segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Blog dos Mercantes e a greve nos portos

Já temos uma greve de portuários marcada para quarta e quinta. As demandas são mudanças na MP 595, que da forma que foi finalizada quando da sanção da Presidência da República, prejudica enormemente os trabalhadores do setor.

O Blog dos Mercantes espera que nossos companheiros portuários consigam reverter as decisões tomadas pela MP 595. Assim como o trabalho marítimo, o trabalho portuário também é altamente especializado, perigoso e exige treinamento adequado, experiência e comprometimento para que seja executado de forma eficaz e segura.

Da forma como foi aprovada, e com os vetos presidenciais, a tendência é que tenhamos novos portos e terminais fora do chamado “porto organizado” aonde trabalhadores serão contratados levando-se em conta puramente o fator custo, sendo que não haverá nenhuma obrigatoriedade de treinamento ou capacitação dos mesmos.

O resultado disso é conhecido: o aumento no número de acidentes, muitas vezes fatais ou incapacitantes, piorando a já complicada situação das famílias desses trabalhadores.

Algo que a Marinha Mercante conhece há muitos anos, com a Bandeira de Conveniência, e que tem apresentado constantemente situações como essas, com a utilização de trabalhadores pouco capacitados, sobrecarregados, o que gera um alto índice de acidentes.

Desastrosa a decisão ora tomada.

Leia abaixo a reportagem publicada no G1:

Estivadores recorrem ao Supremo para mudar emenda da MP dos Portos

Artigo permite empresas a contratar trabalhadores com carteira assinada. Trabalhadores de Santos, SP, não descartam possibilidade de greve.
O Sindicato dos Estivadores de Santos, no litoral de São Paulo, é contra a MP 595 que muda a contratação de trabalhadores para os novos terminais portuários, e decidiu nesta segunda-feira (20) recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça. Ainda de acordo com o sindicato, a possibilidade de greve da categoria não está descartada.

Os estivadores vão recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça para que seja mantida a emenda 115 da MP dos Portos, aprovada pelo relator, mas que não chegou sequer a ser votada na Câmara na semana passada. Ela garantiria o direito dos estivadores de trabalharem nos novos terminais portuários. "Se aprovada, já nos resguardaria no sentido de ter essa mão de obra requisitada via Ogmo. Qualquer instalação portuária, do Porto de Santos, teria necessariamente que requisitar o Ogmo", explica o vice-presidente Sindicato dos Estivadores César Bahia.

A MP foi criada para atrair novos investimentos e também modernizar os portos. Para isso, o governo pretende diminuir os custos e aumentar a competitividade, mas para o Sindicato dos Estivadores as mudanças podem significar o desemprego de mais de 6 mil pessoas só aqui na Baixada Santista.

Ainda de acordo com o sindicato, o problema aconteceria porque um dos artigos da MP prevê que os novos terminais possam contratar outros trabalhadores, com carteira assinada, e não mais os estivadores avulsos. "O que tem que ser preservado seria o registro desses trabalhadores que existem no quadro do Ogmo, que são trabalhadores qualificados para aquelas funções", finaliza.

A possibilidade de greve ainda não foi descartada pela categoria, mas o Sindicato dos Estivadores disse que vai esperar a decisão da presidente Dilma, que ainda pode vetar o artigo que prejudicaria os estivadores.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Protesto até em alto mar: marinheiros mercantes nas manifestações



Olha aí o pessoal embarcado mandando seu recado e participando das manifestações. Mostra que estão todos antenados e descontentes com o que estamos vendo no país nos últimos anos. Poderiam aproveitar para dar o recado do setor também, e cobrar mais empregos a bordo, já que muitos têm sido substituídos por mão de obra estrangeira pelo simples fato de serem mais baratos ou por interesses externos mesmo.
As fotos foram tiradas do Facebook da página “Marítimos”.
Agradecemos a participação de vocês. Não esmoreçam porque os vinte centavos já ganhamos, mas falta muito, por isso

CONTINUEMOS NA LUTA!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sindmar alerta para o problema de desemprego de marítimos

Aquilo que o Blog dos Mercantes já vem detectando e denunciando há alguns meses é também discurso oficial do Sindmar: o desemprego de marítimos.

Em matéria na revista "Portos e Navios" o presidente da representação dos oficiais mercantes denunciou a possibilidade de desemprego daqueles que optam por uma carreira no mar, e ao mesmo tempo cobra das autoridades pelo fato de não terem dado mais crédito à voz dos trabalhadores do setor.

Na verdade o Blog dos Mercantes já vem alertando para tal possibilidade há tempos, tendo como base as afirmações do próprio presidente Severino Almeida e as observações que fazemos de companheiros que vêm encontrado enormes dificuldades em conseguirem colocação nas empresas de navegação brasileiras, seja na navegação de cabotagem tradicional, seja no offshore.

Outra questão também tratada na matéria é a dos navios de cruzeiro marítimo, que todos os anos têm chegado à nossa costa em busca de altos lucros em uma atividade que está pouco regulamentada. Este fato único tem causado transtornos inaceitáveis já que, ainda que voltada para o turismo, a atividade fundamental desta atividade é a navegação, e o não cumprimento das regras relacionadas a ela causam problemas que vão da poluição marítima e constantes quebras das regras referentes à segurança da navegação, até o mau atendimento dos usuários do serviço, que muitas vezes vêm seus direitos negligenciados pelos operadores do sistema, e não têm a quem recorrer.

Esperemos que desta vez nossas autoridades deem mais atenção às denúncias do representante dos trabalhadores, e tomem ações efetivas que possam proteger os trabalhadores e cidadãos brasileiros.

Leia abaixo a matéria com o Severino na "Portos e Navios":

Presidente do Sindmar, Severino Almeida lamenta lento crescimento da frota

Há alguns anos, diante das perspectivas de construção em massa de navios, falou-se na possibilidade de apagão marítimo e, para se resolver o problema, foi levantada a possibilidade de contratação de estrangeiros. Após alguns anos, o presidente do Sindicato dos Oficiais de Marinha Mercante (Sindmar), Severino Almeida, afirma que a razão estava com ele. “Cadê o apagão marítimo?”, pergunta, e acrescenta que a maior contratante de navios, a Transpetro, que encomendou 46 embarcações, só recebeu quatro. E ironiza: “Corre-se o risco é de desemprego de marítimos, pois a Marinha do Brasil elevou efetivamente a formação de pessoal”.

Segundo Severino, a Transpetro merece os parabéns pelas encomendas, mas não foi acompanhada por armadores privados, com exceção da Log-In, a única empresa que encomendou navios para atuar na cabotagem – nas linhas externas não há navios brasileiros em operação. O fluxo de entrega de navios à Transpetro está bem inferior às previsões otimistas, feitas por volta de 2007. Salienta também que a Petrobras passou mais de um ano sem contratar barcos de apoio a plataformas de petróleo, o que, felizmente foi reiniciado, com 24 barcos e anúncio de mais 23, em junho.

Em relação à Medida Provisória 595, Severino se coloca a favor dessa norma, destacando a proibição para que armadores tenham mais do que 5% de terminais de contêineres. Severino informa que está em contato com diversos senadores, entre os quais Paulo Paim (PT-RS), no sentido de impor mudanças na lei da navegação, a 9.432. O dirigente sindical quer que os cruzeiros marítimos passem a ser regulados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

– Hoje, por uma exceção inaceitável, os transatlânticos não precisam obedecer à Antaq e estão subordinados ao Ministério do Turismo, que não tem conhecimento nem interesse em vigiar a atuação desses navios – diz Severino. Frisa que, nos últimos anos, houve uma série de problemas com transatlânticos, sem fiscalização por parte do governo. Acrescenta que as empresas do setor, baseadas em paraísos fiscais, usam os clientes brasileiros e nada dão em troca ao país.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O mito do povo pacato

Até o The New York Times divulgou em manchete
a violência contra o povo

O brasileiro é um povo pacato e tranquilo. Isso é um mito, criado com a intenção de nos mantermos nesse estado. Somos como qualquer outro povo, e é só olharmos em nossa história para vermos quantas revoltas estouraram por nosso país. Em alguns casos dirigidas por governantes locais, em outros não; mas sempre com massiva adesão popular. Na verdade são tantas que poderíamos elencá-las em ordem alfabética, mas citaremos apenas algumas: Revolta da Vacina, Revolução Farroupilha, Guerra de Canudos, Revolta da Armada, Revolta da Chibata, Confederação do Equador, Inconfidência Mineira, Cabanada, Cabanagem, Sabinada, Revolta do Vintém, Revolução Constitucionalista, e mais recentemente, o Golpe de 64 com sua guerrilha, Diretas Já, e Os Caras Pintadas. E essas são apenas algumas.

Por isso, o Blog dos Mercantes vai fazer uma pausa pontual e necessária para comentar alguns fatos que vêm ocorrendo em nosso país nos últimos dias: a série de manifestações e a repressão violenta e desnecessária das polícias de vários estados brasileiros, governados pela oposição, apoiadores ou mesmo correligionários do governo federal.

A demanda inicial, que é o aumento de míseros R$ 0,20 das passagens de ônibus em São Paulo, não pode ser vista como o motivo principal das marchas em todas as capitais brasileiras. Quando muito foi o estopim de algo há muito reprimido. Tanto é que já aparecem outros pleitos pelo país afora muito mais sérios e justos do que o simples aumento das passagens de ônibus na capital paulista e em outras; e que são motivos de insatisfação popular, mesmo que esse aumento, ao longo de anos, seja muito superior à inflação.

Saúde falida, Educação de péssima qualidade, violência, corrupção, transportes precários e caros, impostos altíssimos e bitributação, pois todos os serviços que se deveria receber pelo pagamento desses impostos são de péssima qualidade. Isso quando existem, e obriga uma parte considerável da sociedade a pagar por esses serviços que ainda assim são de qualidade questionável.

Somado a isso nosso governo vem se curvando cada vez mais a pressões estrangeiras, e abrindo nossas portas a imigrantes para que ocupem nossos postos de trabalho. O caso da importação de médicos é emblemática, e as desculpas dadas pelo governo para a importação são falhas, quando não mentirosas.

Conheço vários médicos, e todos evitam trabalhar no interior, pois uma vez estabelecidos têm os salários cortados (algo que é inclusive proibido por lei), as condições de trabalho reduzidas (equipamentos, auxiliares etc.), enfim os acordos são simplesmente rasgados.

Em nosso setor de Marinha Mercante vivemos situação semelhante. Respaldado por uma série de mentiras, que se traduzem no termo “apagão marítimo” temos visto nossa profissão ser mais uma vez aviltada. Estão sendo formados oficiais em um ritmo muito acima da necessidade do mercado, que nem de longe tem respondido com a aquisição de novas embarcações, sejam elas construídas no Brasil, sejam elas afretadas no estrangeiro.

Isso vem se refletindo num crescente aumento do desemprego entre marítimos, e em condições de negociação muito mais favoráveis às empresas. Gera também insatisfação na classe.

Notemos aqui que falamos de empresas em sua maioria estrangeiras, que não apresentam absolutamente nenhum compromisso com nosso país, nem mesmo por parte de seus gestores, que são sempre enviados diretamente de suas sedes. No máximo encontramos alguns brasileiros que se apresentam para servirem de amortecedores entre a cúpula administrativa e os trabalhadores da empresa.

E isso não acontece apenas com essas duas profissões. Tenho visto o mesmo processo com engenheiros, administradores, e até mesmo com pessoal de nível técnico.

Somemos tudo isso com o descaso que nosso governo tem mostrado a todos os problemas existentes no país, que são conhecidos de todos aqueles que trabalham e vivem em nossas cidades e campos, e temos o caldo formado para todas as passeatas e manifestações que temos visto nos últimos tempos.

Tudo isso vem deixando as páginas do Facebook, do Twiter e de outras mídias sociais, e está tomando as ruas. Finalmente o povo “cansou” de dizer que está cansado, e resolveu demonstrar isso de forma mais contundente.

Não somos contra Copa do Mundo e Olimpíadas. Na verdade são eventos internacionais de grande porte, que trazem visibilidade e credibilidade ao país que os sedia, e que tomamos o compromisso de realizá-los. E digo tomamos porque não vi nenhuma grande campanha contra isso na época, apenas algumas vozes isoladas. Por isso agora temos e devemos cumprir com nossos compromissos.

Mas isso não é desculpa para a absurda falta de planejamento, que inflacionou enormemente os custos desses eventos, nem para a prevaricação que vimos observando nos últimos tempos.

Tampouco é desculpa para os cortes orçamentários que vêm acontecendo em áreas sensíveis (educação, saúde, transportes), para os baixos salários, para mantermos intactos todos os maus serviços e a bitributação existente, para curvar-se ostensivamente a interesses estrangeiros.


Nisso tudo quem parece que realmente acreditou no mito do “povo pacato” não foi o povo, mas aquele que o criou!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

MP 595 é Aprovada no Congresso. Entenda as mudanças

Algumas das mudanças propostas pela MP 595 são bastante ambíguas e passíveis de ações judiciais se aplicadas, e provavelmente promoverão uma série delas pelo país afora, já que alteram de forma arbitrária contratos de arrendamento em vigor e deixaram clara a intensão do governo de não cumprir com os acordos em vigor.

A maioria das alterações ocorridas na Câmara dos Deputados teve a intensão de corrigir essas distorções, mas em princípio tais mudanças não foram bem recebidas no Palácio do Planalto. Em breve veremos a reação oficial do governo sancionando ou vetando tais alterações.

Não custa lembrar que, para quem investe, a incerteza do cumprimento ou não das regras do jogo é uma variável bastante assustadora e custosa na previsão de investimentos em determinado setor, e não raro afasta ou protela grandes investimentos.

Ponto negativo na proposta governamental, corrigida pelas emendas.

Por outro lado a limitação da participação de empresas de navegação em novas licitações é respaldada pela observação dos resultados em outros países, aonde foram detectados problemas sérios de privilégios dispensados aos armadores proprietários do terminal, o que a médio e longo prazos pode ser muito prejudicial a concorrência não só entre terminais, como entre os próprios armadores, levando a resultado diverso daquele que governo quer alcançar: a concorrência entre terminais portuários.

Outra bola fora governamental corrigida na Câmara.

Mas para os trabalhadores portuários foi prejudicial a redação do Cap. VI, que trata do tema, mas que se restringe ao porto organizado, sendo que não menciona a relação de contratação dos trabalhadores portuários pelos terminais privados. Com a perspectiva de aumento dos portos privados, tal omissão é altamente frustrante àqueles que labutam no setor.

Para quem quiser consultar o texto completo da MP aprovada pelo Congresso e antes dos vetos, é só clicar AQUI.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Alô alô marítimos brasileiros: tem golpe na praça. Antes de aceitarem qualquer emprego, procurem o Sindicato

Deu no site G1: "Grupo de 28 trabalhadores de vários estados é vítima de golpe em Santos. Proposta era para trabalhar na reforma de um navio petroleiro. Dos 28 homens, 18 perderam R$ 1.300 que pagaria um curso."

Com o crescimento verificado e propagado do setor do petróleo pela grande imprensa, muitos trabalhadores têm sido atraídos a tentar a sorte nessa área. Seja como funcionário das empresas petrolíferas, seja como marítimos em diversas empresas da área, a busca por oportunidades e melhores salários é o objetivo de milhares de pessoas que buscam seu lugar ao sol.

Esse movimento tem propiciado o crescimento e o surgimento de muitas empresas de recrutamento, mas também de muitos golpistas, que se aproveitam da inexperiência e da necessidade de trabalhar de muitos, para tomar-lhes dinheiro sem nenhum tipo de retorno ao trabalhador.

Mas esse problema não afeta apenas os trabalhadores contratados para funções de apoio e aquelas consideradas não tradicionais marítimas. Também tem havido este tipo de assédio a marítimos desempregados, quando são prometidos embarques que supostamente requerem cursos específicos, e os marítimos que se apresentam para as vagas são cobrados para ou para frequentarem os requeridos cursos, ou mesmo somente receberem os respectivos certificados.

Tal fato tem sido tentado mais comumente entre a guarnição, que têm tido mais dificuldades de conseguir embarques, mas com a enorme quantidade de oficiais que vem sendo formados e despejados num mercado de trabalho que não tem se aquecido na mesma velocidade, já ouvi relatos do mesmo golpe sendo aplicado em oficiais.

 Isso é facilitado ainda porque nosso governo tem permitido cada vez mais a contratação de trabalhadores estrangeiros, muitas vezes em substituição de brasileiros. Esses trabalhadores na maioria dos casos vêm com menos treinamento, menos capacidade profissional inicial, mas com condições sociais mais baixas, não exigem condições de embarque tão boas quanto os brasileiros, e recebem salários mais baixos.

Ou seja, costumam ser trabalhadores bem mais baratos que os brasileiros, que, no final, atendem o único que realmente tem importado à grande maioria das empresas: BAIXO CUSTO!

Isso é verdade em inúmeras profissões, mas mais notadamente entre marítimos.

Portanto, antes de aceitarem qualquer oferta de emprego, procurem seus sindicatos e se informem não apenas sobre as empresas de recrutamento, mas também sobre as vagas de emprego que oferecem.

Para ler a matéria, clique AQUI.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mais de dois séculos depois, portos brasileiros são de novo abertos. Só que dessa vez os motivos são outros

Imagem meramente ilustrativa

Deu no Globo: ""Abertura nos portos é vital para a economia brasileira". A reportagem me remeteu imediatamente ao século XIX, quando a chegada da família real portuguesa em nossas terras fez com que ficassem evidentes as mazelas causadas pela exclusividade do comércio da então colônia com sua metrópole. Assim, um dos primeiros atos para modernização da nova sede da administração foi a abertura dos portos às nações amigas de Portugal.

Hoje, passados pouco mais de dois séculos, temos novamente a mesma chamada. Só que dessa vez os motivos são outros, já que a agilidade dos portos e fator fundamental na composição dos custos de nossos produtos, e estão intrinsecamente ligados à competitividade comercial da nação.

É altamente compreensível que muitos sejam contra algumas das mudanças propostas na MP 595, já que elas têm a finalidade de tirar da zona de conforto muitos dos atuais agentes do setor.

A modernização e competitividade devem ser alcançadas com investimentos em novas e mais modernas instalações e maquinários, propiciando o ganho de escala sugerido e buscado pela nova lei.

Mas o que não pode ser aceito é que os custos a serem cortados sejam fruto da precarização das condições de trabalho da mão de obra portuária, seja ela no âmbito social, nas condições de trabalho, ou em sua remuneração.

Veja a matéria na íntegra:

Abertura nos portos é vital para a economia brasileira

Há um acordo em gestação para viabilizar a aprovação, pelo Congresso, da Medida Provisória 595, que tem o objetivo de dinamizar o sistema portuário brasileiro. Tal acordo político se propõe a conciliar posições divergentes entre os atuais arrendatários de terminais em portos públicos e as empresas usuárias, que buscam uma redução de custos por meio de mais competição dentro do próprio sistema portuário nacional.

O governo estaria propenso a ceder e aceitar emendas ao texto original. Ajustes de fato serão bem-vindos se vierem a aperfeiçoar o novo modelo proposto, mas desde que não desfigurem a espinha dorsal da legislação, que é o de dotar os portos brasileiros de condições competitivas em relação às de mercados que transacionam com o Brasil.

E nesse caso não parece adequado que concessões sejam renovadas sem a contrapartida de investimentos que o próprio governo projetou para os próximos anos contando com maior participação de investidores, até mesmo hoje alheios ao setor. A manutenção do status quo não atende ao objetivo de abrir um sistema que se mostrou fechado mesmo depois de vários anos da implementação da lei de modernização, de 1993.

Os que defendem a manutenção alegam que o país não tem um movimento portuário que, pelo ganho de escala, possibilite significativa redução nos custos do setor. Mas efetivamente, com os atuais custos, esse salto no movimento de cargas jamais será atingido, criando-se um círculo vicioso.

O que poderá mudar esse quadro é uma abertura capaz de disseminar a competição. Se houver quem se disponha a investir no setor, por que barrá-los? Nada impedirá que as empresas já atuantes na atividade portuária também se beneficiem das novas regras e promovam investimentos. São companhias que têm a vantagem de já estarem estabelecidas, conhecendo profundamente o ambiente de negócios que envolve o setor e, portanto, não têm motivos para temer a concorrência. Se os investimentos previstos se concretizarem, haverá o tão sonhado ganho de escala que beneficiará todos, possibilitando uma redução de custos concomitantemente ao crescimento de receita.

Daí que um recuo em relação à espinha dorsal da nova legislação, que é a abertura para o incentivo à competição, seria uma tremenda derrota. O governo precisa ser firme nessa fase final da negociação, para evitar que os lobbies junto ao Congresso desfigurem a MP 595. Trata-se de uma questão vital para o futuro da economia brasileira. Com mais de oito mil quilômetros de costa e outras centenas de milhares em hidrovias, existentes ou potenciais, o Brasil não pode abrir mão de um sistema de transporte que tenha participação decisiva da navegação, que por sua vez, para ser eficiente, depende de portos modernos e dinâmicos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Hidrovias: o exemplo que vem do sul do Brasil

Deu no site "PortoGente" um artigo chamado "Hidrovia do sul do Brasil", assinado por Sílvio dos Santos, que fala sobre navegação fluvial e lacustre do Rio Grande do Sul, denominada Hidrovia do Sul.

Aquilo que na Europa e na América do Norte já está estabelecido há décadas, a utilização de hidrovias no Brasil tem tido sua implantação lenta e pontual. Mesmo áreas navegáveis e propícias ao escoamento de cargas de boa parte do interior do país têm sido abandonadas e aos poucos perdido sua capacidade de navegação.

Mas no sul temos um exemplo que certamente merece ser divulgado. Por isso trazemos o texto abaixo, retirado do site “porto gente”.

Bom seria que o exemplo se espalhasse por outras áreas do país, e por outros setores também.

Porque grandes e modernos portos são importantes, mas de pouca utilidade se não tivermos uma infraestrutura de transporte que propicie o escoamento rápido e barato das cargas do interior do país.

O começo do texto:

"O estado do Rio Grande do Sul e o estado de São Paulo foram os únicos que investiram na construção de um sistema de transporte para a navegação Fluvial. Se em São Paulo a Hidrovia do Rio Tietê foi originada em função das barragens para a geração de energia elétrica, em território gaúcho elas foram construídas com a finalidade especifica para a navegação.
Por esta razão, as barragens gaúchas são de pequena altura, suficiente apenas para vencer o desnível dos obstáculos à navegação, têm pequena área inundável e são de baixo custo. Foram construídas quatro barragens e suas respectivas eclusas: Amarópolis, Dom Marco e Fandango no Rio Jacuí e Bom Retiro no Rio Taquari.

Elas permitem a navegação de um total de 621 km desde o interior do rio-grandense, servindo os portos de Rio Grande, Pelotas, Porto Alegre e Estrela, além do Polo Petroquímico de Triunfo, através de um canal artificial de oito km, e a Usina Termoelétrica de Charqueada."

Para ler na íntegra e ver as imagens, clique AQUI.

sábado, 1 de junho de 2013

Uma boa música é para sempre


Uma das maiores, se não a maior, representante da música celta e moura atual é a nossa escolhida para esse vídeo. Como diz um amigo, o estilo escolhido, a voz e o refinamento musical e “a sonoridade sempre conseguiram me transportar para além de mim”. Mas ela não se restringe a isso. Loreena Mcknnitt “juntou à cultura celta elementos da música oriental, introduzindo um toque erudito e utilizando instrumentos folclóricos aliados aos sons eletrônicos obtidos através de sintetizadores. Somado a isto, vocais diáfanos que remetem a eras indefinidas”. O resultado desta mistura é o sucesso da canadense e que vocês conferem acima.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Acidente em Estaleiro no Rio de Janeiro: incalculável prejuízo humano e social

Mesmo com todas as precauções tomadas hoje em dia, acidentes continuam acontecendo. Mas o ocorrido no estaleiro Rio Nave com o “Skandi Angra” foi algo completamente inesperado e inaceitável. Independente do fato de haver vítimas fatais ou não, já que alguns trabalhadores podem estar desaparecidos, não podemos deixar de registrar a seriedade e a preocupação que causa uma situação desta envergadura.

O Blog dos Mercantes deseja que as previsões mais pessimistas não se confirmem, e que fiquemos somente com os poucos trabalhadores que sofreram ferimentos leves.

Também esperamos que sejam adotadas medidas mais rigorosas e melhor treinamento do pessoal, assim como uma melhor manutenção e inspeção do material utilizado nas operações do estaleiro, na busca incessante por segurança.

Mais do que os prejuízos financeiros, físicos e no cronograma das empresas, temos sempre o risco de um incalculável prejuízo humano e social, quando ferimentos e mesmo a vida de trabalhadores estão em jogo, e a estabilidade emocional de suas famílias.

Leia a matéria publicada no site do Estadão.

Navio se desprende do cais no Estaleiro Rio Nave
Rio - Um navio em construção se desprendeu do cais no Estaleiro Rio Nave, na Zona Portuária do Rio, deixando ao menos quatro pessoas feridas na manhã de hoje. O acidente ocorreu quando o rebocador Skandi Angra estava sendo preparado para a cerimônia de lançamento ao mar, marcada para as 15 horas.
De acordo com a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro as vítimas eram trabalhadores do estaleiro e tiveram apenas ferimentos leves. Ainda pode haver desaparecidos no local, mas a informação não foi oficialmente confirmada.
A hipótese mais provável é a de que o navio tenha perdido o controle após o rompimento de um cabo de sustentação, arrastando estruturas metálicas e outras embarcações próximas.
Além da equipe da Inspeção Naval da Capitania dos Portos, bombeiros, mergulhadores e veículos de apoio terrestre de seis diferentes quartéis foram mobilizados para o socorro às vítimas.
Criado em 2000, o Rio Nave atua com reparo e construção naval. O estaleiro ocupa uma área de 150 mil metros quadrados no bairro do Caju, arrendada do extinto Estaleiro Caneco. Em agosto do ano passado o governo do Rio publicou um decreto desapropriando a área, onde seria construído um Distrito Industrial Naval.

sábado, 25 de maio de 2013

Humor quase marítimo: pode isso, Arnaldo?

Tirei da postagem de uma amiga no Facebook. Muito bem sacada, além de bem humorada.
Sem esquecer que a permanência não pode ser obrigatória.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Blog dos Mercantes: é só diminuir a corrupção no Brasil para atingirmos níveis de desenvolvimento superiores aos atuais

A Folha de S. Paulo publicou entrevista com Dani Rodrick, economista e professor de política internacional na Universidade de Harvard. Nela Rodrick diz que o Brasil não voltará a crescer 7% ao ano, mas afirma que podemos chegar aos 5%.

"Existe estudo que mostra que o Brasil
poderia ter o nível de desenvolvimento
social do Canadá somente com a
diminuição da corrupção, já que
bilhões são desviados dos
cofres públicos todos os anos."

É verdade que alguns de seus argumentos são realmente válidos, visíveis e sensíveis, mas o são para o momento atual, senão vejamos:

1-    Os países desenvolvidos passam por crise e já não apresentam tanta demanda econômica como há alguns anos
2-    O Brasil já atingiu o máximo de industrialização e agora inicia o processo inverso, sendo os serviços o grande promotor de desenvolvimento atual
3-    A indústria não absorve mais mão de obra em grande escala, mas sim capital, sendo agora primordial o desenvolvimento científico-tecnológico
4-    Os BRICs utilizam políticas de desenvolvimento ultrapassadas e se apresentam como suplicantes
5-    A valorização do Real vem dizimando algumas indústrias
6-    O Brasil deveria se preocupar mais com o meio ambiente

7-    Por último, mas não menos importante, o Brasil apresenta um sistema híbrido de liberalismo financeiro e mais mercantilista (intervencionista) no sistema produtivo-comercial.

Os itens acima não estão exatamente na ordem do texto, mas isso não influencia no que vamos dizer agora.

Alguns tópicos são muito pontuais, e podem ser usados como base para uma diminuição momentânea do crescimento brasileiro, mas jamais devem ser analisadas como verdades absolutas em longo prazo. Outros são intrínsecos à economia brasileira, e têm solução; mas necessitam de ajustes e mudanças culturais para sua implantação. Outros ainda são pura propaganda ideológica e dominadora, não devendo a nação abrir mão de seu direito ao desenvolvimento sem contrapartida daqueles que já o alcançaram à custa de seus recursos naturais.

 A crise que assola a Europa irá se reverter e os Estados Unidos já mostram sinais claros de que sua economia aos poucos se recupera.

O Brasil ainda não atingiu o máximo de sua industrialização, como provam a demanda interna existente, mas vem perdendo boa parte de seu parque industrial para as nações asiáticas, notadamente a China, que, devido às suas condições de produção desiguais, vêm angariando indústrias de todo o mundo. Mas isso um dia também irá mudar, pela evolução das próprias forças de produção. Em alguns casos perdemos para vizinhos como Uruguai e Argentina.

A indústria sempre necessitou de investimentos intensos e alta tecnologia. As máquinas a vapor da primeira Revolução Industrial são hoje de uma tecnologia totalmente obsoleta, mas eram altamente avançadas e caras à época. A diferença é que a tecnologia hoje se desenvolve mais rapidamente que no século XIX.

Também temos problemas sérios internos, como impostos excessivos e duplicados, supervalorização do Real, falta de infraestrutura adequada e dificuldades de financiamento. Para sanar alguns desses problemas necessitaríamos de mudanças culturais e morais. 
Outros de financiamento, o que justifica a existência do BNDES e mesmo da criação de um banco desse estilo com os outros BRICS, desde que a sanha por reconhecimento internacional não leve o país a bancar sozinho tal instrumento.

Existe estudo que mostra que o Brasil poderia ter o nível de desenvolvimento social do Canadá somente com a diminuição da corrupção, já que bilhões são desviados dos cofres públicos todos os anos.

Este blogueiro arrisca a dizer que, diminuindo a corrupção endêmica, poderíamos alcançar níveis de desenvolvimento superiores aos 7%, uma vez que mudaríamos o foco do governo para atender aos interesses coletivos nacionais, e não aos privados como vem acontecendo.


E vale uma lida no texto abaixo.

Economia brasileira não volta a crescer 7%, diz professor de Harvard
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO
O Brasil não voltará a crescer entre 7% e 8% ao ano, diz o economista Dani Rodrik, professor de política econômica internacional da Universidade Harvard e um dos maiores especialistas em economia do desenvolvimento.
Segundo Rodrik, o ambiente global benéfico -alto crescimento da China, elevados preços das commodities, países avançados em expansão- não vai se repetir. "É realista esperar uma taxa de crescimento de 3% a 4% no Brasil", disse àFolha Rodrik, que participou ontem de seminário da revista "Carta Capital".
Segundo ele, a fase de alto crescimento no mundo acabou. O Brasil, com instituições democráticas sólidas, é resiliente. "Mas o país não deve ser excessivamente ambicioso, precisa ser cuidadoso, fiscalmente seguro, para lidar com os choques externos que provavelmente virão."
*
Folha - O Brasil cresceu 0,9% em 2012 e há uma percepção de que o modelo de crescimento baseado em consumo se esgotou. O que o sr. acha?
Dani Rodrik - Dois anos atrás, todo mundo dizia que o Brasil estava vivendo um novo milagre econômico. Eu achava que era um enorme exagero. Agora, as pessoas estão tirando conclusões apressadas em cima de apenas um ano de crescimento.
O Brasil não vai mais crescer 7%, como no milagre econômico antes da crise da dívida ou mesmo em 2010 (7,5%). É realista esperar uma taxa de crescimento de 3% a 4%. Se o contexto global ajudar, 5% é uma taxa razoável.

O sr diz que, a partir de agora, alto crescimento no mundo será exceção. Como se situa o Brasil nesse cenário?
As condições que permitiram crescimento de 7% a 8% não vão se repetir. Antes, tínhamos os estágios iniciais da industrialização -ao tirar mão de obra da zona rural ou do setor informal e levar para as indústrias, tínhamos ganhos de 400% na produtividade. Agora, não teremos grandes ganhos sem mais investimentos em educação e tecnologia. Com as mudanças tecnológicas, a indústria é muito mais intensiva em capital e não absorve tanta mão de obra. E o Brasil, na realidade, já atingiu o pico de industrialização e está agora se desindustrializando. Mas isso é verdade para a maioria dos países. É inevitável. A discussão agora é a velocidade da desindustrialização, se está mais rápida do que deveria. A indústria não mais será o motor do crescimento. Serviços e outras áreas irão gerar ganhos de produtividade.

O sr. ficou decepcionado com a decisão dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) de criarem um banco de desenvolvimento...
Essa é uma noção dos anos 50, de que é preciso ter financiamento de infraestrutura. Frequentemente, o que emperra o desenvolvimento não é a falta de financiamento, mas sim instituições frágeis, excesso de regulação, falta de política industrial e moedas sobrevalorizadas. Financiamento é apenas um dos fatores. Não me parece o foco apropriado para os Brics. Faltam ideias novas de como consertar a globalização e criar uma nova relação entre emergentes e ricos.
O sr. diz que os Brics precisam parar de se comportar como "suplicantes". Qual é a mensagem que o Brasil deveria passar nos foros mundiais?
Gostaria de ver o Brasil abordar o sistema internacional não como um país em desenvolvimento dizendo que é pobre e precisa de ajuda. Em vez disso, o Brasil precisa se posicionar como formador de políticas, que também tem grandes responsabilidades. Em áreas como mudança climática, por exemplo, não haverá redução de emissões se os emergentes não assumirem responsabilidade.

O que o sr. espera de Roberto Azevêdo à frente da Organização Mundial do Comércio?
A agenda da OMC precisa mudar. A Rodada Doha morreu e as pessoas deveriam simplesmente declarar isso. O real desafio para a OMC é estabelecer uma nova narrativa, que não se restrinja a: "você reduz suas tarifas e em troca nós abrimos nossos mercados". No momento, o maior problema não é a falta de abertura comercial.
E o Brasil precisa mudar sua atitude. O Brasil ocasionalmente precisa proteger sua indústria, mas tem de entender que os países ricos passam por uma situação muito difícil e também precisam proteger a sua indústria. O Brasil, apesar de todas as elevações de tarifas recentes, não pode ser chamado de economia fechada. Aliás, acho que a atual estrutura de tarifas no Brasil é até positiva.

Por quê?
Porque, na margem, está dando uma proteção temporária para algumas indústrias que estão sendo dizimadas pela valorização da moeda. Vivemos no mundo possível, não no mundo doutrinário.

Qual é a importância de ter um brasileiro liderando a OMC?
O Brasil pode levar para a OMC uma abordagem pragmática, não doutrinária, que é uma evolução da proposta radical de livre mercado -é assim a política econômica do Brasil atualmente. Então ter um brasileiro no comando da OMC é muito positivo.

O sr. classifica os países de mercantilistas ou liberais. Em que faixa se situa o Brasil?
O Brasil é uma boa mistura -usa regras liberais em seu sistema financeiro, políticas monetária e cambial, mas é mais mercantilista no que se refere às políticas industriais, proteção por tarifas, regras de conteúdo local e uso do BNDES. Talvez precise de menos liberalismo no fronte macroeconômico e mais no fronte comercial.


terça-feira, 21 de maio de 2013

Escravidão Contemporânea?

De vez em quando estamos lendo ou assistindo ao jornal na televisão e somos surpreendidos com uma reportagem sobre a soltura de trabalhadores que viviam em “condições análogas a da escravidão”.

Normalmente tal ação é desencadeada pelo Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho, e é apoiado pelas Polícias Federal e Militar local.

Mas como pode existir esse tipo de trabalho se a Lei Áurea data de 13 de maio de 1888? Não teríamos tido tempo suficiente para extirparmos tal forma de trabalho de nossa sociedade?

Bem, antes de tudo é necessário dizer que quando vivemos sob o sistema de produção capitalista, o que dizemos é que esse tipo de sistema de produção é predominante, coexistindo com ele em maior ou menor grau, outros sistemas de produção. Essa coexistência pode ser harmônica ou conflituosa, dependendo dos interesses do modo de produção dominante à época, e do grau de desenvolvimento intrínsecos nas relações entre os modos de produção e de como se articulam os atores dessa sociedade.

Também é necessário dizer que tal fato não se aplica apenas às relações de produção rural. Temos exemplos de redução de liberdade aos trabalhadores em várias áreas e em diversos países. Quando estive na Espanha em 1997 para fazer um curso, foram liberados trabalhadores latino-americanos que trabalhavam em confecções. Conversando com meus anfitriões, me disseram que não era algo tão raro de acontecer. Em São Paulo aumentam os casos de imigrantes ilegais bolivianos, que são usados de forma abusiva em vários setores produtivos. Na China, o maior exemplo atual, algumas empresas são consideradas prisões, tal o grau de degradação imposta aos trabalhadores.

Na Marinha Mercante também acontece, principalmente em navios de Bandeira de Conveniência, onde o Estado de Bandeira exerce pouco ou nenhum controle das condições a bordo. Quando inspetor da ITF cheguei a bordo de determinados navios, em que as condições encontradas eram semelhantes às descritas nas fazendas onde são encontrados os escravos modernos: salários muito abaixo, até mesmo do marco regulatório mínimo; condições de habitação subumanas; existência de mecanismos para manutenção de vínculo independente da vontade do trabalhador; descumprimento do contrato de trabalho, ou inexistência do mesmo; obrigar o trabalhador a trabalhar além do prazo combinado, ou excesso de horas diárias; cerceamento parcial ou total da liberdade, tudo isso conseguido muitas vezes com ameaças e uso da força.

Em minhas andanças pela internet me deparei com o texto no blog de Leonardo Sakamoto, e é exatamente desse tema que ele trata, e coloca de forma bem clara mecanismos de ligação entre o poder político local e alguns de seus “barões do capital”, por isso achei interessante trazê-lo à discussão.

Eu costumo dizer que o sonho de boa parte dos empresários capitalistas é produzir com escravos e vender em um mercado livre e muito bem remunerado. Alguns tentam!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Blog dos Mercantes de volta - e com força total


Após cerca de cinco meses em que nosso Blog dos Mercantes esteve praticamente parado devido a problemas de saúde do blogueiro, estamos finalmente em condições de, aos poucos, voltar a nossa rotina de postagens de vídeos, comentários sobre atualidades, dicas culturais e outros.

Nesse regresso queremos expressar algumas posições que parecem importantes a este blogueiro.

A primeira é que, como sempre dissemos em nosso blog, não temos a pretensão de sermos os donos da verdade ou de impormos uma visão baseada em pura ideologia política, mas de darmos uma segunda opinião em posições que são repassadas como verdades absolutas, mas, que muitas vezes, têm outros pontos de vista que podem levar a soluções tão boas quanto as apresentadas.

Ao mesmo tempo buscamos passar um pouco da experiência adquirida em muitos anos trabalhando em várias áreas do transporte.

A segunda é fazer um breve resumo do que aconteceu nesses meses em que o blog teve muito pouca atividade.

Na Marinha Mercante continuam os embates sobre a presença de brasileiros a bordo de embarcações estrangeiras. Mas as empresas vêm substituindo brasileiros por europeus, asiáticos e sul americanos a bordo de seus navios. Esse movimento das empresas já vem causando desemprego entre brasileiros, principalmente porque nossa autoridade marítima vem formando profissionais em demasia, e o aumento da frota não acompanha a oferta de novos tripulantes.

Por outro lado existe um movimento sério para a regulamentação do setor de cruzeiros no Brasil. A questão é que tipo de regulamentação iremos criar, e como a mesma será aplicada?

De qualquer forma nosso setor tem estado um pouco afastado da mídia.

Mas não podemos deixar de uma vez mais registrar nosso repúdio ao desemprego de brasileiros em seu próprio país em prol da invasão de trabalhadores estrangeiros.

É fato que os sindicatos marítimos têm atuado intensa e decisivamente nas duas frentes, não esquecendo que as representações patronais também se articulam e se contrapõem a muitos dos interesses dos trabalhadores e mesmo do país, haja vista que a grande maioria dos armadores que operam em nossa costa atualmente é estrangeira.

No setor portuário temos intensos debates sobre a MP 595, que, com todas as emendas, está se tornando uma colcha de retalhos e pouca alteração deverá proporcionar ao setor. Muitos podem dizer que isso seria um retrocesso, mas após ler o texto original posso dizer que a mudança mais profunda afetaria apenas aos TPAs, motivo pelo qual se manifestaram tão fortemente contra a MP.

Além do mais a Lei 8630 ainda não foi totalmente implantada, mas já se buscam mudanças no setor, procurando mais uma vez que os trabalhadores paguem a conta pelo mau planejamento e falta de infraestrutura do setor.

Por fim desejamos que o Blog dos Mercantes seja um espaço democrático e prazeroso àqueles que o acompanham, assim como o é para o blogueiro escrevê-lo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Blog dos Mercantes está de cara nova

Amigos do Blog dos Mercantes, como muitos aqui sabem, estou me recuperando de um problema de saúde. Mas em breve estarei de volta. Para começar a reesquentar o nosso Blog, a partir de hoje estamos de cara nova. É sempre bom mudar. E no mundo da blogosfera isso também deve acontecer.
Me aguardem.
Airton Lima


A imagem antiga

A nova imagem


terça-feira, 5 de março de 2013

Severino Almeida e os Cruzeiros: uma tragédia de alerta

Ainda continuo me recuperando de um sério problema de saúde e pretendo voltar em breve aqui ao Blog dos Mercantes. Mas gostaria de registrar o artigo do presidente do Sindmar, Severino Almeida, publicado hoje no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro. Já falei sobre o tema diversas vezes aqui no Blog e pretendo falar outras vezes. O assunto é de muita importância para a categoria. Reproduzo abaixo o texto do Severino.


"Cruzeiros: uma tragédia de alerta

Severino Almeida Filho

A colisão seguida de naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia está completando um ano. A tragédia, ocorrida junto aos rochedos da Ilha de Giglio, na costa da Itália, provocou a morte de 34 pessoas e deve nos servir de alerta. As circunstâncias que determinaram o acidente são as mesmas que envolvem essas embarcações no Brasil.

De acordo com a Abramar, a associação que representa as companhias estrangeiras que exploram esse serviço no país, o número de cruzeiros no litoral brasileiro bateu recorde na temporada de 2011/2012, totalizando 17 navios e cerca de 4,9 mil passageiros transportados.

Números muito próximos a esses devem ser alcançados no atual verão, sem que, contudo, medidas que poderiam garantir a efetiva segurança na operação desses cruzeiros tenham sido tomadas. A falta de uma legislação específica para regulamentar a atividade potencializa os problemas.

Negligência com o meio ambiente e com as normas de navegação, despreparo da tripulação - recrutada aleatoriamente e sem qualquer treinamento - bem como descaso com passageiros têm sido o pano de fundo da série de incidentes e acidentes que ocorrem a cada temporada com os cruzeiros marítimos em águas brasileiras – ingredientes, aliás, presentes no acidente do Costa Concordia.

Somente no verão 2008/2009 quatro brasileiros morreram a bordo de mais de um cruzeiro em águas nacionais. Ainda em 2009, mais de 300 passageiros do MSC Sinfonia sofreram intoxicação alimentar. De lá para cá, como o noticiário tem mostrado, os incidentes se repetem, incluindo desde manobras arriscadas junto à costa a incêndios mal explicados, passando por descargas de dejetos nas águas de famosos balneários.

Essas embarcações navegam por águas territoriais brasileiras, escalam nossos portos, fundeiam em nossas baías e enseadas e transportam brasileiros, sem que nenhuma autoridade ou órgão do governo tenha conhecimento prévio de suas rotas. Atuam livre de qualquer regulação porque a Lei 9.432/97, que disciplina o transporte aquaviário no país, por uma inexplicável omissão do legislador, não disciplinou os cruzeiros marítimos.

A questão torna-se ainda mais urgente se considerarmos que, em realidade, esses cruzeiros quase nada acrescentam à atividade turística brasileira, podendo-se dizer, na verdade, que constituem uma concorrência desleal à rede hoteleira das cidades pelas quais passam.

Cabe lembrar que a maioria dos passageiros é de brasileiros que gastam seus dólares a bordo, ao invés de fazê-lo em balneários e destinos turísticos nacionais. Os dólares gastos nos transatlânticos não são tributáveis, o que caracteriza dupla desvantagem para a nossa economia: perda de movimento do comércio nas cidades turísticas e a consequente perda de arrecadação.

Não precisamos de um novo Costa Concórdia nem de outros incidentes em nossas águas como alerta para tomarmos medidas que tornem a atividade dos cruzeiros no Brasil mais segura. Além da segurança, devemos igualmente adotar mecanismos que façam dos cruzeiros uma atividade econômica complementar ao turismo doméstico, que não merece enfrentar uma concorrência desleal."