
da nova ordem mundial. O parto é sangrento e cheio de lágrimas, e a
princípio está longe do fim, além de poder se estender a outras
parte do globo também. Falo dos conflitos na Ucrânia, no Oriente
Médio, escaramuças menores na África, e há possibilidades de que
esses conflitos ocorram em outros lugares também, como Taiwan, e
outros pontos da Ásia.
Apesar
dos claros avisos dados pelo líder chinês a Trump nas reuniões dos
dias 14 e 15 de maio não acredito que o líder americano tenha a
autonomia para deixar as interferências em Taiwan, deixar os
conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, e ao fim levar seu país a
se acomodar na nova ordem mundial. Não faz parte do DNA
estadunidense, não faz parte de sua psique, não faz parte da
ideologia fazer e cumprir acordos. E isso se traduz nas falas de
Trump em atacar Taiwan sobre a indústria de semicondutores, se
traduz na fala de Trump em dizer que iria cancelar a venda de armas
tão logo chegou ao EUA, e se traduz no retrocesso em tudo o que
disse, uma vez que a venda de armas foi confirmada, e o apoio a
Taiwan também.
A
verdade é que a grande maioria dos governos ocidentais se tornaram
governos oligárquicos, e como tal eles defendem os interesses únicos
e exclusivos de suas oligarquias. Eles hoje são mascarados de
democracias, mas invariavelmente os eleitos defendem diretamente os
interesses dessas oligarquias, e quando não o fazem, ou são
forçados a fazer, ou são depostos por meios jurídicos, revoluções
coloridas, e quando não dá certo podem voltar a usar o bom e velho
golpe militar, como ocorreu na Bolívia e Honduras há poucos anos. O
EUA não foge a essa regra.