sexta-feira, 17 de junho de 2011

Os Mercantes brasileiros e os sindicatos globais

No mundo temos 13 federações internacionais de sindicatos ou sindicatos globais, como são modernamente conhecidos. A Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes é um desses sindicatos globais. E é aquele que integra e representa os trabalhadores da área de transportes no mundo todo. Uma das mais atuantes global unions, está sempre buscando melhorar e intensificar as relações entre sindicatos de trabalhadores do setor de transportes no mundo inteiro.

Assim como descrito abaixo, essa foi a forma que a ITF (e os outros sindicatos globais) encontrou de minimizar os efeitos danosos da globalização sobre os trabalhadores.  E isso se dá por um motivo simples: hoje em dia, excetuando-se alguns casos pontuais, os sindicatos não se embatem mais com empresas nacionais, de alcance e poderes limitados. O embate hoje se dá com empresas que têm poder e alcance em nível mundial.

Esse processo é bem claro em nosso setor, quando tivemos a quebra das empresas brasileiras de navegação, e sua substituição por grandes conglomerados internacionais, que exercem atividades também na navegação. A maior e mais representativa dessas é a Maersk, que tem negócios na aviação, supermercados, linhas férreas, portos, só para ficar no mais conhecido.

Nessa nova ordem implantada no Brasil, aonde os armadores nacionais são minoria absoluta e vão a reboque dos estrangeiros, é pena vermos o papel subserviente que algumas empresas genuinamente brasileiras representam nesse processo, na tentativa absurda e despropositada de acabarem com as nrs 70 e 80, tentando implantar em nossa casa, relações que são abomináveis e levam frequentemente a distorções nas relações de trabalho, sempre danosas ao trabalhador.

Esse método utilizado pelos sindicatos costuma ser bastante eficaz, e é frequentemente utilizado pela ITF em apoio a seus afiliados. Mas o blog espera que nós brasileiros sejamos capazes de resolvermos nossos próprios problemas, através da mobilização maciça de nossas bases e da ação e liderança eficientes e organizados de nossos sindicatos.

Para mais informações sobre os sindicatos globais, clique aqui.

Leia o que foi publicado no "Mundo Sindical":

Globalização obriga sindicatos a se organizar de forma mundial

Com a globalização das empresas, o movimento sindical sentiu a necessidade de se organizar também desta forma. Nasce assim as redes sindicais, tema abordado no visão trabalhista em debate desta semana, que conta com a participação de Everaldo dos Santos, diretor do sindicato e integrante da rede de trabalhadores da Arcelormittal.


O representante da categoria explica que a ideia deste tipo de mobilização é garantir a todos os funcionários, seja de uma multinacional ou transnacional, igualdade de direitos. “senão, a mesma empresa está gerando disparidade entre os trabalhadores”, explica.

Tendo isso como ponto de partida, a rede de trabalhadores de uma determinada empresa é constituída por dirigentes sindicais situados onde há uma fábrica da mesma. “De preferência, que esses representantes sejam também funcionários”, avalia.

Para se comunicar, esses sindicalistas utilizam a internet. “A informação flui de uma forma tão eficaz, que determinada ocorrência numa unidade na Europa, em poucas horas a gente já tem conhecimento aqui”, conta. É na web que acontece as discussões que geram encaminhamentos de articulações que podem ser, por exemplo, uma manifestação ocorrida em uma planta da empresa.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Blog dos Mercantes na Cultura: "Os sete sapatos sujos"

Recebi de um amigo um power point com o título: “Os Sete Sapatos Sujos”. Reenviei, e de outro recebi o texto completo de Mia Couto, escritor moçambicano, que foi orador na aula inaugural de uma universidade de seu país - ISCTEM.  Os sete sapatos a que se refere são:
1-      a ideia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas
2-      a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho
3-      o preconceito de quem critica é um inimigo
4-      a ideia que mudar as palavras muda a realidade
5-      a vergonha de ser pobre e o culto das aparências
6-      a passividade perante a injustiça
7-      a ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros
Mia Couto termina seu texto com os seguintes dizeres:
“Temos que gostar de nós mesmos, temos que acreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento. Alguns acreditam que vamos resgatar esse orgulho na visitação do passado. É verdade que é preciso sentir que temos raízes e que essas raízes nos honram. Mas a auto-estima não pode ser construída apenas de materiais do passado.
Na realidade, só existe um modo de nos valorizar: é pelo trabalho, pela obra que formos capazes de fazer. É preciso que saibamos aceitar esta condição sem complexos e sem vergonha: somos pobres. Ou melhor, fomos empobrecidos pela História. Mas nós fizemos parte dessa História, fomos também empobrecidos por nós próprios. A razão dos nossos actuais e futuros fracassos mora também dentro de nós.
Mas a força de superarmos a nossa condição histórica também reside dentro de nós. Saberemos como já soubemos antes conquistar certezas que somos produtores do nosso destino. Teremos mais e mais orgulho em sermos quem somos: moçambicanos construtores de um tempo e de um lugar onde nascemos todos os dias. É por isso que vale a pena aceitarmos descalçar não só os setes mas todos os sapatos que atrasam a nossa marcha colectiva. Porque a verdade é uma: antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.“
O texto de Mia Couto é longo e vem de um país africano, mas é envolvente e oportuno e cabe exatamente em nosso bolso atual. Para quem quiser conhecer o texto inteiro, basta visitar o atalho abaixo. Tirando o português de Moçambique, que é diferente do nosso, o texto nos traz muitas familiaridades.

Quem quiser saber mais, clique aqui.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A Marinha Mercante e o aquecimento global

As emissões de CO2 são o grande vilão do aquecimento global, e não há decisão no sentido de mudarmos fundamentalmente nosso estilo de vida para evitá-la. Sabemos que não é uma decisão pessoal ou política fácil, mas é a forma que vemos e acreditamos que teria mais chances de dar certo em reduzir e até mesmo reverter o quadro a níveis aceitáveis.

O combate aos efeitos do aquecimento global é importante, e não podemos deixar de considerá-lo. As consequências de nossas ações nos últimos séculos serão sentidas e precisam ser minimizadas.

Embora a taxa proposta abaixo tenha a aparência de algo muito humanitário e altruísta, não passa de um paliativo enquanto soluções sérias e definitivas não são tomadas, além de penalizar o setor que menos emite CO2 no transporte, que é a Marinha Mercante.

Leiam a reportagem abaixo, publicada no site da Portos e Navios:


Banco Mundial sugere taxa de CO2 na aviação e na marinha mercanteImprimirE-mail

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Noticiário cotidiano - Navegação
Seg, 06 de Junho de 2011 08:53
O Banco Mundial vai sugerir a criação de uma taxa global sobre o combustível da aviação e da marinha mercante. Esta será uma das recomendações que a instituição fará aos países do G20 na preparação da cimeira das Nações Unidas, em Durban, na África do Sul, sobre o combate às emissões de gases com efeito de estufa e ao aquecimento global.

Os países em desenvolvimento já afastaram a possibilidade de um novo pacto vinculativo sobre o controlo de emissões de CO2 que suceda ao Protocolo de Quioto, cuja vigência termina em 2012. O Banco Mundial aposta assim na fixação de uma nova taxa global sobre os sectores da aviação e da marinha mercante, de acordo com um relatório para os países do G20 (grupo que reúne as economias mais poderosas do mundo). A União Europeia já decidiu impor um corte nas emissões de CO2 de todos os voos com destino e origem na Europa em Janeiro de 2012.

"Estamos a equacionar uma taxa sobre as fontes emissoras de CO2, incluindo os combustíveis usados pelos navios e aviões, que seria coordenada a nível internacional, embora fosse cobrada a nível nacional", adiantou Andrew Steer, o representante do Banco Mundial para as alterações climáticas, à agência Reuters. O banco estima que a factura adicional de ajudar os países em desenvolvimento a lidar com secas, inundações e a subida dos oceanos atinja os 100 mil milhões de dólares anuais. No entanto, várias fontes estimam em 200 mil milhões o custo de cortes adicionais na emissão de CO2.

Apesar de não estar em cima da mesa um acordo em Durban, Steer tem esperança de que seja possível fazer progressos importantes em algumas áreas. O tema vai estar em discussão entre hoje e 17 de Junho na nova ronda de negociações que vai decorrer em Bona, na Alemanha.

Nuclear divide europa A energia nuclear vai ser discutida amanhã e quarta-feira, em Paris, pelos ministros de energia dos países do G20. O acidente na central japonesa de Fukushima pôs a segurança nuclear no centro da agenda mundial, mas os países estão divididos.

Enquanto a Alemanha travou a fundo no nuclear, ao rejeitar prolongar a vida das suas centrais, França e Reino Unido vão manter a sua política energética. A Rússia vai mais longe: não só garante a segurança das suas instalações nucleares, como defende o desenvolvimento desta forma de energia.

Para além da segurança, a energia nuclear tem sido considerada fundamental para garantir o controlo das emissões de CO2, em particular na Europa. O fim das centrais nucleares na Alemanha e em outros países, como Suíça e Bélgica, compromete os objectivos de redução de CO2, já que pode ser necessário recorrer a mais centrais a gás e carvão, grandes emissores de dióxido de carbono, para compensar a produção de energia. A Europa tem 143 reactores nucleares a operar.

Fonte:i Informação/Ana Suspiro

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Blog dos Mercantes na Cultura: como surgiu a cachaça?

Já vi isso no Museu da Cachaça em Paty do Alferes (RJ), em Miguel Pereira (RJ), e em outras partes. Agora vem do Museu do Homem do Nordeste. Sempre há uma ou outra mudança na história, mas a essência é exatamente a mesma. Lenda com cheiro de verdade, vale a pena saber a origem de nossa caninha.

Você sabia?

Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou.

O que fazer agora?

A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo fermentado. Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo.


Resultado: o 'azedo' do melado antigo era álcool puro que, aos poucos, foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome 'PINGA'.

Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de 'ÁGUA-ARDENTE'.

Caindo em seus rostos escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo. (História contada no Museu do Homem do Nordeste).

Não basta beber, tem que conhecer!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

E o Brasil? Onde Fica?

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.
Não é de hoje que o blog vem defendendo uma Marinha Mercante Nacional forte e suficiente para garantir nosso comércio e nossa soberania nos mares. A duplicação do Canal do Panamá mostra a evolução da navegação no mundo, e a importância cada vez maior que o comércio tem na economia dos países.
Nos últimos anos o Brasil vem reativando e aumentando sua indústria naval, renovando sua frota de petroleiros, aumentando e modernizando a de apoio marítimo, renovando e aumentando a de contenedores. Faltam graneleiros, mas com certeza estes virão.
Precisamos no momento acabar de consolidar nossa navegação de cabotagem e garantir a presença de brasileiros a bordo de nossas embarcações, já que sem brasileiros é impossível garantir a operação de uma frota genuinamente brasileira.
O incentivo para a presença de marítimos brasileiros é fundamental, através da oferta de boas condições de permanência a bordo, salariais e sociais. Isso passa pela manutenção das NR 72 e NR 80, assim como outras ações do governo, que venham garantir as condições citadas acima.
O Brasil tem gente capacitada, tem recursos e tem potencial. Agora basta querer e podemos consolidar como realidade o que no momento é uma promessa. Uma Marinha Mercante forte, ocupando nossa cabotagem, e empregando brasileiros. É o que o blog defende e apoia. Talvez voltemos a ver nossa bandeira atravessando o Canal do Panamá com frequência.



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mercantes no futebol: Vascão campeão! Agora eu quero comemorar


Vejam o post abaixo. Bem que eu disse que íamos ter um grande jogo. Bem que eu disse que o Coritiba, precisando da vitória, ia partir para o ataque e pressionar o Vascão desde o princípio, abrindo espaços para o contra ataque vascaíno, que é muito bem executado por Éder Luiz. Não deu outra. O resultado: Vascão campeão. O título está em boas mãos. Volto a falar mais sobre o jogo depois. Agora eu quero comemorar. 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mercantes No Futebol: quarta sai o primeiro classificado da Libertadores 2012

Deveremos ter um grande jogo. O Coritiba precisando da vitória deve partir para o ataque e pressionar o Vascão desde o princípio, abrindo espaços para o contra ataque vascaíno, que é muito bem executado por Éder Luiz. Seja qual for o resultado do jogo as duas equipes terão dado um verdadeiro show, e já provaram que realmente passam por excelente frase. O título estará em boas mãos.

No Brasileirão até o momento nenhum resultado surpreendente, fora o placar elástico do time misto do Coritiba, contra os reservas do Vascão. Costumo dizer que futebol é jogo de fazer gols, não de criar oportunidades, e o time Coxa foi muito eficiente: quatro chutes, quatro gols. Acabou com o jogo em 20 minutos e depois ficou esperando uma tentativa de reação que não veio. Não dá para entender o que passou na cabeça de alguns jogadores do Vasco, mas metade do time não entrou em campo, tal a lentidão e desleixo com que disputavam as jogadas e se moviam em campo. Ao contrário, disposição não faltou em campo.

Em outro jogo interessante o Flamengo pressionou o Corinthians de todas as formas, mas não houve jeito e o jogo terminou mesmo 1x1, com a equipe mosqueteira saindo na frente, e o Fla empatando num golaço de Renato Abreu. Coitada, acertou a coruja.

De resto nenhuma surpresa. América MG, Bahia e Atlético Go devem começar a abrir o olho, porque vêm se tornando sérios candidatos a uma estada na Segundona. Nas primeiras posições o Corinthians é o novo líder, pelo menos até quarta, quando São Paulo e Atlético MG disputam a primeira colocação em outro bom jogo.

No sábado o Brasil empatou com a Holanda em jogo morno. A partida serviu para ver o time de Mano Menezes contra um adversário mais forte, mas não teve nenhum clima de revanche. Os jogadores que atuam na Europa estão em clima de férias, no final da temporada, e jogo amistoso jamais vai substituir uma partida oficial de Copa do Mundo. Devagar o Brasil vai pegando uma cara, um jeito. Vai chegar na Copa mais uma vez como favorito.

E nuestros hermanos perderam da Polônia.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portos Também com Problemas

Vamos fazer uma pequena pausa em nossos comentários sobre o setor marítimo, e falar um pouco dos portuários. Como já disse, trabalhei algum tempo nesse setor, aprendi muito nessa época, e ainda fiz muitos amigos.

Já há alguns anos os portuários vêm sendo atacados e suas condições deterioradas pelos portos do Brasil. Demissões, substituições por trabalhadores mais baratos, sem treinamento e sem sindicatos. Algo que a ITF assumiu chamar de Portos de Conveniência, numa clara alusão às nossas já famosas Bandeiras de Conveniência da navegação.

O caso relatado pela reportagem do site “Porto Gente” ocorre em todos os portos do Brasil, desrespeitando a legislação vigente e os convênios internacionais ratificados pelo país. No caso, o Convênio 137 sobre trabalho portuário, que está inserido na lei 8.630, de modernização dos portos, de 25/02/1993.

Assim como na Marinha Mercante, os empresários do setor portuário buscam atribuir a culpa por seus problemas aos trabalhadores, alegando uma série de inverdades, como incapacidade, incompetência profissional, idade avançada para o trabalho, etc. E assim como conosco o objetivo é substituir trabalhadores sindicalizados por outros não sindicalizados, normalmente muito menos capacitados para o trabalho, mas que são muito mais baratos.

Por tudo isso o Blog dos Mercantes se solidariza com os companheiros portuários, e estará atento para denunciar, criticar e sugerir mudanças positivas para o setor.

Porto de Pecém enfrenta mais um protesto dos trabalhadores

Os trabalhadores do Porto do Pecém, no Ceará, paralisaram as atividades reivindicando o pagamento de 30% de adicional de risco de vida, no dia 20 último. Quase 800 funcionários participaram do movimento, foram três horas de paralisação alertando para a falta de condições de trabalho seguras no terminal portuário.
Além do adicional de risco de vida, os trabalhadores protestaram contra o assédio moral, a demissão de um funcionário após o primeiro protesto no começo deste mês e querem, também, a realização urgente de concurso público para suprir a demanda do portão de entrada e saída.
O funcionário da empresa Terminais Portuários Ceará (Tecer), Estenio Ribeiro dos Anjos, foi demitido um dia depois da manifestação do dia 5. Ele conta que a justificativa da empresa foi por ele ter tido má conduta ao falar na manifestação.
Já o diretor do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual do Ceará (Mova-se) e funcionário da Companhia Cearáportos, Hernesto Luz, não houve nenhuma negociação junto ao Governo do Estado. “Como o governador não deu nenhuma resposta, a gente voltou para dizer que o Fórum (dos sindicatos) vai continuar esse tipo de ação até o governador se sensibilizar e atender às nossas reivindicações”.
Ele ainda diz que o sindicato entrou com ação na Justiça do Trabalho pelo adicional de risco de vida e ganhou a causa, mas a Cearáportos entrou com um pedido de embargo. “Na semana passada, a juíza julgou improcedente o pedido e um dos objetivos da manifestação é impedir que a Cearáportos entre com um recurso e que ela pague o adicional de risco de vida de 30% baseada na decisão da Justiça”.
A paralisação do último dia 20 teve alguns problemas, como relata o presidente do Sindicato dos Empregados em Transportes Aquaviarios e Operadores Portuários do Estado do Ceará (Settaport), Antônio Carlos da Costa: “Quando cheguei no Porto estava atracando um navio para operar, quando houve uma explosão dentro do Porto de um cabo com alta tensão. Houve um tumulto de princípio de incêncio e tiraram as pessoas do Pier. E isso nada foi dito para nenhuma operadora, o que acontece no Porto é a discriminação do trabalhador”.
As acusações de agressões foram negadas pelo assessor da presidência da Cearáportos, Luciano Arruda, para quem as operações foram normais e “não houve qualquer tipo de paralisação de atividade nem incêndio. Não temos essa informação, o que houve apenas foi uma queda de energia normal”.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

A autoridade marítima se pronunciou

É preciso dar um NÃO à manobra espúria
que visa retirar brasileiros de bordo

A posição do almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, diretor da DPC, publicada no "Monitor Mercantil", é bem clara, e suas colocações são bastante lúcidas quanto ao quadro do mercado de trabalho apresentado na Marinha Mercante Brasileira nos últimos tempos. Não há escassez nem ameaça de escassez de tripulantes para os navios brasileiros, e nem aos navios estrangeiros que operam em nossas águas. Isso com ou sem a manutenção dos artigos e cláusulas das NR 70 e NR 82.

A única coisa que a supressão dessas normas irá garantir é a não necessidade de tripulantes brasileiros a bordo, e consequentemente a não garantia de direitos sociais, econômicos e de habitação a bordo para aqueles que decidam por se aventurarem no mar, com condições muito aquém das que se oferecem hoje. Em outras palavras, haverá diminuição sensível das condições ora oferecida.

Isso já se faz notar de forma clara na intransigência das empresas em assinar um Acordo Coletivo de Trabalho decente e negociado, já que nenhum avanço é oferecido e buscam que as condições se nivelem por baixo.

A preocupação das empresas não é, de nenhuma maneira, garantir tripulantes para suas embarcações, mas pura e simplesmente aumentar enormemente seus lucros, explorando tripulantes com salários e condições de navios de Bandeira de Conveniência, em um mercado doméstico, restrito e com fretes garantidos e altos.

É preciso dar um NÃO à manobra espúria que visa retirar brasileiros de bordo, ou diminuir seus salários e condições ao nível dos praticados nos piores setores marítimos.

Para que possamos dizer que o Brasil é realmente nosso, é preciso que a exploração de suas riquezas se reverta em benefícios e condições melhores de vida a nós brasileiros, não a armadores estrangeiros.

O blog só faz uma ressalva quanto à posição do Diretor da DPC no que toca o nosso sindicato. Que eu saiba o SINDMAR não afirmou que o mercado de trabalho está tranquilo, mas apenas que está equilibrado quanto à oferta e procura de tripulantes brasileiros. Quanto à tranquilidade, todas as notas dos armadores atacando a legislação brasileira, e o terror que tentam impor à sociedade com um inexistente “apagão marítimo”, mostram claramente que ela está longe de nosso setor.

Leia abaixo na íntegra:

Marinha e marítimos 

O titular da Diretoria de Portos e Costas da Marinha (DPC), almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, em depoimento à coluna, dá sua opinião sobre a polêmica do mercado de trabalho. O Sindicato dos Armadores (Syndarma), apresentou estudo da USP, indicando falta de pessoal, com possível "apagão no mar" e, em resposta, o Sindicato dos Oficiais de Marinha (Sindmar) divulgou análise da Uerj, em sentido contrário, indicando haver equilíbrio no mercado.

Comentou Leal Ferreira: "Não há tanta escassez como aponta o Syndarma nem tranquilidade, como destaca o Sindmar. Acho que há uma pequena carência, mas nada estrondoso". Lembra Leal Ferreira que, em 2005, foram formados 264 oficiais e, em 2011, serão graduados 772 profissionais. Em 2012 o total anual irá superar 800 e, a partir de 2015, serão mais de mil por ano. Declara que a formação é muito boa e o oficial de marinha brasileiro é internacionalmente elogiado.

- Embora não sejam militares, saem da escola com boa disciplina.

Segundo Leal Ferreira, a Marinha continua a fazer sua parte e a questão polêmica está com o Ministério do Trabalho, através das resoluções 70 e 82. Uma delas trata do uso de mão-de-obra brasileira em navios estrangeiros em operação no país, e a outra se refere à utilização de estrangeiros em navios brasileiros, o que é parcialmente permitido pelas leis em vigor, mas nunca foi aplicado.

Leal Ferreira lembra que a vida no mar é dura e, com o afastamento da família e o isolamento, muitos deixam a profissão. Um problema, segundo ele, é que, após formado, um bom oficial precisa de sete anos para poder ser elevado a comandante. O dirigente da DPC lamentou que, devido à formação educacional do país, há dificuldades em se transmitir noções de tecnologia - atualmente essenciais - ao pessoal subalterno.


Mercantes: como sobreviver com a pensão do INSS?

Se para a grande maioria da população a troca entre o salário e a pensão do INSS não altera muito a rotina financeira da família, para aqueles que têm um salário um pouco mais alto, essa troca pode afetar sensivelmente o padrão de vida.

Sobre isso foi feita a pesquisa abaixo, e que no fundo não deixa de chamar a atenção: a maioria não se preocupa, mas a aposentadoria é alcançada por cada vez mais brasileiros, e o velho problema reaparece sempre: como sobreviver com a pensão de nosso bravo INSS?

Se “vestir o pijama” não faz parte de seus planos, tudo bem e boa sorte. Mas se ao contrário, você pensa em um dia jogar damas na praça com os amigos, e sem depender de filhos e caridade alheia, ao menos vale o lembrete.

DCI – Reportagem - 01/06/2011

Aposentadoria traz temor para brasileiros

Um quarto dos brasileiros não sabe qual será a sua principal fonte de renda na aposentadoria. A constatação parte de levantamento efetuado pelo banco HSBC e divulgado ontem.
De acordo com a pesquisa, 25% dos entrevistados afirmaram que não sabem de onde virá sua renda depois que pararem de trabalhar. Já para 10% dos pesquisados, o dinheiro para esta época da vida será obtido por meio de economias e investimentos. O apoio financeiro dos filhos e descendentes também foi citado por 10% dos entrevistados como fonte de renda na aposentadoria. Ainda segundo a pesquisa do HSBC, para 8% dos pesquisados, a renda será garantida pelo recebimento de aluguéis, enquanto 7% acreditam que terão condições financeiras por conta de herança. Investimento em ações foi citado por 5% dos entrevistados, mesmo percentual que respondeu que deverá viver de salário e da venda de ativos atrelados a um determinado negócio.
Nos outros países participantes da pesquisa, o percentual de pessoas que não sabem qual será sua fonte de renda na aposentadoria também foi alto (19%).
Para 16% das pessoas, o dinheiro para esta época da vida virá da previdência social. Já 11% dos entrevistados responderam que deverá ter uma renda proveniente de economias e investimentos, enquanto 9% esperam receber pensão individual e pessoal.
O relatório divulgado ontem revelou ainda que o salário de emprego pago também foi citado por 9% dos entrevistados como possível fonte de renda quando deixarem de trabalhar, ao passo que os investimentos em ações e a renda de aluguel foram citados por 6% das pessoas, cada.
A pesquisa do HSBC foi efetuada com mais de 17 mil pessoas em 17 países. No Brasil, foram ouvidas 1.027 pessoas para o relatório O Poder do Planejamento.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mercantes no futebol: e tudo se decide na quarta-feira



Bom jogo ontem em São Januário. Mesmo sem muitos lances de gol, mas um jogo corrido e disputado palmo a palmo, com um começo modorrento, de estudos. Mas depois o jogo engrenou, o Vascão abriu o placar e o Coritiba ficou um pouco baqueado. Mas só um pouco, e logo já buscava o empate, mas abrindo espaços pro Vascão, como não havia ocorrido até então.

O jogo foi pegado, brigado, e tirando alguns poucos lances aonde se confundiram excesso de vontade com deslealdade, foi um jogo limpo. O Vascão saiu com uma vantagem pequena, mas pra jogar em Curitiba, qualquer vantagem já vale. Quarta que vem teremos o novo campeão da Copa do Brasil e o primeiro classificado para a Libertadores 2012.

Lances de área e emoção tivemos no Paraguai, onde o Santos que busca outros louros, conseguiu bom empate contra o Cerro, e se classificou para a final da Libertadores 2011. Aguarda agora o vencedor de Velez ou Peñarol para saber seu adversário, e se preparar para o grande confronto. Quem ganhar enfrentará Messi e cia, no Mundial.

No final de semana mais uma rodada do Brasileirão. Destacamos Fluminense x Cruzeiro, Flamengo x Corínthians, e Atletico MG x São Paulo. Vasco e Coritiba se enfrentam com seus times reservas na capital paranaense, e o Vasco tem chances de se manter na ponta, mesmo sem sua força máxima. Santos também deve manter seus reservas atuando, afinal tem coisas mais urgentes pela frente.

E para finalizar com chave de ouro, “nuestros hermanos argentinos” viram a coisa preta ontem. Vão levar um bom tempo para assimilar a derrota para a Nigéria, e mais ainda para aceitar que caíram de 4.

Mercantes 1.000!!!!


Mais do que trabalho, o blog dá prazer ao blogueiro. Por isso é muito bom poder comemorar o fato de que o blog completou ontem a expressiva marca de 1000 visitas, sendo que mais de 600 em pouco mais de 1 mês. Agradecemos a todos que acessaram e vêm acompanhando nossos comentários , compartilhando ou não com nossa opinião, e que nos motivam a continuar com o blog.

Esperamos poder contribuir, ao menos um pouco, no entendimento de todos do cenário internacional da Marinha Mercante, e dando palpites em nosso mercado doméstico, mas buscando sempre o rumo a mares mais tranquilos, e a marca de 10.000 acessos.

Está lançado o desafio.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A exploração do pré-sal não está em risco


Saiu no dia 30 de maio, em “O Globo” um artigo de Severino Almeida, presidente do SINDMAR, sobre os ataques contra nossos empregos e condições de trabalho. A nota é auto-explicativa, e vale muito a pena dar uma lida. O blog e o blogueiro fecham incontestes com a posição do Severino Almeida, e enfatiza que não podemos ceder à pressão de armadores estrangeiros, quanto às condições de exploração das riquezas de nossa pátria.

A exploração do pré-sal não está em risco, a navegação de cabotagem não está em risco. O único em risco, até o momento, são os empregos, as condições de empregabilidade e salariais dos brasileiros em seu próprio país, para atender a interesses externos. As riquezas de nossa pátria devem gerar emprego e renda para nossa própria gente.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Mercantes no Futebol: final do Brasileirão vem aí

Quarta-feira teremos a final da Copa do Brasil. O Vascão já demonstrou que tem condições de levantar o caneco, e o Coritiba também. As últimas semanas de ambas as equipes antecipam dois grandes jogos. Agora é ligar a TV e conferir na telinha se será assim mesmo. Os mais sortudos poderão fazer isso em São Januário ou no Couto Pereira.

A segunda rodada do Brasileirão sem grandes surpresas. Quatro equipes com 6 pontos, mas não se iludam, porque esse ano está mais equilibrado que nunca. De resto, nenhuma surpresa no final de semana. O campeonato aos poucos vai mostrando quem pode ou não aspirar alguma coisa no final, e esperando a estreia das equipes do Peixe e do Coxa, que, acertadamente, apostam todas as suas fichas na Libertadores e na Copa do Brasil, respectivamente, assim como o Vasco. Com a diferença que esse conseguiu duas vitórias nos seus jogos, enquanto os outros estão patinando nas últimas colocações. Mas nada que não possam recuperar.

Para não dizer que não temos surpresas, podemos falar do Bahia com o meio de campo formado por Ricardinho, Carlos Alberto, Souza e Jobson. Tem tudo pra dar certo e pode levar a equipe baiana a uma boa posição na tabela.

Para finalizar essa rápida aventura pelas terras esportivas falemos das barbeiragens de Hamilton. Não satisfeito em ser protagonista de alguns acidentes no GP de Mônaco ontem, ainda fechou com “chave de ouro”, quando atribuiu sua punição a uma perseguição racista por parte dos comissários da prova. Que infelicidade.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Verdade e Ilusão

A busca de se criar um fato derivado de uma falácia gera momentos em que se confundem e acabam por soltar os verdadeiros motivos que os levam a tomar tal posição. No nosso caso, a reportagem veiculada no Guia Marítimo de 25/05/2011 (ver abaixo) é um exemplo clássico do que está acontecendo em nosso setor.

O problema todo é o famoso custo operacional, que, embora não leve a um prejuízo, como alegado abaixo, leva sim a uma diminuição do lucro exorbitante a que os armadores estrangeiros estão acostumados com a exploração de sistema de Bandeiras de Conveniência.

E como sabemos que esse custo operacional mais alto não leva a um prejuízo?

Simples: qualquer empresa que opere por tempo tão prolongado gastando mais do que arrecadando, vai à falência. E mesmo que um armador tivesse muito dinheiro em caixa, e pudesse se manter operando no vermelho por muito tempo, a opção seria fechar a empresa atual e abrir uma nova, com contratos atualizados e lucrativos. Vi acontecer algumas vezes, durante meu período como inspetor.

Por fim, a última e grande falácia do momento: a falta de tripulantes, principalmente oficiais. A reportagem afirma que existe atualmente um déficit de 288 tripulantes. Se isso estivesse ocorrendo, e com uma conta muito favorável aos armadores, teríamos 20 embarcações paradas por falta de tripulação. Comissões de parlamentares estariam visitando as embarcações paradas e eles estariam alardeando aos quatro ventos os nomes e posições aonde esses barcos estão aguardando tripulantes para poderem operar. Mas como isso não ocorre, esses navios continuam singrando os mares brasileiros, transportando mercadorias e prestando serviços de apoio na exploração de petróleo.

O que ocorre, e vai ocorrer sempre, são casos pontuais, como o desembarque emergencial de tripulantes por motivos de doença ou acidentes de trabalho. Como as empresas não mantêm tripulantes em stand by, para suprir essas necessidades, leva-se um tempo até que se consiga outro tripulante, e este seja deslocado até a embarcação.

Este tipo de situação ocorre, seja no mercado doméstico brasileiro, seja no mercado internacional das BDCs. Presenciei este tipo de situação diversas vezes quando atuava como Inspetor da ITF, e agora também já presenciei este tipo de situação a bordo.

Não podemos nos deixar enganar com falsos argumentos, e muito menos nos deixar levar para posições contrárias aos nossos interesses. O que precisamos são melhores condições de salários, sociais e de respeito por parte dos armadores.

Guia Marítimo – Reportagem - 25/05/2011

Mercado costeiro do Brasil enfrenta falta de tripulação

Navios que operam na costa do Brasil estão sofrendo com a falta de funcionários capacitados, o que leva a um número de surpresas desagradáveis para as companheiras petroleiras e operadoras, que esperavam capitalizar a grande reserva de petróleo do país.
A cada ano, cerca de 500 funcionários são treinados no Brasil, mas o número não é suficiente para atender à demanda do mercado costeiro brasileiro nem do elemento humano requerido para as operações de suportes aos navios costeiros.
De acordo com o vice-presidente do OSM Group, Jan Morten Eskilt, os custos com pessoal surpreendem as empresas que chegam ao país: "Como empresa administradora, vemos os armadores se moverem para o Brasil e se esquecendo que estão dispondo embarcações em um mercado doméstico. Eles ficam surpresos com os custos operacionais e, mais ainda, com os custos com pessoal. Nesse ponto, muitas empresas têm tido problema", enfatizou.
Com os custos operacionais permanecendo incertos e a maioria dos contratos de charter a longo prazo sendo acertada apenas com aumentos de preços com base na inflação, os ganhos diários podem ficar abaixo dos custos operacionais o que, consequentemente, levaria os armadores a terem dificuldade de pagar os custos capitais.
Olhando para o crescimento do negócio costeiro do Brasil e o número de funcionários necessários para servir ao setor, o ano de 2011 já tem déficit de 288 profissionais - um número que deve aumentar para ao menos 1.339 funcionários em 2014 e que só deve sair da escassez em 2020


domingo, 29 de maio de 2011

O que é bom é pra sempre. Uma boa música, por exemplo: "Wuthring Heights", Kate Bush

Em homenagem à minha esposa, que é apaixonada por essa música, assim como sou por ela, aqui vai Kate Bush. Talento precoce que assinou seu primeiro contrato com EMI aos 16 anos, engrenou alguns sucessos, entre eles “Babooshka” e “Wuthring Heights”, que se tornaram grande sucesso no Brasil.
Dona de uma voz muito alta e afinada, Kate apresenta vídeos de produção barata e um estilo próprio de dançar, que a caracterizam de forma ímpar.
Para vocês “Wuthring Heights”, que por sinal é parte de nossa seleção Hollywood.


sábado, 28 de maio de 2011

Bate-bola com os Mercantes: Ofereçam boas condições e teremos tripulantes em todas as categorias para embarcarem


O Blog dos Mercantes recebeu o comentário acima do Luiz C. Leal no post "Esse é mesmo o N/M "Vale Brasil"? e faço questão de destacar aqui.


 Caro Leal,

Obrigado pelo comentário. Quando escrevemos, o que buscamos é justamente isso, o debate. Seus argumentos levaram a isso, por isso a resposta vai em uma nova postagem.

Essa é a questão: social. Primeiro porque não podemos esquecer nunca o lado social. Dificilmente não encontraremos produtos e serviços mais baratos, e muitas vezes melhores que os nossos, no exterior. Segundo, porque a Vale, quer queiram, quer não queiram, foi erguida com dinheiro público, e entregue a preço irrisório para a iniciativa privada. O mínimo que se poderia esperar era que ela revertesse algo em prol do país que a gerou.

Quanto a prazos e preços, são problemas que temos e devemos enfrentar, para que possamos um dia voltar a ter o parque industrial voltado para o setor marítimo que já tivemos, e políticas equivocadas de nossos governos nos fizeram perder. Sobre estaleiros, teríamos condições de atender à solicitação, se não para a construção de todos os barcos, ao menos de parte dele. Mas, uma vez mais, faltou vontade política. O que aconteceu foi que perdemos a OPORTUNIDADE de desenvolver ainda mais nosso parque industrial.

Tripulantes não quererem embarcar para a China? Até poucos anos atrás tínhamos muitos companheiros embarcados em navios da própria Vale, em viagens para a China, Japão, e muitas vezes passavam todo o embarque de nove meses sem vir ao Brasil. Detalhe que esses embarques eram feitos baixo o regime BDC, mas com a diferença de que o dólar era muito mais valorizado à época.

Os mesmos argumentos usados por você foram e são muito usados, por armadores europeus, para explicar a falta de tripulantes de seus países a bordo dos navios. Italianos, franceses, ingleses, alemães, etc desapareceram de bordo, e a desculpa era exatamente essa: eles não queriam embarcar. Nos meus últimos anos como Inspetor da ITF, tive a oportunidade de visitar navios em que encontrei tripulantes italianos, alemães e franceses, e embarcações embandeiradas nestes países. Isso devido à política pública de incentivar o retorno de seus nacionais para bordo de embarcações também nacionais. Por enquanto isso se restringe a oficiais, mas já há um movimento forte para levarem outros tripulantes europeus para bordo novamente.

Tudo depende das condições de embarque que se oferecem, das cláusulas sociais, do salário. Ofereçam boas condições e teremos tripulantes em todas as categorias para embarcarem, bastará treiná-los.

Não discuti a decisão da Vale sobre o ponto de vista empresarial, cujo objetivo é alcançar lucros altos e imediatos para seus acionistas. Discuti sim, sob o ponto de vista do meu país, porque cada vez que um desses barcos atracar em São Luis, levará literalmente 400.000 t do meu país, embora sem deixar nada em troca, a não ser uns poucos dólares, que beneficiarão a ainda menos pessoas.

Se vamos continuar perdendo empregos, indústrias e riqueza para outros países, vai depende de decisões políticas de nosso governo. Não há vocação de nenhum país para nada, a não ser aquelas que a natureza lhe concedeu. O resto é feito através de escolha e trabalho.

E tudo isso depende de vontade e decisão política.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Atenção Mercantes: querem nos tirar de bordo com argumentos falsos

Para ler é só clicar na imagem


O artigo acima foi publicado no Globo no último dia 16 e há dias estava para comentar aqui no blog.

Se o mercado de trabalho vai necessitar de 2500 oficiais nos próximos três anos, o blog não entende como irão faltar oficiais, uma vez que no ano passado as escolas formaram 770 oficiais, e nos próximos três anos deverão ser formados algo em torno de 2400 oficiais. Isso sem contar os companheiros que vêm retornando à atividade e com a possibilidade de que CIAGA e CIABA aumentem o número de formandos.

Também devemos contar que tem havido uma série de atrasos nas entregas de novos navios encomendados pela armação, o que diminui a necessidade de novos oficiais, e nos coloca com um problema sério de excesso de tripulantes.

Não sei que números ou informações foram usados para a pesquisa da USP, e não ponho em dúvida a lisura dos pesquisadores, mas claramente os números com os quais trabalharam foram maquiados para apresentarem resultado tão díspar da realidade atual. Há que se perguntar onde conseguiram tais informações.

Outra desinformação na nota dos armadores é de que querem proteger nossos trabalhadores. Como querem fazer isso, se querem retirar os dispositivos que os protegem?

Nós já vivemos período em que não tínhamos garantia legal de presença a bordo, e isso foi trágico para nossas carreiras e famílias, e acabou por retirar prematuramente muitos oficiais e tripulantes de bordo.

Precisamos nos unir e dar um sonoro NÃO às pretensões absurdas dos armadores, que de forma leviana vêm tentando levar a sociedade e o setor petroleiro brasileiro a posições equivocadas, tomadas com base em fatos e situações inverídicas e forjadas.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mercantes no futebol: Ressacada de Ressaca


Após mais uma boa exibição, o Vascão se classificou com vitória convincente sobre o Avaí em Florianópolis. O time esteve muito bem, e vários jogadores merecem menção, mas sem dúvida Diego Souza foi o nome do jogo. Dribles, assistências, posicionamento, gol e uma jogada fantástica, digna de um gênio: o lençol aplicado no defensor do Avaí, quando não havia espaço e ninguém esperava nada da jogada. Se continuar assim merecerá uma outra chance com a amarelinha.

No domingo enfrentaremos o América-MG com nossos reservas. Mas não se iludam, porque vários deles vêm jogando e entrando no decorrer das partidas, e com ótimo desempenho, por isso o time tem totais condições de conquistar mais 3 pontos e se manter entre os primeiros do Brasileirão.

E na próxima quarta, que venha o Coritiba, e se os dois confirmarem as performances das últimas semanas, teremos dois grandes jogos.Quanto ao Avaí, um engove para eles se recuperarem da ressaca da Ressacada.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Esse é mesmo o N/M “Vale Brasil”?


A notícia não é exatamente nova, mas ainda vale o comentário. A Vale lançou o maior navio mineraleiro do mundo, com seus 362 m de comprimento, 65 m de boca e 23 m de calado, e com capacidade para quase 400.000 t de carga. Seu lançamento é de fato digno de nota. Números realmente impressionantes, mas soluções simplesmente decepcionantes.


Houve tempo em que a Vale mantinha uma frota considerável, com bandeira brasileira e com tripulantes brasileiros. Por isso mais uma vez nos decepcionamos com as decisões de nossa antiga estatal. A embarcação foi produzida em estaleiro estrangeiro, embandeirada em país estrangeiro e será tripulada por estrangeiros.


Ou seja, em verdade estamos exportando nosso minério a preços módicos, com nenhum ou pouco valor agregado, criando empregos para estrangeiros e ficando apenas com algum lucro para acionistas da Vale. A decisão que poderia beneficiar a muitos brasileiros mais, consolidar nossa tecnologia e garantir nossa participação no mercado de bens e produtos de alto valor agregado, além de criar empregos bem remunerados e com alto nível de treinamento para nossa gente,  passou longe de sua atual direção. É lamentável quando todos os seus benefícios são exportados e o país não usufrui de todo o potencial que poderia com uma obra como essa.


Parabéns à Vale pela grandeza do barco, mas também podemos lamentar a falta de patriotismo da mesma, porque o único momento em que pensou no Brasil foi na hora de seu batismo.