Pessoal, o Senado vetou o nome de Jorge Messias, atual Advogado Geral da União, para o STF.. O nome passou na Comissão de Constituição e Justiça, mas foi reprovado no Plenário por 42 votos contra Messias, e 34 a favor. Uma diferença de 8 votos que diz mais sobre o caráter da política no Brasil do que qualquer outra coisa. E não, não é uma ideologia do tipo democrática ou moralizadora, mas tão somente luta por poder e acesso cada vez mais direto e sem riscos aos cofres do país.
Explico: o resultado da votação, que correu de modo secreto, não buscou atender a um clamor popular, ainda que possa ter havido tal clamor. Tampouco foi na busca de uma moralização das indicações. Na verdade, o resultado se deu tão somente devido ao momento eleitoral. Há nítida indefinição do resultado das próximas eleições, com pesquisas apontando vitória apertada de um lado ou outro, ou mesmo empate técnico. Esse quadro foi suficiente para a recusa do nome indicado por Lula, e a indicação deverá ser deixada para a próxima administração, e seja qual for o próximo Presidente, ficou a mensagem de que o nome deve ser negociado com o Senado.
A ideologia que manda nos atos de nossos políticos é individualista, ou seja, o que eles, de forma individual, podem ganhar com um determinado ato. Por que gastar uma indicação ao STF com um governo que está acabando, se podem negociar melhor com um governo que se iniciará em menos de 10 meses e que já chegará com uma faca no pescoço devido ao resultado de agora?
Quanto ao processo que deu no veto a Messias, o Governo só entrou com a indicação porque acreditava ter os votos necessários para sua aprovação. Manobras claras e outras nem tão claras de Davi Alcolumbre, Presidente do Senado, mudaram o resultado esperado.
Mas ainda mais importante do que a rejeição do nome de Messias ao STF, o resultado da Plenária do Senado deixou claro que o Governo Lula III acabou. Não haverá aprovação de pautas de interesse do Governo, e mesmo as poucas coisas interessantes que Lula mandou para aprovação como forma de campanha devem ser rejeitadas, arquivadas, ou deixadas para discussão na próxima legislatura.
E enquanto muitos dizem que Lula foi traído, que ele não conseguiu isso por motivos espúrios, a grande verdade é que Lula é um dos responsáveis pelo que ocorreu. Jamais politizou o povo, jamais cumpriu com suas promessas com o povo, sempre teve suas alianças com a classe econômica dominante, e as classes políticas dominantes como as únicas coisas que realmente interessavam. Ao povo a conversa e migalhas, às classes dominantes as críticas e as benesses. Isso minou popularidade e credibilidade. Tenha havido ou não interferência de membros do STF, o resultado era previsível. Lula está claramente enfraquecido, até eleitoralmente, está enfraquecido politicamente por nunca ter colocado um limite às “negociações”, e está enfraquecido pela idade. Os Senadores optaram por esperar o próximo governo.
Como o próprio Lula vive dizendo; ele plantou, agora colheu. Seu governo acabou precocemente.
Feliz 1º de Maio, Dia do Trabalhador.