domingo, 31 de maio de 2026

Trump enquadra Brasil com lei antiterrorista

Pessoal, como eu disse no meu texto em que comentei rapidamente o encontro entre Trump e Lula, o norte-americano não iria cumprir acordo, e muito menos atender a algum pedido do brasileiro. Isso já começou. A questão aqui é a inclusão de PCC e CV como grupos terroristas.

Entendam, não há um risco, ao menos não imediato, de que Trump ou seu sucessor venham a atacar o Brasil militarmente. Além de uma ação complicada, isso exigiria gastos e riscos que muitos líderes de ambos os partidos da dualidade política eleitoral estadunidense têm observado e buscado evitar. Ações como as da Ucrânia e no Irã cada vez mais são vistas como problemas, e talvez não acreditem que uma ação contra o Brasil venha realmente a ser proveitosa.

Mas os brasileiros podem esperar sanções, retaliações comerciais, financeiras, e até mesmo a busca de isolar o país do sistema de pagamentos Ocidental, o famoso SWIFT, além do confisco de propriedades e valores financeiros ou físicos que estejam em território do EUA ou em de seus vassalos mais fiéis.

E lamento informar, mas a saída para isso não é negociar com o EUA. Como eu disse, não está no DNA de formação do país e de sua egrégora negociar e cumprir acordos, mas tão somente impor condições. Então o Brasil tem que buscar outros relacionamentos internacionais, e com uma aproximação distinta à que foi feita com os norte-americanos. Se a classe dominante brasileira irá entender isso, aí já é outra história.




terça-feira, 26 de maio de 2026

Caso Aldo Rebelo é sintoma de falta de democracia

Pessoal, o caso de Aldo Rebelo no Democracia Cristã é emblemático da falta de democracia no país. O nome do veterano político foi lançado como pré-candidato à Presidência da República, mas o nome não decolou, salvo em bolhas nacionalistas que prestaram e prestam apoio a Aldo. Acontece que, sob o pretexto dos baixos números nas pesquisas, o presidente do partido, João Caldas, anunciou a mudança na pré-candidatura, trocando Aldo por Joaquim Barbosa, ex-Ministro do STF, e líder no julgamento do chamado “mensalão”, e um dos responsáveis em mudar os rumos do país na área jurídica, o que até hoje causa muito problema.

Claro que João Caldas não tomou essa decisão sozinho e provavelmente atende aos interesses de lideranças regionais, que esperam uma candidatura mais forte com Joaquim Barbosa, e com isso melhores negociações na troca de apoios num segundo turno, e mesmo num primeiro turno.

Só que a coisa não parou por aí. Aldo não ficou calado, divulgou uma carta aberta fazendo denúncias a João Caldas; disse que não é o presidente do partido quem decide isso, mas mas sim a convenção partidária; que sua pré-candidatura segue igual, e que poderá ajuizar a questão caso não possa concorrer na convenção partidária. A carta e as entrevistas dadas por Aldo levaram João Caldas a iniciar um processo disciplinar interno que pode levar à decisão de expulsar Aldo do partido. Para culminar foi divulgado por diversas mídias que Aldo encontrou João Caldas no aeroporto de Brasília, e Aldo teria cobrado o presidente do partido pela confusão criada na pré-candidatura, e até partido para as chamadas “vias de fato”. Além disso Aldo tem recebido muito apoio de grupos nacionalistas e de dentro do próprio partido.

E é por isso que não acredito no que chamam de democracia. Na verdade, o Ocidente é, de modo geral, dominado e governado por oligarquias, e os interesses das populações só são atendidos de forma acidental. Ou seja, atendem-se os interesses de suas oligarquias, e se sobrar algo, atende-se algum interesse da população. O nome disso é uma ditadura oligáquica, não democracia. Na atualidade ocidental eles disfarçam essa ditadura com eleições absolutamente controladas, de forma que qualquer risco a esse sistema é eliminado já no nascedouro das candidaturas. Não há embate de ideologias ou planos de governo, há apenas o embate e a negociação por carguinhos e benesses a políticos e grupos de apoio.

Esse é o processo que está ocorrendo no Democracia Cristã. Se a forma como Aldo Rebelo está reacionando a este processo pode dar ou não certo, o tempo dirá.

domingo, 24 de maio de 2026

Risco de crescimento no conflito europeu é iminente

Pessoal, Como eu já tinha dito aqui no Blog dos Mercantes, a Ucrânia aumentou sensivelmente os ataques a alvos civis e de infraestrutura energética na Rússia. Na semana que passou, de 17 a 23 de maio, atingiu um dormitório na região de Luhansk, além de áreas civis em Moscou e outras cidades do país. No dormitório estudantil tínhamos ao menos 86 adolescentes dormindo, além de pessoal que trabalha na casa. Ainda há sobreviventes e corpos sobre os escombros, e até o momento de gravação deste vídeo as buscas continuavam, então não se sabe ao certo o número de mortos e feridos.

Mas isso fez com que a pressão aumentasse e acabou por levar o próprio Putin a se pronunciar sobre a situação e prometeu uma enorme retaliação devido ao ataque ao dormitório estudantil.

Maria Zakharova porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo foi enfática em um pronunciamento que resumiu o pensamento do governo de Moscou:

1 - O regime de Kiev ataca infraestruturas civis diariamente; crianças estão entre seus alvos prioritários;

2 - A Rússia irá organizar uma visita para correspondentes de imprensa ao dormitório destruído assim que possível;

3 - Tóquio proibiu seus jornalistas de participarem em qualquer cobertura ao ataque ocorrido;

4 - A BBC se recusou a viajar ao local do ataque ao dormitório como forma de manter a desinformação Ocidental;

5 - Um grande número de jornalistas estrangeiros expressou o desejo em participar da visita;

6 - O Ocidente perdeu sua bússula moral ao negar a tragédia em Starobelsk.

Com esse clima Zelensky fala abertamente em um ataque à Bielorússia, e Lukashenko afirma que estará totalmente preparado para um confronto bélico. E na Rússia já se estuda uma retaliação, ou mesmo uma invasão de algum, ou alguns Estados Bálticos, que já não apenas bradam pela guerra, mas participam diretamente dela ao abrirem seus céus aos drones ucranianos para ataques ao território russo, principalmente voltados a São Petersburgo.

Pois é, como venho falando, a situação vem se agravando no Leste Europeu. Na noite de 23 para 24 de maio a Rússia promoveu o maior ataque ao centro de Kiev. Foram ao menos 2 Oreshiniks, além de Zirkons, Skanders e mísseis lançados da frota naval no Mar Negro. Os alvos foram militares, como centros de comando, centros de tomada de decisão, ou centros políticos, embora ainda não tenha atacado o coração do regime de Kiev em si. Só que, diferente de outras retaliações russas, dessa vez tudo indica que Moscou irá manter, ou até aumentar a pressão sobre os ucranianos de forma a dar fim ao conflito que já se prolonga por mais de 4 anos.

Esse novo posicionamento russo abre duas opções de cara. A primeira é que a situação da Ucrânia pode se resolver de vez, porque um aumento de pressão desses teria objetivo, inclusive, de eliminar a oligarquia ucraniana que se aliou ao Ocidente e levou o país ao atual conflito, e se, essa oligarquia a Ucrânia para de lutar.

O segundo é mais trágico, porque pode envolver mais diretamente ainda outros países da UE e NATO, o que escalaria o conflito direto a outras regiões da Europa. Isso porque sem Ucrânia não restaria outra opção que não fosse a entrada direta da NATO se o objetivo for realmente impor uma derrota estratégica aos russos. Se a situação não mudar drasticamente nas próximas semanas, ou talvez mesmo dias, ao menos um Estado Báltico pode ser diretamente alvo de retaliação russa, até porque já estão envolvidos no conflito, e esses Estados são membros diretos da NATO, o que pode gerar a evocação do Art. 5, e o envolvimento direto de outros países.

A Rússia pode ter cometido um erro ao não estabelecer claramente e fazer valerem suas linhas vermelhas, mas agora parece estar perdendo a paciência. Ao mesmo tempo a verdade é que o a União Européia e sua parte NATO estão bastante fragilizados militarmente após terem entregue enorme quantidade de armas à Ucrânia, e não terem sido capazes de substituírem essas armas.

A situação ainda pode piorar muito antes de acalmar, porque muitos líderes europeus perderam completamente o bom-senso, e se movem movidos por preconceitos e ódios ancestrais absolutamente ilógicos. As eleições parecem ser um instrumento muito pouco eficaz para controlar essas oligarquias sem conexão com seus povos e até com a realidade. Esse é um quadro que tende a não se resolver rapidamente, e nem por processos pacíficos. Infelizmente!

Apesar de algumas vozes pedindo por negociações e pacificação nas relações entre russos e europeus, até o momento nada indica que isso venha realmente a acontecer, e mesmo os nomes ventilados para liderarem as possíveis negociações com os russos são ou abertamente anti-russos, ou os russos desconfiam devido a traições e posicionamento dúbios em um passado não tão distante. Ou seja, o termômetro indica crescimento das hostilidades, não negociações, ao menos não negociações sérias.



sábado, 23 de maio de 2026

Escalada no Leste europeu já começou

Pessoal, a situação no Leste Europeu está escalando e começando a preocupar. Em março de 2026 os russos divulgaram uma lista com endereços de várias empresas em países da Europa Ocidental e do chamado Ocidente alargado, que incluem Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Lituânia, República Tcheca, Espanha, Israel, Países Baixos, Polônia, Itália, Turquia, Letônia. Segundo os russos essas empresas produzem e fornecem peças, drones, e outras armas usadas pela Ucrânia, e que agora estão atacando o território russo em profundidade, o que significa uma mudança estratégica no conflito, porque se une a abertura do espaço aéreo de alguns países bálticos para que esses ataques sejam possíveis sem o risco de serem impedidos pela artilharia anti-aérea russa. À época, Medvedev, o ex-Presidente russo, e atual Vice-presidente do Conselho de Segurança do país, postou que a Rússia poderia retaliar duramente os agressores do território russo, e anexou a lista à sua postagem. O recado que as empresas desses países estão sujeitas a essa retaliação foi claro.

Mas apesar disso, desde essa época a coisa piorou, e os ataques passaram a atingir a infraestrutura, principalmente a ligada a área de energia, e áreas civis da Rússia. Até o momento os russos não atacaram as empresas listadas, mas caíram drones ucranianos na Letônia, o que foi atribuído à interferência russa em seus sistemas de navegação. Seja como for, o Ministro da Defesa do país se demitiu após o ocorrido. E até agora, mesmo com tudo isso os russos não retaliaram nos países Ocidentais, e os ataques na profundidade russa não pararam.

Mas algo mudou. Zelensky prometia atacar o grande desfile militar do 9 de Maio na Rússia, o dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, que eles chamam de Grande Guerra Patriótica. O aviso de Moscou foi claro. Mandou evacuar o centro de Kiev, e caso houvesse qualquer ataque o centro da capital ucraniana seria pulverizado. O tom foi tão alto que Zelensky emitiu um decreto proibindo qualquer ataque aos desfiles do Dia 9, e eles não ocorreram, ainda que tenhamos visto alguns ataques a outras áreas.

Só que os repetidos ataques a civis e à infraestrutura russa geraram pressão interna pelo fim da guerra, mas não por ceder aos interesses dos ocidentais e da Ucrânia, mas um fim dado por vitória russa. E parece que a pressão começa a surtir efeito, porque poucos dias após o dia 9 de maio os russos realizaram o maior ataque com mísseis e drones aos ucranianos. Foram ao menos 1600 drones e 200 mísseis que atingiram seus alvos, a grande maioria em Kiev, mas Liviv também foi atacada.

Kiev respondeu, também com um grande ataque, e voltou a acertar os mesmos tipos de alvos. O problema é que depois deste grande ataque os russos aumentaram o ritmo de ataques diários, estão quase conquistando a totalidade dos territórios dos 4 oblastes contestados na região da chamada Nova Rússia, e já se aproximam de Sumy, capital do oblast de mesmo nome, e que logo pode entrar em disputa também. Como foi avisado na última vez que negociaram, os russos reclamavam 4 oblastes, mas em outra oportunidade poderiam ser mais.

Em meio a tudo isso a imprensa internacional divulga que Xi Jinping teria dito a Trump que Putim um dia, ou agora, a depender da fonte, se arrependeria de ter iniciado o conflito na Ucrânia. Bem, dois pontos aqui. O primeiro é que o conflito já existia. Na verdade ele existe desde 2014, o que gerou os dois Acordos de Minsk. Inclusive os russos já tinham certo envolvimento no conflito, estavam e estão sendo ameaçados dia após dia pelos ucranianos e pela Europa Ocidental, e em 2022 eles apenas entraram de vez nas escaramuças.

O segundo ponto é mais específico, e mostra o fato de que os russos têm esse problema em suas fronteiras, não do outro lado do maior oceano da Terra e com os agitadores próximos sendo ilhas pouco militarizadas e que oferecem pouco risco ao território e povo de seu país, como é o caso dos chineses. No dia em que eles sentiram o risco próximo a suas fronteiras, eles enviaram 300.000 homens e interferiram diretamente na Guerra da Coreia, causando o cessar-fogo que já dura décadas, e reduzindo sensivelmente o risco que sentiam.

Mas a fala de Xi Jinping também pode ser apenas uma isca plantada para tentar criar problemas na relação entre Pequim e Moscou, até porque Putin chegou esta semana com uma grande comitiva na capital chinesa para a conclusão de uma série de negociações e a assinatura de uma série de acordos que aproximará ainda mais os 2 países. Além disso está programada a assinatura e divulgação de um documento que seria uma espécie de “certidão de nascimento” da nova ordem mundial. O parto é sangrento e cheio de lágrimas, e a princípio está longe do fim, além de poder se estender a outras parte do globo também. Falo dos conflitos na Ucrânia, no Oriente Médio, escaramuças menores na África, e há possibilidades de que esses conflitos ocorram em outros lugares também, como Taiwan, e outros pontos da Ásia.

Apesar dos claros avisos dados pelo líder chinês a Trump nas reuniões dos dias 14 e 15 de maio não acredito que o líder americano tenha a autonomia para deixar as interferências em Taiwan, deixar os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, e ao fim levar seu país a se acomodar na nova ordem mundial. Não faz parte do DNA estadunidense, não faz parte de sua psique, não faz parte da ideologia fazer e cumprir acordos. E isso se traduz nas falas de Trump em atacar Taiwan sobre a indústria de semicondutores, se traduz na fala de Trump em dizer que iria cancelar a venda de armas tão logo chegou ao EUA, e se traduz no retrocesso em tudo o que disse, uma vez que a venda de armas foi confirmada, e o apoio a Taiwan também.

A verdade é que a grande maioria dos governos ocidentais se tornaram governos oligárquicos, e como tal eles defendem os interesses únicos e exclusivos de suas oligarquias. Eles hoje são mascarados de democracias, mas invariavelmente os eleitos defendem diretamente os interesses dessas oligarquias, e quando não o fazem, ou são forçados a fazer, ou são depostos por meios jurídicos, revoluções coloridas, e quando não dá certo podem voltar a usar o bom e velho golpe militar, como ocorreu na Bolívia e Honduras há poucos anos. O EUA não foge a essa regra.


domingo, 17 de maio de 2026

A ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro é mais sério do que parece

Pessoal, a questão do envolvimento de Flávio Bolsonaro e outros membros da família com Daniel Vorcaro, no fundo, caíram como uma bomba na candidatura do filho mais velho da família à Presidência da República. A coisa começou com uma mentira e a acusação a um jornalista de ser um militante. Flávio tinha entrado em contato com Vorcaro, tinha pedido dinheiro, tinha tratado Vorcaro com certa intimidade, ou alguém aqui faz juras de fidelidade e apoio a quem não se tem intimidade?

Mas não para por aí. Além da soma absolutamente vultosa para uma produção deste tipo, ainda há afirmação de empresas ligadas a tal projeto de nunca terem recebido nenhum repasse vindo de Vorcaro ou suas empresas, há ligação de outros membros da família e correligionários, como o fugitivo Eduardo Bolsonaro e Mário Frias. Também há ligações com suspeitas de desvios de verbas em ONGs e empresas que receberam emendas dessas figuras citadas acima.

Até nas gravações do tal filme sobre Jair Bolsonaro, a justificativa usada para o repasse desse dinheiro, há indícios de descumprimento da legislação nacional, tanto da legislação audiovisual, quanto da legislação trabalhista.

Quando se vê que há uma série de ligações de políticos do alto clero bolsonarista com empresas, funcionários, ou benesses vindas de Vorcaro, aí acende-se muito fortemente o sinal de alerta das ligações dessas figuras com o ex-banqueiro preso por fraudes ao Fundo Garantidor de Crédito.

E mesmo a melhor das desculpas de Flávio Bolsonaro, de que era dinheiro privado, no fundo apenas pode abrir margem para o enquadramento em crimes previstos no Código Penal, porque ele e outros participaram de ações na tentativa de proteger Vorcaro e a eles próprios, e usaram seus cargos para isso.

Se isso irá se refletir efetivamente nas pesquisas de intenção de voto, ou se irá ser tratado com a devida seriedade que o caso requer, bem, isso é outra história. Seja como for, no momento o bolsonarismo está em crise, e nos bastidores já se buscam outros nomes que possam assumir o legado político de Jair Bolsonaro.

Mas calma bolsonaristas, porque o outro lado também está envolvido até o pescoço nessa confusão toda.


sábado, 16 de maio de 2026

Trump foi à China fazer negócios, voltou com cobranças

Pessoal, o evento geopolítico mais esperado no primeiro semestre desse ano era o encontro entre Donald Trump e Xi Jimping. Presidentes do EUA e da China. Sim, muito esperado pelo que poderia trazer de positivo, e ao mesmo tempo nada esperado pelo que poderia levar a uma queda nas relações entre as duas super-potências. Acabou sendo estéreo, sendo inóquo, e tentarei mostrar o porque neste post

Trump fez de tudo para chegar na China em uma posição de força, de poder, e o tentou da forma estadunidense de ser, pela força bruta. A guerra contra o Irã buscava muitos objetivos, entre eles se assenhorarem de um país chave para os BRICS, para as chamadas Novas Rotas da Seda, e para a China como um fornecedor importante de matérias-primas e serviços, e comprador de bens e outros serviços. Não conseguiu, e com isso chegou numa posição subalterna. Claro, os chineses não externaram isso de forma clara, mas o indicaram em muitos momentos, e o próprio Trump também o fez, principalmente quando perfilou sua comitiva de empresários e disse que eles eram os mais poderosos empresários do mundo e que, por favor, pediam aos chineses que aceitassem fazer negócios com eles.

Pelo lado chinês Xi Jimping colocou algumas linhas vermelhas aos estadunidenses, e essas não devem ser ultrapassadas. A principal é sobre Taiwan. O EUA deve se eximir de interferir e de vender armas aos taiwanenses. Aqui a primeira divergência, porque a resposta foi de que isso será feito de forma gradual, o que obviamente desagrada os chineses em cheio.

Mas não se limitou a isso. Ambos falaram da chamada “Armadilha de Tucídides”. Os americanos deram a entender que os chineses deveriam abrir mão do direito de seguir crescendo (como já fizeram com outros países, como Japão, Alemanha, Coreia do Sul, etc), enquanto os chineses disseram que ambos deviam se apoiar e crescerem juntos, evitando as sucessivas tentativas de impedir o desenvolvimento chinês. Falou também das tarifas, e que elas atrapalham o desenvolvimento de ambos, mas mais dos próprios estadunidenses.

E no final divergiram em praticamente tudo, porque mesmo quando concordam no geral, divergem no detalhe, e de forma muito oposta.

Estreito de Ormuz – Ambos o querem abertos, sendo que Trump o quer sem cobrança de passagem, e a China não só já o tem aberto, como não se importa com a modesta cobrança feita pelo Irã.

Irã – O EUA cobra que a China não entregue armas ao Irã, ao que a China diz que não o faz. Bem sabemos que ela já entregou muitas armas ao Irã, e agora talvez não entregue armas, mas peças de reposição e para a produção de armas, ou com duplo uso. Além dos interesses econômicos que os chineses têm no país dos persas e do acordo estratégico que os países mantêm ativo. Ou seja, os chineses não irão trair os iranianos, não irão rifar seu aliado para atender aos interesses e desejos de hegemonia de uma nação decadente.

Mudança geopolítica global – Ambos reconhecem que a ordem geopolítica global já mudou, e Xi Jimping cobra uma passagem com menos conflitos, em que o EUA se adeque e acomode na nova ordem mundial. Já o EUA diz que reconhece outras potências, mas que essas devem seguir a ordem vinda de Washington. E

Ao fim e ao cabo Trump foi tentar fazer negócios para ele e para sua oligarquia, não discutir geopolítica, já que depois da cúpula, e dadas várias declarações de membros políticos da delegação estadunidense, fica claro que eles seguem entendendo que o EUA é quem manda no mundo, ou seja, não reconhecem a nova ordem mundial.

Dos negócios, no fundo não conseguiu nada de efetivo. Trump disse que os chineses comprariam 750 aviões da Boeing, e sim, os chineses disseram que podem comprar 200 aviões da Boeing, mas dentro de determinadas condições, ou seja, nenhuma transação entre os chineses e a Boeing está garantida. O resultado foi uma queda de 4,5% das ações da empresa estadunidense.

Houve também a disposição de os chineses voltarem a comprar soja e outros produtos agrícolas do EUA. O problema é que há grande chance de o EUA ter uma enorme quebra em sua safra. Primeiro porque há falta de fertilizantes, e segundo porque o preço desses fertilizantes e outros insumos de produção dispararam, e isso devido às ações tresloucadas de seu governo.

E por último os chineses mostraram disposição em comprar petróleo do EUA, o que pode atender parte dos interesses chineses em aumentar seus estoques, e ainda vai piorar a situação acima, dos fertilizantes e preços de insumos para a produção agrícola, e também industrial. Mesmo que ganhem um pouco com a venda de petróleo, perdem em vários outros setores, talvez percam bem mais do que ganhem.

Outras áreas ofertadas por Trump para negócios, todas ligadas a alta tecnologia, como carros elétricos, chips de alta performance, telecomunicações, outras áreas da tecnologia espacial, etc. Bem, em todas essas áreas os chineses estão à frente dos estadunidenses, ou na pior das hipóteses no mesmo nível, e sempre com custo e preço mais baixo, então os chineses viram as propostas, prestaram atenção e não descartam alguns negócios, mas quem se impressionou foram os estadunidenses.

Claro, tudo isso, todas as possibilidades de negócios, tudo está condicionado à mudanças de postura dos estadunidenses. Mas parece que isso não ocorreu, porque uma das condições para embarcar no avião de volta às terras de Tio San era que nenhum equipamento chinês poderia ser levado a bordo. Ótima forma de mostrar mudança de postura e abertura a uma aproximação com o outro lado.

Por isso foi inóquo. O encontro não melhorou a relação entre os dois lados, mas também não chegou a piorar nada. Ele manteve tudo no nível em já estava, e tudo indica que seguiremos com problemas sérios no Leste Europeu e no Oriente Médio. Talvez tenhamos até mesmo alguma outra região entrando em conflito devido às ações de tentativa de manter a hegemonia que já não existe mais.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Lula entrega terras raras, e talvez qualquer chance de reeleição

Pessoal, mais uma vez vemos Lula cometendo um erro absurdo. Não satisfeito em ter sido detonado no Senado com o veto à indicação de Jorge Messias ao STF, Lula agora pegou um avião e foi ao EUA para uma reunião a portas fechadas com o Presidente Donald Trump. Na bagagem entrega de materiais absolutamente sensíveis para a economia atual e futura, as chamadas “terras raras”, em troca de uma não taxação de produtos brasileiros exportados ao EUA. Talvez ainda tenhamos uma negociação absolutamente sem sentido de uma não interferência do Irmãozinho do Norte nas próximas eleições presidenciais do Brasil. Provavelmente também tivemos algumas outras negociações, mas a verdade é que esses dois temas, um certo, ou outro provável, são dois erros enormes de Lula em sua política externa tortuosa e cheia de erros. 

Vamos primeiro a um “suposto” acordo de não interferência nas eleições deste ano no Brasil. Antes de tudo precisamos lembrar que tratamos aqui de Donald Trump, um sujeito ainda mais errático do que Lula, cujos defeitos são muito mais exacerbados do que os do próprio brasileiro. Além do histórico de Trump, que não é em nada confiável, e quando você cede uma vez, se torna refém eterno de sua chantagem. Nada impede que Trump utilize as ferramentas que prometeu não usar, justamente para minar a reta final do governo Lula III e apoiar a oposição, que ele considera bem mais afável.

Outro ponto é a entrega das terras raras brasileiras. Como eu disse, matéria-prima fundamental na economia de ponta desse início de terceiro milênio. A única soberania que se vê nesse ato é o direito de entregar um recurso fundamental nas mãos de uma elite globalista e de potências estrangeiras de forma subserviente e covarde. Não há nenhum mérito nisso. E mesmo após essa decisão patética, que diga-se de passagem, é totalmente dividida com nosso Congresso, que tem o mesmo nível baixo do Presidente quando o assunto é soberania nacional. De consolo é que o grande rival de Lula faria exatamente a mesma coisa, talvez até pior.

Não adianta falar de BRICS, de soberania, de novos ares na política internacional, se na hora de agir efetivamente, você volta a se comportar como uma neocolônia. Espero que um dia os brasileiros consigam enxergar que tal qual um cão, seguem sempre correndo em círculos, tentando alcançar a própria cauda, mas não chegando a lugar algum. Mais uma vez temos uma penca de candidatos, quase todos desqualificados, quase todos elitistas, quase todos efetivamente de costas para o povo e suas necessidades. Apenas um difere um pouco dos outros. Mas o brasileiro acha que voto é igual futebol, que o importante é ganhar. Em política ganhar é meio, não finalidade. E é meio para mudar a realidade em prol da população de uma nação, não para grupelhos ou para quem não necessita disso.

Talvez um dia o brasileiro volte a entender isso.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Rússia, China e Irã se juntam para enfrentar escalada Ocidental

Pessoal, quem acompanha a geopolítica sabe que a última semana foi bastante intensa, não em ações bélicas, mas na movimentações das peças, que se posicionam cada vez de forma mais clara no tabuleiro global.

Começamos com a visita do Ministro das Relações Exteriores do Irã à Rússia. A visita incluiu uma conversa direta de hora e meia com o Presidente Putin, o que rendeu declarações do líder russo de que este mantém contato direto com o Líder Supremo do Irã, e de estima, apreço e consideração ao povo iraniano e ao que ele chamou de “impressionante luta por sobrevivência e soberania”.

Mais importante, houve um telefonema de Putin a Trump, e apesar da amabilidade habitual, principalmente no início da conversa, fontes do próprio governo russo indicam que Putin foi bastante duro durante a conversa, cobrando o estadunidense de promessas não cumpridas sobre a situação na Ucrânia, e insinuando que um ataque ao Irã colocaria a Rússia diretamente na defesa dos persas.

Outra situação bastante inusitada foi a reação da China, que ao ter 5 refinarias privadas que importam petróleo iraniano sancionadas pelo EUA, simplesmente acionou seus mecanismos legais e jurídicos, e informou a todos os agentes econômicos chineses que qualquer um que alegasse tais sanções para interromper negócios com essas refinarias iria responder frente as cortes chinesas por violações de contrato e indenizariam e responderiam de acordo com a legislação do país. Ou seja, ignoraram as sanções estadunidenses, e disseram em alto e bom som que na China mandam os chineses.

Outra situação bastante inusitada vem de Charles III, Rei da Inglaterra, que após o anúncio feito em conjunto pelo Presidente da França, Macron, e pelo Primeiro Ministro da Inglaterra, Starmer, em que anunciaram que enviariam esforço militar para desbloquear o Estreito de Ormuz, agora vem andando pelo mundo tentando juntar uma força tarefa internacional para fechar o comércio russo pelo Báltico. Sim, o Rei Charles III tenta juntar países para bloquear o comércio russo pelo Norte da Europa.

Os embates entre o Oriente e o Ocidente seguem escalando, e a viagem de Trump à China, que está programada para 14 e 15 de maio, não indica que haverá nenhum tipo de distensão nas relações entre os dois blocos. Na verdade, dependendo da forma que Trump se comporte durante as conversas, essa visita pode mesmo estressar ainda mais a situação.

Dois grande pontos de conflito internacional (Oriente Médio e Ucrânia), um Ocidente cada vez mais enfraquecido, desesperado, e cada vez mais mal governado, um Oriente que tenta administrar tudo isso sem escalar a um confronto com armas de destruição em massa, mas também pressionado internamente para que dê fim a tantos conflitos. Esse é o quadro atual, e nada indica que ele se acalme decisivamente nos próximos meses.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Fim do Governo Lula III.

Pessoal, o Senado vetou o nome de Jorge Messias, atual Advogado Geral da União, para o STF.. O nome passou na Comissão de Constituição e Justiça, mas foi reprovado no Plenário por 42 votos contra Messias, e 34 a favor. Uma diferença de 8 votos que diz mais sobre o caráter da política no Brasil do que qualquer outra coisa. E não, não é uma ideologia do tipo democrática ou moralizadora, mas tão somente luta por poder e acesso cada vez mais direto e sem riscos aos cofres do país.

Explico: o resultado da votação, que correu de modo secreto, não buscou atender a um clamor popular, ainda que possa ter havido tal clamor. Tampouco foi na busca de uma moralização das indicações. Na verdade, o resultado se deu tão somente devido ao momento eleitoral. Há nítida indefinição do resultado das próximas eleições, com pesquisas apontando vitória apertada de um lado ou outro, ou mesmo empate técnico. Esse quadro foi suficiente para a recusa do nome indicado por Lula, e a indicação deverá ser deixada para a próxima administração, e seja qual for o próximo Presidente, ficou a mensagem de que o nome deve ser negociado com o Senado.

A ideologia que manda nos atos de nossos políticos é individualista, ou seja, o que eles, de forma individual, podem ganhar com um determinado ato. Por que gastar uma indicação ao STF com um governo que está acabando, se podem negociar melhor com um governo que se iniciará em menos de 10 meses e que já chegará com uma faca no pescoço devido ao resultado de agora?

Quanto ao processo que deu no veto a Messias, o Governo só entrou com a indicação porque acreditava ter os votos necessários para sua aprovação. Manobras claras e outras nem tão claras de Davi Alcolumbre, Presidente do Senado, mudaram o resultado esperado.

Mas ainda mais importante do que a rejeição do nome de Messias ao STF, o resultado da Plenária do Senado deixou claro que o Governo Lula III acabou. Não haverá aprovação de pautas de interesse do Governo, e mesmo as poucas coisas interessantes que Lula mandou para aprovação como forma de campanha devem ser rejeitadas, arquivadas, ou deixadas para discussão na próxima legislatura.

E enquanto muitos dizem que Lula foi traído, que ele não conseguiu isso por motivos espúrios, a grande verdade é que Lula é um dos responsáveis pelo que ocorreu. Jamais politizou o povo, jamais cumpriu com suas promessas com o povo, sempre teve suas alianças com a classe econômica dominante, e as classes políticas dominantes como as únicas coisas que realmente interessavam. Ao povo a conversa e migalhas, às classes dominantes as críticas e as benesses. Isso minou popularidade e credibilidade. Tenha havido ou não interferência de membros do STF, o resultado era previsível. Lula está claramente enfraquecido, até eleitoralmente, está enfraquecido politicamente por nunca ter colocado um limite às “negociações”, e está enfraquecido pela idade. Os Senadores optaram por esperar o próximo governo.

Como o próprio Lula vive dizendo; ele plantou, agora colheu. Seu governo acabou precocemente.

Feliz 1º de Maio, Dia do Trabalhador.