sábado, 22 de outubro de 2022

November Rain - First to Eleven

Grandes música merecem ser sempre ouvidas. November Rain é uma dessas músicas, dessa vez na interpretação de First to Eleven, e na voz de Audra Miller.




sexta-feira, 21 de outubro de 2022

PDT definirá seu destino

O artigo do G1 abre alguns dos caminhos  que  serão discutido no PDT sobre o futuro do partido, mas o mais importante, o rumo dessas discussões serão definidas pela postura de Ciro Gomes quanto a seu futuro. O 4 vezes candidato à Presidência da República tem 2 caminhos que poderá trilhar. O primeiro é uma "aposentadoria" política, e se dedicar apenas a treinar novos quadros para o partido, e o segundo é entrar com força na oposição ao futuro governo com o objetivo de uma 5ª candidatura em 2026. 

De minha parte eu acredito que possa haver dois outros caminhos para Ciro. O primeiro é Ciro se dedicar a treinar novos quadros e fazer a forte oposição ao governo, mas sem ser ele o candidato do PDT. O segundo seria ele exercer o mesmo trabalho, e ele mesmo ser o candidato, o que acho mais improvável e mais difícil de ser executado.

Também discute-se a possibilidade da formação de uma federação, possivelmente com o PSB. O problema é que o PSB pode estar na vice-Presidência da República a partir do próximo ano, e esse fato atrelaria o PDT a apoios a um possível futuro governo Lula. Como fazer oposição estando no governo?

No momento o PDT é o único partido, com alguma projeção, que preserva valores reais (mas já infiltrado) com relação a proteção de trabalhadores, desenvolvimento nacional e nacionalismo. Um desvio desse caminho apenas levará a um hiato de representatividade nesses valores, que são fundamentais para que se possa ter um país livre e soberano. 


PDT definirá futuro após a eleição

Sigla quer se fortalecer para 2024

As principais lideranças do PDT vão se reunir após o fim das eleições 2022  para definir quais caminhos seguirão, visando as disputas municipais de 2024. Na avaliação de uma ala pedetista, acredita-se que a sigla poderia ter saído maior se tivesse feito alianças em diversos estados, como São Paulo e Ceará.

A derrota no estado cearense foi um baque para a legenda. No fim do ano passado, todos tinham certeza que conseguiriam ter o controle da região. Porém, o término da aliança com o PT frustrou os planos e ainda desencadeou numa briga entre os irmãos Gomes.


quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Que entrevista foi essa, Lula?

E Igor, do Flow Podcast, está muito feliz, não só porque realizou um sonho, como também porque o programa já teve mais de 8 milhões de views, o que parece ser um recorde brasileiro. Após muitos anos tentando ele conseguiu levar o pré-candidato Lula a lhe dar uma entrevista, que no final foi fraca (para mim), principalmente pela duração. Num programa que costuma ter conversas de pelo menos 3 horas, Lula esteve por cerca de uma hora e meia, muito pouco na minha opinião. Isso porque muitos temas não foram tratados, outros foram mal tratados.

Sim, Lula mal tratou alguns temas, seja pela superficialidade com que trata coisas importantes, seja porque não domina e começa a tirar informações mentirosas de algum lugar e vende como verdade. Lamentável, mas veja você mesmo.



quarta-feira, 19 de outubro de 2022

A verdade inventada

Na verdade o tema não é atual. A fofoca já faz isso há milênios, e Goebbels levou isso ao nível da técnica elaborada na Alemanha nazista, e sua frase mais célebre é a de que "uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade.

Pois bem, acredito que Eric Andriolo tenha total conhecimento disso, mas há um outro fator subjetivo, e que atinge a todos, que é a necessidade de acreditar em algo, e quando você acredita em algo, tudo que venha dessa fonte você tende a aceitar como verdade, a relativizar ou, no mínimo, justificar. Por isso a pós verdade sempre teve essa força de nos fazer agir como eles querem.

Outro ponto importante é que, por vários motivos, as pessoas tendem a não se aprofundarem nas informações que recebem, principalmente se elas vierem de fontes fidedignas. Ou seja, se alguém que você simpatiza lhe diz algo, você tende a acreditar naquilo, ou se alguém que tenha boa reputação disser algo terá o mesmo efeito.

Fora isso sugiro a leitura no texto de Eric Adriolo, e lembro que as instituições que nos deram o mundo atual estão em cheque. Mudanças no cenário tecnológico e geopolítico põe muitas de suas bases sob suspeita. Elas provavelmente não acabarão, mas precisarão se reinventar para seguirem existindo. Esse processo já começou.

Pós-verdade de esquerda

Por Eric Veiga Andriolo – Quando publiquei o livro a partir de minha dissertação de Mestrado, eu tinha motivo para fazê-lo. Era necessário falar contra as concepções rasteiras da pós-verdade e os diagnósticos rasos que circulam nas livrarias sob a pena de jornalistas, juristas e outros que se escandalizaram com as fake news o suficiente para demonizar os eleitores das direitas, mas não o suficiente para questionar suas próprias pressuposições sobre o estado da democracia.

Pós-verdade não tem campo político. É sintoma de uma crise estrutural do pensamento político do Ocidente em um mundo que evolui cada dia no sentido de destruir as ficções que sustentam a nossa institucionalidade.



terça-feira, 18 de outubro de 2022

Falta de Fies fecha cursos de graduação

A revolução educacional de Lula está sendo desmontada por Bolsonaro e Paulo Guedes. Na verdade nunca houve tal revolução, acho difícil que um "social liberal" tenha conseguido ser o "melhor Ministro da Educação da História".

Explico a situação. Foi investido um monte de dinheiro na criação de novas universidades e campus, e isso é verdade. Só que esses investimentos, como sempre, a maioria desses investimentos foram feitos onda não interessava à iniciativa privada investir. Onde havia tal interesse foi usado amplamente o Fies, o que endividou uma parcela enorme da juventude brasileira.

Além disso, temos que observar a qualidade dos cursos oferecidos nessas universidades privadas, incluindo aí a infraestrutura de ensino. Até pouco tempo atrás tínhamos universidades privadas sendo cobradas por não terem equipe docente qualificada, bibliotecas adequadas, etc.

Se formos levar em conta o retorno em termos de desenvolvimento do conhecimento, aí é que a coisa fica feia, porque mais de 90% das investigações científicas são feitas em universidades públicas, o restante, obviamente, pelas privadas, mas essas se concentram assustadoramente nas universidades de origem religiosa, como as PUC. 

Ou seja, em mais um setor brasileiro houve enorme repasse de verbas para o setor privado, enquanto o Estado se encarrega de manter investimento em áreas que não são de interesse privado.

Para coroar esse processo, o governo fez muito esforço em atrair investimentos estrangeiros, de grandes grupos econômico-financeiros e pouco em desenvolver empresas genuinamente nacionais, o que fez com que os investimentos se retraíssem rapidamente e não houvesse a absorção dessa mão de obra de alta escolaridade de forma adequada. Tirando a política das "campeãs nacionais",  a tônica foi essa. E mesmo a política das "campeãs nacionais" teve o problema de que essas são empresas, em sua imensa maioria, ligadas a setores que não estão na ponta do desenvolvimento técnico-científico.







segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Que Debate Deprimente!

Mais uma vez o primeiro debate entre os dois pretendentes a Presidir o Brasil pelo período de 2023 a 2026, ou talvez nenhum dos dois queira isso. Não bastassem as bizarrices que saem todos os dias nas duas campanhas, que dão a impressão de que estão concorrendo para não ganhar, ainda trazem esses absurdos para o debate em rede nacional.

Vamos explicar, algo que já havia sido previsto por Ciro Gomes, e que eu corroboro completamente, e é o fato de que, caso os dois preferidos das pesquisas fossem enviados ao segundo turno, teríamos um show de horrores em que as discussões seriam: "eu sou muito corrupto", ao que o outro reponde, "eu sou muito mais corrupto que você", ou "teu pai não é mulher", onde é retrucado, "não, tua mãe é que não é homem". 

E entre aberração seguida de aberração tivemos o DND (debate não debate) mais ridículo, patético e despolitizante da história. Propostas para resolvermos os problemas do Brasil não tivemos nenhuma, fugas ridículas e escrachadas das perguntas feitas foi a tônica dos dois. Acusações de más companhias, desvios, roubos, etc foi uma enxurrada. 

Mas tivemos propostas. Lula propôs abrirmos a Amazônia para a pesquisa estrangeira, porque isso será revertido em avanços para o povo do mundo e do Brasil. Um lunático. O conhecimento técnico científico é usado como arma de dominação geopolítica. O único caso de transferência de tecnologia e conhecimento científico foi o caso do caça Gripen, que a SAAB sueca fez com o Brasil. Talvez com eles pudéssemos fazer tal tipo de acordo. Mas porque fazer isso com todos os que nos negam acesso a seus conhecimentos desde sempre? Não há motivo, e um gesto desses jamais será visto como um aceno de boa vontade, mas tão somente de submissão. O problema é que isso condiz com a personalidade desse candidato. Basta ver quantas declarações do mesmo que demonstram sua índole submissa.

Do outro lado não tivemos nada. 

Temas seríssimos, problemas em praticamente todas as áreas. Os 30 anos de neoliberalismo nos trouxeram ao maior caso de desindustrialização de um país da História, sucateamento profundo em praticamente todos os ângulos da vida brasileira. Educação, Saúde, Segurança, Transporte, Economia, aqui incluído o brutal empobrecimento de uma população já pobre em sua imensa maioria.

Ninguém fala de temas como a inserção do país no contexto internacional. Como iremos nos relacionar com nossos vizinhos, com grandes potências, com o contexto global que passa por profunda mudança? Iremos manter nossa sempre frágil soberania, ou vamos assumir de vez nosso papel de neocolônia? 

Nada do que é importante foi dito, foi discutido, foi trazido ao debate. Ao contrário, quando os jornalistas fizeram suas perguntas ambos fugiram das respostas, e falaram de coisas absolutamente desconexas com o perguntado. Isso aconteceu entre eles também.

Pobre Brasil!

sábado, 15 de outubro de 2022

CARUSO - Benedetta Caretta & Marc-André

Uma das mais belas músicas italianas, na belíssima voz de Benedetta Caretta, e o acompanhamento de Marc-André no baixo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

O agro mandando no país?

Discordo um pouco do artigo abaixo, de Mathias Alencastro. Claro, o Brasil não é uma bolha fora do planeta e da mesma forma que influencia é influenciado. Na verdade, pelo nível neocolonialista de nossas "elites" econômicas, e boa parte de nossa elite intelectual e política, é mais influenciado do que influencia, mas não acredito que tenha sido a economia global que tenha criado a tendência de mudança na geografia política brasileira.

Explico. É claro que o mundo precisa comer e o Brasil é "naturalmente" um grande produtor de alimentos, capaz de auxiliar na alimentação de parte considerável do planeta. Grande quantidade de terras aráveis, chuvas regulares, clima propício a várias culturas e, em boa parte do país, possibilitando mais de uma colheita ao ano, ou seja, temos muito para sermos uma potência agrária e burrice seria não explorarmos esse potencial.

Como também temos potencial mineral, dado a grande quantidade e variedade de minérios que temos no país, e não a toa somos grandes exportadores de vários minérios.

Quanto a desindustrialização, esta não se deu por um processo natural, já que a economia não é algo natural como muitos acreditam, mas artificial, já que ela depende da intervenção humana. Na verdade a desindustrialização foi um processo em que o governo simplesmente virou as costas ao setor, e deixou que este se deteriorasse, enquanto em outras partes do mundo os governos dão importância e investem em seus setores industriais.

Mas se tem algo que é "natural" é que não há vácuo no poder. Até meados do Séc. XX o Brasil era muito mais agrário do que urbano. Lembremos que o poder estava nas mãos dos grandes proprietários de terras, e se tínhamos algumas indústrias no país, estas eram sempre voltadas a bens de consumo, e não tínhamos a indústria de base que nos possibilitaria maiores voos. A famosa política do café com leite não era dominada pela burguesia industrial, mas pelos chamados "coronéis", via de regra todos grandes proprietários de terra, com mais ênfase aos cafeicultores, produto de maior valor econômico no período. Em 1930 o golpe dado por Getúlio Vargas inaugura uma era em que o país passa a buscar uma industrialização mais intensa, mas não custa lembrar que o próprio Vargas era um estancieiro gaúcho, como também o foram alguns de seus sucessores.

Mas como tudo foi um processo. Apenas nos anos 50 a burguesia industrial assume as rédeas do país, mais precisamente no período Juscelino Kubitschek, quando começam a entrar com força as grandes multinacionais no país, e a burguesia nacional se fortalece principalmente na esteira dessas multinacionais.

Só que indústria necessita de muita atenção de qualquer país. É imperioso que este setor esteja disputando na ponta do desenvolvimento tecnológico, e isso só os governos podem prover, já que as pesquisas que proporcionam essa condição são cada vez mais caras, e nem sempre têm retorno garantido.

E porque tudo isso para dizer que isso sim é um processo natural. A burguesia mercantil tomou o Estado para suplantar a nobreza, a industrial o tomou para suplantar a mercantil. Todos esses processos ocorreram quando economicamente as respectivas burguesias já tinham suficiente importância para pleitear as rédeas do Estado. No Brasil tivemos um momento em que a burguesia financeira tinha mais importância, mas o desenvolvimento dos últimos 30 anos catapultaram a burguesia agrária, que hoje já tem tanto, ou talvez mais poder que a Faria Lima. Nada mais natural que eles deixem de lutar por benesses setoriais e tentem se apoderar do Estado diretamente, tal qual no início do Séc. XX, e possam eles mesmos comandar os destinos do país.

O único problema nisso tudo é que não estamos mais em uma época em que o campo é a unidade produtora mais importante. Um país do tamanho do Brasil, e com a população que o Brasil tem, não pode se dar ao luxo de não ter uma indústria de ponta e poderosa, porque os processos cada vez mais mecanizados do campo podem gerar PIB, mas são incapazes de gerar distribuição deste PIB.






 




quinta-feira, 13 de outubro de 2022

O PT não dobra Ciro

Quinta-feira eu costumo postar um vídeo, seja ele de minha autoria, ou de outros, e que eu considere importante para abrir o leque de opções e discussão político-econômico-social. Mas a baixaria generalizada que se tornou o 2º turno, e a falta de qualquer discussão interessante me levou a fazer um texto, que creio ser interessante.

Após a decisão popular do 1º turno, que decidiu amplamente pela polarização eleitoral entre o péssimo e o horroroso, e numa campanha em que Ciro Gomes claramente se tornou o alvo petista, o político cearense se recolheu a sua casa e praticamente desapareceu da discussão política nacional. Para não dizer que foi abduzido ele gravou um vídeo em que dizia que seguia a recomendação de seu partido o PDT, e que apoiava a candidatura de Lula, e ontem, dia de Nossa Senhora Aparecida, e dia das crianças, postou em suas redes um apelo a nossa padroeira, para que interceda e proteja nossas crianças.

Nas redes o assédio petista para dobrar Ciro prossegue, e do sistema também. Única candidatura com um mínimo de quebra com o sistema que ora manda e desmanda no país, o cearense resiste e simplesmente ignora os apelos e ataques que recebe para que suba efetivamente no palanque de Lula, o que simplesmente acabaria com todo o trabalho de construção de uma via verdadeiramente social-democrata que o cearense trabalhou arduamente para construir nos últimos anos. 

Mas uma coisa é muito clara. Em seu estado, que sempre foi um bastião para Ciro tentar voos mais altos, houve uma reviravolta importante, e Ciro perdeu apoios importantíssimos, o que significa dizer que boa parte de seus colaboradores mais diretos o abandonaram. Isso se refletiu imediatamente no resultado das eleições estaduais, onde o candidato apoiado por Ciro ficou em 3º lugar.

Apesar de não parecer, o posicionamento de Ciro é mais do que simplesmente rancor ou mágoa, mas um posicionamento político importante e claro, e que chega a ultrapassar as fronteiras nacionais. Vou explicar.

Bolsonaro foi pedir as bênçãos do departamento de estado norte americano do partido republicano, Lula foi pedir as bênçãos do departamento de estado norte americano do partido democrata. Apoiar direta e enfaticamente qualquer dos lados é, tacitamente, se render a intervenção de um ou de outro em território nacional, algo absolutamente antagônico ao projeto de país mais autônomo advogado por Ciro. A coisa ultrapassa neoliberalismo, Keynesianismo, ou apenas um programa econômico, ela chega também ao grau de autonomia que o país tem e terá.

E acreditem, isso é muito importante para o desenvolvimento de um país. 

Como o próprio Ciro falou, ele não quer ser mais um. Ou ele vai para fazer História, ou não interessa a ele ir. Muitos podem não gostar disso, mas Ciro mantém sua coerência.

Ciro Gomes frustra campanha de Lula e submerge nas redes sociais

Ciro Gomes abandonou redes sociais desde que postou vídeo anunciando que acompanharia a decisão do PDT de apoiar Lula no 2º turno

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) frustrou a campanha de Lula (PT) e submergiu nas redes sociais após ficar em quarto lugar nas eleições presidenciais deste ano.



quarta-feira, 12 de outubro de 2022

O erro proposital nos juros

Ótimo texto de Arthur Silva. Sugiro fortemente o clique no link abaixo, e a leitura do artigo completo, porque é uma reflexão interessante e importante feita pelo autor. Mas antes faço algumas considerações que creio bastante pertinentes.

O primeiro é que sim, os juros estão fora da curva, e muito mais altos do que o necessário, ainda que fosse para apenas mantermos o nível de nossas reservas internacionais num momento de calma internacional. Acontece que esse momento é de enorme turbulência, e o fato principal é que, nestes momentos, os investidores buscam moedas mais fortes para se protegerem de processos inflacionários, algo que ora acontece no mundo todo.

Segundo que as taxas de juros são importantíssimo fator num processo de industrialização. O problema é que, um Brasil estupidamente rendido ao neoliberalismo, não pensa em industrialização. 

Terceiro é um pouco mais complexo. Verdade que as taxas de juros têm influência num processo inflacionário tradicional, por excesso de demanda, e esse claramente não é o nosso caso. Mas num país onde a desindustrialização tenha chegado ao nível que chegou no Brasil, e que nossos produtos industriais são quase todos importados, não teria efeito uma estabilização, ou até queda no valor das moedas de transação internacional no controle dessa inflação, que no nosso caso é importada?

Um quarto ponto é que sim, estou plenamente de acordo com Arthur Silva, e apesar de ter algum efeito no controle da inflação atual, é certo que é uma medida que contribui ainda mais pela desindustrialização do país, seja pelo fato de inibir possíveis investimentos, seja também por pressionar ainda mais os investimentos que persistem em sobreviver no país.

O projeto de dolarização total do país também é um fator a ser considerado, e que fatalmente será desastroso ao país. Nossa Nação tem características absolutamente distintas de pequenos países, que conseguem manter populações pequenas com um ou dois setores altamente rentáveis. Nosso país tem uma população grande, que precisa trabalhar efetivamente, e não há como sustentarmos tal população com projetos de assistência com uma  economia baseada no setor primário.

Por último a questão da taxa de câmbio e de juros, por si só, não são suficientes para uma reindustrialização do país, mas sem elas tal tarefa se torna impossível. E como eu disse no parágrafo acima, nossa população é grande, e sem um pensamento estratégico, como sugere Arthur Silva, não conseguiremos sustentar dignamente essa população. É mais do que passada a hora de tirarmos nosso país do colonialismo econômico, algo que nossas elites nunca aceitaram deixar.



Não é de hoje que o Banco Central capturado pelos interesses do rentismo financista vêm destruindo a economia brasileira. O aumento da Selic para 13,75% determinado na reunião do Copom desta quarta-feira (04/08), crescimento de 0,50 pontos percentuais, não é só mais um capítulo no suicídio econômico do Brasil: é um atentado contra nossa soberania.

Para todos os militantes trabalhistas que leram o livro de Ciro Gomes ou assistiram praticamente qualquer conteúdo do candidato nacionalista, o que aconteceu nos corredores opacos do Banco Central não é nenhuma novidade. Desde a consolidação do modelo neocolonial do tripé macroeconômico, a taxa básica de juros, a Selic, cumpre uma dupla função. Em primeiro lugar, assegura o apoio político dos grandes oligopólios de rentistas que dão “governabilidade” por meio do imenso poder de lobby – sobretudo o da embaixada de Washington. Em segundo lugar, mantém estável a taxa de câmbio ao atrair capital especulativo de curto prazo em busca de uma rentabilidade quase absurda em um mundo com taxas básicas de juros reais negativas.




terça-feira, 11 de outubro de 2022

O maior trouxa da eleição

Tivemos alguns grandes derrotados nessa eleição,  mas nenhum como o PSB. A união em torno do nada que é a candidatura Lula (quem quer ser tudo acaba sendo nada), pegando um tucano nada arrependido para colocar de vice numa chapa que não diz a que veio, fez com que o partido perdesse espaço enorme, e o principal foi na Câmara dos Deputados, onde caiu de uma representação de 32 deputados em 2018 para apenas 14 deputados na última eleição.

Mas não para por aí, porque também foi varrido nos estados, e mesmo em seu mais precioso curral, Pernambuco, conseguiu a proeza de não estar nem mesmo entre os 3 primeiros colocados. Menos mal para os socialistas que Flávio Dino conseguiu emplacar o Governador do Maranhão, e que o partido ainda disputará o segundo turno na Paraíba e no Espírito Santo, com grandes chances de ganhar nos dois estados.

Mas foi uma derrota considerável, para quem esperava um crescimento ao se aliar ao lulopetismo de forma quase acrítica.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Pesquisas indicam estabilidade nos votos e instabilidade no governo

As últimas pesquisas eleitorais continuam apontando uma margem de cerca de 6% de vantagem para Lula frente a Bolsonaro. Isso indica uma estabilidade dos votos que pode vir de três formas, A primeira é que a maioria dos que votaram em outros candidatos entendem que  os dois são horrorosos e pretendem anular o voto no segundo turno. A segunda forma é que esses votos estão se dividindo, mantendo assim a diferença de cerca de 6 pontos percentuais entre os dois candidatos. A terceira é um hibrido entre as duas primeiras.

E é por isso que eu disse que a eleição estava praticamente decidida com o resultado do primeiro turno, e que o segundo só mudaria  esse resultado se tivéssemos uma hecatombe. Se a diferença fosse menor, ou se o número de votos a serem disputados fosse maior, aí Bolsonaro teria alguma chance, mas a diferença é grande suficiente, e o número de votos é pequeno o suficiente para que não tenhamos grandes surpresas na eleição de segundo turno.

Isso não significa que não tenhamos surpresas, e desagradáveis, no futuro governo Lula. A aliança que juntou lobos e cordeiros, leões e gnus, gatos e ratos, não tem como dar certo a médio prazo. Pode ter dado densidade para a eleição, mas não dará governabilidade, ainda mais com um Congresso mais bolsonarista do que nunca, onde cada vírgula terá que ser negociada com muita de$treza, e onde metade do futuro governo puxará as rédeas dessa carroça para um lado, e a outra metade para outro.

No momento não acredito que Lula seja derrubado, mas acho muito difícil que ele mantenha sua popularidade após seus 4 anos, principalmente porque já mostra claros sinais de decadência pela idade.

domingo, 9 de outubro de 2022

Boas notícias para a saúde

O estudo feito por cientistas sobre o controle dos músculos e o metabolismo abre enormes possibilidades para controle e cura de problemas de locomoção e obesidade. 

Mas claro, essa pesquisa é apenas embrionária para avanços na cura ou controle desses problemas, e esperamos que esse estudo prossiga e se desenvolva, porque esses são males que vêm atingindo cada vez mais pessoas no mundo moderno.


Cientistas descobrem como controlar o metabolismo e a contração muscular

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 26 de Julho de 2022 às 15h30

Um estudo publicado na revista científica eLife revelou como o músculo esquelético se ajusta ao treinamento de alta intensidade, e como alterações nos mecanismos conseguem controlar o metabolismo e a contração muscular.

Segundo o artigo, o treino intenso aumenta o número de proteínas musculares esqueléticas cruciais para o metabolismo energético e contração muscular e altera quimicamente proteínas metabólicas importantes. As descobertas ajudam a entender como essa atividade física aumenta o metabolismo, e abrir as portas para mais pesquisas sobre a influência do exercício nesses processos.


sábado, 8 de outubro de 2022

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

As articulações para o 2º turno

Após abertas as urnas no último domingo, e ter sido confirmado o segundo turno entre Lula e Bolsonaro, começaram as articulações pelos apoios dos derrotados no primeiro turno. Lula conquistou os apoios, ainda que sob algumas ressalvas, de Ciro Gomes e de Simone Tebet, enquanto Bolsonaro recebe os apoios de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. 

Ou seja, os apoios serão aqueles que já se esperavam mesmo, mas os apoios de pouco servirão aos finalistas dessa corrida eleitoral. Os 48,43% conquistados por Lula, contra os 43,20% no primeiro turno praticamente selaram os rumos dessa eleição. Dificilmente Lula não conquistará seu 3º mandato, já que os eleitores de Ciro e Tebet têm por tendência majoritária migrarem o voto para Lula, ou nulo, e pouca coisa para Bolsonaro. E as primeiras pesquisas de 2º turno já apontam essa tendência. Somente um fato muito inusitado poderia inverter essa tendência dando a vitória a Bolsonaro.

E por isso dizíamos que qualquer um venceria Bolsonaro no 2º turno. O 2º turno é, acima de tudo, uma eleição de rejeição, não de simpatias (aqui entendidas como relacionadas aos programas e formas de governar), e Bolsonaro é o mais rejeitado de todos os candidatos.

Mas o que os brasileiros ainda não entenderam é que, entre esses dois, ganhe quem ganhar, o país seguirá dividido. Os assassinatos e brigas absolutamente estúpidas que vimos durante esta campanha mostram isso, e Lula não será capaz de reunir o país, porque o próprio Lula incentiva essas divisões, e até mesmo ações mais violentas, como ficou claro em alguns vídeos e entrevistas dele durante essa campanha. Bolsonaro então nem se fala, já que é a única coisa que sabe fazer.

Então é isso, só uma hecatombe tira essa eleição de Lula, mas sua eleição, assim como a de Bolsonaro, não será solução para o país, e apenas acirrará todas as tensões que já vivemos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Primeiro turno e o futuro do país

Ontem mais de 123 milhões de brasileiros foram às urnas, e pasmem, quase 33 milhões simplesmente ignoraram a eleição e ficaram cuidando de suas vidas. Claro, entre esses 33 milhões muitos que estão afastados de seus domicílios eleitorais por motivos de trabalho, ou saúde, mas a grande maioria não votou por opção mesmo, e isso já é um indicador importante desse primeiro turno, porque se somarmos com brancos e nulos, esse número da um percentual em torno de 25% do eleitorado que não optou por nenhum candidato, e mais de 20% nem mesmo quis votar.

O segundo ponto importante é que o Brasil foi bastante claro em optar por manter o modelo econômico que está levando o país ao completo desastre. Tínhamos dois sistemas principais em debate, o de Ciro, que propunha uma revisão do capitalismo brasileiro em moldes social democrata, e o dos outros 3 principais candidatos, que ofereciam exatamente o modelo que está aí, mas com leves nuances personalistas, e até de modelo, mas que não chegam, nem de perto, a descaracterizar o sistema vigente no país. Pois bem, Ciro teve apenas 3,04% dos votos, e foi tratorado pelo sistema.

O terceiro ponto é o fato de que Lula está eleito. O segundo turno, salvo uma reviravolta provocada por algum fato muito absurdo e inesperado, é apenas um proforma para a eleição do ex-Presidente. Mas sua vitória tende a ser sua maior derrota, e uma grande derrocada de seu partido. 

Para comprovar isso vamos analisar a nova composição do Congresso. Verdade que a bancada do PT cresceu de 56 para 68 deputados, mas a do partido de Bolsonaro cresceu de 77 para 98 deputados, tornando o partido o maior das últimas legislaturas. Além disso os partidos que apoiam Bolsonaro elegeram 185 deputados enquanto os que apoiam Lula apenas 125. Mais que nunca o centrão terá um cardápio variado e farto para que Alckmin não vire Presidente. No Senado a situação é pior, e mais de 2/3 da casa é bolsonarista ou reacionário. E com isso não vai ter picanha e cerveja, mas quem sabe não sobra uns pés de galinha pra uma canja rala?

O quarto ponto eu já iniciei acima, e é o desastre que tende a ser a administração econômica do próximo governo, e não importa se ele será de Lula ou de Bolsonaro. O país precisa de profundas mudanças, e nenhuma delas é a ampliação de políticas neoliberais, mas é isso que, tanto Lula, quanto Bolsonaro farão. Um pela mais pura rendição ao sistema, o outro porque não se importa mesmo. E essas políticas apenas aprofundarão as contradições brasileiras, e a miséria da população.

Além disso as condições que permitiram a ampliação do crédito e a melhoria de algumas políticas públicas por parte do primeiro governo Lula não existem mais, e absolutamente nada indica que elas voltarão. Para piorar o próprio agronegócio brasileiro, o grande campeão da atualidade, tende a tomar uma grande rasteira, porque seu grande cliente já busca outros fornecedores, e, soja é soja, seja ela plantada no Brasil, ou...na África.

Por último o mundo passa por um momento muito delicado. As movimentações que veem acontecendo no leste da Europa, na Ásia, e pressões que começam a se fazer sobre o sempre explosivo Oriente Médio, e as muito influenciáveis África e América Latina deixam claro que o país precisava de uma liderança mais esclarecida, porque é a hora de o país obter avanços em diversas áreas. Mas os dois que passaram ao segundo turno tendem a se alinhar sem muitas exigências. E apesar de o Itamaraty ser muito capacitado, muito técnico, muito ágil e pronto a defender os interesses do país pelo mundo, há a necessidade de o Chefe de Estado ter condições de aproveitar melhor essas qualidades da diplomacia brasileira. Basta ver os desastres que Temer, e principalmente Bolsonaro, provocaram ao redor do mundo, a ponto de o país estar desacreditado internacionalmente. Lula tem a memória de um passado não tão distante a seu favor, mas isso tende a ser rapidamente superado se ele começar a soltar as pérolas que tem soltado nos últimos anos, e não foi apenas aqui dentro. Isso tudo se resume ao fato de ambos nossos valentes finalistas terem pedido as bênçãos do Departamento de Estado dos EUA.

A pressa em definir um voto útil quando o momento era de definir grupos de poder minaram a única força política que tentaria por freios nesse quadro.

Com todo esse quadro, não importa muito o eleito, porque o futuro governo não será muito diferente de um pro outro. Claro, os personalismos que cada um imporá ao próprio governo, e algumas tendências de leitura do modelo serão detectáveis, mas o neoliberalismo seguirá seu caminho firme e forte, e as condições da população brasileira seguirão se deteriorando. 

Mas isso é uma análise feita em cima do momento atual, das alianças que cada um dos candidatos apresentou, e pelas condições de futura governabilidade que a despolitização da campanha nos impos. Veremos o que dela se realiza, ou o que não se realiza.

Comentário do primeiro turno mais tarde

Mais tarde comentarei o resultado do primeiro turno. O texto já está meio estruturado na minha cabeça, mas é um pouco longo e levará algum tempo para torná-lo real. Por isso que o post de hoje demorará um pouco a sair.

domingo, 2 de outubro de 2022

Hoje não falaremos de avanços científicos

Hoje, excepcionalmente, não falaremos de avanços científicos. Apesar de eu gostar muito de acompanhar esses avanços, e imaginar resultados práticos para nossas vidas, a eleição se sobrepõe a esse gosto pessoal.

Então um bom voto a todos, e lembrem-se que voto útil é aquele que você dá no candidato ao qual você acredita nas ideias, e compartilha o entendimento de país da forma mais ampla possível, não no menos pior, ou contra alguém.  Essa opção de menos pior ou contra alguém você deixa para o segundo turno.

sábado, 1 de outubro de 2022

A hora é de Ciro Gomes?

Carlos Sávio Teixeira dá alguns motivos para que se vote em Ciro Gomes nesse 2 de outubro. Todos esses motivos são válidos, e podem convencer alguns a votar no candidato do PDT, mas eu vou mudar um pouco o objetivo, e vou perguntar se a hora é do Ciro.

Sim, e não pergunto isso baseado em pesquisas, porque não acredito em nenhuma delas. Minha descrença não é derivada em possíveis fraudes, embora elas sejam possíveis, mas no fato de que as parcelas da sociedade pesquisadas são muito pequenas para se fazer uma projeção fidedigna da sociedade brasileira, além de se utilizarem dados defasados, e de as pesquisas não serem suficientemente amplas no território nacional para refletir o verdadeiro anseio eleitoral do brasileiro.

E minha pergunta se dá porque a grande e verdadeira pesquisa é a das urnas. Redes sociais, mesmo as físicas, costumam ser bolhas, e não servem de reflexo de toda a sociedade. Nós não nos relacionamos com tantas pessoas, e muito menos com pessoas de todos os seguimentos sociais, e o que vejo é um monte de gente que jamais falou ou cogitou votar em Ciro declarando voto. Esses votos não são declarados em redes sociais virtuais, mas nos contatos diretos.

Pode ser um bom indicativo. Talvez não seja hora de Ciro, mas o político cearense cumprir sua promessa de não voltar a se candidatar, qualquer que seja o resultado das urnas, provavelmente deixará sua carreira eleitoral com o mais importante trabalho de recuperação de um partido que tendia ao ostracismo.

Isso explica todos os ataques do sistema à candidatura do ex-Governador. Talvez até seja a hora dele, então esses ataques serão muito mais fortes, muito mais selvagens. Para o sistema só existe democracia se quem manda no país são eles.

Amanhã as urnas dirão.



Belíssima interpretação

A inglesa Lucie Silvas nos presenteia com uma belíssima interpretação de You Are Always On My Mind. A música fez enorme sucesso na voz do Rei do Rock, Elvis Presley. Por sinal, este é um nome que nunca passou por aqui, e nós precisamos reparar esse erro logo.

A propósito, não é a primeira vez que Lucie nos empresta sua belíssima voz.