domingo, 23 de fevereiro de 2025

Simplesmente sensacional

O resultado ficou simplesmente sensacional. Bring Me to Life, com inatrumentos e um toqur japonês ficou exclente, e vale tirar uns minutinhos para ouvir.




sábado, 22 de fevereiro de 2025

USAID já vai tarde

O texto de Wellington Calasans é um pouco extenso, mas completo e alto-explicativo. Por esse motivo apenas vou complementar abaixo de forma muito rápida e com um exemplo.

Sim,  Trump tem um país falido e desgovernado nas mãos. A verdade é que busca cortar todos os custos que tem, e com isso recuperar minimamente a governabilidade e as rédeas do próprio país. Mas o fim da USAID não é o fim das interferências e/ou intervenções americanas. Elas seguirão ocorrendo, só que agora de forma direta (como faz na Ucrânia), ou através da coação militar (América Latina). Ele focará mais em alvos mais fáceis, enquanto tentará isolar a China e desgastá-la. Esse é o motivo de sua reaproximação com a Rússia, a tentativa de atraí-la ao G(8), e de já ter retirado o apoio americano à política de uma só China do sítio oficial do governo Ianque. Mas toda essa política não deve significar dispêndio de grandes somas de dinheiro, já que o EUA não o tem, a não ser que haja um ganho muito alto e praticamente garantido nisso.

Mas para isso dar certo ele precisa ultrapassar os obstáculos internos que enfrentará (e não serão poucos). Por isso sua política externa será voltada para o menor esforço com ganho máximo. 

E mesmo que consiga vitórias em todos os campos será muito difícil que o MAGA seja realmente vitorioso. Não se corrigem 50 anos de erros em apenas 4, ainda mais quando a concorrência já te ultrapassou em praticamente todos os campos.

A Atuação Criminosa da USAID: Invasão, Manipulação, Traição e Perversão

Nos últimos anos, o debate sobre a ingerência estrangeira em questões internas de países soberanos ocupa cada vez mais espaço e tem sido um forte aliado na busca do resgate do Direito Internacional e das Relações Internacionais. 

Nos primeiros dias de Trump como presidente dos EUA, as revelações sobre a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) apontam para a existência de uma sistemática cadeia de crimes e sabotagens, pagas com o dinheiro do contribuinte norte-americano. 

Documentos revelados por whistleblowers, investigações jornalísticas e denúncias oficiais mostram que a USAID não apenas ultrapassou suas funções declaradas, mas também se envolveu diretamente em atividades clandestinas, subversivas e até criminosas.


Agora sabemos, com provas incontestáveis, como as práticas ilegais da USAID, em diferentes partes do mundo, atingiam órgãos de comunicação social, jornalistas, influenciadores digitais, políticos e pessoas públicas. 

Todos eles cooptados ou corrompidos para servir aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos, em prejuízo aos princípios da ética e deontologia das suas profissões e áreas de atuação. 

A traição à própria pátria, muitas vezes motivada pelo dinheiro, é um tema central neste contexto. Corruptores e corrompidos fizeram da USAID um sindicato de crimes, sabotagens e perversão. 

USAID: Mais do Que Ajuda Humanitária

Fundada em 1961, durante a administração de John F. Kennedy, a USAID foi criada com o objetivo de fornecer assistência técnica, financeira e humanitária a países em desenvolvimento. 

No entanto, desde sua fundação, a agência sempre teve laços estreitos com outros braços do governo norte-americano, incluindo a CIA e o Departamento de Estado. Essa proximidade levantou suspeitas sobre suas verdadeiras intenções.

Documentos desclassificados ao longo das décadas mostram que a USAID frequentemente atuou como uma fachada para operações encobertas de inteligência, destinadas a minar governos considerados hostis pelos EUA. 

Em alguns casos, a agência financiou movimentos de oposição, treinou líderes políticos pró-EUA e manipulou narrativas midiáticas para criar condições favoráveis à intervenção militar ou política norte-americana.

Um exemplo emblemático ocorreu na América Latina, onde a USAID esteve profundamente envolvida em golpes de Estado e tentativas de desestabilização contra governos populares eleitos democraticamente. 

Países como Brasil, Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia sofreram intensamente com essas estratégias da USAID. No caso do Brasil, chama a atenção a facilidade para o recrutamento pela USAID daqueles que trabalharam contra o próprio país. 

Os Agentes Locais: Quem Traiu Seus Povos?

Tão preocupante quanto a interferência externa dos EUA é o papel desempenhado por cidadãos e organizações locais que aceitaram recursos da USAID para promover agendas contrárias aos interesses nacionais. 

Políticos, sindicatos, jornalistas, órgãos de imprensa, influenciadores digitais, militares, juízes, índios, ONGs e figuras públicas diversas tornaram-se peças-chave no jogo geopolítico conduzido pelos EUA.

Jornalismo Comprometido

Em vários países, veículos de comunicação receberam milhões de dólares da USAID sob a justificativa de "promover liberdade de imprensa". 

Na prática, esses meios passaram a publicar reportagens tendenciosas, difundir notícias falsas (estrategicamente atenuadas pelo eufemismo do anglicismo fake news) e desacreditar governos legítimos. 

Exemplo recente, na Venezuela, redes de televisão e jornais apoiados pela USAID ajudaram a construir uma narrativa de crise humanitária, mesmo quando dados independentes contradiziam a versão difundida.

Influenciadores Digitais Como Ferramentas de Propaganda

Com o advento das redes sociais, a USAID expandiu suas táticas de influência digital. Influenciadores e blogueiros foram contratados para espalhar mensagens anti-governamentais e pró-EUA nas plataformas online. 

Em muitos casos, essas campanhas visavam desestabilizar regimes indesejados e preparar o terreno para intervenções estrangeiras. No Brasil, o caso da "Operação Lava Jato" é emblemático. 

Políticos Vendidos

Líderes políticos também não escaparam da rede de corrupção montada pela USAID. Promessas de financiamento, cargos em organismos internacionais e até refúgio nos EUA foram oferecidas em troca de apoio explícito às políticas norte-americanas. 

Esses acordos secretos frequentemente resultaram em traições flagrantes, colocando os interesses nacionais em segundo plano. Uma rápida busca sobre quem mudou dos seus países de origem para viver nos EUA e muitos pontos podem ser interligados. 

Casos Específicos de Intervenção

Brasil: Do Golpe Militar de 1964 ao Golpe da Democracia Contra os Militares 

Por mais de dez anos, discutir a participação dos EUA no golpe militar de 1964 era visto como teoria da conspiração. Em 1976, isso mudou com a divulgação de uma comunicação entre o embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, e seu governo. A USAID recrutou brasileiros de diferentes áreas de atuação para a implementação de uma agenda "contra a corrupção e o comunismo" e houve o golpe de 64. O Ato Institucional 5 (AI-5), publicado em 1968, foi um duro golpe nos planos dos EUA. Esse ato levou ao surgimento de um movimento militar nacionalista que tinha uma agenda de promoção do desenvolvimento do Brasil. O "golpe dentro do golpe" usou as estruturas criadas com ajuda norte-americana para a construção de uma agenda própria. Isso fez com que a USAID e os EUA mudassem suas estratégias e iniciassem uma campanha contra os militares e "em defesa da 'democracia'". O resultado disso é o Brasil que conhecemos desde 1985 até os dias de hoje.

Cuba: Uma História de Décadas de Subversão

Após a Revolução Cubana, em 1959, os EUA encabeçaram diferentes métodos para a sabotagem daquela ilha. Desde da a sua fundação, a USAID é usada pelos norte-americanos para tentar derrubar o governo cubano. Operações como a criação de redes sociais falsas (como ZunZuneo) e o financiamento de grupos dissidentes são exemplos claros dessa estratégia. Embora apresentada como "ajuda humanitária", a verdadeira intenção sempre foi minar a economia cubana e enfraquecer seu sistema político.

Venezuela: Guerra Híbrida Sob Disfarce de Ajuda 

Na década de 2000, a USAID investiu bilhões de dólares para financiar a oposição venezuelana. Projetos culturais, educacionais e sociais eram usados como cobertura para operações políticas mais amplas. Documentos divulgados pelo Wikileaks mostram que a agência colaborou diretamente com a CIA na tentativa de destituir Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Ucrânia: Da Corrupção à Guerra

Antes do conflito atual, a USAID gastou mais de US$ 2 bilhões na Ucrânia, financiando programas que, supostamente, visavam "fortalecer a democracia local". No entanto, investigações subsequentes revelaram que grande parte desse dinheiro foi direcionada para grupos políticos alinhados com os interesses ocidentais, contribuindo para a escalada de tensões que culminaram na guerra.

USAID - Legado de Traição

A revelação dessas práticas da USAID fomenta o debate sobre questões éticas e morais. Enquanto os Estados Unidos defendem publicamente valores como democracia, transparência e respeito à soberania nacional, suas ações através da USAID mostram uma realidade muito diferente. 

Além disso, a participação de cidadãos e organizações locais, dos países eleitos como alvos, nessas conspirações evidencia um fenômeno preocupante: a traição à própria pátria em troca de benefícios pessoais.

Esses casos devem servir como alerta para todos os povos que valorizam sua independência e autodeterminação. 

É fundamental que governos e sociedades civis redobrem seus esforços para identificar e combater essas formas sutis de colonização moderna. 

A luta contra a interferência estrangeira não pode ser deixada apenas nas mãos de líderes políticos; ela requer a mobilização de toda a população.

NOTA DESTE OBSERVADOR DISTANTE 

No Brasil, a "democraCIA" da USAID substituiu a construção da nação pela privatização de tudo, banalização das instituições e abandono do povo. 

Os trabalhos coordenados entre justiça, imprensa, partidos políticos e a devoção aos EUA revelam as consequências de décadas de atuação da USAID. Por isso, o crime organizado prospera tanto no Brasil.  

A atuação criminosa da USAID em diferentes países demonstra que a diplomacia moderna muitas vezes caminha lado a lado com a intriga e a manipulação. 

Para enfrentar esse desafio, é necessário fortalecer mecanismos de controle e fiscalização, tanto dentro quanto fora das fronteiras. 

Acima de tudo, é imprescindível preservar o compromisso com a verdade, a honestidade e a lealdade ao próprio país.   

Os cidadãos devem ter um envolvimento maior com as questões políticas dos próprios países. Só assim será possível construir um mundo mais justo e equilibrado, livre das amarras da dominação externa. 

Trump não está revelando os podres da USAID por ser bonzinho com ninguém. Ele sabe que herdou um país falido e terá que lutar contra o relógio para cortar os gastos e evitar o caos interno nos EUA.

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Lula dispara contra Marina Silva

Lula mais uma vez age como ombudsman do próprio governo. Sim, apesar de estar bastante correto nas críticas (não de todo), ele está absolutamente errado na forma de fazê-las. Vamos entender melhor isso. 

Para começar o Ibama não é um órgão de governo, mas de Estado. Há diferenças entre os dois, mas a principal é que um órgão de governo busca a realização dos interesses políticos deste, enquanto um órgão de Estado busca os interesses do Estado e da sociedade, da Nação.

Difícil de entender, porque os dois às vezes se misturam,  e com certeza se conectam em muitas esferas. Para começar é bem comum que os governos aparelhem órgãos de Estado, já que suas lideranças costumam ser indicadas politicamente pelos governos. Por isso muitas vezes os interesses de Estado são escanteados por interesses de ocasião dos governos.

E daí vêm muitas confusões mais, já que decisões podem ser tomadas que desencontram laudos técnicos bem fundamentados, ou desafiam regras e Leis estabelecidas. O contrário também pode ocorrer.

O problema de Lula não é o Ibama, nem Marina Silva; o problema de Lula é Lula. Sim já que ele mobilizou uma frente ampla absolutamente desnecessária. Não que ele não necessitasse de apoio, mas ele juntou apoio em forças que são antagônicas, outras que nada têm a ver com os interesses do Brasil, e muito menos eram necessárias para sua eleição. Marina Silva é um desses casos. Mas não o único. 

Só que a solução está nas mãos do próprio Lula. Ele precisa tomar as rédeas de seu governo nas mãos, mudar radicalmente os rumos de seu governo.

Essa mudança poderia começar com essa reunião com o Ibama, e já que ele a considera tão importante, então que convoque o presidente do órgão, da Petrobras e a própria Ministra do Meio Ambiente. E que ele resolva isso sem essa palhaçada de ficar expondo publicamente os erros acumulados há décadas.

Sim, quem passa o tempo todo entregando tudo sem resistência e a quem quer que seja, quem passa o tempo todo fazendo um discurso diametralmente oposto à própria prática, quem passa o tempo todo tentando terceirizar a própria culpa, bem, esse não pode esperar nada diferente de perder o poder que tem. 

Só que ele tem como reverter isso. Precisa tomar as rédeas do próprio governo nas mãos, colocar gente comprometida com avanços pro país e pro povo, atender interesses desde que esses sejam gerais ou promovam real crescimento do país.

A propósito, ele poderia incluir nesse pacote a recuperação real do controle da Petrobras, da Eletrobras e de outras empresas absolutamente estratégicas. Isso é algo que ele prometeu fazer, criticou, ou ele mesmo entregou, mas quando tem a oportunidade ele prefere agir como sw não fosse o Presidente do país. 

Há tempo de mudar e salvar sua biografia e credibilidade, mas até agora ele não fez nada por isso. 


Ante o naufrágio de seu governo, Lula atira Marina ao mar


A convicção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a ministra do Meio Ambiente Marina Silva representaria um trunfo para o seu governo parece estar abalada. Na verdade, a impressão é que ele se prepara para atirá-la figurativamente ao mar, na disputa sobre a concessão da licença ambiental à Petrobras para a perfuração de um poço exploratório no litoral do Amapá, que se arrasta sem solução desde o início de seu governo.

Em uma entrevista a uma rádio de Macapá, na quarta-feira 12, Lula disparou um duro ataque ao Ibama, cuja protelação na concessão da licença só pode ser descrita como uma sabotagem à exploração de hidrocarbonetos, em linha com a conhecida oposição de Marina aos combustíveis fósseis. Disse ele: “Na semana que vem, ou esta semana ainda, vai ter uma reunião da Casa Civil com o Ibama e nós precisamos autorizar que a Petrobras faça a pesquisa. É isso que nós queremos, se depois a gente vai explorar, é outra discussão. O que não dá é para a gente ficar nesse lenga-lenga. O Ibama é um órgão do governo, parecendo que é um órgão contra o governo.”

Ora, a posição antidesenvolvimentista do Ibama contra projetos de desenvolvimento e infraestrutura é notória e antiga, mas Lula já leva mais de dois anos no governo e tem coonestado por omissão todas as decisões arbitrárias do órgão, e não só na exploração da Margem Equatorial Brasileira, a nova fronteira petrolífera do país. 

E não se diga que o Ibama é um órgão “técnico”, pois decisões como as dificuldades para a exploração da Margem Equatorial Brasileira, a dragagem do rio Paraguai, o derrocamento do Pedral do Lourenço no rio Tocantins, o asfaltamento da rodovia BR-319, a renovação da licença de operação da usina hidrelétrica de Belo Monte e numerosas outras, nada têm de técnicas, mas são ostensivamente ideológicas e políticas.

Na verdade, Lula nunca quis contrariar Marina, que até agora vinha sendo uma fiadora de seu governo junto aos governos de Joe Biden nos EUA e à União Europeia (UE), para os quais o apoio à agenda verde e à poderosa ministra constituía um eficiente instrumento político para manter o Brasil enquadrado na agenda globalista.

Com a chegada de Donald Trump e sua firme agenda “antiverde” à Casa Branca e as reações cada vez maiores às pautas verdes e identitárias na UE, reduziram-se consideravelmente as chances de que Lula possa capitalizar o seu compromisso com a agenda da “descarbonização” da economia mundial e do “desmatamento zero” na Amazônia, para a qual a conferência climática COP30, em Belém (PA), em novembro próximo, deveria ser a consagração. O veto à exploração no Amapá era ponto de honra para Marina e seus prosélitos da “Igreja Fundamentalista do Santuário Amazônico”.

Lula contava com tudo isso para atrair os bilionários “investimentos verdes” com os quais acenavam os globalistas. Agora, diante do indisfarçável esvaziamento da agenda verde-identitária, das pressões políticas para a liberação da exploração petrolífera e dos problemas crescentes do seu governo, ele se vê compelido a atirar ao mar a sua outrora intocável sumo-sacerdotisa verde, em uma tentativa de evitar um naufrágio catastrófico.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

"Países também se suicidam"

O título dessa postagem é uma frase dita várias vezes por Ciro Gomes. Não lembro se ele dá a autoria a alguém, ou se a frase é sua, mas isso não importa. O cerne da questão não é o autor, mas seu conteúdo. 

E essa frase expressa de forma concisa, mas perfeita, a histeria coletiva que abraçou o Ocidente Coletivo nas últimas décadas. A "vitória" ocidental sobre o bloco soviético é, em grande parte, responsável por isso. Ela deu a essa classe dominante disforme e difusa, criada pela amalgama de uma burguesia pútrida e uma nobreza decadente, em que as piores partes de ambas foram trazidas à sua formação, a ilusão de que poderiam implantar seu neofeudalismo, disfarçado de grandes corporações e globalismo, e embutido nas ideias neoliberais de domínio mundial.

A realidade tem sido dura a essas novas nova classe dominante. Os números econômicos expressam essa dificuldade, mas névoa do pensamento individualista disfarça a decadência, já que sempre há alguém que se beneficia do caos. 

A questão não é mais quando o Ocidente será ultrapassado e desalojado economicamente, mas quando sua ideologia, defendido e difundido por sua tosca classe dominante será submetido aos novos ares que sopram do Oriente.

Sim, a crença Ocidental em sua grandeza não se escora na realidade de seus feudos, mas espelham a ideologia que expressam e que precisa ser suplantada para a libertação de seus povos.



A pior coisa da propaganda de guerra é quando quem divulga a mentira passa a tomar decisões com base na própria mentira que criou. Isso é prenúncio de derrota. 

EUA e Reino Unido estão endividados, as suas moedas perdem a força, as perspectivas econômicas são desastrosas, mas - mesmo assim - ambos vivem prometendo mundos e fundos para a Ucrânia e outras guerras. 

Antes de concluir sobre como isso vai acabar, leia o que é dito na imprensa (alternativa, claro!) sobre as economias desses dois gigantes de papel: 

SOBRE OS EUA: 

O actual governo dos EUA tornou-se “uma forma de fraude que… paga lucros a investidores anteriores com fundos de investidores mais recentes” – por outras palavras, um esquema Ponzi. Não há dúvida de que os sistemas de segurança social, Medicare/Medicaid e de pensões do governo satisfazem diretamente esta definição de fraude. Mas também podemos aplicá-lo a outros setores do governo federal, incluindo a forma como o governo financia a defesa, conduz um vasto sistema de empréstimos estudantis ou paga os juros da dívida federal.

SOBRE O REINO UNIDO:

FINANCIAMENTO: O Reino Unido afirma que o seu orçamento da Primavera de 2023 se baseou no cuidado e no crescimento das crianças. O défice orçamental de 2023 para o Reino Unido foi de cerca de 85 mil milhões de euros, os empréstimos aumentaram de 19 mil milhões de dólares para 116 mil milhões de dólares e a contracção do investimento público foi de 8,4 mil milhões de dólares. No entanto, de alguma forma, no meio destas condições económicas e financeiras em espiral, o Reino Unido utilizará os seus 68 mil milhões de dólares em gastos com defesa para apoiar a Ucrânia. O Primeiro-Ministro do Reino Unido declarou que 2024 será o ano da redução da dívida, uma vez que o aumento dos impostos parece ser a única forma de os britânicos poderem permitir que a Ucrânia seja o seu novo Mestre.

Só num mundo de grande incompetência é que um país cujo crescimento está no buraco, cujos cidadãos estão a morrer por falta de calor e de alimentos, decidiria pedir mais dinheiro emprestado para sustentar um país corrupto dirigido por nazis. Eis o anti-semitismo! No seu extremo – Israel. Contemple a criação de uma nação nazista usando fundos dos contribuintes em nome das Siões israelenses. Eis um acordo de segurança em que a PAZ se baseia nas determinações do Reino Unido que eles sabem que nunca ocorrerão. VEJA – A Ucrânia é, foi e sempre pertenceu a George Soros desde a sua anexação da Rússia em 1991. Apoie a Ucrânia – você apoia o Cartel e a Agenda 2030.

TODO o Cartel Ocidental está agora concentrado na Ucrânia – e esse Cartel é dirigido pela Mossad e pela CIA. O Médio Oriente que se dane. África que se dane.

Dentro desse mundo autossuficiente, mais aliados continuarão a desaparecer até que restem apenas a UE, o Canadá, a Austrália, Israel e os EUA. Um império de migrantes com armas e sem comércio exceto entre si… 

NOTA DESTE OBSERVADOR DISTANTE 

Quantos anos já vividos, revividos
Simplesmente por viver
Quantos erros cometidos tantas vezes
Repetidos por nós dois

Quantas lágrimas sentidas
E choradas quase sempre às escondidas
Pra nenhum dos dois saber
Quantas dúvidas deixadas no momento
Pra se resolver depois

Quantas vezes nós fingimos alegria
Sem o coração sorrir
Quantas vezes nós deitamos lado a lado
Tão somente pra dormir

Quantas frases foram ditas
Com palavras desgastadas pelo tempo
Por não ter o que dizer
Quantas vezes nós dissemos, eu te amo
Pra tentar sobreviver

Aparências, nada mais
Sustentaram nossas vidas
Que apesar de mal vividas
Têm ainda uma esperança de poder viver

Quem sabe rebuscando essas mentiras
E vendo onde a verdade se escondeu
Se encontre ainda alguma chance de juntar
Você, o amor e eu... 

(Aparências - Canção de Márcio Greyck)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Pequenos países entre a disputa dos gigantes

O mundo passa por profundas transformações e pequenos países são afetados pelas disputas das grandes potências. 




domingo, 26 de janeiro de 2025

Os primeiros dias de Donald Trump

Na última segunda feira Donald Trump assumiu para seu governo. Algumas de suas ações já eram esperadas, para outras havia a esperança de que não as tomasse. Bem, seja como for ele já causa receios e deixa o mundo em alerta. Mas será que ele conseguirá algo se seguir nesse caminho? Entenda no vídeo abaixo.


 

 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

As primeiras ações de Donald Trump

Ele tinha falado de 100 ordens (ou decretos presidenciais) em seu dia de posse, mas elas foram 78. A grande maioria é voltada para dentro, e têm como único objetivo atender interesses dos bilionários estadunidenses. Classe Média e proletariado serão atendidos apenas muito parcamente pelas migalhas que caírem dessa mesa de banquete. No geral sua situação vai se deteriorar ainda mais e Trump tende a perder apoio muito rapidamente. 

Sábado falarei mais sobre isso no canal do Airton Brotto no youtube. 


Imigração e Segurança Fronteiriça

1. Revogação do programa de liberação condicional humanitária para imigrantes.
2. Reativação da construção do muro na fronteira com o México.
3. Implementação da política de “permanecer no México” para solicitantes de asilo.
4. Fim do programa de proteção a imigrantes menores de idade (DACA).
5. Restrição de vistos de trabalho temporário.
6. Ampliação de deportações aceleradas para imigrantes irregulares.
7. Reversão da proibição de deportação para países considerados perigosos.
8. Restrição de concessão de asilo para vítimas de violência doméstica e de gangues.
9. Retomada da separação de famílias na fronteira.
10. Redução da cota de refugiados admitidos anualmente.

Energia e Meio Ambiente

11. Retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre Mudança Climática.
12. Cancelamento de restrições à perfuração de petróleo e gás em áreas protegidas.
13. Revogação de normas de emissão de carbono para veículos automotores.
14. Reativação do oleoduto Keystone XL.
15. Revogação de proteções ambientais para áreas de conservação federais.
16. Extinção de regulamentos sobre poluição hídrica em áreas industriais.
17. Permissão para exploração mineral em áreas indígenas.
18. Cancelamento de subsídios para fontes de energia renovável.
19. Redução de padrões de eficiência energética para eletrodomésticos.
20. Dissolução do Conselho Consultivo de Mudança Climática.

Políticas Sociais e Diversidade

21. Eliminação de programas de diversidade, equidade e inclusão no setor público.
22. Fim da obrigatoriedade de treinamentos de diversidade em agências federais.
23. Redefinição oficial de gênero baseada no sexo biológico.
24. Proibição de financiamento federal para cuidados médicos de transição de gênero.
25. Restrição ao uso de banheiros públicos conforme identidade de gênero.
26. Cancelamento da obrigatoriedade de seguro-saúde cobrir contraceptivos.
27. Redução de políticas de combate à discriminação no local de trabalho.
28. Fim do financiamento para pesquisas sobre equidade racial.
29. Revogação do reconhecimento de identidade de gênero não-binária em documentos oficiais.
30. Cancelamento da proteção de direitos para estudantes LGBTQ+ em escolas públicas.

Saúde e Políticas Públicas

31. Retirada dos EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS).
32. Revogação da expansão do Obamacare.
33. Redução dos requisitos para planos de saúde de baixo custo.
34. Cancelamento de subsídios para medicamentos de alto custo.
35. Permissão para empresas negarem cobertura de saúde por razões religiosas.
36. Retirada de incentivos para vacinação contra a COVID-19.
37. Fim da obrigatoriedade de máscaras em prédios federais.
38. Dissolução da força-tarefa federal contra pandemias.
39. Cancelamento de regras de segurança para produtos farmacêuticos importados.
40. Eliminação de diretrizes sobre saúde mental no ambiente de trabalho.

Economia e Comércio

41. Cancelamento de tarifas sobre produtos chineses impostas pela administração Biden.
42. Retirada dos EUA de acordos comerciais multilaterais.
43. Redução de regulamentações bancárias para pequenas e médias empresas.
44. Ampliação de subsídios para a indústria de combustíveis fósseis.
45. Extinção de restrições a investimentos estrangeiros em setores estratégicos.
46. Flexibilização de regras de importação de alimentos e medicamentos.
47. Revogação de padrões de segurança no setor de transportes.
48. Redução do salário mínimo federal para contratos públicos.
49. Cancelamento de regulações trabalhistas para empresas de tecnologia.
50. Suspensão de programas de auxílio a pequenas empresas criados durante a pandemia.

Defesa e Relações Internacionais

51. Aumento do orçamento de defesa dos EUA.
52. Reafirmação de sanções econômicas contra o Irã.
53. Retirada de tropas americanas de regiões em conflito, incluindo Síria e Afeganistão.
54. Cancelamento de negociações de desarmamento nuclear com a Coreia do Norte.
55. Suspensão de financiamento para programas de ajuda externa a países africanos.
56. Ampliação da presença militar na Ásia-Pacífico.
57. Revogação do tratado de controle de armas com a Rússia.
58. Fim do programa de reassentamento de refugiados afegãos.
59. Cancelamento do tratado de livre comércio com a União Europeia.
60. Proibição de investimentos em empresas chinesas ligadas ao setor militar.

Justiça e Direitos Civis

61. Redução das diretrizes sobre violência policial.
62. Cancelamento de programas de fiscalização de crimes de ódio.
63. Ampliação do uso de prisões privadas em contratos federais.
64. Restrição ao direito de voto por correio.
65. Reintrodução da pena de morte para crimes federais.
66. Proibição do ensino de “teoria crítica da raça” em escolas públicas.
67. Suspensão de revisões em casos de sentenças longas para réus minoritários.
68. Redução dos programas de reabilitação para presos.
69. Cancelamento de programas de monitoramento policial comunitário.
70. Ampliação das penalidades para crimes de imigração ilegal.

Administração Pública

71. Implementação do programa "Schedule F" para facilitar demissões de servidores públicos.
72. Revogação da política de teletrabalho para funcionários públicos.
73. Redução de orçamento para agências reguladoras federais.
74. Eliminação de normas de transparência de gastos públicos.
75. Ampliação do poder do Executivo sobre agências independentes.
76. Redefinição de critérios para contratação de servidores federais.
77. Dissolução de comissões de supervisão de ações do Executivo.
78. Cancelamento de políticas de proteção a denunciantes dentro do governo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Putin analisa seu período à frente da Rússia

O trecho da entrevista coletiva dado por Putin ao responder à perdunta do reporter da BBC no final de 2024 é interessante. Interessante porque mostra a mesma questão vista por 2 prismas completamente opostos.

O primeiro está embutido na pergunta do repórter, Steven Rosemberg, e mostra a visão ocidental do problema. Nela vemos embutida a percepção absoluta de problemas, sem observar a relação entre as coisas. Então observam-se retratos e dados sem análise. A percepção de perdas é tida como enorme, sem observar os recursos totais disponíveis, ou até onde se está diaposto a perder por determinada causa.

Da mesma forma vê-se uma guerra somente como a presença de tropas em determinado território, e não como as coisas se desnrolam ali. Também falam da adesão à NATO de países cujas elites são historicamente anti Rússia, e cujas populações não foram consultadas.

Já a resposta de Putin tem uma visão holística da situação, em que há a comparação com o passado, mas não apenas na situação atual das coisas, mas tendo em conta a capacidade de mudança delas. O exemplo melhor é a inflação, em que ele reconhece o problema e diz que ele será enfrentado. Mas a própria relação russa com o mundo também tem esse teor, quando fala de Yeltsin e sua "boa" relação com o Ocidente, em que na primeira lembrança feita pelo russo sobre os desvios ocidentais em que apenas seus interesses eram levados em conta, e em que acordos e as tão propaladas "regras" eram sumariamente ignoradas, então o russo passou a ser pessoa não grata e atacado de todas as formas.

No fim ele ainda deixa claro duas coisas. A primeira é que  a Rússia não irá se submeter aos interesses alheios. Mas eles estão dispostos a conversarem e se relacionarem, desde que seus interesses sejam respeitados, assim como respeitarão os outros.

Se essas coisas irão se concretizar, se se tornarão realidade, ou se tudo não passa de discurso, o tempo dirá. 


🇷🇺VLADIMIR PUTIN:

[Steven Rosenberg, BBC News: Exactly 25 years ago, Boris Yeltsin resigned, transferred power to you, and said, "Take care of Russia." After 25 years, do you believe you have taken care of Russia? Because looking from the outside, what do we see? We see substantial losses in the so-called special military operation that you declared; and we see Ukrainian soldiers in the Kursk Region. You criticise NATO expansion, but there is more NATO now on Russia’s borders: Sweden and Finland. There are sanctions, high inflation, and demographic problems. But what do you think? Have you taken care of your country? ]

"Yes. I believe I have not just taken care of it, but I believe we have stepped back from the edge of the abyss, because with everything that was happening in and around Russia before and since was leading us towards a complete, total loss of our sovereignty.

Without sovereignty, Russia cannot exist as an independent state.

Let me draw your attention to what you said about Boris Yeltsin. Everything seemed fine; they patted him on the back patronisingly, and turned a blind eye when he drank.

He was welcome in all Western circles.

But as soon as he raised his voice in defence of Yugoslavia, as soon as he said that it violated international law and the UN Charter, as soon as he said that striking Belgrade, the capital of a European country, without UN Security Council approval was unacceptable in modern Europe, they immediately started having a go at him, calling him names, saying he was a drunk, and so on.

Do you not remember that?

I have done everything so that Russia can be an independent and sovereign state that is capable of making decisions in its own interests, rather than in the interests of the countries that were dragging it towards them, patting it on the back, only to use it for their own purposes.

I could stop there. But I understand you have laid out the entire set of arguments that seem support your stance.

You mentioned inflation. Yes, there is inflation. We will fight it.

But we also have economic growth. We rank fourth in the world in purchasing power parity. Please share that with your readers.

We are first in Europe, far ahead of the United Kingdom, which, I believe, is not even in the top five.

But we are ready to work with the UK, if the UK wants to work with us.

If not, that is fine.

We will cope without our former WWII Allies."

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Migração na Europa: problema provocado

Texto bastante interessante de Ricardo Nuno. Ele abarca a questão europeia relativa a imigração de forma mais ampla, ainda que siga colocando um foco europeu na mesma. Claro, natural, já que o mesmo é europeu. Também é um avanço, porque a maioria da intelectualidade, e como o próprio Nuno diz, dos políticos do continente, quando tratam da questão, o fazem de forma superficial e enviesada, na busca de preencher claras lacunas deixadas pelo modelo político-econômico que defendem, e que se negam a tratar dema forma séria que tais lacunas exigem.

Sim, ele mostra algumas mazelas mais graves causadas pelas potêncais Ocidentais, entre elas as europeias, nos chamados países periféricos. Mas essas só ocorrem quando as mais leves, que se dão nas várias formas de interferência político/diplomáticas em assuntos internos desses países, não funcionam. 

Todas essas interferências têm por fim o acúmulo de riqueza por parte da elite Ocidental, sem necessariamente criar o "jardim" citado por Stoltenberg (ex-Secretário Geral da NATO). Mas qualquer dessas interferências criam pobreza e caos nas nações em que elas são aplicadas. Basta ver o que acontece atualmente em alguns países próximoa à Rússia, e onde suas populações se recusam a aderir às pautas atlanticistas. Golpes brancos e tentativas de revoluções coloridas (quando os golpes não funcionam) emergem do nada, criando caos e problemas sócio-econômicos. 

Sim, guerrilhas e guerras são sintomas mais claros e fáceis de detectar, mas a emigração nesses países ocorre pelas relações desrespeitosas, irresponsáveis e ilegais praticadas por essas potêncais em todos os níveis.

Querem tratar do sintoma, não curar a doença

✍️ Ricardo Nuno Costa  @ricardo_nuno

Vejo como agora muita gente quer resolver o problema da imigração com medidas drásticas, mas inconsequentes. Os vários processos migratórios para o continente europeu são ancestrais e em parte irreversíveis. Claro que as mais recentes ondas, de há umas duas década a esta parte (saídas das guerras ilegais no Afeganistão, no Iraque e suas extensões), não só são negligentes como ilegais, por quem as pratica e as deixa praticar. É normal que o cidadão comum mostre estupefacção com os responsáveis políticos que querem resolver problemas económicos com a importação de mão-de-obra barata, sem olhar às consequências.

O problema com as atuais demonstrações de mal-estar é que os seus organizadores não querem resolver a doença, mas limitar-se a tratar de um sintoma. Como se fosse assim que se resolvesse um problema essencialmente geopolítico, com tudo o que isso acarreta. Sim, o problema da imigração é só um sintoma de uma doença mais grave. Décadas serão necessárias para uma solução holística e cabal, mas é verdade que um primeiro passo tem de ser dado. A expulsão de imigrantes ilegais ou de criminosos forâneos que querem viver às custas dos estados receptores é legítima e necessária.

Como aqui já foi dito, não se pode defender uma coisa e esperar resultados contrários à sua lógica. Alguém ouviu os dirigentes que agora se mostram tão preocupados com a imigração a sugerir uma mudança no modelo económico, que crie as condições para a riqueza nacional, física e não meramente especulativa? Não só não o fazem, como depositam todas as esperanças na sucessão de fugas em frente e concomitante endividamento dentro do sistema neoliberal vigente. Depositam na receita das últimas décadas uma espúria fé de que produzirá resultados diferentes.

Estes actores têm sequer um plano, ou somente querem angariar votos de uma população compreensivelmente descontente? Ao ler o que dizem e escrevem, por vezes dá-me a sensação que muitos deles não podem ser levados a sério, mas beneficiam-se da confusão e sentimento de injustiça de uma parte da população mais emocional do que nunca. Seguramente passarão à história como pequenos bufões próprios de uma época perturbada, de angústia e ansiedade.

Em geral, estes partidos não têm um ideário consistente; limitam-se a defender o status quo, i.e, a hegemonia do dólar, do euro, na economia de casino aquém-fronteiras e na receita neocolonial em África e outras paragens, que cada vez mais se afastam dos europeus com toda a razão. Para colmo, estes malabaristas do carreirismo político, saltitões da charada partidária, apoiam o auxílio ao sionismo no Médio Oriente. Juram que aquela entidade sintética ali colocada há três quarteirões é a “nossa muralha”. Esquecem-se de mencionar o mal que fez àquela região, as guerras que provocou e os milhões de degredados que trouxe para a Europa.

Endividamento financeiro, hegemonia ocidental, belicismo, sionismo e neocolonialismo, tornaram-se num só corpo, notoriamente doente, este neoliberalismo cuja única esperança parecem ser políticas tão apelativas quanto cosméticas. Maquilhar um ou mais dos seus sintomas poderá dar-nos uma sensação de alívio, mas não curará a doença.

domingo, 5 de janeiro de 2025

IMY2 - Going Under

O IMY2 faz excelente cover de Going Under do Evanescence. A voz de Annalise Mahanes impressiona.



 

 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Lavrov expõe contradições Ocidentais

As constatações oscilam entre timidos apoios declarados e de bastidores pelas conversações de paz, e o fato de declararem publicamente o apoio à Ucrânia para que ela alcance vitórias com o fim de ter uma posição mais favorável numa eventual negociação de paz, e ao fato de tropas ucranianas serem treinadas e armadas em território francês.  Apesar disso as contradições são do Ocidente, ainda que o país em questão seja apenas a França.

Explico: a França não é o único dos países ocidentais que age de forma bipolar, apesar de ser um dos mais significativos desses países. O fato é mais notável na França, mas alguns outros países também mostram sinais claros de sua divisão interna, e dos conflitos que suas participações 'veladas" ao conflito no Leste europeu provocam. Mesmo no Reino Unido, que praticamente está numa guerra aberta com os russos, ouvem-se vozes dissonantes da pasmaceira de "enviar tropas", "aumentar apoio a Ucrânia", etc. 

Importante enfatizar que poloneses, alemães, ou os países bálticos, além dos dois já citados, também participam dessa dicotomia doentia. O último a aderir a tal procedimento foi a Moldávia. O pequeno país teve um plebiscito pela adesão à União Europeia, seguido de uma eleição presidencial, em que por pequeníssima margem o lado pró-Ocidente ganhou. O problema é que sobram acusações de fraudes que prejudicaram a oposição, chegando ao po to de uma boa parte do eleitorado, que se acredita seria pró-oposição, ter sido impedida de votar.  Na Romênia as eleições foram anuladas, após um candidato nacionalista ter levado o 1º turno e as pesquisas mostrarem que suas chances de vitória final contra o candidato pró-Ocidente eram imensas. Os motivos alegados para a anulação foram absolutamente patéticos.

E é por isso que eu disse que o país em questão era a França, mas que em maior ou menor grau, oferecendo diferentes serviços, todos sao partícipes de uma pantomima histriônica, onde belas palavras como transparência, boa-fé e democracia frequentemente saem das bocas de seus políticos e elite, mas facilmente são acompanhados de ações concretas em total desacordo com este discurso.




[In December of this year, French President Emmanuel Macron facilitated a meeting between Donald Trump and Vladimir Zelensky in Paris. Do you believe that the American President might support Kiev more than he indicated during his campaign? What are your thoughts on this meeting initiated by France?]

"We have grown accustomed to the numerous initiatives that France frequently announces, conducting various meetings and conferences.

I recall that in December 2015, French President François Hollande unexpectedly declared the urgent need to convene a conference on Libya.

Participants attended, discussions took place for a day and a half, and subsequently, everyone seemingly 'forgot' about it.

Nonetheless, the conference was elegantly broadcast on French television.

Our French colleagues indeed have a penchant for playing a proactive role in addressing various issues.

We welcome this enthusiasm, though I am uncertain about the outcomes of such 'initiatives' and the sincerity of their intentions to play a constructive role.

I will refrain from delving into specifics to avoid any indiscretions.

On several occasions, through confidential channels, we have received messages from our French counterparts offering assistance in establishing a dialogue regarding the Ukrainian issue, excluding Ukraine itself.

This approach contravenes the principle repeatedly emphasised by the West: 'not a word about Ukraine without Ukraine.'

We are open to communication – we are prepared to listen.

However, simultaneously, France emerges as the principal advocate for deploying 'peacekeeping troops' to Ukraine, it trains combat units of the Ukrainian armed forces on its own soil, and it explicitly states the necessity of continuing to 'pound' Russia to ensure Ukraine enters negotiations from a position of strength.

Such contradictory behaviour does not inspire confidence in the initiatives of our French colleagues.

Regarding the meeting associated with the opening ceremony of Notre Dame de Paris, I observed no encouraging signals 'in the picture.'

It seems to me that the focal point of this meeting was indeed the 'picture,' as two politicians and a Nazi racist were photographed against the backdrop of the cathedral.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Navio emborca na Turquia

Navio mercante emborca na Turquia, no porto de Ambarth. A causa provável do acidente foi a má distribuição do peso a bordo, que levou a embarcação a um GM negativo.

Dos 15 tripulantes 10 foram salvos pelas equipes de resgate e 5 nadaram até o cais.

Já tinha um tempo que eu não via ou ouvia falar de um acidente provocado por este tipo de erro. 


🇹🇷 A dry cargo vessel keeled over at one of Istanbul's primary ports 


The incident occurred around 4:00 a.m. at Ambarlı Portin the Beylikdüzü district, involving the Comoros-flagged dry cargo ship ANMAH.


The vessel's listing was attributed to improper load distribution. Of the 15 crew members onboard, 10 were rescued by emergency teams, while five others managed to swim ashore unaided.



terça-feira, 17 de dezembro de 2024

China contra-ataca

Interessante a queda de braço entre o globalismo financeiro e o nacionalismo produtivista. Essa disputa se acirra e acelera mês a mês, e coloca o mundo numa encruzilhada. 

Como eu disse, a disputa vem se acirrando nos últimos anos, mais notadamente nos últimos meses, quando após absorver alguma tecnologia já ultrapassada, mas que alguns dos países que representam setores produtivos ainda não detinham, estes passaram a desenvolver a própria tecnologia, e hoje dominam a maioria das pesquisas e são líderes na maioria das áreas de alta tecnologia.

O capital financeiro abutre quer tomar parte nos ganhos que tais tecnologias podem vir a proporcionar, mas entra em choque com o fato de que essas tecnologias não estão sob o domínio dos países que eles controlam, e que os países que dominam as novas tecnologias não se deixam dominar pelos capitalistas financeiros abutres.

O resultado é conflito aberto, seja ele militar, seja ele econômico. Militarmente a maior expressão desse conflito se dá na Ucrânia, e comercialmente se dá na disputa comercial entre China e EUA.

As acusações entre o bilionário Soros e os chineses dão bem o tom dessa disputa comercial. Sim, ela hoje já é acrescida de sanções de ambos os lados, tentativas vãs de asfixia financeira, ou declarações acusatórias dos tipos que vemos abaixo.

A questão aqui é sabermos até quando ficaremos apenas nas disputas retóricas e comerciais, e se e quando passaremos a confrontações bélicas? Lembrando sempre que quando apenas um não quer brigar, então essenum apanha.

CHINA QUALIFICA SOROS DE «TERRORISTA ECONÓMICO GLOBAL»

🇨🇳🇺🇸 O porta-voz do jornal estatal chinês em língua inglesa Global Times, rotulou o bilionário americano nascido na Hungria, George Soros, de “Terrorista Económico Global”, numa troca de palavras que sublinham o aumento da temperatura nas relações entre os EUA e a China.

Num artigo publicado em setembro, a publicação nacionalista chinesa acusava o gestor de fundos judeu de financiar o proprietário de um jornal preso em Hong Kong, Jimmy Lai, para apoiar os protestos contra Pequim em 2019.

Pouco depois, Soros escreveu um artigo de opinião para o Wall Street Journal em que afirmava que o recente investimento de cerca de mil milhões de dólares do fundo mútuo da BlackRock, com sede em Nova Iorque, na China, tinha sido um “erro trágico” e que provavelmente perderia dinheiro para os clientes do gestor de activos. Soros escreveu que o investimento da BlackRock “põe em perigo os interesses de segurança nacional dos EUA”.

Segundo ele, os índices, incluindo o ACWI da MSCI, o ESG Leaders Index e o ESG Aware da BlackRock, “forçaram efetivamente centenas de milhares de milhões de dólares pertencentes a investidores norte-americanos a entrar em empresas chinesas, cuja governação empresarial não cumpre as normas exigidas – o poder e a responsabilidade são agora exercidos por um homem (Xi) que não é responsável perante nenhuma autoridade internacional”.

O bilionário instou o Congresso dos EUA a aprovar legislação que limite os investimentos dos gestores de activos a “empresas cujas estruturas de governação sejam transparentes e alinhadas com as partes interessadas”. Relatórios anteriores referiam que o Hedge Fund de Soros tinha alienado toda a sua exposição a activos chineses no início deste ano.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Não é desdolarização, mas mudança no sistema de pagamento

Mais do que desdolarização, o que se busca nos BRICS é um novo sistema internacional de pagamentos e transferências financeiras. Claro, em certa medida isso desdolariza, porque permite contornar o uso do dólar nas transações entre países, barateando, facilitando, e dando mais garantias ao usuários do sistema.

Essa busca ocorre porque o sistema de pagamento ora em uso, o SWIFT, é controlado pelo Ocidente, e usado como arma de guerra e manipulação geopolítica extrema. As sanções, a retirada de países do sistema de pagamento, e a interferência pelo Ocidente com a alegação de estarem usando suas moedas em transações que não lhes agradam dão o tom da necessidade da criação de tal sistema de pagamento alternativo. Além disso o sistema facilita o comércio internacional, já que um país não é obrigado a ter dólares (ou moeda coligada) para participar no comércio internacional. 

Se você ler o último paragráfo do artigo abaixo, verá que algumas outras medidas são perseguidas pelos BRICS. Essas medidas têm como objetivo o fortalecimento do sistema de pagamentos, maior independência dos países do bloco frente as instituições criadas e manipuladas pelo Ocidente, bem como a facilitação ainda maior do comércio mundial, contornando os mecanismos de controle, manipulação e especulação criados pelos ocidentais.

Claro que isso tudo mina profundamente a hegemonia ocidental no planeta, porque impedirá os ganhos absurdos que os países que controlam os atuais sistemas conseguem obter, mesmo que não sejam eles que trabalhem e gerem as riquezas comercializadas.

O novo sistema que está sendo gestado também abre a possibilidade de maior pluralidade e democracia, já que as decisões podem contornar os sistemas ora estabelecidos (como eu disse, controlados pelo Ocidente), e Estados, e até empresas, poderão negociar e estabelecer os preços para os próprios produtos.

Mas nem tudo são flores. O novo sistema também tende a punir com severidade maus negociadores,l; a gerar uma certa anarquia pelo planeta, já que não teremos mais decisões tão centralizadas; e guerras (já as estamos tendo), ao menos em sua fase de implantação,  uma vez que o sistema que cai tende a defender seus privilégios de todas as forma. E isso é normal quando temos a substituição de sistemas estabelecidos por novos.




🇷🇺🇧🇷 O volume de liquidações financeiras em moedas nacionais no comércio dentro do grupo BRICS é de cerca de 65%, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.

“O trabalho em novas plataformas de pagamento foi iniciado no BRICS sob a presidência russa e será continuado pelos nossos sucessores brasileiros durante a sua presidência em 2025”, sublinhou o ministro no simpósio internacional Criando o Futuro. Lavrov observou que a Rússia continuará a desempenhar o seu importante papel neste processo.

A questão dos sistemas de pagamento alternativos estará entre as prioridades da presidência brasileira no grupo BRICS. A este respeito, o alto diplomata russo recordou que foi o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva que colocou a questão dos sistemas de pagamento alternativos em cima da mesa em 2023, durante a cimeira dos BRICS em Joanesburgo. “Os progressos são evidentes, mas devemos levá-los à sua conclusão lógica para que existam mecanismos prontos a utilizar”, observou.

Por sua vez, Moscovo espera continuar a trabalhar em iniciativas propostas pela Rússia no âmbito dos BRICS, como uma bolsa de cereais, uma plataforma de investimentos, um cluster de transportes, bem como a medicina nuclear, antecipou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

A queda de Bashar Al-Assad

Nas últimas 2 semanas vimos a queda do líder sírio, que muitos consideravam um ditador. A queda foi relâmpago, apesar disso precisamos observar que as duas últimas semanas foram apenas o final de um processo que contou com muitos erros do próprio Assad, e traições internas que possibilitaram sua queda abrupta. Para isso vamos recorrer a alguns processos históricos recentes, que mostram os erros de Assad.

Ao término da sangrenta tentativa de primavera árabe síria, que provocou a emigração de centenas de milhares de seus cidadãos, notadamente para a Europa, houve uma paz frágil costurada por turcos, iranianos e russos. O problema é que, internamente, as coisas não estavam consolidadas na Síria. Assad sofria inúmeras sanções, e apresentava pouquíssima capacidade de lidar com elas. Dessa forma a estrutura que lhe garantiu controle sobre a maior parte do território sírio após os conflitos iniciados em 2011 foi desmosntada. Generais leais foram afastados, Oficiais civis substituídos, a economia seguiu achatada devido a recusas de ofertas de auxílio russas e iranianas, e quando ele finalmente viu o caos em que se encontrava e tentou reagir, aí já era tarde. Suas forças armadas e as instituições civis já estavam impregnadas de traidores em suas altas esferas, não havia mais tempo hábil para recuperar a economia e garantir maior adesão popular, a queda era um
a questão de empurrar. 

Apesar disso as forças externas que garantiram sua permanência na primavera árabe síria voltaram a se mobilizar para ajudá-lo, mas não há força externa capaz de manter em pé um governo que já não tem condições internas de se sustentar (vide a fracassada aventura estadunidense no Vietnã).

A queda de Assad foi um dominó bem montado. Disfarçado de retirada estratégica para linhas melhor defensáveis, onde se poderiam esmagar as forças revoltosas, e corroborados pelos bombardeios aéreos sino-russos, que ceifaram as vidas e feriram milhares de revoltosos, a armadilha estava se fechando, órdens já não eram obedecidas nas fileiras sírias, e as forças leais ao governo se viram isoladas entre dois fogos. Elas se evadiram e garantiram dois bolsões, um a Sudeste, e outro a Oeste. Ao menos Brigada de blindados e uma de infantaria blindada atravessou a fronteira com o Iraque e deve se juntar a forças iraquianas.

Mas a queda de Assad foi consolidada. Sem dúvida um golpe inteligente do Ocidente, mas a situação está longe de estar resolvida.

Na Síria temos 3 hipóteses prováveis: a primeira, e mais provável, é uma guerra fratricida entre os mais de 30 grupos que marcharam contra Damasco. Sem uma interferência isso pode levar à fragmentação e destruição total do que resta de Síria.

A segunda é se unirem, e também ao eixo da resistência, contra um inimigo comum. O líder que representava o novo governo que tentava se estabelecer disse, em pronunciamento na TV local, que nutriam ódio ao eixo da resistência, que Golam era sírio, e clamaram a Israel para investisse no país. 

Israel ouviu e imediatamente investiu. Ocupou muitos quilômetros mais do território sírio, destruiu depósitos de munições, armas e equipamentos militares, quartéis e bases aéreas, enfim, garantiram que os novos "governantes" sírios não tivessem acesso a armas e munições mais pesadas que fusis de assalto e pequenos canhões e metralhadoras montadas nas caçambas de pickups médias.

A terceira hipótese, mas mais longa e improvável, é a reorganização das forças leais a Assad, que se reorganizem, e iniciem a retomada do território desde os dois pequenoa enclaves que ainda dominam e apoiados pelas forças do eixo da resistência. Só que para isso é necessário acompanhar o desenrolar do que acontece na própria Síria.

Geopoliticamente o Irã e o Eixo da Resistência sofrem a maior derrota. Sim, ela é estratégica, importante, mas de forma alguma decisiva. O Hezbollah deve ter um pouco mais de dificuldade para ser abastecido, mas isso não deixará de ocorrer, e rotas e opções que estavam adormecidos ou pouco utilizados devem ganhar mais relevância, isso se não mantiverem as rotas via Siria através dos corruptos grupos que chegaram ao poder. Basta ver que os Houthis não têm ligação terrestre (segura), mas são abastecidos e muito ativos.

A Rússia também perde,  mas menos. Conseguiu a manutenção de suas bases Sírias, e já iniciou "relações" com o novo governo (o próprio Irã também). Essas relações podem ser incentivadas pelos prontos investimentos israelenses no país. 

Ou seja, ainda que seja uma derrota estratégica, que num primeiro momento se criem problemas ao Eixo da Resistência e à Rússia na região, e que as forças Ocidentais tenham ganhado terreno num primeiro momento, nada ali é definitivo, nem mesmo a queda de Assad e de seu grupo (ainda que eu ache que ele não é o homem adequado para estar à frente da Síria neste momento).

O resto o futuro nos dirá. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Democracia Ocidental e falácia para a dutadura de uma minoria

Tirado do twitter de Wellington Calasans. O texto é absolutamente irrepreensível, e ainda expressa exatamente o que várias vezes trago aqui e no meu canal de YouTube de outras formas. Não há democracia no Ocidente, e o que se vende como democracia é simplesmente incompatível com a vida em sociedade, e até mesmo induvidual, já que um indivíduo não sobrevive sozinho. Mas leia o texto e entenda melhor.


A "DEMOCRACIA OCIDENTAL" FALHOU E A BRASILEIRA AFUNDOU - SEM LIDERANÇA NÃO HÁ ORDEM  


Se eu fosse dar um título acadêmico para "fazer charme de intelectual" eu iria escrever o seguinte: "Democracia e Liberdade: Valores Antagônicos e Incompatíveis". O Brasil é um caso que fundamentaria qualquer teoria sobre esta tese. No entanto, o problema é muito mais abrangente. 


A verdade é que a democracia e a liberdade são frequentemente celebradas como pilares fundamentais das sociedades modernas, frequentemente consideradas interdependentes e mutuamente complementares. Na prática não é bem assim. 


Apenas para citar exemplos fora do Brasil, na França os parlamentares são completamente desconectados do povo. "A inacessibilidade dos mandatos políticos aos operários e empregados, o desvio da atividade política rumo a uma estratégia de carreira e o nepotismo no recrutamento dos assessores parlamentares orientam os debates na direção de várias reformas possíveis", diz um artigo publicado na imprensa francesa. 


Recentemente, Vladimir Putin fez uma declaração muito impactante sobre o tema e que merece reflexão: 


"... a crescente influência do liberalismo ocidental faz a democracia ser reinterpretada como o 'governo da minoria'. Segundo Putin, essa reconfiguração resulta em uma intolerância extrema e uma postura cada vez mais agressiva."


Considerando que nos EUA o bipartidarismo debate muito mais sobre quem arrecada a maior quantia em dinheiro dos patrocinadores de campanha, há muito mais lacuna no conceito de democracia do que a poesia de que "todo direito emana do povo...". 


E por falar em "direito que emana do povo", foi com este falso argumento que a "turma do 'vai passar'" convenceu o brasileiro de que o nacionalismo que construiu o país era péssimo e a intangível democracia seria um "oásis no deserto". O resultado é que um bairro de São Paulo (Faria Lima) define o destino de mais de duzentos milhões de brasileiros.


Aquilo que o "Ocidente" chama de democracia é frequentemente norteado pelos princípios considerados fundamentais, que incluem a participação cidadã, a igualdade de voto, a liberdade de expressão e a proteção dos direitos humanos. Respire fundo e responda honestamente: temos isso? 


Na verdade, por culpa da falta de liderança e ordem (que muitos incautos chamam de ditadura) a democracia é inatingível, pois entra em conflito com os direitos de minorias e indivíduos que não respeitam a ideia de que "a maioria vence". Daí surge a armadilha do "identitarismo" que fragmenta a sociedade em minorias e as minorias em indivíduos indefinidos. 


Por isso, a lógica democrática somente seria aplicável se, considerando todos os aspectos vistos até aqui, fosse a favor da restrição de liberdades em nome do bem-estar coletivo. Com isso, o fim da liberdade imposto pela democracia também deveria ser visto como uma ditadura. Bastante filosófico, não acha?


O que temos como resultado até aqui é que na "democracia ocidental" os poderes constituídos agem como "tutores do povo" e não como "representantes do povo" e isso, essencialmente, é uma ditadura, pois esta "casta" exclui a decisão do povo. No caso do Brasil, nem mesmo o direito de questionar o sistema eleitoral ou exigir o seu aperfeiçoamento é respeitado por quem manda de verdade.


Se a democracia reduz a liberdade, como devemos entender a liberdade? O que nos ensinaram foi que a liberdade é a capacidade de agir de acordo com a própria vontade, sem interferência externa. No contexto político, isso abrange a liberdade de expressão, de associação e de credo. Outra vez pergunto: temos isso?


Se a liberdade é um valor fundamental, por garantir a autonomia individual e a diversidade de opiniões e modos de vida, a ênfase excessiva na liberdade individual (bolhas identitárias ou indivíduos oportunistas) leva à ausência de coesão social e ao desrespeito pelas normas coletivas que sustentam a vida democrática.


Agora fica mais fácil compreender que democracia e liberdade formam um problema insolúvel, pois um ameaça o outro. Esta eterna tensão entre democracia e liberdade é ilustrada em várias situações:


Decisões da Maioria x Direitos das Minorias: o princípio da maioria pode levar a decisões que marginalizam ou oprimem minorias étnicas, religiosas, etc. em nome da “vontade popular”. Nesse caso, a democracia falha em proteger a liberdade individual, à medida que o controle majoritário limita os direitos civis.


Segurança e Vigilância: em tempos de crise, como guerras ou pandemias, democraticamente eleitos podem justificar a imposição de restrições às liberdades civis em nome da segurança nacional. Leis que restringem a liberdade de movimento, expressão e reunião podem ser aprovadas sob a alegação de proteger a sociedade. 


Essa dinâmica questiona até que ponto a democracia deve sacrificar liberdades em prol da segurança coletiva. Para piorar, quem se opõe a isso acabará por ser punido, entre outras coisas, ao ser excluído socialmente e rotulado de "negacionista".


Com esta inaplicável "democracia ocidental" e na sua inatingível liberdade, os países que têm liderança e ordem acabam por ser chamados de ditaduras. Populismo e autoritarismo, por exemplo, são algumas das definições dadas para líderes que - mesmo quando eleitos democraticamente - priorizam suas políticas à “vontade do povo”. 


Contra estes países, líderes e povos, logo aparecem críticas sobre restrição à liberdade de imprensa, à autonomia judicial e à dissidência política. Essa situação traz à tona um paradoxo ocidental: a democracia pode, em sua forma mais frágil, minar as liberdades fundamentais em nome de uma pseudo-representatividade, mas quem atende demandas vistas como "vontade do povo" é demonizado.


Uma análise mais crítica nos leva a argumentar que a democracia e a liberdade só podem conviver se houver liderança e ordem. Sem isso, são incompatíveis na medida em que quando um valor é enfatizado em detrimento do outro, pode ocorrer uma derrocada das condições que sustentam ambos. 


No "Ocidente", a ênfase excessiva na democracia gerou um ambiente onde a liberdade individual é sacrificada. Enquanto isso, a liberdade excessiva resultou em uma sociedade desorganizada e caótica, onde a democracia não pode florescer e os cidadãos são órfãos em todos os aspectos, pois até mesmo a família é vista como uma ameaça à individualidade. 


A defesa de um equilíbrio entre a democracia e a liberdade requer uma liderança cuidadosa para a garantia da ordem. Por isso, somente a hierarquia que começa na família e culmina na nação pavimentam um compromisso para proteger tanto a participação cidadã quanto os direitos individuais. Chamar isso de "ditadura" é negar a própria existência como ser social.


Portanto, a reflexão crítica sobre os evidentes antagonismos entre os propalados "valores democráticos" é vital para a construção de um ambiente social estruturado e organizado. Liderança e ordem são, nesse sentido, indispensáveis para que direitos e deveres sejam respeitados e vistos como o alicerce das garantias individuais e coletivas.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Alemanha volta a cometer erros em série

Resultados interessantes revelados por esta pesquisa solicitada pela Shell. Sim interessantes, porque mostram uma Alemanha em mudanças rápidas e cada vez mais acentuadas, dando lugar a novos horizontes ao futuro do país da Europa Central. Vamos fazer algumas considerações a respeito.

Os medos de guerra e pobreza se sobrepõem ao medo das mudanças climáticas. Isso mostra que, apesar de toda uma engenharia social elaborada para fazer do alemão um enorme e  eterno "pecador e penitente", eles ainda são seres humanos, e mostram mais medo de situações mais concretas e próximas do que de situações relativamente hipoteticas. E isso não nega mudanças climáticas no planeta, que podem levar a alterações significativas nas relações humanas, mas apenas que elas ainda estão no campo do imaginário, e não conseguiram alcançar a conexão com os homens que a guerra e a pobreza têm. 

O maior interesse por política também é um reflexo desses novos tempos. Décadas de desenvolvimento e relativa segurança fez com que ao menos 2 gerações de alemães se preocupassem mais com as coisas cotidianas individuais do que efetivamente com grandezas coletivas mais etéreas. A deterioração de suas condições de vida que já se fazem sentir, e a ameaça premente de aceleração e aplicação dessa deterioração, além da percepção de que isso se dá pela condução equivocada das políticas públicas - aquelas grandezas coletivas mais etéreas - faz com que aqueles que ainda precisa fazer suas vidas se interessem mais pela política, já que é através dela que as grandezas etéreas são construídas ou destruídas. 

A questão crucial é como esse interesse irá se desenvolver? No inicio do Séc XX não deu muito certo. Se por um lado as condições materiais dos alemães melhoraram consideravelmente em pouco tempo, por outro eles voltaram a se enterrar num ciclo de violência e sofrimento. 

As condições agora não são iguais, os atores também não, esperamos que não se entreguem à mesma solução. Sim, os atores cascudos da política alemã parecem querer se entregar alegremente às mesmas soluções desastrosas que espalharam dor e sofrimemto para milhões e milhões de pessoas pelo mundo, mas há oposição, que parece buscar soluções diferentes e mais racionais.

Com a palavra os alemães: qual caminho eles escolherão?



🇩🇪🇪🇺 O medo da guerra aumentou significativamente entre os jovens na Alemanha. É o que revela o novo o 19° estudo quinquenal da Shell sobre a Juventude alemã. No entanto, a maioria dos inquiridos está confiante quanto ao seu futuro pessoal. 

Uma clara maioria dos jovens na Alemanha tem medo da guerra na Europa. Esta é a maior preocupação para cerca de 81 por cento dos inquiridos - em comparação com 46 por cento em 2019 - com o medo da pobreza em segundo lugar, com 67 por cento (2019: 52 por cento). 

A preocupação com a poluição ambiental (anteriormente 71%) e o medo da crescente hostilidade entre as pessoas (anteriormente 56%) partilham o terceiro lugar com 64% cada. 

Também aumentou o interesse pela política. 55 por cento dizem-se “interessados” ou “muito interessados” pela política. Estes números não se viam desde 1991.

2.509 jovens entre os 12 e os 25 anos foram questionados sobre as suas atitudes em relação a vários tópicos - incluindo família, amigos, política e conflitos actuais no mundo - de acordo com a empresa de energia Shell, que encomendou o estudo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

O neoliberalismo não morreu, ele avançou

O texto abaixo foi compartilhado por Wellington Calasans no twitter (X), e merece uma leitura muito atenta. O mais interessante no processo foi a cessão de seus poderes ao Judiciário, por parte de Legislativo e Executivo.

O fenômeno ficou muito nítido no Brasil pós-redemocratização, quando virou praxe a recorrência de atores políticos - notadamente partidos e operadores galonados da antiga arte- em recorrerem às instâncias judiciais quando tinham suas demandas vencidas nas arenas efetivamente políticas. Aos poucos a Justiça passou a decidir absolutamente tudo, indo da venda de pipocas à divisão de terras e relações internacionais 

Mas esse fenômeno não se deu apenas devido a transferência dos poderes executivos e legislativos ao Judiciário, mas ele se dá acompanhado de uma total insuficiência intelectual e moral dos atuais políticos, de distorções no processo democrático, e na própria constituição dos poderes, onde o Legislativo se sobrepõe ao Executivo, e o Judiciário se sobrepõe aos dois anteriores. 

Sim, esse processo se dá através de recursos pouco republicanos, mas quem disse que a "democracia" liberal burguesa é republicana? Como o próprio nome diz, ela é burguesa, e desde seu estabelecimento no Ocidente ela vem trabalhando para alijar o povo das decisões políticas, ainda que para isso utilize desculpas nobres e morais, como o combate à corrupção, ou a "tentativa" de se fechar um regime, que no fundo já está fechado.

Mas por quê é necessário transferir o controle do poder ao Judiciário, se já havia controle dos outros poderes?

A resposta é simples e dupla. Primeiro há menos pessoas envolvidas num processo de decisão judiciária, e isso facilita o controle.

Segundo é que as principais decisões se concentram nas mãos de um grupo fechado e imune aos anseios populares, já que não dependem do povo para obter ou manter seus poderes.

E todo esse processo não significa abrir mão da utilização de processos antigos de controle social do Estado. Partidos, Mídia, Ensino, enfim, todas as instituições relevantes à manutenção do status quo se mantém, mas agora com a legitimização de decisões, ou com a transferência de decisões polêmicas a uma esfera imune às críticas.

Sim, o nível, cada eleição mais baixo, de nossos ilustres atores políticos é uma consequência, mas também um projeto. A desconexão deles com os verdadeiros anseios populares também. 

E se você pensa que estamos no fundo do poço,  esqueça, esse poço é ainda mais fundo.



DITADURA NEOLIBERAL - OS PRETEXTOS PARA A INVASÃO DA JUSTIÇA NA POLÍTICA, DOMÍNIO TOTAL E O FIM DAS LIBERDADES 


A teoria constitucional da separação de poderes, característica que é motivo de orgulho entre os "civilizados", está sob ameaça em todos os países autoproclamados "democráticos". 

Nas últimas décadas, há uma visível evolução e aperfeiçoamento da invasão da justiça na política e a redução da importância dos poderes eleitos através do voto. Uma nítida redução da soberania popular.  

A operação Mãos Limpas, que aconteceu nos anos 1990 na Itália, por exemplo, inspirou a Lava Jato que permitiu a um então juiz (medíocre) de Primeira Instância como Sérgio Moro, poderes de um imperador. Nos dois casos, houve o enfraquecimento do Estado como consequência.

O conceito de poder e política, além da abordagem doutrinária e sobre o tema, está cada vez mais obsoleto. Isto decorre da inaplicabilidade prática ou distorções permanentes das normas derivadas da separação de poderes, implodindo assim as relações institucionais entre os entes públicos. 

Nos países "civilizados" há um perigoso e crescente modelo de ativismo judicial, muitas vezes apresentado pela imprensa como "combate à corrupção" ou "combate ao fascismo". Na prática é apenas uma maquiagem para a "ditadura togada".

Isso ajuda a explicar o surgimento de uma "extrema-direita" (pausa para rir) completamente domesticada e que cumpre o papel de espantalho na estratégia neoliberal de reduzir a zero as decisões soberanas do povo. 

Enquanto isso, uma agenda econômica que amplia a concentração da riqueza é imposta goela abaixo dos cidadãos. No debate, pautas impostas pela (anti)cultura woke.

O especial destaque dado aos supostos aspectos positivos desta "ditadura dos togados" é um projeto. Na verdade, quando agentes da justiça, não eleitos pelo povo, assumem o executivo e o legislativo, os destaques são todos negativos, pois provocam reflexos nefastos à sociedade contemporânea. 

O chamado Estado democrático de direito, sua concepção e o desenvolvimento histórico da teoria da separação de poderes, são vilipendiados todos os dias. 

É cada vez menos relevante a importância dada à separação dos poderes na organização e funcionamento do Estado contemporâneo, incluindo críticas ao sistema e à judicialização na sociedade moderna. Assim, não é exagero afirmar que as "democracias ocidentais" são apenas teóricas.

 O fenômeno do ativismo judicial e sua relação com a autocontenção, deve ser investigado com preocupação em decorrência das suas implicações político-sociais. 

Sem a separação de poderes, o ativismo judicial e seus desdobramentos impõem a necessidade de ser estabelecido um novo caminho para que seja garantido o equilíbrio e preservação daquilo que é chamado de democracia e o Estado de Direito. 

O Funcionamento do Estado está ameaçado. O Estado tem sido esfacelado por modelos liberal, social e subsidiário, que produzem intermináveis conflitos e promovem o fim do bem-estar social. 

Há em curso um modelo intervencionista. A ideia da existência dos três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) que - em tese - exercem funções distintas, não se sustenta mais. 

O ideal de que os poderes - mesmo que separados - fortalecessem um poder desejado que fosse uno e indivisível, o tal do "poder que emana do povo", é um ideal incompatível com a necessidade neoliberal da redução do poder de decisão dos cidadãos. 

Parlamentarismo e Presidencialismo acabam reduzidos ao mesmo princípio: ambos são liderados pelo judiciário. Isso não é liberdade, isso não é "democracia". 

Desta maneira , as funções do Judiciário ultrapassam em muito o julgamento de demandas sociais, interpretação constitucional e criação de regimentos internos. 

A intervenção da justiça tem ultrapassado os casos de "estado de coisas inconstitucional" e análise concentrada da constitucionalidade de leis. 

Este atual poder de "imperador" do Sistema Judiciário é potencializado pelos "espantalhos da extrema-direita" e por uma predominante mediocridade na representatividade democrática, que nivela por baixo os grupos políticos.

A judicialização das relações político-sociais é um fenômeno mundial onde o Judiciário resolve questões sociais, morais e políticas estrategicamente não resolvidas pelos demais poderes.

A consequência é a resolução de questões públicas e privadas pelo Judiciário, incluindo temas como constituição familiar e educação infantil. Daí a predominante adaptação das leis às demandas da (anti)cultura woke, um artifício do neoliberalismo para o enfraquecimento da família e todas as grandes concentrações de forças populares. 

O fenômeno da judicialização decorre da falta de opções legislativas ou executivas, que nasce nas prévias dos partidos, colocando o juiz para desempenhar um papel central na resolução de questões sociais. É o ativismo neoliberal pala via judicial.

O ativismo neoliberal envolve uma participação mais ampla e intensa do judiciário na concretização dos valores e fins constitucionais, interferindo no espaço de atuação dos outros poderes. 

Com isso, distorce a interpretação da lei, levando a uma ruptura na estrutura de poderes e à criação de novos textos legais sem emenda constitucional. É a ditadura perfumada e vestida de toga.

É fundamental questionar a legitimidade e os limites do poder judiciário para garantir uma maior limitação ao poder estatal e devolvê-lo ao povo. As liberdades estão ameaçadas. 

NA IMPRENSA ALTERNATIVA

🇩🇪 O povo alemão tem fama de documentar tudo, até mesmo coisas que não deveriam ser documentadas. 

📝 O dramaturgo americano CJ Hopkins enfrenta acusações na Alemanha por "disseminação de propaganda" devido a uma imagem em sua obra "The Rise of the New Normal Reich". 

⚖️ Hopkins foi a julgamento e foi absolvido, mas o promotor entrou com recurso, levando o caso a uma nova instância. 

🤔 O argumento da acusação baseia-se numa interpretação bizarra de crime de ódio, sugerindo que se uma imagem requer reflexão para ser compreendida como sátira, então não pode ser permitida. 

🌍 Hopkins destaca que o fenômeno da censura está se espalhando por diversas "democracias ocidentais", não se limitando aos Estados Unidos. 

🗞️ O caso de Hopkins recebeu cobertura limitada da mídia tradicional, mas teve destaque em veículos de mídia alternativa. 

🎭 O autor ressalta a ampla abrangência dessas questões, citando exemplos como a polícia escocesa sendo instruída a reprimir discursos de ódio até mesmo em performances cômicas e peças teatrais. 

🚫 Hopkins alerta para a necessidade de conscientização sobre o fato de que as antigas regras não se aplicam mais diante dessas crescentes ameaças à liberdade de expressão. 

NOTA DESTE OBSERVADOR DISTANTE 

O neoliberalismo domina a justiça e, através dela, transfere para as mãos de poucos o Estado que esses mesmos neoliberais fingem combater. 

A (anti)cultura woke é o entretenimento, mas também é a "sutileza" (cuidado com as sutilezas!) para a aplicação social do "dividir para governar". 

Por isso, enquanto pautas identitárias são debatidas, a economia sai do debate e morrem as suadas conquistas das gerações anteriores. 

A invasão da justiça na política é o fim da "democracia ocidental", pois é uma ditadura em si mesma.