terça-feira, 15 de outubro de 2013

Blog dos Mercantes no Dia dos Professores

O Blog dos Mercantes homenageia a todos os professores, mas não vai ficar no lugar comum de dizer o quanto são importantes etc. etc. Mas não é por isso que deixaremos de parabenizar os mestres de todo o País pela dedicação empreendida em prol dos cidadãos brasileiros.

Aproveitamos a oportunidade em que todos estão com seus olhos voltados para essa categoria e vamos compartilhar um texto que foi veiculado pela Folha Social", e que discute de forma bem interessante a Educação no Brasil de uma forma bastante revolucionária.

O Blog dos Mercantes só não concorda na afirmação colhida de Bertolt Brecht, de que muitos dos problemas sociais são decorrentes unicamente da falta de educação, embora não descarte esse fator como aguçador desses fatos.

O texto é do filósofo Pedro Salles, e o tema é do interesse de todos aqueles que querem um Brasil mais justo e desenvolvido.

A educação brasileira respira por aparelhos

Danças sensuais e agressões são apenas uns dos resultados
do péssimo sistema educacional brasileiro.
(Fotomontagem : Folha Social)

Pedro Salles,  filósofo, faz uma rápida analise do atual momento da educação nacional

Estamos em um momento delicado no cenário da educação brasileira. Os missionários do ensino estão de greve no Rio de Janeiro batalhando contra mais um retrocesso do governo. Enquanto isso, os representantes do estado e da cidade maravilhosa, Cabral e Paes, afirmam à todo instante que a greve é desnecessária e prejudica os alunos. Chega a parecer irônico, já que um professor mal remunerado, uma escola sucateada, e um projeto educacional mediável prejudica muito mais a educação como um todo. 


Mas o problema se estende à todo território nacional, já que o teto salarial dos professores, é de pouco mais de R$1.500,00. Valor bem abaixo do salário minimo necessário segundo o Dieese. Como se não bastasse, há vários motivos para os aspirantes à professor desistirem antes de optar em seguir a profissão. Em Pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, a pedido da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), mostra que 57% dos professores da rede estadual consideram violentas as escolas nas quais lecionam. Segundo secretário-geral da Apeoesp, Fábio Santos de Moraes, mais da metade dos professores tem medo do local onde trabalham e este número pode ser ainda maior. Não deve ser nada motivador trabalhar em um local onde se têm medo.


Alunos

Pobre dos alunos, que mal instruídos vão às escolas para conversar, se distraírem, dançar funk e aprender que estudar é um troço muito chato. Números mostram que ano passado, cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes abandonaram a escola. E o perfil desses jovens que abandonam, não é difícil de ser idealizado, em sua maioria são socialmente vulneráveis, têm baixa renda, muitos trabalham ou têm famílias com pouca escolarização.

Uma imagem emblemática circula na internet mostrando as brechas que as matérias da grade curricular de hoje dão ao capitalismo selvagem :


Estado

Afirmar que o Estado é inábil na administração da educação é pura inocência. Seria mais correto afirmar que o estado faz isso de maneira calculada e premeditada, já que em um país onde 75% dos brasileiros não sabem ler e interpretar um texto de maneira satisfatória, se torna um cenário perfeito para a festança da politica privada. Como diz Eduardo Marinho, ''educação pública é uma sabotagem. Não merece o nome de educação. O povo não é ignorante, é ignorantizado.''


Tomo um pouco das palavras de Bertolt Brecht e digo que devido à esse povo analfabeto e ignorantizado nascem as prostitutas, os menores abandonados, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. 

É hora de tomar consciência e dar as mãos à todos envolvidos na Educação brasileira. Educação é prioridade em qualquer sistema social. Os professores estão lutando nas ruas e o "gigante" não pode  ficar adormecido em berço esplêndido.

*Pedro Henrique Salles é formado em Filosofia pela Unicamp e escreve regularmente para o Folha Social

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Blog dos Mercantes e a análise sobre a cobertura das manifestações feita pelo jornal O Globo

Passeando pela net dei de cara com a análise de Cátia Guimarães, jornalista e doutoranda em serviços sociais, sobre as manifestações que vem ocorrendo nas ruas de nossas cidades. Muitas dessas manifestações descambam para a violência, com os governos considerados progressistas mostrando seu lado reacionário e opressivo.

No artigo de Cátia Guimarães, veiculado no sítio do "Observatório da Imprensa", vemos uma análise clara e nítida de como se comportam o jornal e os jornalistas que “criam” as matérias que levam milhões de pessoas a se “desinformarem” sobre os fatos ocorridos.

A se destacar o espírito corporativista da autora, que busca defender e desculpar a atitude de seus colegas jornalistas, tentando colocá-los como um subproduto do meio de comunicação em que trabalham, esquecendo-se de suas formações acadêmicas, culturais e familiares
.
O corporativismo, através de uma ética de defesa de classe, é algo que, hoje em dia, falta em várias de nossas categorias profissionais. Os liberais gritaram a plenos pulmões que o corporativismo é pernicioso à sociedade e à economia, pois aumenta custos com procedimentos e mão de obra.

Mas nós apenas diremos que esses gritos são uma grande falácia. Isso tem sim, o potencial de, se bem gerido, criar categorias fortes, trabalho de qualidade, levando a resultados melhores aos profissionais, empregadores e adquirentes dos serviços e produtos dessa categoria.

O texto de Cátia Guimarães vale a pena. Percam alguns minutos para lê-lo.


Sexta-feira, 11 de Outubro de 2013   |   ISSN 1519-7670 - Ano 17 - nº 767

LEITURAS DO ‘GLOBO’
Interesse e ignorância: passando dos limites

Por Cátia Guimarães em 08/10/2013 na edição 767

Vamos resumir assim: a polícia cometeu excessos, policiais isolados chegaram a forjar flagrantes, mas o uso geral da força se explica pela ação repetitiva e destruidora dos Black Blocs, que se infiltraram na manifestação dos professores do Rio de Janeiro, tornando o centro da cidade uma praça de guerra. Diferente dos mascarados, os professores se manifestavam pacificamente, mas, sabendo da situação da cidade e da predisposição dos vândalos de aproveitar qualquer oportunidade para destruir o patrimônio público e privado, bem que poderiam ter insistido em outra forma de negociação, menos radical, que levasse a um consenso mais seguro para o conjunto da população. Um pouco menos de intransigência nas demandas do Plano de Cargos, Carreiras e Salários também teria ajudado a evitar as cenas de horror que a cidade viveu. Os milhares de professores em greve, que têm lotado as assembleias em espaço público da categoria e, naquele dia fatídico, estavam lá, certamente teriam aceitado um desfecho pacífico como esse, bem no enredo de uma novela das seis. Isso só não foi possível porque eles se tornaram massa de manobra de partidos políticos (PSOL e PSTU) que comandam o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe-RJ) com o único objetivo eleitoreiro de desestabilizar o prefeito Eduardo Paes.

Pronto, leitor. Se você não teve o desprazer de ler a edição de quarta-feira (2/10) do Globo, poupe sua inteligência. No parágrafo acima estão resumidas as cinco páginas do jornal impresso e as diversas combinações de chamadas mal-intencionadas que a sua versão online fez durante o dia. Mas não só: resume também a abordagem que, numa coerência assustadora, os telejornais da Globo e da Globo News assumiram.

Acima dos partidos

Como resultado de uma combinação entre os interesses do grupo empresarial e a ignorância arrogante dos seus jornalistas, as Organizações Globo arriscaram tudo na cobertura da violência que os governos estadual e municipal do Rio de Janeiro provocaram contra professores e a população em geral. Dessa vez, foi mais do que uma inflexão conservadora ou uma oscilação indecisa: foi a tentativa explícita e vulgar, manipuladora a um ponto que poucas vezes se vê, de submeter os fatos a uma leitura editorial produzida a portas fechadas e legitimada pelo senso comum dos jornalistas que têm se prestado a isso. Registre-se, inclusive, que nenhuma matéria do jornal impresso foi assinada, constando apenas, num cantinho, o nome de uma tropa de jornalistas que teriam participado da “cobertura”.

Difícil é entender por que se precisou de tanta gente, já que o resultado foi uma ficção editorialmente montada muito longe da realidade dos fatos. Afinal, para saber a hora em que as bombas estouraram, o nome das ruas fechadas ao trânsito, o número de feridos e presos (mal apurado, diga-se de passagem), únicas informações objetivas em cinco páginas de matérias, não era necessário estar lá. Tampouco era preciso se arriscar em meio a bombas e “populares” para “descobrir” que alguns dirigentes do Sepe-RJ, como de quase todos os sindicatos e movimentos sociais organizados, têm relações com partidos de esquerda. Essa “denúncia”, um verdadeiro furo de reportagem do mau jornalismo do Globo, seria facilmente verificada remotamente, já que, enquanto a filiação partidária não é considerada crime, não se trata de informações confidenciais.

Na sua guerra contra qualquer tipo de organização de setores da sociedade, o Globo nos faz acreditar – e o que é pior, convence seus próprios jornalistas – que só existem interesses particulares (e escusos) quando há partido político e, mesmo assim, com filiação formal. Pela sua lógica, o Sepe-RJ deveria ser composto apenas por quadros “técnicos” da educação. Curioso é não haver questionamento sobre o caráter técnico de uma secretária de Educação formada em Administração Pública, que veio importada de São Paulo para gerir a educação do Rio. O fato de ter fortes relações com o PSDB – chegou a ministra de Estado, substituindo Bresser Pereira no governo Fernando Henrique e foi secretária de Cultura do governo Alckmin – e hoje compor um governo do PMDB apoiado pelo PT só mostra que, em alguns grupos, que não precisam ir para as ruas e tomar bomba ou bala de borracha para serem ouvidos – os interesses estão organizados acima dos partidos.

Falso equilíbrio
No mais, as palavras escolhidas e repetidas na cobertura do jornal impresso e dos telejornais não deixam dúvidas. Quando trabalhadores apanhavam e eram escorraçados pela polícia, havia “confusão” ou “confronto” entre policiais e manifestantes, uma descrição falsamente “equilibrada”, que iguala os dois lados da balança, na força e na razão; quando bancos e instalações públicas eram quebrados ou lixeiras queimadas, as palavras ganhavam contornos mais claros: tratava-se de “vândalos” fazendo “baderna” e “arruaça”.

Na Globo News, seria constrangedor, se não fosse revoltante, ver uma sempre despreparada Leilane Neubarth praticamente pedir, ao vivo, que o repórter do Globocop encontrasse um Black Bloc. Ela insistia em perguntar se, mesmo com pouca luz e àquela distância, o jornalista não conseguia ver se havia mascarados. Constrangedoramente, ele não viu. Mas passaram apenas alguns minutos o repórter voltou para dar a informação que, nas suas palavras, ele tinha ficado “devendo”. Encontrados os Black Blocs, a âncora da Globo News desfiou todo o rosário de conservadorismo, ignorância e, principalmente, mau jornalismo, deixando evidente para qualquer um que os fatos ali não tinham a menor importância – a narrativa já estava montada.

No Globo online, chegou-se ao cúmulo de dar destaque na página inicial à informação de que Eduardo Paes havia chamado a polícia para investigar o boato sobre a morte de uma professora. O texto era do blog de Ancelmo Gois e chegava ao cúmulo de dizer que o prefeito tinha recebido muitos xingamentos e passara a noite em claro!

Não comungo com a crença ingênua de uma parte da esquerda de que existe um Grande Irmão ou um Grande Editor definindo todas as estratégias de manipulação das matérias da grande imprensa. Questão muito mais complexa, o papel desempenhado pela grande mídia informativa conta com a passiva contribuição dos jornalistas, que são produtores, mas também produto desse senso comum que, por definição, é conservador e serve à manutenção dos interesses dominantes. Como não se trata de adesão voluntária e consciente, não se pode condenar os jornalistas de pronto, mas quero defender que, num momento como esse, é preciso pelo menos julgá-los.

Primeiro, porque em situações extremas a ingenuidade passiva precisa ter limites. Segundo, porque parte da afirmação desse senso comum é resultado da arrogância de profissionais que se acham ilustrados, mais bem formados e informados do que a média, envaidecidos pela presença pública e pelos privilégios que o crachá de um grande jornal garante e, consequentemente, crentes no seu papel de defensores da democracia através da informação.

Tenho certeza de que a maioria dos jornalistas das Organizações Globo, e falo aqui de jornalista médio, condena a violência contra professores. Mas, embebidos do senso comum que iguala todas as indignações nessa falsa crença na imparcialidade, condenam também a dos Black Blocs, a reação de manifestantes à polícia, a tática de ocupação de casas como a Câmara como forma de pressão e, quem sabe, também a organização em partidos políticos e movimentos sociais combativos. Não percebem que o resultado desse falso equilíbrio não tem nada de imparcial.

Mas, se é verdade que o dia a dia das redações não é marcado pela figura do Grande Editor, em tempos de crise os grandes veículos de comunicação, integrantes de grandes grupos empresariais, abrem mão inclusive dos princípios que, em tempos normais, garantem a sua hegemonia.

“Festa da democracia”

Narrando em livro sua experiência na construção de um projeto alternativo de comunicação no Chile durante o governo de Salvador Allende, o pesquisador Armand Mattelart nos mostra como, diante de uma ameaça concreta e estrutural aos seus interesses, os grandes meios de comunicação, aparelhos privados de hegemonia que são, abrem mão inclusive da aparência de imparcialidade. Essa parece uma explicação mais coerente para o apoio das Organizações Globo à ditadura brasileira, que mereceu um mea culpa recente.

Mas e hoje? Não se trata de supervalorizar o movimento das ruas como o prenúncio de uma revolução. Mas é preciso considerar que a recente greve e mobilização dos professores do Rio de Janeiro traz pelo menos duas novidades em relação às manifestações que têm tomado o país desde junho, fazendo com que a linha editorial do(a) Globo não tenha mais qualquer vacilação. A primeira é que ataca um governo cujo projeto de cidade e de educação, no caso específico de que tratamos, atende muito bem aos interesses do grande capital. Sergio Cabral foi os anéis; Eduardo Paes já alcança os dedos. A segunda, e mais importante porque mais genérica, é que não se trata mais de um movimento difuso, cujas pautas podem ser facilmente simplificadas a questões pouco estruturantes, como o fim da corrupção.

Agora, tomou as ruas e a simpatia da população um movimento organizado de trabalhadores que tem muita clareza sobre a sua pauta de reivindicação. Que, mais do que grandes emblemas, tem propostas concretas de aumento salarial, criação de carreira e melhoria das condições de trabalho para os profissionais e de aprendizado para os alunos. Trata-se, portanto, de um movimento organizado que, para defender os interesses dos trabalhadores – não só da educação –, tensiona a governabilidade e os consensos estabelecidos. Só que essa parte da “festa da democracia”, tão anunciada na cobertura do povo na rua, precisa ser cancelada.

sábado, 12 de outubro de 2013

Uma boa música é para sempre: Zé Ramalho e seu Povo Marcado


Alguns artistas dispensam apresentações mais elaboradas. Zé Ramalho é um deles. Entre seus muitos sucessos encontramos "Vida de Gado". Mas nesse tempo de manifestações e protestos, em várias partes do Brasil, está parecendo mais com Touro Bravo.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Blog dos Mercantes pergunta: julgamento ou caça às bruxas?

Há poucos meses tivemos o julgamento dos acusados pela tragédia do Costa Concordia, ocorrida em janeiro de 2012, quando encalhou em uma pedra e virou com mais de 4.000 pessoas a bordo, matando 32. 

Foram condenados cinco dos acusados, mas o Comandante da embarcação permanece como réu aguardando o desenrolar de escaramuças judiciais, na tentativa de reduzir a pena de sua já provável condenação.  

E é sobre as condenações que queremos nos posicionar.

Neste primeiro julgamento tivemos quatro tripulantes e o Diretor da Unidade de Crise da empresa condenados. Não conhecemos os termos exatos que levaram o tribunal a emitir tais sentenças, mas estranha que não tenhamos outros funcionários de terra acusados pela tragédia.[

E isso porque com as novas tecnologias de comunicação, boa parte da administração, e mesmo da operação dos navios se dá desde seus escritórios em terra. E isso na grande maioria das empresas. A Costa não foge a esse comportamento.

Óbvio que gerentes e diretores não operam equipamentos ou traçam rotas, mas exercem pressão excessiva sobre oficiais, principalmente Comandantes e Chefes de Máquinas, criando frequentemente a oportunidade de decisões equivocadas e perigosas. Algumas vezes fugindo às regras de navegação e segurança.

Também estranha a condenação do timoneiro, cuja única função é levar a proa da embarcação ao rumo ordenado pelo Oficial de Serviço ou Comandante, simplesmente substituindo equipamentos eletrônicos. Dificilmente é alguém que tenha conhecimento suficiente para perceber determinados riscos.

O Blog não é, de forma alguma, contrário à condenação dos culpados, desde que se façam as devidas investigações, e que estas apontem os mesmos de forma conclusiva e definitiva. Porque dos cinco condenados até o momento, nenhum deve cumprir pena, já que na Itália penas inferiores a dois anos são suspensas. 

Portanto, ao que parece, estão tentando jogar toda a culpa sobre o Comandante do Costa Concordia, que mesmo sem uma investigação mais profunda, pode ser acusado de muitas faltas, mas não é justiça fazer com que pague sozinho por elas, pois todas são compartilhadas, e mesmo resultado da pressão de superiores.

Como disse um dos advogados envolvidos no caso, as condenações que até agora foram feitas não vão agradar aos parentes das vítimas.

E aqui vai a pergunta que não cala: nós vamos à justiça para analisar e discutir provas, definir culpados, e puni-los; ou vamos para satisfazer aos parentes de vítimas?

Olhando de longe e acompanhando apenas pela imprensa, o julgamento do Costa Concordia está parecendo mais com um tribunal medieval, daqueles que condenavam por bruxaria. E quando se condena por bruxaria, muitas escapam, algumas são condenadas sem serem bruxas, mas pelo menos uma vai para a fogueira, porque o público tem que ter sua sede por sangue saciada.

E seria bom que as autoridades brasileiras olhassem com atenção esse caso, porque as empresas que operam no Brasil são exatamente as mesmas que operam lá fora, com a diferença que aqui a navegação de cruzeiro está completamente desregulamentada. E os métodos de operação e administração das embarcações são os mesmos, às vezes piores, pois falta o marco legal e a respectiva fiscalização.

Incidentes, mais ou menos sérios, vêm ocorrendo todos os anos. Então os riscos que corremos de termos uma tragédia aqui, também são grandes. Seria bom agirmos antes que isso acontecesse.

Justiça condena cinco por naufrágio do cruzeiro Costa Concordia
idente do navio Costa Concordia63 fotos
Cinco réus no julgamento do naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia, em janeiro de 2012 (32 mortos), foram condenados neste sábado (20) a penas que variam de dois anos e dez meses a um ano e seis meses de prisão, informou a imprensa.
O Tribunal italiano de Grosseto (Toscana) concedeu aos acusados o chamado "pattegiamento", que permite um acordo amigável quanto as sanções em troca de, pelo menos, o reconhecimento parcial da culpa.

O comandante Francesco Schettino, cujo julgamento foi iniciado quarta-feira, teve o pedido de "pattegiamento" negado pelo Ministério Público, que emitiu um parecer desfavorável. Mas seus advogados entraram com um novo pedido.

Quatro dos condenados, cujos advogados formalizaram as requisições de negociação de suas sentenças em maio, em uma audiência preliminar, estavam à bordo do navio no momento da tragédia, o quinto é o diretor da unidade de crise da Costa Crociere, Roberto Ferrarini.

Este último foi quem recebeu a pena mais dura, de dois anos e dez meses de prisão.

O gerente de bordo, Manrico Giampedroni, recebeu dois anos e seis meses de prisão e o oficial de bordo, Ciro Ambrosio, foi condenado a um ano e 11 meses de detenção. O timoneiro indonésio, Jacob Rusli Bin, foi condenado a um ano e oito meses, enquanto outra oficial à bordo, Silvia Coronica, foi condenada a um ano e seis meses, a menor pena.

O Ministério Público havia emitido um parecer favorável ao "pattegiamento" para estes cinco acusados.

O naufrágio do navio de cruzeiro terminou com a morte de 32 pessoas próximo a pequena ilha de Giglio, na Toscana.

Advogados do capitão Schettino consideram que a justiça tem aplicado "dois pesos e duas medidas" entre, por um lado, Francesco Schettino, e, por outro, as outras cinco pessoas que também tiveram responsabilidade no desastre.

A perspectiva da negociação das penas provocou a ira das vítimas, que querem justiça para seus mortos.

Na noite de 13 de janeiro de 2012, o navio de 114.500 toneladas atingiu um rochedo perto da costa e encalhou com 4.229 pessoas a bordo, incluindo 3.200 turistas.

Trinta e duas pessoas morreram, dois corpos nunca foram encontrados.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Blog dos Mercantes presente no Seminário do Sindmar em Rio das Ostras


O Blog dos Mercantes esteve presente em Rio das Ostras, participando ativamente no Seminário do Sindmar, ocorrido entre os últimos dias 4 a 6 de outubro de 2013. Surpreendeu-nos positivamente a audiência atraída pelo evento, formada basicamente por jovens em início de carreira.

A direção do Sindicato abordou assuntos variados. Também participaram palestrantes como os companheiros Bonfadini, Rodrigo Silva e Armelin, que apresentaram a realização de seu projeto sobre os propulsores Voith Schneider.

Pela parte sindical foram debatidos assuntos como legislação marítima relativa à criação de empregos, como as RN 72 e a Lei 9.432/97, temas político-filosóficos, que regem a dinâmica das relações políticas humanas.

Também foram apresentados o quadro atual do mercado de trabalho, riscos que nossos empregos correm e táticas utilizadas pelos armadores para minarem nossos postos de trabalho e condições sócio-econômicas.

Um dos pontos altos ficou com a necessidade de ética profissional da categoria, brilhantemente tratado pelo Delegado do Sindmar em Vitória, Ariel Montero.


O Blog dos Mercantes não vai reproduzir aqui todos os temas tratados, ou mesmo entrar nos méritos dos mesmos. Quer conhecer mais sobre isso, procure participar do próximo Seminário de seu Sindicato.

O Blog atesta a qualidade das apresentações e assuntos tratados, bem como garante a importância da participação de todos os Oficiais e Eletricistas nesses eventos, como forma de se atualizar e entender melhor o universo em que nos encontramos.

Fica a sugestão de se realizarem eventos a outras categorias marítimas, através da FNTTAA. Ainda que sejam os mais atacados, não são somente os empregos de Oficiais e Eletricistas que estão em perigo.

sábado, 5 de outubro de 2013

Uma boa música é para sempre: Cazuza e seu Codinome Beija Flor

Sem dúvidas Cazuza foi um dos grandes nomes da nossa música, e ainda o é. Mesmo que seu estilo de vida seja contestado, não há como negar seu talento. Se assim o fosse teríamos que crucificar outros grandes, como Noel Rosa, Cartola, etc.

Composições que marcaram época e não envelhecem jamais. Essa é a ideia, e Cazuza nos deixou muitas.

Codinome Beija Flor.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Blog dos Mercantes apóia Brasil com frota de Longo Curso própria

As colocações do presidente do grupo Barbeito, Washington Barbeito, são muito pertinentes e colocadas em um momento chave de nossa história. Óbvio que em qualquer momento podemos tomar iniciativas para recriarmos nossa frota de longo curso, e voltarmos ao comércio internacional como transportadores de nossas próprias mercadorias e de outros, como ocorreu por tanto tempo em nossa história.

Mas o momento em que vivemos, quando temos um montante grande de dólares deixando o país devido ao desequilíbrio de nossa balança comercial, uma frota própria poderia amenizar significativamente este processo, se não invertê-lo, já que temos que considerar que não só deixamos de pagar fretes, como passamos a recebê-los.

Fora outros benefícios que uma frota própria nos traz, como a criação de empregos, desenvolvimento de tecnologia, etc.

O artigo não é grande e vale a pena dar uma lida.

Frota de Longo Curso em bandeira brasileira. Uma demanda antiga dos marítimos, uma necessidade eterna do país.


País gasta US$ 20 bilhões e fica a ver navios

Por Washington Barbeito

Quem já viveu algumas décadas tem o impulso de não mais expor teses que considera acertadas, por achar que as tem repetido em vão e isso se tornaria maçante. No entanto, não há como deixar de fazê-lo, pelo que se vê no panorama nacional. Como se pode pensar em uma potência sem navios? Os Estados Unidos inventaram a bandeira liberiana e os asiáticos - com China à frente - chegaram ao esmero de misturar fretes com preços de produtos, a tal ponto que não se sabe onde está o segredo. China, Japão e Coreia colocam seus produtos por todo lado e, embora confiem nos estrangeiros, têm suas próprias frotas.

E o nosso Brasil? Após o auge dos anos 80, caiu para uma situação inaceitável. Graças à proteção legal, mantém frota própria no transporte costeiro, a cabotagem. No longo curso, não dispõe sequer de um navio em rota regular. Há pouco, armadores internacionais anunciaram aumento nos fretes de e para o Brasil, o que é normal, mas não em níveis similares e na mesma data. O déficit de fretes é estimado em US$ 20 bilhões anuais e, até recentemente, não se dava bola para esse número. Agora, no entanto, os dólares começam a fazer falta.

Proponho o estabelecimento de uma frota de porta-contêineres, para reinaugurar um serviço que existiu até os anos 90. Temos estaleiros e podemos importar navios parcialmente, em acordo com a construção naval, de modo que parte das embarcações venha do exterior e outra parte seja construída no Brasil. O financiamento de um serviço inicial de doze navios modernos é modesto, menor do que novecentos milhões de reais - investimento com retorno garantido, utilizando a maneira internacional, o leasing. Se temos os meios e os recursos, o que falta? Será a vontade nacional para fazermos?


Um grupo de empresários e economistas defende fórmula racional para criação de uma frota nacional. O Governo manteria seus atuais esquemas de financiamento, só que admitindo, como no setor aéreo, o leasing. Em caso de um problema com qualquer empresa, não haveria perda para o sistema, apenas a troca de operador. Com uma frota de pelo menos 12 navios, o Brasil poderia voltar ao transporte internacional de contêineres, sem subsídios, com imediata redução do déficit de fretes, gerando emprego para marítimos e metalúrgicos, racionalizando o serviço - ao se acoplar, inteligentemente, os serviços de longo curso e cabotagem - e ainda reduzindo o Custo Brasil, pois haveria extraordinário impulso à cabotagem, com enorme redução de custos na competição interna com o caminhão. E, o melhor de tudo, não ficaríamos dependendo exclusivamente de estrangeiros para exportar e importar. Há como se trazer de volta os navios nacionais a portos estrangeiros, sem subsídios e apenas com pequenas alterações legais.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Blog dos Mercantes pergunta: armadores em guerra destrutiva?

No Brasil as Conferências Marítimas tiveram seu fim no início do governo Collor. Essa decisão de nosso modernista de momento decretou o fim de nossa Marinha Mercante (ela encolheu de forma absurda); e, a reboque, de nossa indústria naval.

Não podemos dizer que, se isso não tivesse ocorrido, hoje teríamos uma frota gigantesca, mas é certo que termos certa quantidade de carga reservada a empresas brasileiras, seria, sim, um incentivo poderoso ao investimento e a manutenção desse serviço importante, de alto custo e que incorpora alta tecnologia, além de movimentar longa cadeia produtiva.

Como também é certo que não há concorrência séria entre as empresas de navegação, que costumam ter taxas bastante semelhantes, aplicando aumentos e reduções de forma quase que conjunta, e que costumam se coligar como forma de reduzir custos e equalizar tarifas. As quedas que observamos nos preços dos fretes nos últimos anos é fruto da queda brusca do comércio internacional, e não da concorrência entre empresas.

Por sinal nossa última postagem foi exatamente sobre a aliança de três gigantes da navegação, formando um verdadeiro cartel, como forma de aumentar suas taxas em três rotas comerciais distintas.

Na verdade, após o fim das Conferências Marítimas, o mercado tende a se monopolizar, como todo o mercado que não é regulado e fiscalizado.


Conferências marítimas são isentas para estabilizar taxas

Fato permite que transportadoras façam investimentos de longo prazo em infraestrutura, equipamentos e tecnologia

A indústria do transporte marítimo teve um grau de imunidade antitruste durante a era das conferências marítimas, que foi abolida nos EUA em 2008. A justificativa para as isenções das Conferências Marítimas foi baseada na necessidade de estabilizar as taxas. De acordo com seus proponentes, as conferências são necessárias para prevenir a concorrência através de preços de custo e permitir as transportadoras a fazer investimentos necessários de longo prazo em infraestrutura, equipamentos e tecnologia.

Como o argumento, o forro do transporte é uma indústria de alto custo fixo e o preço de custo em face do excesso de capacidade resultaria em um ambiente insustentável como portadores desencorajados a investir em novos navios e saídas rápidas de transporte, o que seria prejudicial para os carregadores em longo prazo.


A evidência desde 2008, é que operadoras têm realmente engajado em guerras destrutivas sobre a taxa com base no custo marginal de preços que não cobrem seus custos fixos. Embora não possa ser comprovado que as taxas teriam sido maiores sob os auspícios da conferência, a volatilidade da taxa tem sido marcadamente superior na era pós-conferência. Investimentos, no entanto tem restringido novas embarcações e nenhuma das grandes operadoras tem saído do mercado.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Blog dos Mercantes lamenta mais um acidente marítimo

Mais um acidente envolvendo embarcações mercantes ocorreu, desta vez na costa do Japão, e envolvendo dois navios cargueiros. Com seis tripulantes desaparecidos, o Blog dos Mercantes lamenta o acidente e torce para que os marítimos sejam encontrados com vida e bem.

Navios de carga se chocam na costa do Japão e deixam seis desaparecidos
        

Dois navios cargueiros se envolveram num acidente nesta sexta-feira (27) na costa do Japão. As embarcações se chocaram próxima ao sul de Tóquio, capital do país. Seis tripulantes estavam desaparecidos até o final do dia de buscas.




Foto: Kyodo News/AP Photo

Navio japonês levou a pior na colisão

O navio que aparece virado na imagem tem bandeira japonesa e naufragou. 
A outra embarcação tem bandeira de Serra Leoa, país africano.
Doze tripulantes chineses e um malaio que estavam nesse segundo navio estão a salvo.
A tentativa de resgate envolve dezenas de profissionais da Guarda Costeira do Japão.



sábado, 28 de setembro de 2013

Blog dos Mercantes: uma boa música é para sempre - Kiss Me

O Sixpence None The Richer foi formado em 1992 e representa o chamado pop rock cristão. Não aparece com canções impactantes, mas sim com composições que remetem a um certo esoterismo, que transmitem tranquilidade e calma.

Até agora a banda já lançou sete álbuns e emplacou alguns sucessos, como There She Goes e Don`t Dream It`s Over, este último grande sucesso também no Brasil.

A banda também fez também alguns trabalhos para o cinema, como no filme Como Perder Um Homem em Dez Dias, e participou das trilhas sonoras de algumas séries de sucesso na TV, como Dawson`s Creek, Smallville e Grey`s Anatomy

Na banda se destaca o vocal  Leigh Bingham, afinado e suave como suas músicas.