segunda-feira, 29 de junho de 2026

No Oriente Médio a situação deteriora rapidamente

Pessoal, os últimos textos não chegam a estar desatualizados porque a situação para Trump e Putin segue igual, mas no Oriente Médio a situação já apresenta níveis de violência bem próximos dos dias que antecederam o cessar-fogo. Após mais um navio mercante ter tentado furar o bloqueio de Ormuz através de interferência Ocidental, e ter sido alvejado pelos iranianos por se recusar a retornar após os avisos recebidos por rádio, o EUA bombardeou posições iranianas, principalmente junto a costa, mas não só. A resposta iraniana foi forte e ao menos oito bases estadunidenses foram bombardeadas na região, e houve alguns danos colaterais, normalmente causados por problemas na defesa anti-aérea que defende essas bases.

Acontece que a coisa não para por aí. No Líbano o governo fantoche colocado pelas potências Ocidentais assinou um tratado de cessar-fogo com os israelenses, mas esse tratado garante a presença das Forças de Defesa de Israel nas terras no Sul do Líbano, e que são ocupados ilegalmente pelo Estado de Israel. Só que a população líbia se revoltou e fortíssimos protestos foram vistos nas ruas, o Hezbollah já avisou que não reconhece o acordo, e o Irã seguiu o mesmo caminho.

Ao mesmo tempo o EUA tenta envolver o ISIS, também conhecido como Estado Islâmico, um grupo terrorista e que é apoiado por EUA e Israel, para que se envolvam em escaramuças com o Hezbollah, numa tentativa de enfraquecer a resistência ao expansionismo israelense. Até agora não foi bem sucedido nessa empreitada, mas até quando?

Já o Irã ainda não voltou a bombardear posições israelenses como havia prometido, mas isso pode mudar nos próximos dias, caso a situação não volte a arrefecer.

Pelo lado Norte-americano voltamos a ver um aumento do tráfego militar em direção ao Oriente Médio, e segundo as informações que vazam, tudo indica que haverá uma tentativa de invasão terrestre dessa vez. Mas o Congresso do EUA aprovou regra que diz que o Presidente precisa de autorização para qualquer ataque ao Irã. Como Trump resolverá isso? Até porque um ataque sem autorização pode significar seu afastamento, principalmente se este ataque falhar.

Como eu havia dito, era uma questão de tempo até que o Memorando de Entendimento entre EUA e Irã fosse rompido e que a situação voltasse a escalar. Mas uma coisa há que se ressalvar, e é o fato de que, como eu disse, a intensidade dos ataques já se aproxima muito da intensidade vista nos últimos dias antes do cessar-fogo, mas não acontecem na mesma frequência. Mas tudo indica que o confronto não apenas pode atingir o mesmo nível pré cessar-fogo, mas chegue a outros níveis também, incluindo ações terrestres de grande escala.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Putin numa encruzilhada

Pessoal, no Leste europeu a situação agrava. Se durante o Fórum Econômico de São Petersburgo tivemos alguns ataques com drones à cidade sede do evento, e também à capital Moscou, todos com danos menores, esses ataques seguiram após Putin ter dito que não retaliaria aos países membros da NATO, e pior, aumentaram, não apenas em intensidade, mas também em força e no tipo de armas utilizadas.

Desde que esses ataques se iniciaram, inclusive com o uso do espaço aéreo de vários países da NATO, as críticas ao Presidente Putin aumentaram bastante em intensidade e em amplitude, sendo cada vez mais fortes e amplas as críticas ao Presidente e sua administração, principalmente àquela ligada às posições dos russos não retaliarem diretamente aos países NATO que têm participado mais efetivamente dessas ações, no caso falamos dos países bálticos, incluindo até mesmo a Finlândia, e também alguns outros países do centro europeu e até das ilhas atlânticas européias.

E aqui nós temos outra encruzilhada bastante complexa. O próprio Putin chegou a afirmar que o uso de armas de longo alcance claramente ocidentais significaria um ataque direto do país NATO, e resultaria numa retaliação direta a este país. Até agora os ataques tinham sido meio nebulosos. Ainda que a Ucrânia nitidamente já tenha sido batida no campo de batalha, e apenas apresente seus últimos espasmos, ela segue sendo perigosa pelo apoio ocidental, principalmente dos europeus, mas também do EUA, que segue entregando armas e apoio logístico aos ucranianos. Só que é um apoio meio difuso. Sim, os ucranianos usam peças e outros insumos ocidentais para montar seus drones, definir alvos e programar rotas para os ataques, tanto na linha de contato, quanto na profundidade do território russo, mas ainda são eles que operam e montam os drones. Fica uma linha difusa.

Então o que mudou?

Bem, primeiro que os ucranianos têm realizado ataques à Bielorússia, numa nítida intenção de trazes Lukachenko a se juntar diretamente aos russos no conflito, o que já alastraria bastante o conflito ao mundo russófono, porque englobaria diretamente os três países que compõem esse mundo. E os alvos ucranianos não são de forma alguma militares. Depois do ataque ao domitório de uma escola com muitos adolescentes e jovens russos, outros ataques atingiram crianças, e agora foi atacado um ônibus com um time de futebol bielorusso com crianças na faixa de 12 anos. Foram ao menos 5 mortos adultos, e muitos feridos. Não vi informações sobre a morte de crianças nesse evento.

Além de todo esse processo ainda tivemos a escalada que Putin tinha avisado para não ocorrer. Há cerca de dois dias os briânicos realizaram um ataque junto com os ucranianos ao território russo. Esse ataque ocorreu com o uso dos mísseis Storm Shadow, produzidos por um consórcio franco-britânico. A operação desses mísseis necessitam obrigatóriamente do uso de informações de inteligência ocidental, e muito provavelmente de introdução de dados e operação de técnicos ocidentais.

E é aqui que a coisa colocou Putin numa encruzilhada. Se as linhas vermelhas ultrapassadas sempre foram tênues, nunca tiveram uma digital mais nítida do Ocidente, e nem uma posição mais clara vinda da própria liderança russa, agora isso está escancarado. Inclusive fontes internas do governo britânico asseguram que Keir Starmer ordenou tal ataque um dia antes de renunciar ao cargo de Primeiro Ministro Britânico, e há declarações do próprio Putin de que isso ocasionaria reação direta ao agressor dos russos. Putin é cobrado ainda mais forte, e se colocou numa encruzilhada, porque, ou não reage de acordo e com isso coloca toda a retórica russa em descrédito internacional, ou reage de acordo e entra no risco de ver suas ações deturpadas pela forte propaganda ocidental dizendo que ele “está atacando a Europa sem motivo, sem provocação”.

As informações que saem da Rússia dão conta de mais um ataque retaliatório de grandes proporções. Certamente ele atingirá a Ucrânia, o que não se sabe é se ele atingirá a Inglaterra também. A encruzilhada é difícil, assim como a decisão a ser tomada. Eu acho que essa decisão já demorou demais a ser tomada, já foram muitas as provocações e ataques aos russos, sempre com respostas comedidas e relativamente tênues por parte russa. Agora é diferente: o que fará Putin?

sábado, 20 de junho de 2026

No Oriente Médio Memorando rompido, Ormuz fechado

Pessoal, pois é, entre idas e vindas o Memorando de Entendimento entre EUA e Irã, que estava previsto para ser assinado em 19 de junho, acabou por ser assinado em 17 de junho. O problema é que Israel se recusa a aderir ao acordo. Sim Netanyahu está muito acuado; se de um lado é espremido pela retirada (ao menos temporária) do EUA do teatro de guerra e das operações contra o Irã, por outro é apertado pela oposição, que diz que irá seguir os ataques ao Líbano e ainda ameaça a Turquia, e por último pela Justiça de Israel, que está pronta para acelerar seus processos, nos quais tudo indica, será condenado. Israel até chegou a iniciar uma retirada do Líbano, mas já reiniciou os ataques e bombardeios a civis, o que levou o Irã a afirmar que irá retaliar duramente.

Outro problema é que o EUA, através de seu Presidente Trump, de seu Vicepresidente J.D. Vance, e através de seu Secretário de Estado Marco Rubio, vêm afirmando que o EUA não cumprirá várias das cláusulas do precário acordo que foi assinado, o que levou o Irã a dizer que não irá cumprir sua parte se não houver a reciprocidade Ocidental. Ormuz chegou a ser aberto nas condições acordadas, menos para navios Israelenses, já que este não havia aderido ao Memorando, mas já foi novamente fechado, além da retaliação a Israel, que  prometem virá forte.

Enquanto isso o relógio passa rapidamente para o mundo. A crise vai ocorrer, a questão é saber o quão longa e o quão profunda ela será. Quanto mais tempo Ormuz estiver fechado, mas longa e profunda ela será, e não só pelo petróleo, mas também por fertilizantes e insumos correlatos, entre outros produtos. Já falamos sobre isso.

E essa postura de Israel também coloca Trump numa encruzilhada, e há a possibilidade de ele abandonar de vez Israel, ao menos por um tempo, enquanto tenta salvar alguma coisa da próxima eleição de midterms, quando tudo indica perderá as duas casas legislativas. Só que boatos vindos de Israel falam de vazamentos de mais imagens e situações do caso Epstein envolvendo o Presidente do EUA.

Mas como disse James Carville, no EUA o que conta mesmo “é a economia estúpido”. Sim o eleitor estadunidense está mais preocupado com seu bolso que com as estripulias de Trump, até por isso Trump tem chance de salvar ao menos um pouco de seu mandato, mas para isso precisará largar Israel de mão, ao menos por uns meses, o que deve levar ao fim político de Netanyahu. Isso é que é uma encruzilhada.


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Memorando de Entendimento próximo de ser assinado entre EUA e Irã (atualizado)

Pessoal, parece que finalmente chegou-se a um acordo entre o EUA e o Irã. Bem, é um Memorando de Entendimento que será assinado dia 19 de junho na Suiça. Um Memorando significa nada mais que uma carta de intenções e não um Acordo em si, e de forma alguma um Tratado. Os dois últimos implicam realmente em obrigações, e num Acordo normalmente não se tem condições para sair, e num Tratado elas existem. Mas como eu venho dizendo, não há grande intenção de se cumprir o Memorando de Entendimento, nem por parte dos norte-americanos, e muito menos por parte dos israelenses, que parecem estar alijados das negociações.

Por parte do EUA já vemos a imposição de obstruções para o cumprimento de suas obrigações no Memorando, como a recusa em liberar valores iranianos retidos, a intenção de se apoderar do urânio iraniano, a exigência de que o Irã cumpra sua parte, e só depois o EUA irá cumprir a dele, etc. O Irã já recusou essas condições de aplicação do Memorando, até porque algumas das exigências do EUA ficaram para serem discutidas a posteriori.

Por parte de Israel vemos uma tentativa de sabotar o Memorando de forma irresponsável e intencional, porque após uma pequena confrontação havida entre forças de Israel e o Hezbollah, sem vítimas fatais, feridos, e apenas poucos danos materiais, Israel executou um grande bombardeio em Beirute, o que levou Trump a reclamar com seus assessores sobre o procedimento de Netanyahu, justamente pela proximidade de se chegar a um consenso sobre o Memorando com o Irã. E o Irã disse que não deixará de assinar o Memorando devido ao ocorrido, mas que isso será devidamente respondido.

Com ou sem Memorando, Acordo ou Tratado é apenas questão de tempo para que as hostilidades entre Irã e Israel escalem novamente, com a ressalva de que Israel tem dificuldade de chegar ao território iraniano, mas o Irã chega facilmente ao território israelense. E aqui sobram duas questões:

1- Os norte-americanos irão novamente se envolver neste conflito?

2- Os norte-americanos irão cumprir sua parte no que consta no Memorando, e evoluírem nas relações com o Irã?

Pelo histórico do país arrisco dizer que a resposta para a 1 é “Sim” e para a 2 é “Não”, mas o tempo dirá se tenho razão. E podemos nos preparar para tentativas de desestabilização do governo iraniano por dentro, com sabotagens e distúrbios direcionados por suas agências de inteligência.

Seja como for, o mundo terá um momento de respiro.

Mas no final dessa segunda-feira, 15 de junho, o Irã disse que não assinará o Memorando, devido aos ataques de Israel contra o Líbano.


sábado, 13 de junho de 2026

Conflito no Oriente Médio parece sem solução no curto prazo

Pessoal, não haverá acordo no Oriente Médio, e mesmo que, por alguma ironia do destino, o EUA, e talvez até Israel, venham a assinar algum tipo de acordo, será questão de tempo para que ele seja quebrado. Como eu já disse, não há negociação honesta e cumprimento de acordos no DNA dos norte-americanos, tampouco no dos israelenses. No máximo eles cumprem algum tipo de acordo enquanto seja vantajoso para eles, e enquanto se preparam para uma nova tentativa de domínio completo e imposição de suas posições e interesses, sem se importar nada com os interesses e necessidades do outro lado.

Além disso não há interesse em atuar de forma honesta, tampouco respeitar qualquer concessão feita pelo outro lado como um ato de boa-fé, tomando isso como um ato de fraqueza do outro lado, e aproveitando para tentar uma posição mais vantajosa na disputa que os leve ao atendimento total de seus objetivos. Isso se expressa, por exemplo, por Trump já ter dito ao menos 39 vezes que estavam próximos a um acordo, e em seguida criar algum tipo de problema, normalmente algum ataque bélico ao outro lado, ou uma mudança drástica no acordado por seu lado. Quando se declara um cessar-fogo, inicia-se um processo de negociações, e você executa ataques militares ao outro lado, isso é um ato de total desrespeito e traição ao lado atacado.

Completando esse quadro você tem dois líderes fracos e emparedados por suas respectivas oposições, e também por parte substancial de suas populações. Ambos passíveis de serem afastados do poder e terem condenações em processos judiciais. No caso de Netanyahu os processos já existem, e estão parados pelo fato de que ele exerce a função de Primeiro Ministro. No caso de Trump temos vários crimes cometidos na atual gestão, e dependerá dos resultados que alcance para escapar dos tribunais. Pesquisas internas apontam a derrota de ambos nas próximas eleições, o que pode abrir espaço para suas quedas em todos os sentidos.

A solução que eles encontram é se afundarem ainda mais no mar de sangue em que se afogam. Além de prorrogar guerras nas quais enfrentam enormes dificuldades, também tentam agravar ainda mais esses conflitos numa busca desesperada por uma sobrevida em seus cargos, e talvez até pela manutenção de suas liberdades físicas. Isso ocorre porque pequenas partes de suas oligarquias ganham com esses conflitos, mas esses ganhos não têm como se manterem no longo prazo, assim como a cada aprofundamento dos conflitos, a cada prorrogação dos mesmos, mais próximos ficam de seus próprios fins, e eles se desenham cada vez piores.

Enquanto isso levam o mundo junto pro buraco.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Surgem saídas para o Brasil

Pessoal, enquanto Donald Trump e seu governo arma a tenda e monta o picadeiro do circo que sempre levantam para justificar a imposições de sanções, bloqueios e perseguições financeiras internacionais na busca de atingir seus objetivos econômicos, a China e o BRICS abrem saídas para o Brasil, facilitando o comércio e dando oportunidades para fugir às amarras financeiras do EUA.

É isso, a agência Rússia Today informou que o Banco da China, através de seu vice-presidente Hsia Hua Sheng, afirmou que há estudo para incorporar a plataforma de pagamentos e transferências financeiras brasileira, o PIX, em suas plataformas, facilitando as trocas comerciais entre os países, e alavancando com isso ambas as economias. Como exemplo ele citou o fato de que várias empresas chinesas já veem se adaptando a essa realidade. Além disso, Sheng disse que as tensões comerciais entre Brasil e EUA, criadas pelo país da América do Norte, abrem espaço para maior aproximação comercial entre Brasil e China. Para completar Sheng afirmou que a maior aproximação econômica dos BRICS e do chamado Sul Global diminuem a dependência de apenas um país. Isso abre espaço para maiores oportunidades de negócios e fortalece os laços econômicos.

Apesar disso o Brasil precisa fazer seu dever de casa, e encarar isso de frente. Além de abrir novos mercados para os produtos brasileiros, o Brasil precisa enfrentar as punições que virão do EUA. Não, a OMC não é saída, já que o próprio governo Trump sepultou de vez essas ideias de livre mercado, então o Brasil terá que aprender a se defender, e isso em todos os sentidos. Sim, o “jeitinho brasileiro” abre algumas brechas em tempos de normalidade, mas o mundo vive muita coisa, menos um momento de normalidade. Lula e a classe dominante brasileira ainda não entenderam isso, e buscam soluções ultrapassadas. A maior oposição a Lula é tão ruim quanto, porque sonha em tornar o Brasil numa possessão do EUA.

O Brasil precisa com muita urgência gestar uma liderança que entenda o que acontece no mundo atualmente e esteja a altura de enfrentar os desafios que estão sendo postos.


terça-feira, 9 de junho de 2026

Irã Nuclear e Israel encurralado?

Pessoal, Larry Johnson e Pepe Escobar têm divulgado algo que tem amparo em alguns desdobramentos na realidade, mas ainda não pode ser totalmente confirmado porque falta, talvez, o principal elemento de prova desta informação: a explosão de um artefato nuclear no deserto de Lut, no Irã.

A informação é que o Presidente Masoud Pezeshkian do Irã e o 1º Ministro do Paquistão Imran Khan realizaram uma conversa telefônica por linha não segura. Esta ligação foi interceptada pelos serviços secretos do EUA, e claro, Israel, entre outros. Nela Pezeshkian informava Khan que não haveria mais negociações, que o Irã já detinha bombas nucleares, e que iriam realizar uma detonação de demonstração no deserto de Lut.

Seja como for vemos mudança nos rumos do conflito no Oriente Médio. Desde a época do alegado telefonema o EUA cessou os ataques ao Irã, e vem pressionando Israel para que cesse os ataques ao Líbano. Sim, tivemos um ataque e contra-ataque, sobre o qual falamos em nosso último post, mas o fato é que após a retaliação iraniana houve mais um telefonema de Trump a Netanyahu para que cessasse de vez os ataques ao Líbano. Além disso há informação de que estão sendo liberados mais USD 3 Bilhões do dinheiro retido do Irã. Sim, é uma operação cruzada através do Emirados Árabes Unidos, mas no fundo o dinheiro viria do EUA.

Enfim, tudo isso é interessante, vemos claramente mudanças no teatro das ações no Oriente Médio, mas há um calcanhar de Aquiles no processo, e é o fato de que o Irã precisará realizar o teste nuclear para credibilizar sua palavra. Isso romperia com sua adesão ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, e também à Fátua, ainda em vigor, do falecido Ali Khamenei, que proíbe a construção de uma arma nuclear. O Irã quebrará sua palavra no Tratado, e na Fátua, sairá de ambas as amarras e logo após realizará o teste, ou isso é apenas blefe? Saberemos nos próximos dias, porque não poderá demorar muito.




domingo, 7 de junho de 2026

Conflito volta a crescer no Oriente Médio

Pois é pessoal, estávamos alertando para o nível de violência no Oriente Médio num momento em que devia vigorar um cessar-fogo. Durante a semana houve ataques e contra-ataques entre EUA e Irã, e também entre Israel e o Hezbollah. O Irã também avisou que se Israel não cessasse os ataques no Líbano, o Norte de Israel e Tel Aviv voltariam a ser alvos de ataques.

Ainda durante a semana, respondendo a ataques do EUA a instalações e embarcações iranianas, os persas atingiram bases do EUA no Catar e no Bahrein, incluindo a base que abrigava o centro de comando aéreo estratégico dos norte-americanos na região. Apesar das negativas de autoridades militares do EUA, há imagens e vários depoimentos de que os danos a essas bases foram severos.

Mohammad Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano disse, após ataques de Israel a Beirute e a continuação do bloqueio naval que o EUA segue realizando ao petróleo que sai do Golfo Persa, que a única linguagem que eles entendem é a da força. E após Israel voltar a bombardear o Líbano e Beirute foi justamente o que aconteceu esta noite. Ao menos 5 ondas de mísseis e drones atingiram as áreas que o Irã tinha colocado na mira, e os ataques foram completados por ataques do Hezbollah. A última informação é que aviões de reabastecimento estavam decolando para possibilitar ataques aéreos ao Irã.

Sobre o ataque ao Irã já há informação na mídia israelense de que houve um telefonema entre Trump e Netanyahu, quando Trump afirmou que não haveria auxílio do EUA para tal ataque, e o israelense disse que o faria só, e que estava reiniciando o bloqueio total a qualquer ajuda humanitária a Gaza. Na verdade nunca houve uma flexibilização adequada à entrada de ajuda ao território de Gaza, e é impossível a Israel realizar ataque ao território iraniano sem o auxílio do EUA, seja por liberação de espaço aéreo de aliados, seja por suporte técnico e operacional. Veremos os desdobramentos.

De qualquer forma tudo indica que Trump quer realmente sair do conflito, e busca uma forma de fazê-lo sem que a imagem de seu país fique ainda mais manchada, e sem que sua própria imagem fique ainda mais desgastada. Quanto ao conflito, Israel não consegue mantê-lo sem a ajuda dos norte-americanos, e estes, por sua vez, não têm mais os meios para fazê-lo com eficiência e num prazo mais longo. Como eu já disse aqui neste espaço, Trump entrou numa armadilha por conta própria, agora não consegue um caminho para escapar. Israel, também se vê em más condições, porque contava com um apoio que não tem, não porque não querem, mas porque não podem.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Situação no Oriente Médio preocupa e paz ainda está longe

Pessoal, no Oriente Médio, se já foi difícil que ele iniciasse, agora temos mais um cessar-fogo de mentirinha. É, a tática de certo país do canto Oriental do Mediterrâneo se estendeu ao EUA, que agora realiza ataques durante acordos de cessar-fogo da mesma forma que seu aliado na região. E não são poucos, porque além disso temos provocações quase diárias.

Sim, além de várias tentativas de atravessar o Estreito de Ormuz, seja com navios mercantes, seja com belonaves, os estadunidenses e seus aliados na região já realizaram vários ataques ao território iraniano, a navios mercantes e também à marinha de guerra iraniana, além de postos militares em terra. Israel também, em nenhum momento chegou realmente a respeitar o cessar-fogo no Líbano.

Toda essa situação só tem um problema: o Irã e o Hezbollah respondem, e o fazem com força equivalente, às vezes até um pouco maior do que a empregada pelos agressores. Proporcionalmente Israel está sofrendo mais nas mãos do Hezbollah, porque se no início tivemos uma diminuição das hostilidades, agora os combates são fortes, e é onde Israel tem sofrido baixas relevantes e tem perdido território, ainda que sigam com os bombardeios aéreos, e causando muitos prejuízos e destruição no Sul do Líbano. Só que eles recuam, porque bombardeios garantem destruição, não vitória militar.

Mas o mais preocupante é o confronto no Irã, porque as forças envolvidas têm maior poder bélico, e maior capacidade de tornar a região quase impossível para habitar, além de causar uma catástrofe econômica de nível mundial. Sim, Israel tem grande capacidade de destruição, mas o uso dessas armas significa o fim do próprio país, porque não ficariam impunes a isso. Já um ataque mais forte no Irã significa uma retaliação da mesma monta, talvez mais destrutivo.

E preocupa porque após a destruição de duas lanchas rápidas da Marinha Iraniana na semana passada, e da morte de ao menos 4 tripulantes nessas embarcações, com a retaliação feita em alguns navios de guerra estadunidenses na área, o EUA atacou posições iranianas em terra neste último final de semana, e a retaliação foi o ataque a uma base estadunidense no kuwait. Nesta ocasião a Guarda Revolucionária do Irã avisou que qualquer outro ataque será respondido de forma muito mais dura, o que fatalmente pode levar novamente a uma escalada em termos de ações bélicas na região. Apesar de se falar muito em negociações e um acordo em vias de ser alcançado, as ações bélicas entre os dois lados indicam uma situação bastante diferente, e nenhum acordo está próximo de ser alcançado, com o Irã inclusive tendo anunciado o encerramento de qualquer negociação com o EUA, mesmo que indireta. Esperemos para ver.