Pessoal, a guerra iniciada por EUA e Israel contra o Irã já dura mais de 1 mês, e como previsto por mim e por vários outros, está escalando. Mas por outro lado, ela também esta desescalando, principalmente porque a coligação Ocidental parece estar perdendo o fôlego para manter as ações.
Os iranianos, a princípio, buscam uma guerra "dentro das regras", mas não estão se furtando em ultrapassar qualquer uma delas se o outro lado o fizer primeiro, ressalvados hospitais, universidades e escolas.
Os iranianos, a princípio, buscam uma guerra "dentro das regras", mas não estão se furtando em ultrapassar qualquer uma delas se o outro lado o fizer primeiro, ressalvados hospitais, universidades e escolas.
O outro lado tem buscado decapitar lideranças e faz ataques a civis de forma indiscriminada, o Irã começou a atacar lideranças e já não se omite em atingir civis que estejam próximos a um alvo militar. Atacam as instalações energéticas persas, imediatamente elas são atacadas em Israel e no país de onde partiu o ataque às instalações no Irã. A questão é que o Irã o tem feito com tanta ou mais violência quanto aquela usada por seus inimigos.
Tudo isso se junta ao fechamento do Estreito de Ormuz, à adesão oficial dos Houthis, que já alvejaram ao menos 1 petroleiro que ia para o Norte passando por Bab el-Mandeb, já atingiu o território israelense com mísseis, e com o aviso que atacarão países que ataquem ao Irã ou defendam Israel, e isso a começar pelo próprio Israel. Pelo Norte temos o Hezbollah, que vem infligindo algumas derrotas duras às forças de Israel, com a destruição de vários tanques e muitas baixas entre os israelenses. Por fim também vemos a adesão de outras milícias menores de lado a lado, e alguns Estados do Oriente Médio também começam a se posicionar contra o Irã.
Talvez uma conquista a ser comemorada pelo chamado "eixo da resistência" seja a anunciada e já iniciada, retirada de todas as forças da OTAN do Iraque, pais ocupado desde o início dos anos 2000, resultado da segunda Guerra do Golfo.
Para aumentar o incêndio regional, tivemos um comunicado conjunto de 22 países dizendo que estão prontos a enviar tropas para liberarem o Estreito de Ormuz. Se cumprirem a promessa, a situação tem tudo para fugir de vez ao controle, com nações que apoiam o Irã também entrando efetivamente no conflito, e na melhor das hipóteses os campos de petróleo do Oriente Médio sendo totalmente destruídos, e uma grave crise energética acontecendo. E vejam, esta é a melhor das hipóteses. Isso porque para um lado é crucial que o Irã caia, e para o outro é crucial que ele não caia.
Sim, mas a cereja deste bolo solado e mofado é o ataque de Israel e EUA às Instalações nucleares de Natanz no Irã, que já respondeu atacando as instalações de pesquisas nucleares de Dimona em Israel. Embora tenhamos tido muitas baixas declaradas pela mídia israelense em dimona, até agora não tivemos informações de vazamentos nucleares em nenhuma das Instalações nucleares, mas até quando?
Do lado do EUA temos um Presidente que segue numa gangorra verborrágica em que uma hora ele venceu a guerra, em outra os iranianos lhe estão enviando presentes em forma de navios de óleo e gás, numa outra os iranianos imploram por um cessar-fogo, em outra temos a ameaça de destruir completamente o Irã, mais um pouco e haverá invasão terrestre, no minuto seguinte deixarão a região, mas sabe-se que alguns milhares de soldados estão sendo enviados à região, entre outras coisas, porque chegou a implorar por apoio dos europeus, alguns asiáticos, etc., que apesar da carta em que muitos assinaram apoio e promessas de envio de forças, nada efetivamemte foi feito. Ao contrário, após a Espanha ter iniciado um posicionamento confrontando diretamente às solicitações, e ao início das ameaças e bravatas saídas da Presidência estadunidense, isso foi seguido por Itália e França, e agora um longo trecho do Mediterrâneo está fechado a aeronaves bélicas do EUA que estejam envolvidas no conflito com o Irã.
Ao mesmo tempo o Estreito de Ormuz aos poucos vem sendo reaberto. Não porque o Irã esteja cedendo a pressões ou aos ataques do EUA, mas porque a nova realidade, de pagar uma taxa aos persas pela passagem do Estreito, vem sendo seguida pelas empresas e países que operam pela passagem, e com isso têm tido autorização a navegar sem riscos. Agora o Irã ainda fala em controlar o Estreito conjuntamente com Omã. Além de diminuir oposição na região, pode conquistar o apoio de Omã e dividir os países Árabes.
Como vemos a situação se deteriora dia a dia, com os ataques de ambos os lados crescendo em violência e risco à vida, até mesmo de outras regiões que não o Oriente Médio.
Na melhor das hipóteses sairemos disso com uma enorme crise energética, e mesmo que ela já tenha começado, ela ainda é tímida porque muitos países estão liberando seus estoques de reserva de petróleo, mas deve se aprofundar muito, na forma de uma inflação bastante alta, a falta de muitos produtos nas prateleiras, e até mesmo de comida, além claro, do desabastecimento de combustíveis diversos e outros subprodutos do petróleo, incluindo medicamentos. Não à toa Trump retirou embargos ao petróleo russo, e até a parte do iraniano, enquanto segue numa tentativa de reabrir Ormuz à força.
A isso se soma uma grande quebra no fornecimento de fertilizantes para o mundo, já que boa parte desses insumos à agricultura utilizados por muitos países saem dessa região, e entre as regiões que podem sofrer fortemente com essa escassez de fertilizantes estão o Brasil e até a Europa.
Apesar das perdas que já chegam à casa de algumas dezenas de bilhões de dólares, principalmente por parte do EUA, Trump segue ameaçando aliados com quem mantém laços cada vez mais frágeis, justamente pela forma truculenta e pouco respeitosa como se relaciona com eles. A busca por uma dominância e primazia tem gerado mais isolamento e antipatia do que alcançado os objetivos declarados pela liderança estadunidense.
Trump também segue apresentando planos de paz aos iranianos, mas eles sempre são fundamentalmete iguais, e incluem condições que significam a capitulação persa, como o fim de seu programa missilístico, o fim de seu programa nuclear, a entrega do material nuclear já enriquecido, entre outras situações que são impostas ao lado perdedor, não a um lado que está impondo pesadas perdas a você e que está muito longe de ser vencido.
Já para o Irã e o eixo da resistência a batalha é mais que existencialmente política, porque poderá significar a eliminação física de suas populações e êxodo de milhões de pessoas, dado o histórico longevo e também recente de seus inimigos. Perder para eles não é opção, e eles até agora mostram que estão muito longe disso, e têm dado novos avisos de sua capacidade, como foi o caso dos dois mísseis lançados contra a base britânica de Diego Garcia, que tem servido para reabastecimento e reparos da frota estadunidense, além de lançar ataques com os bombardeiros B-2. Esses mísseis, no fundo, não tinham a intenção de atingir diretamente a base, mas de avisar para cessem seu uso, porque os persas podem atingi-la, se quiserem. Ao mesmo tempo há quem diga que foi um ataque de falsa bandeira, com o intuito de levar o Reino Unido a se juntar diretamente às ações, já que esta base pertence a eles.
A enfraquecida Europa se exime de entrar no conflito justamente por estar muito enfraquecida. Anos da estupidez liberal deteriorou suas bases tecnológica, produtiva e de acesso a recursos. O relativamente pouco que ainda tem é resguardado para a defesa do próprio território, numa paranóia coletiva histórica com os russos, que no fundo nunca buscaram conquistar territorialmente essa região, mas várias vezes buscaram aproximação e relacionamento cultural e econômico, que cedo ou tarde foram sempre rechaçados.
Para as grandes potências que apoiam o Irã, a sobrevivência do país é fundamental para seus planejamentos estratégicos. Não há risco exitencial em si, mas problemas externos e internos que podem enfraquecer e fazer retrocederem as conquistas dos últimos anos. A China mantém fortes relações comerciais e tem um tratado de relacionamento estratégico com os iranianos. Além de receber insumos energéticos e outros dos persas, também há intercâmbio tecnológico, e o Irã é um entroncamento básico das chamadas "novas rotas da seda".
Já os russos também assinaram um tratado parecido com o Irã. Além disso os persas são importantes na contenção de ameças aos russos pelo Sul, e na expansão do comércio orientado de Moscou para toda a região de influência persa.
Toda essa insensatez tende a gerar uma grande tragédia. E ela ainda é reforçada por grupos fundamentalistas religiosos, que conseguiram chegar ao poder, e que defendem essa degradação como fundamental para a chegada de um "Salvador".
A grave crise energética, econômica, e até alimentar já nos bate a porta, e questão já não é se, mas quando ela entrará realmente com força. Uma interrupção das hostilidades nesse momento apenas fará com que ela seja um pouco menos grave e mais curta, mas não vai impedi-la. Ao contrário, quanto mais tempo as hostilidades persistirem, quanto mais teremos uma crise longa, profunda, e com enorme potencial de envolvimento de outros Estados, e talvez até do uso de armas de destruição em massa.
Toda essa situação está nas mãos de um sujeito com todas as características de um adolescente desorientado. A dúvida é se teremos TACO, ou seja, se ele vai amarelar de novo, ou se ele está tão acuado que levará o mundo a uma situação catastrófica, e que diferente do que se pensa, da crença nuna inatingibilidade do EUA, a verdade é que seu país será um dos mais prejudicados no processo. A América já não é mais inatingível. A distância e a separação por 2 oceanos já não são mais uma proteção natural quase intransponível. Mas se isso ainda provê uma certa segurança bélica, a sequência de ações estupidas não a protegerá de uma gravíssima crise econômica, pior provocada pelo governo que prometeu MAGA, mas certamente vai entregar decadência e perda de prestígio.
Veremos.
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