quinta-feira, 20 de abril de 2017

O tamanho da crise

Se você ainda não tinha noção do alcance da crise no país, agora você pode ter. Os números abaixo são inequívocos, e dão clara noção do tamanho do problema brasileiro, causado pela preparação do golpe, e agora pela aplicação da política econômica golpista.

Vejam bem, em nenhum tempo ou lugar da história humana, a economia cresceu com a implantação de políticas recessivas. E essas políticas aplicadas pelos golpistas são todas absurdamente recessivas.

Explicando o que falo. O juros "reais" de uma nação, é uma relação entre os juros básicos pagos pelo governo, e a inflação projetada no mesmo período, que é normalmente de um ano. Dessa forma, na grande maioria dos países envolvidos na crise mundial, no momento essa relação incorre em juros negativos, ou muito próximos a zero. No Brasil essa relação significa um juro real próximo a 11% ao ano (14,5% de juros, menos 3,5% de inflação projetada, dados de 2 meses atrás).

Se tomamos esse dado e admitimos que o investimento tem a intenção do lucro, e a taxa média de retorno no investimento produtivo é em torno de 10%, sendo que isso cai drasticamente numa crise como a nossa, aí vemos que, em termos de retorno do capital investido, é muito melhor aplicar no mercado financeiro, que no produtivo.

Com os cortes nos serviços públicos, resta à população - aqueles que podem pagar - buscar serviços particulares, que por sua vez costumam ser cercados de isenções fiscais, como forma de incentivo, barateamento e aumento de lucros. Mais do que os serviços em si, os lucros dessas empresas também costumam ter isenções fiscais, além de outras formas de incentivos. Atrelado aos benefícios acima, ainda costumamos ter fortes ataques a direitos trabalhistas e salários, de forma a aumentar a lucratividade das empresas. 

Tudo isso impacta diretamente no dinheiro circulante, no consumo, no bem-estar das pessoas e negativamente no desenvolvimento econômico.

Mas aqui caímos na primeira contradição desse sistema. A geração espontânea em algo tocado pelo homem não existe, ainda mais quando nos referimos a dinheiro. Assim, dinheiro não gera dinheiro, se no meio não houver produção, que agregue valor a essa equação.

A segunda contradição foi magistralmente bem expressa nas palavras da jornalista Thaís Herédia, que disse que a recessão e inflação aumentam o poder de compra dos brasileiros. Gostaria realmente que alguém consiga me dar uma explicação convincente disso.

A terceira contradição é a esperança de que o mercado irá atender às necessidades da população. Ora, o mercado é destinado ao lucro e a acumulação. Nesse sentido ele irá atender apenas às necessidades daqueles que puderem pagar por elas. Todos os demais estarão irremediavelmente fora desse sistema. Para culminar, como ele busca a acumulação, acaba por entravar a distribuição e a circulação de riquezas, entravando o sistema como em todo.

Agora gostaria que alguém me explique como a restrição da circulação de riquezas, políticas recessivas, e o não interesse de atender às necessidades da população vão fazer com que a economia cresça, com que a riqueza se distribua e circule, e a população tenha suas necessidades satisfeitas?

E por favor, não venha com a explicação de Rodrigo Constantino, que disse "eu acredito". Isso não é explicação, mas esoterismo.

Digo sempre que o Capitalismo é autofágico, e carrega em si o germe de sua autodestruição. Seus ideólogos souberam criar formas de mitigar, ou mesmo adiar esse fim.

O neoliberalismo é a mais radical expressão de sua contradição interna, e a mais rápida forma de se chegar ao fim do período capitalista por se auto-exaurir. O Brasil conseguiu exponenciar esse processo, ao radicalizar medidas adotadas em outros países (todos em crise e revendo essas medidas) e ainda aplicando (ou tentando aplicar) todo o leque de uma só vez.

Sabe quando isso vai entregar o resultado que eles prometem?

Nunca.

Lava Jato e golpe produziram o maior desastre econômico da história brasileira

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O IBGE divulgou hoje a sua pesquisa nacional de serviços. O resultado é uma tragédia.
O setor de serviços responde hoje a aproximadamente 65% do Produto Interno Bruto. Em termos de geração de empregos, sua participação é ainda maior.
Em janeiro de 2017, o setor de serviços experimentou uma forte retração, uma das maiores já registradas no histórico do IBGE.
Alguns setores, como o de “serviços técnico-profissionais”, que inclui o trabalho de advogados, consultores, publicitários, jornalistas, tradutores, registrou uma queda de proporções bíblicas: 17%, no indicador com ajuste sazonal.
O setor de turismo, que usa intensivamente mão-de-obra, também caiu barbaramente: 11% em janeiro.
A Lava Jato e o golpe produziram o maior desastre econômico da história do Brasil.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

A população vai perdendo a paciência

Ontem tivemos uma invasão parcial na Câmara dos Deputados, por parte de policiais, que protestavam contra a reforma da Previdência. Vidros quebrados, brigas, gás lacrimogêneo, detenções temporárias, etc, somente para tentar entregar uma carga (de acordo com a liderança dos manifestantes). Eles não chegaram ao plenário da Câmara. Tudo isso enquanto Rodrigo Maia, no plenário, tentava acelerar o processo de destruição da CLT, mais uma vez mostrando que não tem palavra.

Roberto Requião, em pronunciamento no Senado e outros meios, já avisou dos riscos de convulsão social no país. Alguns outros políticos também já tocaram no assunto. Tumultos no Rio de Janeiro, Espírito Santo, uma série de estados quebrados, a invasão de ontem, a reação que se organiza contra o golpe e suas políticas antidemocráticas e impopulares, o descontentamento cada vez maior da população, primeiro pelas promessas não cumpridas de recuperação econômica, segundo pelo descumprimento de promessas de melhorias nos serviços públicos, e terceiro pela busca em destruir o arcabouço jurídico, que dá alguma dignidade a essa população. Essas ações, em sentido oposto ao prometido por golpistas e mídia, vêm fazendo com que uma parte considerável da população, que até pouco tempo apoiava a mazela do golpe discretamente incentivada pelas mentiras e distorções midiáticas, esteja agora acordando para a nova situação do país. Não há como mentir a falta de comida na mesa, a falta de emprego e a queda absurda promovida nos salários.

Com isso tudo há um sério e real risco de  convulsão social generalizada no país, se não já, em futuro não muito distante.

Existem 3 saídas para essa situação. A primeira, e mais fácil para os golpistas, é parar com os ataques aos direitos previdenciários e trabalhistas, e iniciar políticas que efetivamente garantam a retomada do crescimento. A segunda é um pouco mais trabalhosa, mas melhor para a democracia, e implica num amplo debate e na consulta popular sobre essas questões. A terceira é a saída mais correta, e seria a renúncia de Temer e dos presidentes das duas casas legislativas, com as eleições de atores mais moderados para os cargos, como forma de conduzir uma transição mais tranquila até 2018, quando o povo novamente terá a chance de decidir seu futuro nas urnas. E que quem seja eleito em 2018 cumpra sua plataforma de governo.

Outras saídas existem, mas demandariam mudanças em Leis e até na Constituição. As Três acima necessitam apenas de bom senso e vontade política.


terça-feira, 18 de abril de 2017

Brasil precisa voltar a ser Nação

Excelente a entrevista com um dos fundadores do PSDB e ex-ministro dos governos Itamar Franco e FHC, Luiz Carlos Bresser Pereira. Nela fica clara a grande decepção do velho professor e político, não apenas com a situação atual do país, governado por golpistas de amplo espectro, mas também com o partido que ajudou a fundar, com a destruição total de um projeto de nação do Brasil, e da subserviência e entreguismo que tomaram conta da administração brasileira.

Urge que o Brasil volte a pensar num projeto de desenvolvimento, e que a população convirja em torno desse projeto. 

Os países que  conseguem enfrentar a crise neoliberal com o mínimo de perdas, e alguns até mesmo reagindo, são exatamente aqueles que empoderam o Estado, justamente para intervir na economia, que tratam suas finanças públicas de forma responsável e visando o crescimento da nação, e não o enriquecimento sem esforço de pequena parte dela, que distribuem renda como forma de garantir o próprio progresso econômico, que buscam dar bem-estar a seus cidadãos, não pelas vontades suspeitas e abstratas do livre mercado, mas pelas necessidades reais de seus cidadãos.

Muito boa a entrevista do Professor Bresser Pereira. Lúcida, direta, sem se desviar de sua visão de futuro de Nação e posição para o Brasil. Muito diferente de certas pessoas, que não enchergam os milhões que o rejeitam, tentando transformá-los numa minoria de "poucas dezenas", que errou em tudo o que fez até agora, mas acredita que foram acertos maravilhosos. 

Na verdade foram erros tão graves e profundos, que se nada for feito em contrário, o Brasil avançará ainda mais no lodaçal da depressão econômica, e permanecerá estagnado durante anos. Se levarmos em conta que o crescimento real da economia é uma relação entre a capacidade de gerar empregos, e a necessidade de se absorver mão-de-obra ociosa e aquela que chega no mercado de trabalho, a crise econômica brasileira levará muitos anos aterrorizando a vida de seus cidadãos.

Se nada for feito em contrário.

Bresser-Pereira: PSDB é um partido golpista, da direita e absolutamente antinacional

Para economista, "5% do PIB é roubado do patrimônio público e entregue a rentistas", mas governo Temer elegeu o povo e os trabalhadores como "privilegiados" e alvo das reformas
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 10/04/2017 17h49, última modificação 10/04/2017 17h51
REPRODUÇÃO/YOUTUBE
Bresser-Pereira
Para economista, país passa por crise "construída pelo liberalismo econômico sem ideia de nação"
São Paulo – “O Brasil não tem uma ideia de nação desde os anos 1990, desde o governo Collor o Brasil se entregou aos interesses, ideias e ao comando estrangeiro, ao liberalismo econômico, que é dominante no Brasil desde então”, diz o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira.
Pensando nisso, ele está redigindo um manifesto intitulado Projeto Brasil Nação, que pretende divulgar no fim do mês.  Nele, “conclama-se os brasileiros a voltarem a se unir em torno da ideia de nação e em torno de um programa econômico viável, responsável, do ponto de vista fiscal e cambial”, afirma.
Projetando as eleições de 2018, Bresser-Pereira acredita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o líder capaz de fazer compromissos e entendimentos “e voltar a transformar essa sociedade, não digo numa grande nação, mas pelo menos num país que volte a se repensar, com menos ódio e com mais ideia de cooperação e colaboração entre todos”.
Fundador do PSDB, ex-ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o economista acredita que a legenda tucana “é o verdadeiro sucessor da UDN no Brasil, e portanto é um partido golpista”.  “O PMDB não é nada, não é um partido. É um conjunto de pessoas, algumas até muito boas, e outras péssimas. Já o PSDB é um partido, como o PT, mas é um partido da direita e da direita absolutamente antinacional e dependente”, diz, em entrevista à RBA.
No final de 2015 o senhor disse que o Brasil tem dois grandes problemas, a “alta preferência pelo consumo imediato” e a perda da “ideia de nação”. Depois do golpe, a ideia de nação se perdeu definitivamente?
Veja, o Brasil não tem uma ideia de nação desde os anos 1990, desde o governo Collor o Brasil se entregou aos interesses, ideias e ao comando estrangeiro, ao liberalismo econômico, que é dominante no Brasil desde então, e liberalismo significa dependência, para nós. Houve nos governos Lula e Dilma uma certa retomada da ideia de nação. Nada muito forte, mas houve um esforço nessa direção. De repente vem o golpe, um golpe ultraliberal, absolutamente contrário à ideia de nação e que agravou profundamente a crise em que nós já estávamos, uma crise provocada por esse liberalismo.
O Brasil está dominado pelo liberalismo econômico desde 1990. Desde aquela época foi feita uma série de reformas que mudaram o regime de política econômica, de um regime desenvolvimentista para um regime liberal, que é inviável no país. De forma que o Brasil vai de mal a pior.
Qual sua avaliação do atual cenário e da conjuntura econômica, do futuro no curto e médio prazo?
Tivemos uma crise que se desencadeia no final de 2014 e que, se fosse contra-atacada com uma política expansiva, feita por um ministro competente, keynesiano, talvez o Brasil estivesse fora dela há bastante tempo. Mas não. Foi ainda a Dilma que chamou o Joaquim Levy e ele adotou uma política que afinal agravou a recessão substancialmente. Veio o Nelson Barbosa e tentou consertar a coisa dizendo: “Não, nós não podemos reduzir investimentos, podemos reduzir despesa corrente, mas em hipótese alguma investimento. Pelo contrário, devemos expandir”.
Foi o que eu também estava dizendo nesse momento, depois de equivocadamente ter apoiado a Dilma no comecinho da segunda gestão dela. Mas veio o golpe e outra vez veio o liberalismo econômico mais radical, a ortodoxia. O câmbio tinha ido para o lugar certo. Eu estava contando com isso para as empresas retomarem os investimentos, tornarem-se competitivas e a economia voltar a crescer. Não aconteceu, o câmbio voltou a se apreciar. Nós já estamos com o câmbio substancialmente apreciado, o consumo só diminui, com esse imenso desemprego. Estamos com mais de 13 milhões de desempregados. Realmente a crise se aprofundou. E é uma crise construída pelo liberalismo econômico, sem ideia de nação.
Se o dólar ideal seria em torno de R$ 3,80, segundo o senhor já disse, estamos muito longe disso...
Dada a inflação que houve aqui no Brasil e lá fora, o dólar que tornaria as empresas competitivas está próximo hoje de quatro reais. Estamos muito longe. Esse é o mal fundamental do Brasil, a irresponsabilidade cambial. Há um outro mal, e aí a esquerda também é useira e vezeira em praticá-lo, que é a irresponsabilidade fiscal. A Dilma foi a última experiência de irresponsabilidade fiscal. Agora, a irresponsabilidade cambial é principalmente da direita, dos liberais. Eles acham que ter déficit em conta corrente é bom porque seria poupança externa, que se transformaria em investimento.  É poupança externa, porque realmente ficamos devendo aos outros, mas essa poupança externa não é para financiar investimento, é para financiar consumo.
Apesar dos erros da Dilma que o senhor mencionou, considerando que a derrubada do governo foi, no mínimo, incentivada  por interesses internacionais, era possível ter evitado o golpe?
Sem dúvida que podia ter sido evitado. Foi uma decisão lamentável do Congresso, foi uma manobra de um grupo de oportunistas do PMDB, na qual o PSDB embarcou docemente, demonstrando que é um partido liberal, o verdadeiro sucessor da UDN no Brasil, e que portanto é um partido golpista como era a UDN. Que o PMDB seja golpista... O PMDB não é nada, não é um partido. É um conjunto de pessoas, algumas até muito boas, e outras péssimas. Já o PSDB é um partido, como o PT, mas é um partido da direita e da direita absolutamente antinacional e dependente. Isso ficou demonstrado quando eles se associaram ao golpe, que não os adiantou em nada.
Uma coisa muito curiosa é o seguinte: agora já começam a discutir quem serão os candidatos na próxima eleição. A Cristina Fernandes, do Valor, relatou uma festa na coluna dela em que os milionários do Brasil estavam lá reunidos, e mais os políticos de direita, e então conversava-se sobre quem seria o novo presidente. Quem enfrentaria o mal maior, que é o Lula? E chegaram à conclusão que era o (João) Doria, que é uma coisa quase ridícula.
O que aconteceu no Brasil, um pouco por culpa da Dilma e muito por culpa de uma direita ressentida, é que uma classe média de direita ressentida não se sentiu apoiada pelo governo; os ricos ficavam mais ricos, os pobres eram apoiados pelo governo e essa classe média ficava solta no ar. E aí houve uma  radicalização muito violenta na sociedade brasileira, e passou a haver no Brasil uma coisa que nunca tinha visto, que foi o ódio. Estamos nessa situação, semelhante, aliás, à triste situação em que estão os Estados Unidos também, completamente divididos. Não há nada pior para uma sociedade do que isso. Mas vamos ter eleição em 2018...
Se é que vai ter...
Vai ter. E o Lula possivelmente vai ser candidato. Não creio que eles consigam impedir que ele seja candidato. Digamos que o outro seja o Doria. Quem desses candidatos tem capacidade de reunir a sociedade brasileira? Quem tem capacidade de fazer os compromissos, entendimentos etc., e voltar a transformar essa sociedade, não digo numa grande nação, mas pelo menos num país que volta a se repensar, com menos ódio e com mais ideia de cooperação e colaboração entre todos? Certamente não é um Doria. E a meu ver, o Lula tem todas as condições para isso.
O Paulo Sérgio Pinheiro me enviou um manifesto que foi assinado em 1989 por um conjunto de intelectuais que não eram de partido e apoiavam o Lula, com essa ideia, de o Lula poder representar uma união nacional. Isso pode ser o destino dos grandes líderes. O Lula é um grande líder, não há dúvida. Vamos ver.
O Temer está introduzindo algumas reformas extremamente perversas, como a da Previdência. Diante da retirada de direitos e da enorme impopularidade, esse governo resiste até o fim?
Não nos termos em que foi colocada, mas acho que uma reforma da Previdência é necessária. É preciso fazer alguma coisa nessa direção. É preciso estabelecer uma idade de aposentadoria mais alta, é impossível se manter no Brasil pessoas se aposentando tão cedo. E é preciso igualizar o sistema público ao privado. Na minha opinião, há três grupos privilegiados no Brasil: o grupo dos rentistas, que vivem de juros e recebem quase 7% do PIB, quando deviam receber no máximo 2%. Tem 4%, 5% do PIB, uma barbaridade de dinheiro, que é roubado do patrimônio público e entregue a rentistas e financistas. O segundo grupo é o dos altos burocratas, que têm salários altos demais e aposentadorias excessivas. E o terceiro é o grupo dos interesses estrangeiros, porque tudo é feito aqui no Brasil em função dos interesses estrangeiros, e vamos nos  transformando aos poucos em meros empregados dos países ricos.
Agora, o governo que está aí é uma maravilha de governo, porque há um quarto grupo de privilegiados e esse é o objeto fundamental: é o povão, os pobres, os trabalhadores. Esses é que são os privilegiados, segundo o governo e segundo o PSDB. Segundo os liberais.
A questão da Petrobras, a entrega do pré-sal é simbólico disso?
Queremos ter déficit em conta corrente, porque achamos que isso é bom, lá no norte nos ensinam que é bom. Em Nova York, em Washington, em Londres e Paris eles dizem: “vocês precisam ter déficit em conta corrente porque isso permite que nós os ajudemos financiando vocês”. Nós acreditamos nisso, consumimos muito, ficamos devendo muito, não investimos, e aí precisamos começar e vender tudo o que temos. Já que não produzimos, a gente vai vendendo o que tem. É isso que estamos fazendo no Brasil há muito tempo.
O que dizer às pessoas hoje desiludidas, de várias gerações, que passaram a acreditar que o país podia ser autônomo, ter soberania, mas outra vez sofreu um golpe?
Não há nada mais importante do que isso. Devemos lançar até o final do mês um manifesto que chamo de Projeto Brasil Nação, e espero que seja seriamente lido, estudado e apoiado pelas pessoas, porque conclama-se os brasileiros a voltarem a se unir em torno da ideia de nação e em torno de um programa econômico viável, responsável, do ponto de vista fiscal e cambial.
As pessoas no Brasil estão se sentindo sem rumo. Vamos tentar nesse manifesto apontar um rumo. Não é nenhuma tábua de salvação, nenhuma solução mágica, mas é um programa mínimo, básico, na área econômica, em alguns valores fundamentais, que ou uma nação os partilha, ou não. Eu estava falando que era preciso refundar a nação, e minha filha me disse: “não, pai, a nação brasileira já foi fundada em 1822”. Eu falei: formalmente sim. Um grande ensaísta e filósofo francês, Ernest Renan, que no século 19 fez uma maravilhosa conferência sobre o que é uma nação, dizia que nação é um desafio e um projeto que a gente renova todos os dias. A nação você refunda todos os dias. A nossa nação se enfraqueceu muito a partir de 1990, a partir da crise da dívida externa e da crise do Plano Cruzado, e precisamos recuperá-la. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A base golpista luta sobre os escombros

A briga intestina que se inicia no cerne dos golpistas dá bem o tom do que vem acontecendo no país, pois após derrubarem o governo legitimamente eleito de Dilma Roussef, passaram a apresentar pautas absurdas contra a população mais pobre, e a classe média baixa, que deverão pagar pelos rombos que os próprios golpistas promoveram.

Mas isso que está no artigo abaixo é apenas parte do problema. Se lembrarmos bem, já tivemos quedas de correligionários de Temer, tanto por cobranças devido aos "deslizes" que cometeram durante o exercício de seus respectivos cargos, como também na busca de deixarem os holofotes da imprensa, por "desvios" cometidos em outras épocas, e/ou por estarem envolvidos nas delações da Odebrecht e outras.

Agora se somam os problemas que, aqueles que estiverem exageradamente ligados ao golpe, deverão ter nas eleições que se avizinham.

Parece ser esse último o motivo de Calheiros, e alguns outros Senadores do PMDB. O movimento tem a tendência de se alastrar, e ruir de vez a frágil base que proporcionou a tomada irregular do poder.

Bom que pelo menos haverá uma dificuldade extra, para entregarem a palta acordada com os financiadores do golpe. A verdade é que até o momento jogaram muito soltos. Só que alguns sinais se acendem de que a situação está mudando. A pífia adesão aos protestos fascistoides convocados pelos movimentos MBL e Vem Pra Rua, e uma adesão significativa àqueles convocados pela oposição dão o tom dessa mudança.

Mas enquanto isso o Brasil segue agonizando, não vemos perspectivas de medidas que incentivem a retomada econômica, e ainda estaremos fortemente travados pelas medidas estúpidas tomadas até o momento. Algumas de difícil reversão.

Seja quem for o próximo presidente, ele terá muito trabalho e dificuldade dm recolocar esse trem nos trilhos.




Renan dá nó em Temer, destrói imagem de grande articulador e presidente perde força com a base; ENTENDA!

Um dos mitos sobre Michel Temer, cultivado ao longo do processo de impeachment, era o de que se tratava de um político hábil, afável, inteligente — o antípoda da titular.
Elio Gaspari, entre outros cronistas, o definiu como “experiente, frio”, e conhecedor do “lado do avesso de Brasília”.
De Eliane Cantanhede a Ricardo Noblat, as supostas virtudes negociadoras do ex-vice decorativo foram cantadas aos quatro cantos, vendendo um Richelieu.
O rompimento com Renan Calheiros, cúmplice de décadas, veio enterrar de vez essa balela.
Temer sempre foi um operador de bastidores, viabilizando e distribuindo o butim do PMDB. Na presidência, continuou fazendo isso, além de cumprir com o serviço sujo dos patrocinadores do golpe no sentido de destruir o legado dos programas sociais do governo do qual participou.
Numa tentativa de parecer superior ao desprezo da população, assimilou o mote patético sugerido por Nizan Guanaes e passou a se defender: preferia ser impopular a populista.
Renan, que é qualquer coisa, menos bobo, está de olho nas eleições de 2018 em seu estado e não quer ficar ao lado de um presidente cuja popularidade despenca a cada pesquisa.
De que adianta um cargo para um apaniguado e outros favores se o homem é um tronco de enchente? Entre Temer e Lula, que cresce nas pesquisas, com quem ele gostaria de ser fotografado?
Michel, o habilidoso, o gênio da articulação, é refém de um detento, Eduardo Cunha, e da corriola da formação original de sua banda — Romero Jucá, Eliseu Padilha, Rodrigo Maia, Moreira Franco.
O jantar dos senadores governistas do PMDB na casa de Katia Abreu escancarou ainda mais a situação.
“Diziam que a Dilma não sabia onde ia, e o Temer não tem para onde ir”, tripudiou Renan. Dos 22 da bancada no Senado, doze estavam lá, mais Sarney e a filha Roseana.
“Na fritada de aratu, Temer também foi fritado”, falou um dos senadores.
Renan, o porta voz da insatisfação, pontuou que “estão nos propondo um suicídio” com as reformas. Sarney acha que Temer “tem que dialogar mais”.
Segundo o Valor, Michel escalou aliados para procurar “conter a ira” de Renan Calheiros. Tem medo de que as críticas contaminem a base de apoio e prejudiquem o andamento das reformas.
No meio tempo, enquanto o chão esfarela, MT vai disparando suas asneiras. “Deus me deu a graça de reconhecer o valor das mulheres”, discursou o cidadão que elogiou o sexo feminino pela capacidade de ver o preço da manteiga sem sal no supermercado.
A única saída para o caos é diretas já. Michel Temer, o homem que sabe da “mecânica de suas obras e suas pompas”, de acordo com Gaspari, não consegue combinar o jogo nem sequer com seus amigos, que dirá com os inimigos.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Acordo de cooperação?

Acordos de cooperação se fazem com a troca de tecnologia, ou treinamento de pessoal em determinadas áreas, ou a troca de serviços, etc, mas em hipótese alguma pode envolver altas somas em dinheiro, que correspondam ao valor de mercado do objeto em questão. 

Um exemplo do que digo foi a criação da auto Latina no final dos anos 80, quando a Ford cedeu tecnologia de acabamento de automóveis à Volkswagen, e esta cedeu tecnologia mecânica de automóveis à Ford.

Quando se troca ativos ou qualquer outra coisa por dinheiro, o nome é venda.

Engodo patético, com o único propósito de seguir cedendo riqueza nacional a estrangeiros. 

Já tivemos a venda de campos do pré-sal para a Statoil, de refinaria no NE, ambas com preços bem abaixo de seus valores de mercado. Agora mais campos. Não quero nem saber do valor de mercado, para não me decepcionar com o valor obtido.

E o TCU engole se quiser.




Petrobras assina contrato de venda de áreas do pré-sal para a francesa Total


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A Petrobras e a francesa Total assinaram nesta terça-feira (28) os contratos de venda de duas áreas do pré-sal e de participação em térmicas anunciados no final de 2015. A Petrobras receberá US$ 2,225 bilhões, dos quais US$ 1,675 bilhão à vista.
Em dezembro, as duas companhias anunciaram as transações como parte de uma aliança estratégia, que envolve ainda negociações sobre troca de tecnologia e participação em ativos no México e no norte do país. Na ocasião, a Petrobras já havia sido impedida pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a vender novos ativos.
O acordo prevê a transferência, à Total, de 22,5% da área de Iara, que contém três descobertas, e de 35% do campo de Lapa, que já está em produção. Ambos estão localizados no pré-sal da Bacia de Santos.
Além disso, a francesa terá 50% da Termobahia, empresa que controla duas usinas térmicas na Bahia, e acesso ao terminal de importação de gás no Estado. Com isso, pretende desenvolver mercado para suas operações de gás natural liquefeito.
Em nota oficial divulgada nesta quarta (1º), os presidentes da Petrobras, Pedro Parente, e da Total, Patrick Pouyanné, emitiram declaração conjunto na qual dizem que a parceria "criará sinergias e valor, combinando nossa excelência operacional e reduzindo custos em nossos projetos, em benefício de ambas as companhias".
Quando a operação foi anunciada, Parente defendeu que, por se tratar de parceria estratégica, o negócio não poderia ser impactado pela decisão do TCU —que suspendeu em dezembro operações de vendas de ativos da estatal. "É uma parceria estratégica, não é desenvolvimento. Neste momento, este tipo de acordo não está incluído na decisão do TCU", argumentou o executivo. .

sábado, 8 de abril de 2017

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Quem acompanha sabe

O PT não quebrou o país. Claro que cometeu erros, enfrentou uma crise econômica externa grave e longa, que mais cedo ou mais tarde atingiria o país, cometeu alguns erros na condução da economia, e acima de tudo, cometeu erros na condução da própria política.

O principal dos erros na condução da política foi a aliança com setores e agentes obscuros, que assim que perceberam a possibilidade, passaram a minar e boicotar as bases do governo petista.

Na condução econômica cometeu o erro de entregá-la nas mãos daqueles que agiam no sentido de desestabilizar seu governo, demonstrando fraqueza, ao invés de senso democrático.

Mas quem acompanha sabe disso. Para quem não sabe, segue um bom resumo aí embaixo.


A dimensão do desastre do golpe. Por Gustavo Castañon*

divporpres
FHC pegou o Brasil com uma dívida pública de 34% do PIB. Doou metade do patrimônio público sob a alcunha de “privatização”. Duplicou a dívida externa. Quebrou o país três vezes, precisando recorrer ao FMI. Entregou o país a Lula sem reservas e devendo 76% do PIB. Já a dívida líquida, que leva em conta os créditos (e não só os débitos) do governo e ele recebeu em 29,5%, deixou em 60,4% do PIB.
A imprensa diz que ele modernizou a economia.gc1
O PT pegou o Brasil com a dívida pública em 76% do PIB, recapitalizou a Petrobrás a transformando na segunda maior petrolífera do mundo, não privatizou nada, “pagou” a dívida externa (sim, transformando-a em interna), e entregou, no último ano do primeiro mandato de Dilma, a dívida pública em 63% do PIB. Já o resultado mais importante sobre o endividamento do país, a dívida líquida, diminuiu a 34,9% do PIB.
A imprensa diz que a gastança do PT quebrou o país.
gc2O déficit público de 2014 que motivou o desastre Levy e os jornais falando de “quebra” do país foi de somente 17 bilhões. Diminuir 0,5% os juros teria resolvido. O déficit dos golpistas só em fevereiro de 2017 foi de 26 bilhões.
A imprensa diz que Temer está consertando a economia.
Mesmo que você considere o último ano de mandato de Dilma, ainda assim o PT teria entregue a economia menos endividada do que recebeu do deus criado pela imprensa nacional, FHC. No final de 2015 a dívida estava em 73%.
Só que 2015 foi o ano de Cunha e Aécio vandalizando o país, em que o único ato de governo de Dilma foi nomear Levy para executar o programa que a oposição defendeu e a imprensa e a banca exigiam. Ela não governou e teve que enfrentar um congresso golpista criando despesas e proibindo aumentar receitas, destruindo as expectativas da economia de um lado enquanto a Lava-jato, de outro, só neste ano, afundava sozinha 2,5% do PIB.
Depois de um ano de governo temer fazendo tudo o que a mídia e a banca mandam, a dívida já passou, mesmo com a repatriação, os 76% de FHC (alcançados no final de 2016) e atingirá 81% este ano, no mínimo.
Temer é o maior desastre da história do Brasil, exatamente porque sua escola econômica é a Globo News.
Ninguém pode negar que esse desastre, no nível em que foi, começou em 2015 com o receituário suicida de austeridade combinado com os maiores juros do mundo de Levy, as pautas bombas do Congresso e a destruição da indústria nacional causada pela Lava Jato.
Só completos ignorantes podem achar que foi a “roubalheira” em obras que quebrou o país, com um governo que não investe nem 4% do PIB.
A única roubalheira que quebra esse país há vinte e dois anos são as taxas de juros mais altas do mundo.
*Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora