quarta-feira, 29 de abril de 2026

Trump foi avisado, mas não sei se ele entendeu

Pessoal, nestes últimos dias tivemos três fatos bastante inusitados envolvendo a figura do Presidente do EUA, Donald Trump. O mais espalhafatoso foi a tentativa de atentado falhada durante jantar do Presidente e seus mais altos correligionários, com jornalistas, e altas autoridades nacionais e estrangeiras.

O segundo foi a divulgação de que Trump teria sido expulso da sala de comando durante operações no Oriente Médio, para evitar o constrangimento de ter uma ordem ilegal ou irresponsável não cumprida durante operações em andamento, ainda mais depois de outra divulgação bastante constrangedora, que foi o fato de o General Comandante do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, ter negado códigos nucleares ao Presidente.

Vamos destrinchar isso do fato mais distante ao mais próximo de nosso momento.

Quando um General se nega a entregar códigos nucleares a um Presidente isso significa muitas coisas, mas as mais importantes são que:

1- ele não confia nesse Presidente e em sua capacidade de discernimento e decisão;

2- ele teme o que esse Presidente possa tentar fazer de posse desses códigos;

3- no fundo esse Presidente tem um poder muito limitado sobre as Forças Armadas de seu país;

4- Essas Forças Armadas trabalham minimamente dentro de regras, ainda que elas às vezes não estejam tão claras.

A segunda situação, que foi a expulsão da sala de Comando, mostra que essas Forças Armadas querem evitar uma situação extremamente constrangedora, e que esse Presidente não tem poder para impor sua vontade, diferente do que muitos pensam.

A terceira situação, do suposto atentado, mostra uma condição bem mais delicada. Acreditar que um dos serviços de segurança presidencial mais bem treinados do mundo cometeriam tantos erros em sequência, que vão desde uma inspeção prévia do hotel mal feita, até a retirada do local de risco do Vice-Presidente antes do próprio Presidente é no mínimo ingênuo. Foram tantos que o Irã soltou um vídeo curto gozando com a situação.

Claro, sempre há essa possibilidade de erros em série, mas é algo dificílimo de ocorrer. Um primeiro erro já o seria, e ocasionaria o corte de pelo menos algumas cabeças nesse serviço de segurança, mas tantos erros em sequência?

No fundo tudo isso soa mais como um grande aviso a Donald Trump, de que ele precisa deixar de confundir seu histrionismo verborrágico discurso voltado para um público cada vez menor, com poder de fato. Como diria o final de uma antigo programa sensacionalista de bizarrices: Trump governa, “acredite, se quiser…” 

terça-feira, 21 de abril de 2026

No Leste europeu temos risco de escalada

Pessoal, falemos um pouco do Leste europeu, até porque já tem algum tempo que nossas atenções têm estado voltadas quase totalmente para o conflito no Oriente Médio. Pois é, só que nas planícies ucranianas as coisas seguem bastante agitadas, e cada vez mais o regime de Zelensky se vê encurralado.

Esta é exatamente a situação. Apesar de uma tentativa de censura, a verdade é que fica cada vez mais nítido que a situação de Zelensky não é tranquila, que a população ucraniana vem se levantando contra as hostilidades com a Rússia, e mais ainda contra as táticas do governo de recrutamento forçado. Cada vez mais aparecem vídeos da população se mobilizando para liberar homens raptados nas ruas pelos chamados recrutadores.

Ao mesmo tempo Zelensky faz mais um apelo aos governos da Europa para que enviem os ucranianos refugiados para que possam ser recrutados e enviados para a linha de frente. O pior? Tais governos tendem a atender aos apelos de Zelensky.

Mas o problema maior é que o conflito pode estar em vias de escalar. Já ocorreram alguns casos de que os países do Báltico, notadamente Estônia, Letônia e Lituânia abriram seus céus para que o regime de Kiev possa chegar à Rússia sem o risco de terem seus drones abatidos. Já foram alguns ataques registrados, notadamente contra infraestruturas e alvos civis. Nisso até a Finlândia entrou nesse bolo, e já há notícias de que os russos movem tropas para essas fronteiras, seguindo as duras declarações de autoridades de Moscou.

Os Estados bálticos negam as acusações, só que a situação não foi apenas um discurso russo, mas algo divulgado e comemorado por várias fontes fora da Rússia.

E enquanto a Rússia segue avançando na chamada região da Nova Rússia, segundo seu próprio discurso "liberando áreas ocupadas pelos ucranianos", a pressão contra o governo de Putin também aumenta internamente. Cada vez mais as vozes se levantam para que se dê fim ao conflito, mas não de qualquer forma. A percepção é que os russos atuam de forma muito comedida contra os ucranianos, e o que as vozes pedem é que se aumente a pressão militar, de forma a liberar as regiões em disputa, e de levar o governo ucraniano a capitular.

A Ucrânia já está com muitas dificuldades de seguir o conflito com os russos, e isso se intensificou após a eclosão do conflito no Oriente Médio. Apesar disso, ainda tem capacidade de causar danos aos russos, e isso graças ao apoio dos europeus, porque o EUA praticamente só entrega agora auxílio de inteligência neste conflito. Ao mesmo tempo o lado Ocidental vem enfrentando multas dificuldades em ambas as frentes, e essa situação não seria possível se os russos não tivessem passado 4 anos destruindo armas e equipamentos ocidentais, debilitando as capacidades europeias e estadunidenses de intervenção. Mas há uma corrente na Rússia que diz que isso já foi muito longe, e que é hora de dobrar a Ucrânia de uma vez por todas. 

O que fará Putin?

sábado, 18 de abril de 2026

Irã reabre o Estreito de Ormuz. Será?

Pessoal, no Oriente Médio o Irã divulgou que reabriu o Estreito de Ormuz, depois de o EUA ter garantido que o cessar-fogo se estenderia ao Líbano também, e que Israel não o iria romper. Pois bem, parece que Israel já rompeu, mais uma vez, tal cessar-fogo. E será que o Irã realmente reabriu Ormuz? Vamos tentar responder a isso nesse curto espaço.

Antes de tudo começar o Estreito de Ormuz era de livre trânsito internacional, e qualquer um poderia passar por lá. Sim, havia estações de controle, como em qualquer lugar em que existem águas territoriais, mas salvo em situações muito específicas, qualquer um poderia passar pelo Estreito.

Aí o EUA resolveu aderir de vez ao projeto israelense e juntos atacaram o Irã. Todo o arcabouço jurídico para o fechamento do Estreito estava pronto no Irã desde a Guerra dos 12 dias, e foi uma das primeiras ações tomadas pelos persas, já no início desse conflito que agora chega a pouco mais de mês e meio. As regras aos poucos foram mudando, mas já no início navios chineses e russos foram autorizados a passar. Paulatinamente foram autorizando outras embarcações, empresas, foi instituído uma cobrança, países que se posicionaram duramente contra a guerra tiveram algumas facilidades na negociação, navios tinham que passar pelo lado iraniano, etc.

Com muita intermediação e pressão do EUA, no dia 7 de abril foi anunciado um cessar-fogo, que na prática só foi implementado no dia 17 de abril. O Irã anunciou a reabertura do Estreito na sequência. Acontece que um dos itens dos 10 pontos que Trump aceitou era que o Estreito seguiria controlado pelo Irã, e por Omã também.

Pois bem, as regras para a reabertura do Estreito são de que a passagem para navios inimigos está proibida, que precisa ser feita pelo lado iraniano, que precisa ter um rebocador atrelado ao navio (cobrança), etc, etc.

Ou seja, nada mudou. O Estreito de Ormuz segue aberto de acordo com as regras iranianas, e inclusive o cessar-fogo prometido no Líbano, segundo algumas fontes, já foi novamente rompido por Israel.

A situação complica mais, porque Keir Starmer, junto com Emmanuel Macron, Primeiro Ministro do Reino Unido e Presidente da França respectivamente, anunciaram que irão liderar uma missão militar defensiva para reabrir o Estreito de Ormuz. Tem tudo para dar muito errado. Não aprenderam as lições de Suez. Fazer o que?

E enquanto isso era escrito, o Irã anunciou o controle total do Estreito novamente, devido ao incumprimento dos termos de cessar-fogo por parte da dupla EUA-Israel.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Cessar-fogo meia-boca e mais erros trumpistas

Pessoal, o cessar-fogo entre Irã e a coligação EUA/Israel segue em vigor, mas a guerra segue em pleno andamento. Mesmo que não tenhamos confrontos bélicos mais pesados entre as partes temos algumas escaramuças menores acontecendo.

Como eu tinha antecipado, até porque me parecia óbvio que aconteceria, os lados vêm se reforçando e reposicionando. O Irã intensificou o recebimento de armas, equipamentos e materiais de seus aliados, reposiciona tropas, etc. O EUA também apresenta intenso tráfego aéreo em direção ao Oriente Médio, o que também indica a intensificação da reposição e reposicionamento dos mesmos recursos que o Irã.

De efetivo nesse primeiro momento é a situação de Ormuz. O Irã se negou a dividir ganhos com o pedágio com os estadunidenses, e a resposta foi um suposto fechamento do Estreito por parte da Marinha do EUA, que já está valendo. A resposta iraniana foi anunciar o fechamento de todos os portos do Oriente Médio, e agora qualquer navio que entre ou saia de um desses portos poderá ser atacado.

Outra reação a esse fechamento de Ormuz pelo EUA foi da China, e foi o chefe de suas forças armadas que anunciou que os navios chineses irão entrar e sair do Golfo Pérsico e qualquer ataque a eles será respondido de forma dura. O resultado é que nas primeiras 24h de bloqueio ao menos 20 navios de BRICS variados, e até de outras nacionalidades, passaram pelo bloqueio estadunidense sem serem incomodados.

O boquirroto sem noção da Casa Branca vem acelerando a queda do poderio e da influência do EUA pelo mundo. Claro, ainda os tem muito, mas sua queda é cada vez mais notável. 

A queda de Trump também. Nem precisamos falar dos democratas, mas nunca chegou a ser unanimidade, nem mesmo entre os republicanos, e agora já há sinais em seu próprio partido de que está sendo fritado e uma sucessão é preparada, e até parte importante das Forças Armadas parecem estar se rebelando contra as decisões equivocadas e tresloucadas de seu chefe, e a demissão de cerca de 10 Oficiais Generais na última semana, junto com alguns acontecimentos no campo de batalha corroboram isso.

No momento Trump e seu governo estão moribundos, e mesmo que não seja cassado, seu poder e capacidade de governar estarão limitados até seu último dia de mandato. Como digo sempre, em política tudo pode mudar de uma hora a outra, mas somado o histórico de seu período na Casa Branca, nada indica que tal reviravolta acontecerá. 

sábado, 11 de abril de 2026

Do Oriente Médio ao Brasil

Pessoal, no Oriente Médio, mesmo que com muitas dificuldades, um cessar-fogo foi alcançado. Um parada nas hostilidades bastante delicada, porque não atende aos interesses de todos os envolvidos e por isso pode ser rompida a qualquer momento, mas ela é fundamental para que o próprio EUA possa tentar colocar ordem na casa, ou seja, tentar minar toda a oposição que se levantou contra Trump e os Republicanos nos últimos meses, e que praticamente colocaram o governo numa sinuca de bico. Tem como sair? Sim, mas é difícil.

Mas enquanto aguardamos mais desenvolvimentos no Oriente Médio, voltemos nossos olhos ao Brasil, já que há um bom tempo não falamos dos desenvolvimentos em Terras Brasilis.

As movimentações políticas seguem pesadas na moribunda república brasileira. Muitas tentativas de judicializar as próximas eleições, o que no fundo tem sido uma prática bastante frequente da luta política no Brasil. Mais uma vez vemos sinais de uma imprensa tentando usar sua ascendência na informação da população através da manipulação de informações, o que acaba por deformar a percepção da realidade por parte do eleitor. Vemos isso de todos os lados, seja com a tentativa de ligar diretamente Lula a alguns dos grandes escândalos de corrupção que explodem em seu governo, seja pela tentativa de interferências externas na política nacional.

Isso é esperado, porque no fim das contas, Lula não se mexe para extirpar tais práticas corruptas quando assume, e acaba refém das mesmas. Quando necessário, elas são puxadas, e ele acaba arrastado na enxurrada de lama que sai desses esgotos represados. Sim, parte da culpa é dele mesmo.

Por outro lado, estouram denúncias de desvios de seus maiores opositores também, e até de alguns com menor alcance eleitoral no momento. Posicionamentos criminosamente anti-nacionais, adesão a ideologias e práticas universalistas e claramente prejudiciais ao Brasil são sempre lembradas, mas desvios e envolvimentos com crimes, alguns até eclodidos no próprio governo Lula não são descartados em seus portifólios.

Atreladas a tudo isso as pesquisas. Formas bisonhas, mas ainda eficazes de manipulação popular, algumas claramente manipuladas para apontarem tendências fantasiosas, outras, até sérias, apenas descartáveis pela distância do pleito e da clareza de definições dos grupos finais em disputa.

No meio disso tudo apenas uma candidatura difere das outras. Não é uma diferença total, mas o suficiente para afastá-la dessa mesmice, e que justo pelo que a difere tem condições de tentar controlar as outras, se conseguir a eleição.

Já Ciro Gomes, esqueçam. Se ele tiver um mínimo de bom-senso, ele vencerá para o Governo do Ceará, recolocará seu estado nos trilhos, e pavimentará novamente um caminho para poder tentar o Planalto com condições. Agora não é hora dele.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Bateram a porta na cara do cessar-fogo

Pessoal, como eu disse no final do texto em que falei do cessar-fogo, eu prefiro falar de desenvolvimento econômico, divulgar avanços científicos significativos, avanços nas relações humanas. Só que, como esperado, as iniciativas do Paquistão por um cessar-fogo que pudesse evoluir para um acordo de paz na região do Oriente Médio simplesmente deram com a cara na porta. Sim, reuniões, telefonemas, tempo de trabalho político e convencimento deram em nada, após uma aceitação de termos mínimos para tal acordo terem sido rapidamente rechaçados naquilo que não interessava a um dos lados.

E isso, claro, não é acordo. 

Israel, antes de completadas 10 horas de acordo já estava bombardeando o Líbano, que estava nominalmente citado nos 10 pontos do Irã (ponto 3), e logo após o EUA resolveu que a cobrança de taxa pela passagem em Ormuz (ponto 8) não lhe interessava na forma que era feito. Seguido a isso houve mais um bombardeio a Teerã por parte de forças do EUA, e a outros pontos do território iraniano por aliados do EUA.

O resultado óbvio foi o reinício total das hostilidades. A resposta iraniana foi bastante ampla, atingindo fortemente Israel, mas não só. Para se ter ideia, há notícias de 14 empresas estadunidenses terem sido atacadas em vários países da região, além de bases militares.

Apesar da torcida por paz, o fato é que esperava-se que o cessar-fogo não desse resultados, e que talvez não chegasse nem mesmo a alcançar as 2 semanas acordadas, tanto é que no mesmo texto em que falei do cessar-fogo falei também que ambos os lados deveriam reforçar suas posições bélicas onde as vissem débeis.

Mas acho que ninguém esperava que a quebra da trégua fosse tão rápida. 

Cessar-fogo no Oriente Médio. Será?

Pessoal!

🇮🇷 1.Fim permanente da guerra, não apenas um cessar-fogo temporário.
🇮🇷 2.Nenhum ataque futuro ao Irã, com garantias dos EUA e de Israel.
🇮🇷 3.Nenhum ataque israelense ao Hezbollah, inclusive no Líbano.
🇮🇷 4.Suspensão de todas as sanções, com alívio total.
🇮🇷 5.Fim dos combates na região como um todo, não apenas dos ataques ao Irã.
🇮🇷 6.Reabertura do Estreito de Ormuz; o Irã encerraria seu bloqueio.
🇮🇷 7.Regras de passagem segura em Ormuz para a navegação.
🇮🇷 8.Cobrança de cerca de US$ 2 milhões por navio, como taxa de trânsito em vez de compensação direta.
🇮🇷 9.Divisão das taxas com Omã, com partilha dos recursos.
🇮🇷 10.Uso da parte do Irã para reconstrução das infraestruturas danificadas.

Após a ameaça de varrer a civilização iraniana da face da Terra, esses são os 10 pontos que o Irã alega que o EUA aceitou para um cessar-fogo de 15 dias, e que a Casa Branca oficialmente já disse que aceita como ponto de partida para conversas de paz. Durante o cessar-fogo fogo haverá reuniões para que um acordo mais elaborado seja atingido.

Além do Paquistão, há relatos de que a China, e possivelmente a Rússia, estão por trás, garantindo ao Irã o cumprimento do cessar-fogo durante este período. Acredito que ambas as partes aproveitarão o período para reforçar algumas de suas posições, caso haja um recomeço das hostilidades.

Aqui torcemos pela paz e para uma solução que leve a um fim das hostilidades na região e em outros pontos chave do planeta. Prefiro falar de desenvolvimentos econômicos e de progresso nas relações internacionais e humanas. 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

No Oriente Médio acirramento e definições

Pessoal, a guerra iniciada por EUA e Israel contra o Irã já dura mais de 1 mês, e como previsto por mim e por vários outros, está escalando. Mas por outro lado, ela também esta desescalando, principalmente porque a coligação Ocidental parece estar perdendo o fôlego para manter as ações.

Os iranianos, a princípio, buscam uma guerra "dentro das regras", mas não estão se furtando em ultrapassar qualquer uma delas se o outro lado o fizer primeiro, ressalvados hospitais, universidades e escolas.

O outro lado tem buscado decapitar lideranças e faz ataques a civis de forma indiscriminada, o Irã começou a atacar lideranças e já não se omite em atingir civis que estejam próximos a um alvo militar. Atacam as instalações energéticas persas, imediatamente elas são atacadas em Israel e no país de onde partiu o ataque às instalações no Irã. A questão é que o Irã o tem feito com tanta ou mais violência quanto aquela usada por seus inimigos.

Tudo isso se junta ao fechamento do Estreito de Ormuz, à adesão oficial dos Houthis, que já alvejaram ao menos 1 petroleiro que ia para o Norte passando por Bab el-Mandeb, já atingiu o território israelense com mísseis, e com o aviso que atacarão países que ataquem ao Irã ou defendam Israel, e isso a começar pelo próprio Israel. Pelo Norte temos o Hezbollah, que vem infligindo algumas derrotas duras às forças de Israel, com a destruição de vários tanques e muitas baixas entre os israelenses. Por fim também vemos a adesão de outras milícias menores de lado a lado, e alguns Estados do Oriente Médio também começam a se posicionar contra o Irã.

Talvez uma conquista a ser comemorada pelo chamado "eixo da resistência" seja a anunciada  e já iniciada, retirada de todas as forças da OTAN do Iraque, pais ocupado desde o início dos anos 2000, resultado da segunda Guerra do Golfo.

Para aumentar o incêndio regional, tivemos um comunicado conjunto de 22 países dizendo que estão prontos a enviar tropas para liberarem o Estreito de Ormuz. Se cumprirem a promessa, a situação tem tudo para fugir de vez ao controle, com nações que apoiam o Irã também entrando efetivamente no conflito, e na melhor das hipóteses os campos de petróleo do Oriente Médio sendo totalmente destruídos, e uma grave crise energética acontecendo. E vejam, esta é a melhor das hipóteses. Isso porque para um lado é crucial que o Irã caia, e para o outro é crucial que ele não caia.

Sim, mas a cereja deste bolo solado e mofado é o ataque de Israel e EUA às Instalações nucleares de Natanz no Irã, que já respondeu atacando as instalações de pesquisas nucleares de Dimona em Israel. Embora tenhamos tido muitas baixas declaradas pela mídia israelense em dimona, até agora não tivemos informações de vazamentos nucleares em nenhuma das Instalações nucleares, mas até quando?

Do lado do EUA temos um Presidente que segue numa gangorra verborrágica em que uma hora ele venceu a guerra, em outra os iranianos lhe estão enviando presentes em forma de navios de óleo e gás, numa outra os iranianos imploram por um cessar-fogo, em outra temos a ameaça de destruir completamente o Irã, mais um pouco e haverá invasão terrestre, no minuto seguinte deixarão a região, mas sabe-se que alguns milhares de soldados estão sendo enviados à região, entre outras coisas, porque chegou a implorar por apoio dos europeus, alguns asiáticos,  etc., que apesar da carta em que muitos assinaram apoio e promessas de envio de forças, nada efetivamemte foi feito. Ao contrário, após a Espanha ter iniciado um posicionamento confrontando diretamente às solicitações, e ao início das ameaças e bravatas saídas da Presidência estadunidense, isso foi seguido por Itália e França, e agora um longo trecho do Mediterrâneo está fechado a aeronaves bélicas do EUA que estejam envolvidas no conflito com o Irã.

Ao mesmo tempo o Estreito de Ormuz aos poucos vem sendo reaberto. Não porque o Irã esteja cedendo a pressões ou aos ataques do EUA, mas porque a nova realidade, de pagar uma taxa aos persas pela passagem do Estreito, vem sendo seguida pelas empresas e países que operam pela passagem, e com isso têm tido autorização a navegar sem riscos. Agora o Irã ainda fala em controlar o Estreito conjuntamente com Omã. Além de diminuir oposição na região, pode conquistar o apoio de Omã e dividir os países Árabes.

Como vemos a situação se deteriora dia a dia, com os ataques de ambos os lados crescendo em violência e risco à vida, até mesmo de outras regiões que não o Oriente Médio.

Na melhor das hipóteses sairemos disso com uma enorme crise energética, e mesmo que ela já tenha começado, ela ainda é tímida porque muitos países estão liberando seus estoques de reserva de petróleo, mas deve se aprofundar muito, na forma de uma inflação bastante alta, a falta de muitos produtos nas prateleiras, e até mesmo de comida, além claro, do desabastecimento de combustíveis diversos e outros subprodutos do petróleo, incluindo medicamentos. Não à toa Trump retirou embargos ao petróleo russo, e até a parte do iraniano, enquanto segue numa tentativa de reabrir Ormuz à força.

A isso se soma uma grande quebra no fornecimento de fertilizantes para o mundo, já que boa parte desses insumos à agricultura utilizados por muitos países saem dessa região, e entre as regiões que podem sofrer fortemente com essa escassez de fertilizantes estão o Brasil e até a Europa.

Apesar das perdas que já chegam à casa de algumas dezenas de bilhões de dólares, principalmente por parte do EUA, Trump segue ameaçando aliados com quem mantém laços cada vez mais frágeis, justamente pela forma truculenta e pouco respeitosa como se relaciona com eles. A busca por uma dominância e primazia tem gerado mais isolamento e antipatia do que alcançado os objetivos declarados pela liderança estadunidense.

Trump também segue apresentando planos de paz aos iranianos, mas eles sempre são fundamentalmete iguais, e incluem condições que significam a capitulação persa, como o fim de seu programa missilístico, o fim de seu programa nuclear, a entrega do material nuclear já enriquecido, entre outras situações que são impostas ao lado perdedor, não a um lado que está impondo pesadas perdas a você e que está muito longe de ser vencido.

Já para o Irã e o eixo da resistência a batalha é mais que existencialmente política, porque poderá significar a eliminação física de suas populações e êxodo de milhões de pessoas, dado o histórico longevo e também recente de seus inimigos. Perder para eles não é opção, e eles até agora mostram que estão muito longe disso, e têm dado novos avisos de sua capacidade, como foi o caso dos dois mísseis lançados contra a base britânica de Diego Garcia, que tem servido para reabastecimento e reparos da frota estadunidense, além de lançar ataques com os bombardeiros B-2. Esses mísseis, no fundo, não tinham a intenção de atingir diretamente a base, mas de avisar para cessem seu uso, porque os persas podem atingi-la, se quiserem. Ao mesmo tempo há quem diga que foi um ataque de falsa bandeira, com o intuito de levar o Reino Unido a se juntar diretamente às ações, já que esta base pertence a eles.

A enfraquecida Europa se exime de entrar no conflito justamente por estar muito enfraquecida. Anos da estupidez liberal deteriorou suas bases tecnológica, produtiva e de acesso a recursos. O relativamente pouco que ainda tem é resguardado para a defesa do próprio território, numa paranóia coletiva histórica com os russos, que no fundo nunca buscaram conquistar territorialmente essa região, mas várias vezes buscaram aproximação e relacionamento cultural e econômico, que cedo ou tarde foram sempre rechaçados.

Para as grandes potências que apoiam o Irã, a sobrevivência do país é fundamental para seus planejamentos estratégicos. Não há risco exitencial em si, mas problemas externos  e internos que podem enfraquecer e fazer retrocederem as conquistas dos últimos anos. A China mantém fortes relações comerciais e tem um tratado de relacionamento estratégico com os iranianos. Além de receber insumos energéticos e outros dos persas, também há intercâmbio tecnológico, e o Irã é um entroncamento básico das chamadas "novas rotas da seda".

Já os russos também assinaram um tratado parecido com o Irã. Além disso os persas são importantes na contenção de ameças aos russos pelo Sul, e na expansão do comércio orientado de Moscou para toda a região de influência persa.

Toda essa insensatez tende a gerar uma grande tragédia. E ela ainda é reforçada por grupos fundamentalistas religiosos, que conseguiram chegar ao poder, e que defendem essa degradação como fundamental para a chegada de um "Salvador".

A grave crise energética, econômica, e até alimentar já nos bate a porta, e questão já não é se, mas quando ela entrará realmente com força. Uma interrupção das hostilidades nesse momento apenas fará com que ela seja um pouco menos grave e mais curta, mas não vai impedi-la. 
Ao contrário, quanto mais tempo as hostilidades persistirem, quanto mais teremos uma crise longa, profunda, e com enorme potencial de envolvimento de outros Estados, e talvez até do uso de armas de destruição em massa.

Toda essa situação está nas mãos de um sujeito com todas as características de um adolescente desorientado. A dúvida é se teremos TACO, ou seja, se ele vai amarelar de novo, ou se ele está tão acuado que levará o mundo a uma situação catastrófica, e que diferente do que se pensa, da crença nuna inatingibilidade do EUA, a verdade é que seu país será um dos mais prejudicados no processo. A América já não é mais inatingível. A distância e a separação por 2 oceanos já não são mais uma proteção natural quase intransponível. Mas se isso ainda provê uma certa segurança bélica, a sequência de ações estupidas não a protegerá de uma gravíssima crise econômica, pior provocada pelo governo que prometeu MAGA, mas certamente vai entregar decadência e perda de prestígio.

Veremos.