Pessoal, as derrotas que se aproximam rapidamente para o decadente império estadunidense nas regiões onde Ocidente e Oriente se encontram fazem com que o irmãozinho problemático do Norte volte seus olhos gananciosos ainda mais para as Américas. Antes a coisa era voltada somente à América Latina, mas hoje até mesmo o Canadá se vê ameaçado e sofre ataques sucessivos contra sua soberania (que já não é muita) e seus próprios interesses.
Nesse quadro o Brasil é, sem dúvida, o maior troféu a ser conquistado definitivamente. Não que o País tenha uma autonomia enorme, que seja realmente soberano, ou que atenda aos interesses de sua população. Infelizmente estamos longe disso, mas vez ou outra vemos espasmos que expressam esses objetivos nacionalistas. O problema é que a imensa maioria do tempo estamos submetidos a atender aos interesses de uma classe dominante altamente internacionalizada de forma subserviente e dependente dos grandes fluxos financeiros e econômicos vigentes no planeta, principalmente em seu Ocidente político.
É neste contexto que o Brasil reage às ações do governo Trump, e começa consultas diplomáticas e econômicas para compensar as taxas que os norte-americanos aplicaram de forma unilateral e sem nenhum respaldo nos acordos internacionais vigentes, incluindo aqueles dispostos na Organização Mundial do Comércio, a OMC. Essa iniciativa do governo brasileiro é até certo ponto louvável, porque anacrônica.
Esses são dispositivos utilizados pelo Brasil (governo FHC e seu sucessor Lula) nos casos contra o Canadá envolvendo a Embraer, e o próprio EUA no setor de aciaria. Ambos os processos foram vencidos pelo Brasil. O problema é que esses casos ocorreram no final dos anos 90 e início dos 2000, quando vigia no Ocidente a ideia do livre comércio, do impedimento a tarifar importações, e quando os organismos internacionais eram incentivados por estes países como forma de imposição de uma ideologia que pouco tempo depois teria desabado sobre o profundo abismo que se cria entre seu discurso narniano e a realidade que se constrói muito mais sobre os interesses marx-nietzscherianos de sua classe dominante.
Esse processo veio desaguar nas guerras citadas acima e em outros conflitos menores e regionais, mas todos refletem o embate mais geral. Nas Américas se traduz no expansionismo colonial do EUA, que há muitas décadas não se via tão agressivo. Isso é exacerbado pela total incapacidade, falta de planejamento e de objetivos claros da atual liderança política do gigante norte-americano em todos os níveis, mas claro, com algumas pouquíssimas exceções.
Isso se traduz no estado de coma em que se encontram os organismos internacionais que mediaram os conflitos desde o final da Segunda Grande Guerra, e no embate por sua obliteração total buscada pelo Ocidente, e por sua continuação reformada defendida pelas forças que desafiam a ordem hegemônica dos últimos 80 anos.
O Brasil está certo em buscar seus direitos e reagir aos ataques sofridos, mas a busca de legalidade em suas ações esbarra na falência dos órgãos que as legitimam e no fato de que seu adversário desconhece qualquer legitimidade neles.
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