sábado, 23 de maio de 2026

Escalada no Leste europeu já começou

Pessoal, a situação no Leste Europeu está escalando e começando a preocupar. Em março de 2026 os russos divulgaram uma lista com endereços de várias empresas em países da Europa Ocidental e do chamado Ocidente alargado, que incluem Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Lituânia, República Tcheca, Espanha, Israel, Países Baixos, Polônia, Itália, Turquia, Letônia. Segundo os russos essas empresas produzem e fornecem peças, drones, e outras armas usadas pela Ucrânia, e que agora estão atacando o território russo em profundidade, o que significa uma mudança estratégica no conflito, porque se une a abertura do espaço aéreo de alguns países bálticos para que esses ataques sejam possíveis sem o risco de serem impedidos pela artilharia anti-aérea russa. À época, Medvedev, o ex-Presidente russo, e atual Vice-presidente do Conselho de Segurança do país, postou que a Rússia poderia retaliar duramente os agressores do território russo, e anexou a lista à sua postagem. O recado que as empresas desses países estão sujeitas a essa retaliação foi claro.

Mas apesar disso, desde essa época a coisa piorou, e os ataques passaram a atingir a infraestrutura, principalmente a ligada a área de energia, e áreas civis da Rússia. Até o momento os russos não atacaram as empresas listadas, mas caíram drones ucranianos na Letônia, o que foi atribuído à interferência russa em seus sistemas de navegação. Seja como for, o Ministro da Defesa do país se demitiu após o ocorrido. E até agora, mesmo com tudo isso os russos não retaliaram nos países Ocidentais, e os ataques na profundidade russa não pararam.

Mas algo mudou. Zelensky prometia atacar o grande desfile militar do 9 de Maio na Rússia, o dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, que eles chamam de Grande Guerra Patriótica. O aviso de Moscou foi claro. Mandou evacuar o centro de Kiev, e caso houvesse qualquer ataque o centro da capital ucraniana seria pulverizado. O tom foi tão alto que Zelensky emitiu um decreto proibindo qualquer ataque aos desfiles do Dia 9, e eles não ocorreram, ainda que tenhamos visto alguns ataques a outras áreas.

Só que os repetidos ataques a civis e à infraestrutura russa geraram pressão interna pelo fim da guerra, mas não por ceder aos interesses dos ocidentais e da Ucrânia, mas um fim dado por vitória russa. E parece que a pressão começa a surtir efeito, porque poucos dias após o dia 9 de maio os russos realizaram o maior ataque com mísseis e drones aos ucranianos. Foram ao menos 1600 drones e 200 mísseis que atingiram seus alvos, a grande maioria em Kiev, mas Liviv também foi atacada.

Kiev respondeu, também com um grande ataque, e voltou a acertar os mesmos tipos de alvos. O problema é que depois deste grande ataque os russos aumentaram o ritmo de ataques diários, estão quase conquistando a totalidade dos territórios dos 4 oblastes contestados na região da chamada Nova Rússia, e já se aproximam de Sumy, capital do oblast de mesmo nome, e que logo pode entrar em disputa também. Como foi avisado na última vez que negociaram, os russos reclamavam 4 oblastes, mas em outra oportunidade poderiam ser mais.

Em meio a tudo isso a imprensa internacional divulga que Xi Jinping teria dito a Trump que Putim um dia, ou agora, a depender da fonte, se arrependeria de ter iniciado o conflito na Ucrânia. Bem, dois pontos aqui. O primeiro é que o conflito já existia. Na verdade ele existe desde 2014, o que gerou os dois Acordos de Minsk. Inclusive os russos já tinham certo envolvimento no conflito, estavam e estão sendo ameaçados dia após dia pelos ucranianos e pela Europa Ocidental, e em 2022 eles apenas entraram de vez nas escaramuças.

O segundo ponto é mais específico, e mostra o fato de que os russos têm esse problema em suas fronteiras, não do outro lado do maior oceano da Terra e com os agitadores próximos sendo ilhas pouco militarizadas e que oferecem pouco risco ao território e povo de seu país, como é o caso dos chineses. No dia em que eles sentiram o risco próximo a suas fronteiras, eles enviaram 300.000 homens e interferiram diretamente na Guerra da Coreia, causando o cessar-fogo que já dura décadas, e reduzindo sensivelmente o risco que sentiam.

Mas a fala de Xi Jinping também pode ser apenas uma isca plantada para tentar criar problemas na relação entre Pequim e Moscou, até porque Putin chegou esta semana com uma grande comitiva na capital chinesa para a conclusão de uma série de negociações e a assinatura de uma série de acordos que aproximará ainda mais os 2 países. Além disso está programada a assinatura e divulgação de um documento que seria uma espécie de “certidão de nascimento” da nova ordem mundial. O parto é sangrento e cheio de lágrimas, e a princípio está longe do fim, além de poder se estender a outras parte do globo também. Falo dos conflitos na Ucrânia, no Oriente Médio, escaramuças menores na África, e há possibilidades de que esses conflitos ocorram em outros lugares também, como Taiwan, e outros pontos da Ásia.

Apesar dos claros avisos dados pelo líder chinês a Trump nas reuniões dos dias 14 e 15 de maio não acredito que o líder americano tenha a autonomia para deixar as interferências em Taiwan, deixar os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, e ao fim levar seu país a se acomodar na nova ordem mundial. Não faz parte do DNA estadunidense, não faz parte de sua psique, não faz parte da ideologia fazer e cumprir acordos. E isso se traduz nas falas de Trump em atacar Taiwan sobre a indústria de semicondutores, se traduz na fala de Trump em dizer que iria cancelar a venda de armas tão logo chegou ao EUA, e se traduz no retrocesso em tudo o que disse, uma vez que a venda de armas foi confirmada, e o apoio a Taiwan também.

A verdade é que a grande maioria dos governos ocidentais se tornaram governos oligárquicos, e como tal eles defendem os interesses únicos e exclusivos de suas oligarquias. Eles hoje são mascarados de democracias, mas invariavelmente os eleitos defendem diretamente os interesses dessas oligarquias, e quando não o fazem, ou são forçados a fazer, ou são depostos por meios jurídicos, revoluções coloridas, e quando não dá certo podem voltar a usar o bom e velho golpe militar, como ocorreu na Bolívia e Honduras há poucos anos. O EUA não foge a essa regra.


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