quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Mais conflitos no horizonte
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Putin interrope negociações com EUA
Pessoal, um desenvolvimento no conflito no Leste Europeu indica não apenas o prolongamento das hostilidades, mas também a perda de paciência por parte dos russos em negociações absolutamente infrutíferas e que nitidamente buscavam apenas tentar impor uma derrota a quem está vencendo. Sim, após reunião com seu Conselho de Segurança, o líder russo decretou o fim das negociações. Três são os motivos principais para isso:
1- A tentativa insistente do Ocidente em usar fundos russos congelados para a reconstrução da Ucrânia.
2- A tentativa insistente de impor um cessar-fogo, mesmo que disfarçado, para que a Ucrânia seja rearmada e treinada para o retorno do conflito.
3- A tentativa mal disfarçada de incluir a Ucrânia na OTAN, através de uma garantia de segurança inspirada no art. 5 da organização militar.
Outro ponto, e que não foi mencionado até o momento para a decisão, é que o EUA, que sob a liderança trumpista tenta posar de neutro e parte não beligerante no conflito, não apenas participa ativamente nas ações, com o fornecimento de armas, logística, estratégia e inteligência, como foi o mentor e maior instigador das hostilidades no Leste Europeu.
Além do fim das negociações, Putin também usará o exclave de Kaliningrado para posicionar armas nucleares, provavelmente em Oreshniks, que ameaçarão a Europa ainda mais de perto.
Mas isso não quer dizer que não se chegue a um acordo negociado para o conflito, e basta que os Ocidentais cheguem com uma proposta que contemple plenamente as condições mínimas russas. Só que isso ainda está um pouco longe de acontecer, afinal, é até o último ucraniano.
domingo, 4 de janeiro de 2026
Maduro extraído. O Imperio contra-ataca?
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Olha 2026 na nossa cara.
FELIZ ANO NOVO!
2026 está aí, na nossa porta, batendo pra entrar. Que ele chegue trazendo a Todos saúde, paz, amor, alegria, realizações e sucesso. Um Feliz 2026!
FELIZ ANO NOVO!
domingo, 28 de dezembro de 2025
Como eu disse, reposicionamento das peças no xadrez global
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Mais Um Natal Juntos
sábado, 20 de dezembro de 2025
Agricultores europeus emparedam governos
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Ataques ao Comércio Mundial Podem Acirrar os Conflitos
Pessoal, há uma situação que vem se tornando cada vez mais comum nesse mundo conturbado: a tentativa de interromper o comércio aos países considerados hostis.
Isso começou alguns anos atrás, quando o EUA pressionou e conseguiu a detenção de um petroleiro iraniano em Gibraltar. Após os iranianos terem apreendido um petroleiro britânico o barco iraniano foi liberado e o britânico também. Alguns anos depois a pressão foi na Grécia, que ainda roubou a carga do navio. O Irã deu o troco num navio americano. Na atual crise de Gaza os Houthis fecharam o Mar Vermelho ao trânsito de navios do chamado Ocidente Coletivo, ou com destino a alguns países e a Israel. A pressão militar estadunidense não surtiu efeito, e vários cargueiros foram avariados, ao menos 2 foram afundados. Pouco depois os países da OTAN passaram a tentar impedir a exportação de petróleo russo, e o trânsito de petroleiros ligados aos russos por águas próximas a seus países, mesmo que fossem águas internacionais ou protegidas por tratados de navegação. Houve incidentes no Báltico, e no Mediterrâneo os franceses chegaram a abordar um petroleiro e prender alguns Oficiais.
Na semana passada houve ataques Ocidentais no Mar Negro a petroleiros ligados aos russos, e por último o EUA apreendeu um petroleiro iraniano em águas territoriais venezuelanas. As respostas vieram rápidas, com os russos bombardeando cargueiros Ocidentais no Porto de Odessa e decretando o fechamento do porto e promovendo o cerco à cidade. No Irã um petroleiro com diesel destinado ao EUA foi apreendido.
O perigo é que tais ataques ao comércio mundial vêm crescendo, e o comércio é o sangue que mantém a economia dos países funcionando, ainda mais em uma era "globalizada". Se pensarmos que um dos principais motivos do ataque japonês a Pearl Harbour foi o boicote estadunidense ao fornecimento de petróleo ao País do Sol Nascente, aí começamos a ver os riscos envolvidos no acirramento desses ataques ao comércio. O mundo com certeza já mudou, mas ele pode mudar mais e pior se essas ações de pirataria não cessarem. E sim, isso é pirataria.
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Os conflitos seguem, mesmo com mudanças mínimas
terça-feira, 25 de novembro de 2025
A paz na Ucrânia ainda precisa de ajustes
terça-feira, 18 de novembro de 2025
Manifestação mexicana não é Revolução Colorida
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
Caso Epstein volta a assombrar Trump
Pessoal, enquanto os russos seguem avançando no Leste europeu e estendendo seus tentáculos por outras partes do mundo junto com a China, enquanto os estadunidenses tentam arranjar uma desculpa plausível para atacar a Venezuela e Irã, Trump vê sua situação se deteriorar ainda mais internamente.
Na quinta-feira, dia 13, circularam emails vazados de Epstein, aquele do caso Epstein, que envolve uma ilha e políticos, empresários e artistas de grande influência e poder. Esses emails se referem ao Presidente do EUA, Donald Trump, e algumas ligações com Jeffrey Epstein. Isso mais uma vez encurrala Trump, que havia negado contatos com Epstein, ou participação em suas atividades. Pois é, os emails derrubam o não contato entre eles, e por analogia as participações nessas atividades.
Com isso Trump passou a redobrar esforços para que se retire o projeto de lei que corre no Congresso estadunidense para que os arquivos Epstein sejam liberados.
Como eu já disse, a situação não está nada favorável a Trump, mas tudo isso pode ser revertido, a depender das articulações das forças que se antagonizam na classe dominante estadunidense.
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
Trump entre o Olimpo e o Submundo
Pessoal, enquanto Donald Trump busca uma mudança de regime na Venezuela com uso de pressão militar e possível intervenção bélica direta, internamente a posição trumpista faz água por todos os lados. Isso se deve porque o orçamento estadunidense para o ano já foi totalmente consumido. Com isso milhões de funcionários públicos federais estão há mais de 40 dias sem receber seus salários, e vários serviços públicos essenciais estão paralisados.
Num país onde a grande maioria da população vive de salário em salário, sem reservas financeiras para eventualidades, os funcionários já faltam ao trabalho por falta de recursos para se deslocarem às repartições. Para se ter ideia, mais de 800 voos têm sido cancelados diariamente por falta de controladores, e mesmo as trilionárias Forças Armadas estão sem salários e até sem comida, e isso por todo o Globo. Civis e Militares têm sido aconselhados a buscar alimentação em postos de auxílio social, e o governo alemão irá dispor 40 milhões de euros mensais para pagar os salários dos funcionários civis das forças estadunidenses estacionadas no pais europeu, para posterior ressarcimento quando a situação for resolvida na América.
Enquanto um Senado de maioria do partido de Trump se debate para autorizar um aumento do orçamento estadunidense, Trump vê sua popularidade despencar e chegar a 69% de rejeição, sofre derrota eleitoral importante em Nova Yorque, e patina em vários cenários internacionais, inclusive na Venezuela, onde o porta-aviões Harry Truman chegou, mas também chegaram navios de guerra russos, complicando uma já enrolada situação. Tudo isso corrobora a previsão de uma derrota acachapante nas mid terms do próximo ano, e o controle do Congresso pelos democratas.
Os estadunidenses não gostam muito da solução do impeachment presidencial, mas devido às ações mal pensadas, e ainda mais mal executadas por seu governo nesses primeiros meses, não descarto que apliquem esta solução, ainda mais se os democratas tiverem um controle suficiente para isso no Congresso. Mas há o reverso, e se Trump, contra todas as possibilidades, ganhar, então ele virará um herói. A aposta é alta, e o prêmio é o Olimpo, mas a punição é o Submundo.
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Venezuela sob ameaça imiinente
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
Movimentos mostram conflito se definindo no Leste europeu
Pessoal, no início da semana a Rússia anunciou que havia cercado 31 batalhões Ucrânianos em Kupiansks e Pokrovsk. Na ocasião Putin chamou os militares ucranianos à rendição e ofereceu clemência. Segundo o Presidente russo o tratamento digno a prisioneiros de guerra é uma tradição russa.
Se levamos em conta que um batalhão costuma ter em torno de 1000 homens, então temos pelo menos uns 30 mil ucranianos cercados na região. Mesmo assim algumas fontes falam em cerca de 11000 homens cercados. Se isso for verdade, apenas fica ainda mais evidente a degradação das forças ucranianas. De qualquer forma, a perda desses homens seria um desastre para o exército ucraniano, que vem apresentando muita dificuldade em repor as baixas que sofre.
E se as altas esferas executivas não conseguem avançar num acordo, a congressista estadunidense Anna Paulina Luna se encontrou com Dimitriev, o chefe executivo do fundo russo de investimento. Na pauta foram alinhavadas futuras conversas entre representantes do Congresso estadunidense e da Duma russa. A ideia é criar outros canais de diálogo e aproximar as duas superpotências através de conversas e negociações.
Como eu já disse antes, o conflito ainda demora um pouco a acabar, mesmo que seja muito difícil para os ucranianos impedirem uma derrota, que como se viu no início do texto, é cada vez mais iminente.
Ao mesmo tempo vemos setores das sociedades russa e estadunidense mostrando que querem uma normalização nas relações, e que estão dispostas a agirem diretamente nesse sentido, mesmo que as ações erráticas de Trump mostrem que há grandes antagonismos nos interesses do EUA.
Quando essas forças se alinharem, caberá aos europeus a adesão negociada ao acordo feito, ou partirem definitivamente para o suicídio social e econômico que eles têm levado a cabo nos últimos anos.
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
falta de solidez e seriedade na ações de Trump minam seu mandato
Pessoal, depois de uns poucos dias de férias voltamos a comentar alguns desenvolvimentos da geopolítica mundial, e hoje todos em torno de Donald Trump. O Presidente estadunidense segue em sua jornada de realizar acordos de falsa paz entre nações, porque nada disso é sólido, enquanto busca oportunidades de negócios.
Em Gaza a paz real nunca esteve presente, com Israel bombardeando diariamente regiões da Faixa, e agora os combates voltam a se acirrar e o boicote aos palestinos volta a causar fome.
A nova reunião que buscava com Putin, com Zelensky tentando participar, mais uma vez não tinha a intenção de acatar as demandas russas (e causadoras do conflito), mesmo que a guerra esteja praticamente perdida. Tudo isso ao mesmo tempo em que cerca Venezuela, Irã, possivelmente também Cuba, e parece pretender atacar esses países diretamente. Enquanto isso segue atacando a oposição interna, e alguns milhões de estadunidenses tomaram as ruas das principais cidades do EUA em protesto. Trump ao invés de dar atenção a seus concidadãos, tripudiou dos mesmos, colocando um meme gerado por IA em que atirava fezes à população que protestava.
O homem que assumiu com promessa de recolocar o EUA na liderança do mundo e promover a paz, no fundo está causando enorme confusão pelo planeta, não resolve nenhum dos conflitos, sejam internos, sejam externos, afunda o próprio país em divisão profunda e caos econômico, e vê sua popularidade desabar. O cancelamento da reunião com Putin, programada para a Hungria (embora nenhum dos governos confirmasse), diz muito de sua conduta externa, assim como o afastamento de muitos apoiadores não fanáticos e a revolta de seu povo dizem sobre a interna.
É difícil que esse quadro mude no pouco tempo que resta até a eleição de meio de mandato. Difícil ele não perder a maioria republicana do Congresso com esse quadro. Mesmo essa maioria já não era sólida, e posicionamentos de republicanos contra o Presidente ao longo desse primeiro ano de mandato mostram isso, agora imaginem com uma maioria democrata? Um ex-Presidente à vista, e isso no meio do mandato.
terça-feira, 14 de outubro de 2025
Paz em Gaza deve ser de curto prazo
Pessoal, no fim de semana de 3 e 4 de outubro tivemos muitas manifestações contra o massacre que acontece na Faixa de Gaza. Foram milhões de pessoas nas ruas. Só em Amsterdam foram cerca de 250000 pessoas protestando, ou 25% da população. Mas os protestos não foram limitados aos Países Baixos. Na Itália centenas de milhares de pessoas também tomaram as ruas, em Bruxelas, no Reino Unido, Espanha, além de outros países europeus. E até no EUA tivemos manifestações, além de vários países do Sul Global, como Brasil, Colômbia e vários países africanos e asiáticos.
Talvez este tenha sido um dos motivos para o Presidente estadunidense ter pressionado o PM israelense para chegar a um acordo de paz em Gaza. Um motivo, porque temos outros, entre eles o fato de terem falhado pateticamente em decaptar outras lideranças palestinas, ou o fato de estarem num atoleiro há 2 anos, em que já perderam alguns milhares de soldados, equipamentos, liberaram apenas 2 reféns em ações bélicas, mas não estão nem perto de acabarem com os grupos de resistência, ou com seus túneis, e nem foram capazes de encerrarem as linhas de abastecimento deles, tudo isso à custa de mais de 100000 civis mortos em Gaza, seja por bombardeios, assassinatos frios, ou pela fome, e esse quadro apenas demonstra o fracasso.
Mas apesar dos acordos que já começaram a ser assinados, Israel parece não os estar cumprindo, e há várias denúncias de bombardeios sobre as regiões de Gaza. A tendência é que Trump falhe mais uma vez em impor uma paz, e de forma gritante, porque impõe um cessar-fogo, mas não move um músculo no sentido de resolver os motivos que deram início ao conflito. O problema é que sem a solução das reais divergências, não dá para esperar paz verdadeira, muito menos duradoura. Isso se expressa na continuação dos bombardeios. Paz não é um pedaço de papel assinado, é uma realidade vivida por povos.
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
Trump volta a se incompatibilizar com militares da ativa
Pessoal, no início da semana, Pete Hegseth, o Secretário da Guerra estadunidense reuniu cerca de 800 Oficiais Generais do país norte-americano. Num discurso mais midiático que efetivo, o chefe das Forças Armadas estadunidenses praticamente declarou guerra ao mundo. Mas no fundo foi um discurso muito mais voltado para o público interno e para países com pouca capacidade defensiva.
Sim, Hegseth falou de fim da diplomacia, do uso da força, de tomar o que quiserem, mas no fundo decretou o fim de algumas das chamadas políticas “woke”. Nas palavras do Secretário da Guerra, “os líderes políticos tolos e imprudentes definiram o rumo errado e perdemo-nos. Tornamo-nos o Departamento Woke. Mas acabou”... “Chega de caras de vestido. Chega de adoração às mudanças climáticas ou ilusões de gênero. Essa bobagem acabou.” Nada de generais gordos, ou barba, ameaçou de perda de pensão e demissão aos que não se adaptem – algo que o governo Trump já andou fazendo - e inclusive afirmou que é foco total na guerra – preparação para a guerra e preparação para vencer.
Apesar do corte divulgado, após o evento alguns generais do mais alto escalão disseram que gastaram tempo e dinheiro dos contribuintes para “ouvir Hegseth dizer que não gosta de homens de vestido”, ou que foi mais uma conferência de imprensa do que uma instrução efetivamente, e que tudo poderia ter sido resolvido por e-mail. Alguns chegaram mesmo a dizer que foi uma reunião idiota.
Parece que Trump, mais uma vez, tenta utilizar as forças armadas para assumir o poder internamente no país. Para quem não lembra, uma das acusações que pesava sobre ele foi a tentativa de mobilizar as forças armadas do EUA a apoiarem um golpe de estado em janeiro de 2021. Com a intervenção em várias cidades importantes governadas por democratas, e algumas investidas como essa logo no início de seu governo, parece que ele tenta mobilizar as forças armadas com mais antecedência dessa vez. A dúvida é se irá conseguir, mas pelas declarações de alguns desses generais, não parece.
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
Indústria brasileira em crise
Desempenho da indústria brasileira em agosto é o pior em 10 anos
terça-feira, 30 de setembro de 2025
O Mundo vê novos desdobramentos e acirramentos dos conflitos nas últimas semanas
Pessoal, tivemos alguns movimentos geopolíticos interessantes nos últimos dias. Um dos mais importantes foi o ataque de Israel a Doha, capital do Catar. Enquanto representantes do Hamas se preparavam para mais uma reunião de negociação com os estadunidenses na busca para uma paz na Faixa de Gaza, aviões israelenses atacaram o local da reunião. Mas os palestinos não foram atingidos porque haviam deixado seus celulares no local, e saíram para rezar em uma mesquita. Provavelmente houve vazamento de informação acerca da operação, mas isso não isenta o fato de mais uma vez o EUA distrair líderes do Oriente Médio com uma negociação, enquanto os israelenses se preparam e executam um ataque da chamada “decapitação”, ou seja para matar lideranças políticas e/ou militares de países e etnias da região. Muitos analistas geopolíticos, incluindo ex-militares estadunidenses, acreditam numa “participação consciente” do EUA nesses ataques. Pessoalmente eu não discordo desta análise, mas ressalvo o fato de que não há provas concretas dessa participação intencional dos estadunidenses, ainda que haja muita evidência indireta disso, até porque o próprio Presidente do EUA nos faz o favor de concordar e dar apoio a este tipo de ação, em todas as vezes que elas ocorrem, tornam esse tipo de análise extremamente plausível, ainda mais do que aquelas que apenas indicam uma participação “passiva” dos estadunidenses.
E apesar de o evento ter gerado revolta no mundo árabe, não acho que seja o estopim para uma ação concreta contra Israel pelos países da região, ao menos não neste ponto da História. Mesmo com a reunião que houve com líderes dos países da região, das muitas notas de repúdio, e de o Irã ter chamado os países da região a uma reação aos atos israelenses, o fato é que os laços que os líderes árabes têm com o Ocidente ainda são demasiado fortes para garantir uma revolta no momento, mas isso pode mudar, e para isso basta que o Ocidente não mude o modo de aproximação com eles, enquanto as novas forças seguem avançando. Por mais que tenhamos laços, por mais que tenhamos interesses, uma hora os abusos serão excessivos, e uma reação pode ocorrer, ainda mais com o enfraquecimento nítido que os ocidentais estão mostrando.
O enfraquecimento Ocidental fica claro quando o Catar cancelou uma compra junto a Boing estadunidense de USD 158 bilhões, e outra de armamentos estadunidenses de USD 42 bilhões. Os aviões podem ser substituídos por europeus, ou mesmo a Embraer brasileira, enquanto o armamento deve ser substituído por similares chineses.
Mais para a Ásia Central tivemos a derrubada do governo do Nepal, e o motivo teria sido uma proibição de uso das redes sociais virtuais Ocidentais no país. Casas de Ministros foram queimadas, membros do governo arrastados e agredidos pelas ruas, o governo caiu e um novo foi eleito com participação forte da rede social online discord. A nova primeira-ministra do Nepal, Sushila Karki, de 73 anos, fez um discurso em que diz que atenderá os anseios da chamada geração “Z”, que foi a grande responsável pelas mudanças no país. Vale ressaltar que há muitas nuances no Nepal, e as divisões religiosas, que garantem relações e influências de e nos países em volta são importantes nesta equação. O que pode ser mais impactado é a Índia, vizinha do Nepal, e em processo de tentativa de desestabilização pelos estadunidenses. Por sinal, o embaixador estadunidense no Nepal já fez um discurso de apoio e cooperação com o novo governo.
No Leste europeu tivemos um exercício militar com a presença de 100 mil soldados russos e bielorussos. Também tivemos pequenos contingentes da Índia, Irã, Congo, Burkina Faso, e Mali, além de observadores internacionais, incluindo estadunidenses. Cerca de 10.000 sistemas de armas foram usados no treinamento. Os destaques foram as simulações de uso de mísseis Iskander, Zirkon, Oreshnik e de aviões de bombardeio estratégico. O exercício fez com que a Polônia fechasse suas fronteiras com o Oriente e deslocasse 40.000 homens para as fronteiras com Kaliningrado e a Bielorússia, além de ter gerado alerta na NATO. Apesar disso não houve incidentes internacionais durante o evento, que teve um Putin vestido em uniforme militar supervisionando a última etapa do treinamento. As mobilizações do tipo feito pela Polônia são comuns de lado a lado nesse tipo de treinamento, mas um Putin em uniforme militar parece mais um recado de prontidão para a guerra, mesmo que outros canais russos peçam negociações e paz. É só lembrarmos da última vez em que Putin vestiu um uniforme militar, justamente num momento de tensão aumentada com a NATO, e na sequência tivemos uma crescente nas ações militares russas na Ucrânia. É possível que vejamos mais um aperto na ação militar contra o exército ucraniano, cujos sinais de debilidade são cada vez mais nítidos, apesar das retaliações que vez ou outra vemos em território de Novarússia, ou mesmo do território tradicional da Federação Russa. Isso parece certo já que a quantidade de mísseis e drones usados contra o território ucraniano voltou a aumentar, já ultrapassando as 800 unidades conjuntas em um único ataque.
Um desdobramento meio inesperado do treinamento das forças russas e bielorussas é que após o seu fim os poloneses anunciaram um fechamento a tempo indeterminado da fronteira com o Oriente. Essa é uma das rotas das chamadas “Novas Rotas da Seda”, ou “Iniciativa Cinturão e Rota”, que é o nome oficial dos corredores de comércio utilizando ferrovias de alta velocidade que vêm sendo desenvolvidos pelos chineses há pelo menos uma década. Na verdade, essa é a principal rota para se chegar ao Norte da Europa neste momento. O resultado é que a China está inaugurando a primeira rota comercial pelo Ártico. O navio Istambul Bridge será escoltado por quebra-gelos, e deve atingir o porto britânico de Felixstowe em 18 dias, contra uma viagem de cerca de 30 dias pelas rotas marítimas tradicionais, e de 25 pela rota ferroviária.
Além da rota comercial com um potencial incrivelmente lucrativa, o controle do Ártico ainda permite o acesso a enormes reservas de gás, petróleo, e outros minerais. Por isso a briga pelo controle da região é tão grande, e a verdade é que os Russos estão bem à frente de seus concorrentes no momento, seja pela presença efetiva na região, com bases, povoações, etc, como também com equipamentos e tecnologia adequada a adentrar e habitar num dos ecossistemas mais inóspitos do planeta.,
Outro fato inusitado foi a entrega da primeira turbina iraniana de geração de energia para os russos. A turbina é propulsionada a partir do gás, recurso vastíssimo na Rússia, e substituirá turbinas de geração alemãs fornecidas pela Siemens. As turbinas prometem ser 30% mais eficientes do que as alemãs, ou seja, proverão 30% a mais de energia elétrica com o mesmo consumo de gás.
Na sequência tanto China quanto Rússia informaram que não aceitarão e não aplicarão as sanções aprovadas pela ONU contra o Irã. Segundo ambos os países as sanções são ilegais, abusivas e injustas.
Como vemos, o mundo já está bem diferente daquele que saiu dos confinamentos gerados pela COVID-19 no final do 2.021 e início de 2022. É ainda mais diferente do que aquele que entrou nos confinamentos no início de 2020. Ainda não está consolidado, ainda tem muito o que evoluir (não no sentido de melhorar, mas de mudar), e ainda não tem sua formatação final para quando toda essa disputa se acalmar e o planetinha azul em que vivemos possa ter um pouco mais de estabilidade, mas uma coisa é certa, é muito difícil que tenhamos um retorno à estrutura que tínhamos antes de todo esse processo começar. Primeiro porque as forças que comandavam o planeta já estavam debilitadas naquela época, e essa situação apenas se acentuou para esse momento. Por fim porque temos visto muitos erros, que apenas aprofundam as debilidades que essas forças já mostravam, ou seja, tudo o que fazem para reverter a situação é em base de uma força e um poder que já não têm, e isso apenas acelera e aprofunda as mudanças em curso.