segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Putin interrope negociações com EUA

Pessoal, um desenvolvimento no conflito no Leste Europeu indica não apenas o prolongamento das hostilidades, mas também a perda de paciência por parte dos russos em negociações absolutamente infrutíferas e que nitidamente buscavam apenas tentar impor uma derrota a quem está vencendo. Sim, após reunião com seu Conselho de Segurança, o líder russo decretou o fim das negociações. Três são os motivos principais para isso:

1- A tentativa insistente do Ocidente em usar fundos russos congelados para a reconstrução da Ucrânia.

2- A tentativa insistente de impor um cessar-fogo, mesmo que disfarçado, para que a Ucrânia seja rearmada e treinada para o retorno do conflito.

3- A tentativa mal disfarçada de incluir a Ucrânia na OTAN, através de uma garantia de segurança inspirada no art. 5 da organização militar.

Outro ponto, e que não foi mencionado até o momento para a decisão, é que o EUA, que sob a liderança trumpista tenta posar de neutro e parte não beligerante no conflito, não apenas participa ativamente nas ações, com o fornecimento de armas, logística, estratégia e inteligência, como foi o mentor e maior instigador das hostilidades no Leste Europeu.

Além do fim das negociações, Putin também usará o exclave de Kaliningrado para posicionar armas nucleares, provavelmente em Oreshniks, que ameaçarão a Europa ainda mais de perto.

Mas isso não quer dizer que não se chegue a um acordo negociado para o conflito, e basta que os Ocidentais cheguem com uma proposta que contemple plenamente as condições mínimas russas. Só que isso ainda está um pouco longe de acontecer, afinal, é até o último ucraniano.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Maduro extraído. O Imperio contra-ataca?

Pessoal, a extração de Maduro, que nada mais é do que um sequestro, orquestrada e executada pelos EUA na noite do dia 2 de janeiro levou o mundo a um novo nível de estresse. Se os pactos, chamados se "legislação internacional", já vinham sendo sistematicamente ignorados, a ação absurdamente sem regras internacionalmente aceitas acabou de vez com qualquer esperança de uma normalização nas relações entre Estados que pudesse ser esperada no curto prazo, e isso já repercute não apenas na Venezuela, mas também em outras regiões tensas e conflagradas do Globo. Falaremos disso em outra oportunidade, e agora mostraremos as inconsistências dos atos na Venezuela. 

1- Um país que está há meses em estado de alerta máximo, esperando uma invasão, ou uma ação do tipo executada a qualquer momento foi pego desprevenido e não esboçou nenhuma resistência.

2- O país talvez não resistisse a longa e forte pressão estadunidense de invasão, mas tinha totais condições de rechaçar e prender boa parte das tropas usadas na ação do dia 2 de janeiro e causar sérios danos aos que escapassem.

3 - As falhas apontadas nos 2 primeiros pontos indicam traição interna, ou acordo de cúpula. Militares estão envolvidos, a questão é saber quem mais está?

4 - A reação já começou. Delcy Rodríguez, Vicepresidente de Maduro, assumiu o poder com apoio da Corte Constitucional. Seguramente tem apoio de boa parte das FFAA, e também da população.

5 - Delcy Rodríguez acionou uma série de dispositivos pré-arranjados, e que garantem sua administração, driblam o dólar, impedem a extração de petróleo sem o consentimento de técnicos venezuelanos, além de acionar os 4,5 milhões de milicianos que defenderão a soberania do país.

Com este quadro, antes de tudo precisarmos aguardar para ver até que ponto a estrutura venezuelana governista está comprometida. Parte dos militares está, mas quem mais?

De cara podemos dizer que Trump terá muita dificuldade de implantar seu governo fantoche em Caracas, se é que conseguirá. A Venezuela não é a Síria, Líbia, ou outro país fragmentado. A cisão entre povo e classe dominante não é cisão suficiente para garantir um controle do país, mesmo com apoio bélico estrangeiro.

A tendência é que os Venezuelanos consigam retomar o controle total do país, mas não dá para descartar um aumento nas tensões, ou mesmo uma guerra civil, que poderá acabar de vez com o governo Trump, e com qualquer aumento de popularidade que sua ação circense possa parecer ter dado.

Como eu disse, China, Rússia e Irã não podem deixar a Venezuela cair. Eles já deram ajuda e condições para impedir uma ação como a orquestrada, mas não podem impedir uma traição ou acordo que impeça o uso das facilidades de defesa fornecidas. Eles seguirão apoiando o novo governo venezuelano, já o fizeram fortemente em duras ações e declarações diplomáticas, e voltarão a apoiar a resistência que se forme, inclusive belicamente. Como os próprios Ocidentais fazem na Ucrânia ou Taiwan.

A ação da Secretaria da Guerra de Trump foi espetaculosa, foi midiática, foi ao estilo Hollywoodiano. Momentaneamente ela pode dar fôlego a seu contestado governo, mas de nenhuma forma ela parece ser definitiva, e ainda pode se voltar contra o próprio Trump, caso a pior possibilidade de longo confronto com participação estadunidense se concretize. Uma derrota de suas intenções nos ricos campos de petróleo da Venezuela, e/ou a chegada de sacos pretos com soldados caídos podem colocar o prestígio que lhe resta na sarjeta da política de Washington. Até porque tradicionais aliados do EUA, como Reino Unido, Alemanha e França, já se posicionaram contra as ações do Gigante das Américas. Isso sem falar do chamado Sul Global 

E a Venezuela? 

Ela é o proxi, o peão da História. Ela pode acelerar muito a queda do Império, mas não pode revertê-la.