domingo, 24 de maio de 2026

Risco de crescimento no conflito europeu é iminente

Pessoal, Como eu já tinha dito aqui no Blog dos Mercantes, a Ucrânia aumentou sensivelmente os ataques a alvos civis e de infraestrutura energética na Rússia. Na semana que passou, de 17 a 23 de maio, atingiu um dormitório na região de Luhansk, além de áreas civis em Moscou e outras cidades do país. No dormitório estudantil tínhamos ao menos 86 adolescentes dormindo, além de pessoal que trabalha na casa. Ainda há sobreviventes e corpos sobre os escombros, e até o momento de gravação deste vídeo as buscas continuavam, então não se sabe ao certo o número de mortos e feridos.

Mas isso fez com que a pressão aumentasse e acabou por levar o próprio Putin a se pronunciar sobre a situação e prometeu uma enorme retaliação devido ao ataque ao dormitório estudantil.

Maria Zakharova porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo foi enfática em um pronunciamento que resumiu o pensamento do governo de Moscou:

1 - O regime de Kiev ataca infraestruturas civis diariamente; crianças estão entre seus alvos prioritários;

2 - A Rússia irá organizar uma visita para correspondentes de imprensa ao dormitório destruído assim que possível;

3 - Tóquio proibiu seus jornalistas de participarem em qualquer cobertura ao ataque ocorrido;

4 - A BBC se recusou a viajar ao local do ataque ao dormitório como forma de manter a desinformação Ocidental;

5 - Um grande número de jornalistas estrangeiros expressou o desejo em participar da visita;

6 - O Ocidente perdeu sua bússula moral ao negar a tragédia em Starobelsk.

Com esse clima Zelensky fala abertamente em um ataque à Bielorússia, e Lukashenko afirma que estará totalmente preparado para um confronto bélico. E na Rússia já se estuda uma retaliação, ou mesmo uma invasão de algum, ou alguns Estados Bálticos, que já não apenas bradam pela guerra, mas participam diretamente dela ao abrirem seus céus aos drones ucranianos para ataques ao território russo, principalmente voltados a São Petersburgo.

Pois é, como venho falando, a situação vem se agravando no Leste Europeu. Na noite de 23 para 24 de maio a Rússia promoveu o maior ataque ao centro de Kiev. Foram ao menos 2 Oreshiniks, além de Zirkons, Skanders e mísseis lançados da frota naval no Mar Negro. Os alvos foram militares, como centros de comando, centros de tomada de decisão, ou centros políticos, embora ainda não tenha atacado o coração do regime de Kiev em si. Só que, diferente de outras retaliações russas, dessa vez tudo indica que Moscou irá manter, ou até aumentar a pressão sobre os ucranianos de forma a dar fim ao conflito que já se prolonga por mais de 4 anos.

Esse novo posicionamento russo abre duas opções de cara. A primeira é que a situação da Ucrânia pode se resolver de vez, porque um aumento de pressão desses teria objetivo, inclusive, de eliminar a oligarquia ucraniana que se aliou ao Ocidente e levou o país ao atual conflito, e se, essa oligarquia a Ucrânia para de lutar.

O segundo é mais trágico, porque pode envolver mais diretamente ainda outros países da UE e NATO, o que escalaria o conflito direto a outras regiões da Europa. Isso porque sem Ucrânia não restaria outra opção que não fosse a entrada direta da NATO se o objetivo for realmente impor uma derrota estratégica aos russos. Se a situação não mudar drasticamente nas próximas semanas, ou talvez mesmo dias, ao menos um Estado Báltico pode ser diretamente alvo de retaliação russa, até porque já estão envolvidos no conflito, e esses Estados são membros diretos da NATO, o que pode gerar a evocação do Art. 5, e o envolvimento direto de outros países.

A Rússia pode ter cometido um erro ao não estabelecer claramente e fazer valerem suas linhas vermelhas, mas agora parece estar perdendo a paciência. Ao mesmo tempo a verdade é que o a União Européia e sua parte NATO estão bastante fragilizados militarmente após terem entregue enorme quantidade de armas à Ucrânia, e não terem sido capazes de substituírem essas armas.

A situação ainda pode piorar muito antes de acalmar, porque muitos líderes europeus perderam completamente o bom-senso, e se movem movidos por preconceitos e ódios ancestrais absolutamente ilógicos. As eleições parecem ser um instrumento muito pouco eficaz para controlar essas oligarquias sem conexão com seus povos e até com a realidade. Esse é um quadro que tende a não se resolver rapidamente, e nem por processos pacíficos. Infelizmente!

Apesar de algumas vozes pedindo por negociações e pacificação nas relações entre russos e europeus, até o momento nada indica que isso venha realmente a acontecer, e mesmo os nomes ventilados para liderarem as possíveis negociações com os russos são ou abertamente anti-russos, ou os russos desconfiam devido a traições e posicionamento dúbios em um passado não tão distante. Ou seja, o termômetro indica crescimento das hostilidades, não negociações, ao menos não negociações sérias.



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