sábado, 22 de setembro de 2018

DiDo - & Youssou N'Dour - 7 Seconds

Já que falamos da talentosa Dido, ela não é intérprete original da música, mas nessa incrível parceria com Youssou N'Dour mostra que poderia ter sido. 7 Seconds é o nome da obra prima da dupla, que mistura 3 línguas, uma harmonia linda, e um swing de primeiríssima.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Ciro é o único que vence a todos no segundo turno

Essa simulação foi divulgada no dia 14/09, mas seus resultados já vêm se repetindo há algum tempo, quando o ex-Presidente Lula não era candidato. Agora que isso se confirmou, a simulação se manteve e, em alguns casos, se acentuou.

E Ciro é exacerbadamente contrário à maneira como a sociedade e a economia brasileiras se definem no momento, então ele se mostra vulnerável a vários ataques daqueles que defendem o status quo da estruturação brasileira.

Mas ele parece estar vencendo parte da resistência a sua candidatura, já que o psdbista não decola, e o petista e pslista mantêm larga margem de rejeição junto ao eleitorado.

Situação difícil os defensores do status quo. 

Ciro Gomes venceria todos adversários no 2º turno, diz Datafolha

Segundo instituto de pesquisas, Haddad é derrotado por todos, menos por Bolsonaro, com quem empata; deputado também tem empate com Alckmin e Marina

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Melhora no uso da capacidade instalada não é sintoma de melhoria

A primeira vista a notícia abaixo é muito interessante, mas com uma olhada mais cuidadosa fica claro que não há nada a ser comemorado. Vejam bem, a grande verdade é dito no que não foi dito e explicitado naquilo que a própria notícia se encarrega de divulgar, e é o fato de que o emprego na indústria segue subindo.

Dentro desse quadro apenas uma coisa chama a atenção positivamente, que é a intenção de investimento ter aumentado, ainda que muito timidamente. 

Mas ao menos aumentou.

Sim, porque o fato de aumento da capacidade instalada é muito dúbio para ser considerado como melhora apenas pelo artigo abaixo. Isso porque assim como os empregos no setor, as indústrias também seguem fechando, o que explicaria ao menos parte da produção das que fecham passar para as que ficam. 

Outro fato que não ajuda a comemorar é que, mesmo com o pequeno aumento da produção das indústrias pesquisadas, está havendo aumento do estoque das mesmas, o que mostra que a demanda não aumentou absolutamente nada, ao contrário, é possível de diminuir ainda mais.

Então, por mais que se queira esperançar com as informações abaixo, um olhar minimamente mais atento mostram que elas indicam apenas que esse carro segue patinando na lama. E no momento, quanto mais o governo cortar gastos para fazer sobra para a transferência financeira, mais esse quadro irá se agravar.



Uso da capacidade instalada da indústria sobe para 68% em julho

Foto: Agência Brasil
O indicador de utilização da capacidade instalada da indústria brasileira subiu de 66% em junho para 68% em julho. É o maior percentual verificado no mês de julho dos últimos quatro anos, segundo a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada hoje (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O uso da capacidade instalada foi maior nas grandes empresas, alcançando 73%. Nas médias, ficou em 66% e, nas pequenas, em 60%.
Segundo a CNI, a queda na ociosidade é resultado do aumento da produção no setor. Conforme a pesquisa, o índice de evolução da produção alcançou 52,2 pontos em julho. Foi o segundo mês consecutivo que o índice ficou acima dos 50 pontos, o que indica o aumento da produção, depois da forte queda registrada em maio, por causa da greve dos caminhoneiros. O indicador de produção varia de zero a cem pontos. Quando está acima de 50 pontos, mostra aumento da produção.
No entanto, o emprego no setor continua caindo. O indicador do número de empregados ficou em 48,5 pontos e continua abaixo da linha divisória dos 50 pontos que separa a queda do aumento do emprego.
A Sondagem Industrial mostra ainda que as indústrias estão com um pequeno acúmulo de estoques. O índice de nível de estoque efetivo em relação ao planejado subiu para 50,8 pontos em julho e ficou acima da linha divisória dos 50 pontos, mostrando que os estoques estão levemente maiores do que o planejado.
Perspectivas
Segundo a CNI, todos os indicadores de expectativa ficaram acima dos 50 pontos em agosto, mostrando que os industriais esperam o aumento da demanda, da compra de matérias-primas, do número de empregados e das exportações nos próximos seis meses.
Diante de um cenário mais positivo, aumentou a disposição dos empresários para investir. O índice de intenção de investimento subiu para 51 pontos, 1,6 ponto acima do verificado em agosto, o que recupera apenas em parte a queda de 4,2 pontos registrados nos últimos cinco meses. O indicador de intenção de investimentos está 3,1 pontos acima do de agosto do ano passado.
A Sondagem Industrial foi feita entre 1º e 13 de agosto com 2.257 empresas. Dessas, 932 são pequenas, 798 são médias e 527 são de grande porte.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Análise interessante

Sim, análise bem interessante, mas não concordo exatamente com ela. Vamos aos fatos:

Cada vez mais certo que um dos finalistas (segundo turno) será o candidato internado. Como também está ficando bem claro a quem acompanha as pesquisas eleitorais, que o segundo lugar será decidido entre Haddad e Ciro Gomes, e é nas estratégias que divirjo da análise de Ricardo Cappelli.

Ok, Ciro deve mostrar um lado mais tranquilo, mas não pode deixar de atacar seu concorrente na vaga pelo segundo turno, além de seguir cativando alguns apoios nesse sentido. Marina é um deles, e vem sendo bem trabalhado pelo pedetista, assim como Boulos também. Mas Ciro deve seguir chamando a atenção do eleitorado para a falta de consistência do petista, tanto para o trato da coisa pública a nível nacional, como a brutal repulsa que tem na cidade e no estado de São Paulo, assim como relacionando o petista a Dilma Roussef, porque se não são iguais em muitos pontos, são igualmente fracos e sem estrutura pessoal para assumir a Presidência da República.

Como diz Ciro Gomes, não se constrói uma liderança com transferência de votos.




terça-feira, 18 de setembro de 2018

Quem trabalha sabe e sente

Quando até o Estadão dá uma notícia dessas, é porque a coisa já está ultrapassando qualquer limite do razoável. 

A propósito, alguns países nórdicos já reduziram suas jornadas de trabalho. Isso teve dois efeitos principais. O primeiro é que a produtividade das pessoas aumentou. O segundo que a satisfação das pessoas também.



Melhores Pequenas Empresas para Trabalhar| 25 de julho de 2018 | 5h 08

'O ambiente de trabalho está matando as pessoas'

Para especialista, as longas jornadas e a insegurança deixam as pessoas doentes e cortam produtividade
IAN CHICARO GASTIM - O ESTADO DE S.PAULO

Jeffrey Pfeffer, professor de comportamento organizacional na Graduate School of Business, da Universidade de Stanford. Foto: Universidade de Stanford
Jeffrey Pfeffer, professor de comportamento organizacional na Graduate School of Business, da Universidade de Stanford. Foto: Universidade de Stanford
Empresas estão criando locais de trabalho tóxicos, com insegurança sobre o emprego e longas horas de trabalho, o que têm derrubado a produtividade de funcionários. Essa é a avaliação do professor de Stanford, Jeffrey Pfeffer, especialista em comportamento organizacional. Confira os principais trechos da entrevista.
Por que o sr. diz em seu livro que o ambiente de trabalho está matando pessoas?
Muitos locais têm longas jornadas e insegurança econômica. Essas coisas estão estressando as pessoas. E sabemos que o estresse elevado pode ter efeitos ruins no metabolismo. Estamos criando ambientes muitos tóxicos, que prejudicam a saúde dos funcionários e, assim, derrubam a produtividade.
Como um bom local de trabalho aumenta a produtividade?
Antes de tudo, é preciso dar autonomia às pessoas, oferecendo controle sobre o que elas fazem no trabalho. Basicamente, se aumenta a produtividade dos trabalhadores tratando-os como seres humanos adultos. O segundo ponto seria que um bom local de trabalho não deve fazer as pessoas trabalharem por muitas horas, porque, além de um certo ponto, elas ficam exaustas, doentes, e a produtividade diminui. Em terceiro lugar, as pessoas trabalham melhor quando não estão preocupadas com a ideia de que podem ser demitidas. Então oferecer a sensação de estabilidade e segurança, é outra coisa importante.
A hierarquia rígida também é um problema atualmente?
Sim, porque a autonomia no trabalho está positivamente relacionada à motivação e ao engajamento do empregado. Então, se você der mais autonomia ao funcionário, ele ficaria mais engajada, teria mais motivação e seria, portanto, mais produtivo.
Qual o maior desafio na gestão de pessoas?
Eu acho que o maior desafio hoje é tornar os locais de trabalho mais saudáveis. Minha pesquisa mostra o que o senso comum diria: quanto mais saudável você é, mais produtivo você é. É necessário proporcionar mais segurança econômica e controle ao funcionário sobre seu emprego, além de horas normais de trabalho. Ele deve poder tirar férias e deixar seu trabalho no trabalho para cumprir com suas responsabilidades familiares. A falta do contato familiar também estressa as pessoas.
Este cenário não é animador. Aonde vamos chegar se continuarmos assim?
Eu acredito que a qualidade dos ambientes de trabalho está piorando. Há uma crença, incorreta, de que a melhor maneira de lidar com os níveis crescentes de competição é fazer com que as pessoas trabalhem mais, mas isso não torna ninguém mais produtivo. Eu não sei como que o futuro vai ser, mas uma das coisas que acontecem, é que muitos países estão enfrentando um problema com o crescente custo dos cuidados com a saúde. Por isso, vai ser muito difícil para as empresas e os países consertarem os custos com saúde e assistência médica se não fizerem algo para melhorar o ambiente de trabalho.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

domingo, 16 de setembro de 2018

Jornal Nacional 14/09/2018 - Entrevista com Fernando Haddad (COMPLETO)

Provavelmente a pior entrevista da série com os presidenciáveis. Talvez pior do que a de Bolsonaro. O candidato petista passou 27 minutos se defendendo de ataques a sua presença à frente da Prefeitura Paulistana e das acusações e envolvimento com corrupção por parte de seu partido. EM TERMOS DE PROPOSTAS, NADA, ABSOLUTAMENTE NADA.

Claro que isso não é responsabilidade apenas do candidato, afinal, entrevista é feita por entrevistadores, e que pauta os temas são eles, através das perguntas que fazem. Isso mostra apenas que a Globo levou Alkimin por "obrigação", mas a intensão sempre foi acuá-lo e miná-lo.

Mas o que o PT queria após toda a guerra que ele resolveu comprar após colocar o primeiro poste na presidência. 

Agora vem com o segundo, afinal de contas, foi ridículo o "boa-noite presidente Lula". Afinal de contas, se o problema é de Justiça, por que usar uma entrevista do candidato a Presidencia da República para resolver um problema particular?

sábado, 15 de setembro de 2018

Dido - White Flag (Live at Brixton Academy)

Uma cantora de voz suave e aveludada, ainda que não tão marcante, e que nunca esteve por aqui, e que tem um sucesso bastante interessante. Dido canta White Flag. Mas atenção porque não é o único sucesso da talentosa intérprete.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Brasil faz tudo errado?

Excelente entrevista do economista sul coreano Ha-Joon Chang, professor de Cambridge, uma das referências na economia mundial. Mostra conhecimento de história e dos mecanismos de formação do capital e riqueza de uma nação, mostrando que o processo de destruição do Brasil pode ser revertido, mas precisa da intevenção do Estado Brasileiro, já que as forças do livre mercado jamais foi capaz de exercer esse papel.

Excelente entrevista. Agora cabe ao Brasil decidir se quer ser uma nação avançada, ou se quer continuar no Séc. XIX. Diferente do que Rodrigo Maia afirmou em entrevista no início do ano, quando começava a tentar articular uma candidatura sua ao Planalto, a ideia atrasada de economia é a que fala em liberalismo econômico, pois nos remete justamente aos primórdios do capitalismo. O que realmente tornou algumas nações mais desenvolvidas que outras, foi justamente a intervenção estatal, que protegeu empresas e mercados.



“O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história da economia”

Considerado de direita na Coreia do Sul e de esquerda na Inglaterra, economista critica rumo das políticas brasileiras e defende protecionismo nos países emergentes



Ha-Joon Chang economista da Universidade de Cambridge
Ha-Joon Chang,especialista em economia do desenvolvimento da Universidade de CambridgeDIVULGAÇÃO



Você se considera de esquerda? Mesmo acostumado a dar entrevistas, essa pergunta ainda faz gaguejar Ha-Joon Chang, professor de economia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que se tornou conhecido por expor os problemas do capitalismo. “Bem...eu possivelmente sou”, respondeu um pouco reticente o acadêmico, como quem confessasse um pecado. Para ele, no mundo polarizado de hoje, admitir-se de qualquer tendência ideológica pode significar uma sentença de morte para um potencial diálogo. Além disso, em diferentes países, a percepção de direita e esquerda é diferente. “Na Coreia do Sul e Japão, por exemplo, o tipo de política industrial que defendo é considerada de direita. Já na Inglaterra, onde vivo hoje em dia, é uma política de esquerda”, afirmou o autor sul-coreano do best-seller Chutando a Escada: A Estratégia do Desenvolvimento em Perspectiva Histórica (Editora Unesp), que veio ao Brasil participar do Fórum de Desenvolvimento, em Belo Horizonte. Ha-Joon Chang conversou com o El PAÍS sobre polarização política, história econômica e o futuro do sistema econômico mundial, que, para ele, não é nem capitalista, nem socialista.
Pergunta. Como a polarização política afeta o desenvolvimento econômico?
Resposta. A polarização é a pior coisa que pode acontecer para a economia. Tudo se torna simbólico. Você começa a se opor a determinada política simplesmente porque ela está associada a um partido de esquerda ou direita. Os debates estão se tornando cada vez mais difíceis. Ambos os lados, ao invés de debater, gritam uns com os outros. Eu gosto de me descrever como um pragmatista. Não importa de onde vem determinada política para o desenvolvimento econômico, contanto que ela funcione.
P. Desde o Consenso de Washington, no final da década de 1980, muitos países pobres abraçaram as recomendações internacionais para propagar o livre comércio como uma das formas de combater a miséria e se desenvolver. Como você avalia o resultado dessa medida?
R: Hoje, quando olhamos para os países ricos, em sua maioria, eles praticam o livre comércio. Por isso, é comum pensarmos que foi com esta receita que eles se desenvolveram. Mas, na realidade, eles se tornaram ricos usando o protecionismo e as empresas estatais. Foi só quando eles enriqueceram é que adotaram o livre comércio para si e também como uma imposição a outros Estados. O nome do meu livro, Chutando a escada, faz referência a um livro de um economista alemão do século XIX, Friedrich List, que foi exilado político nos Estados Unidos em 1820. Ele critica a Inglaterra por querer impor aos EUA e à Alemanha o livre comércio. Afinal, quando você olha para a história inglesa, eles usaram todo o tipo de protecionismo para se tornar uma nação rica. A Inglaterra dizendo que países não podem usar o protecionismo é como alguém que após subir no topo de uma escada, chuta a escada para que outros não possam usá-la novamente.


“O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história da economia”


P: Como se deu o desenvolvimento dos países ricos na prática?
R:Estes países cresceram com base no que Alexander Hamilton [1789-1795], primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos [que estabeleceu os alicerces do capitalismo norte-americano], defendeu como o argumento da indústria nascente. Do mesmo jeito que mandamos nossas crianças para a escola ao invés do trabalho quando são pequenas, e as protegemos elas crescerem, os Governos de economias emergentes têm que proteger suas indústrias até que elas cresçam e possam competir com as indústrias de países ricos. Praticamente todos os países ricos, começando pela Inglaterra no século XVIII, Estados Unidos e Alemanha, no século XIX, Suécia no começo do século XX, além de Japão, Coreia do Sul e Taiwan...todos estes países se desenvolveram usando protecionismo, subsídios estatais, controle do investimento direto estrangeiro, e em alguns casos, até mesmo empresas estatais.
P: Como esse passado dialoga com as medidas atuais de austeridade, que se tornaram fetiche em todo mundo como promessa de crescimento?
R: A receita de austeridade usada na Grécia é a mesma tentada na América Latina, na África e em alguns países da Ásia nas décadas de 1980 e 1990, e que criou desastrosos resultados econômicos. Investir em política de austeridade é contraproducente. As pessoas que defendem esse tipo de política entendem que, quando você tem uma grande dívida pública, um jeito de reduzir essa dívida é cortar os gastos do Governo a fim de reduzir o déficit fiscal. Mas um jeito melhor de reduzir o déficit é fazer a economia crescer mais rápido. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha tinha uma dívida mais de 200% de seu PIB [Produto Interno Bruto], mas sua economia estava crescendo rápido. E depois de algumas décadas, isso deixou de ser um problema. Hoje, a Inglaterra tem tentado uma política de austeridade, mais amena que a da Grécia, é verdade, mas também sem sucesso em reduzir o déficit público proporcionalmente a renda nacional. Isso porque o PIB está crescendo muito lentamente. Se você corta os gastos, seu endividamento pode ficar um pouco menor, mas a renda precisa crescer.
P: O país corre o risco de ficar estagnado?
R: Exatamente. O que é incrível é que essa política vem sendo usada várias vezes, como no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, e nunca funcionou. Albert Einsteinfalava que a definição de loucura é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados diferentes. O problema é que muitos economistas que defendem essas medidas, quando sua teoria não funciona, culpam a realidade. Como se a teoria nunca estivesse errada.
P: Você é bastante crítico da desindustrialização dos países emergentes. Por que é tão ruim ser dependente das commodities?
R: As pessoas têm que entender como é séria a redução da indústria de transformação no Brasil. Nos anos 80 e 90, no ponto mais alto da industrialização, esse setor representou 35% da produção nacional. Hoje não é nem 12% e está caindo. O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história, em um período muito curto. O país tem que se preocupar. E eu não estou dizendo nada novo. Muitos economistas latino-americanos já levantavam o problema da dependência de commodities primárias na década de 1950 e 1960. Quando você é dependente de commodities primárias há uma tendência de que o preço dos produtos caia no longo prazo em comparação com os produtos manufaturados. Além disso, os países dependentes de commodities não conseguem controlar seu destino.
P: Por exemplo?
R: Quando alguém inventa uma alternativa para o seu produto, isso pode devastar o valor de sua economia. A indústria brasileira de borracha foi um grande hit até que os americanos e russos inventaram a borracha sintética nos anos 1930 e 1940. Quando os alemães inventaram a chamada síntese de Haber-Bosch para a produção de amônia, a ser usado na fabricação de fertilizantes, Chile e Peru, que costumavam ganhar muito dinheiro exportando o fertilizante natural guano, que foi o mais valioso fertilizante nos século XIX, tiveram anos de estagnação econômica. Isso sem contar o potencial lento de crescimento das commodities e relação a outras indústrias, como a de tecnologia.
P: Mas o caso do Brasil não seria diferente, já que o país investe em tecnologia na área agrícola, e não só extração de commodity?
R: Para ser justo, eu sei que o Brasil tem tido algum sucesso na área agrícola, como produzir soja no Cerrado, que é uma região muito árida, onde tradicionalmente esta espécie não cresceria. É realmente impressionante. Mas quando você se especializa em soja você não pode aumentar sua produtividade da mesma forma que um país especializado em alta tecnologia, que pode aumentar sua produtividade em 20%, 30% ao ano. Sinceramente, o Brasil é um dos países que parece estar voltando no tempo no seu desenvolvimento econômico.
P: Como você avalia o papel do Estado neste cenário?
R: Ao contrário de outros países em desenvolvido, o Brasil tem a habilidade de fazer as coisas acontecerem por meio da intervenção governamental. A Embraer, por exemplo, é uma empresa de economia mista. A agricultura no Cerrado é subsidiada com recursos do governo. Em vários setores, o país já mostrou que quando quer fazer uma coisa, ele consegue. Infelizmente, os responsáveis por fazerem as políticas públicas parecem que perderam o rumo. Eles basicamente desistiram do modelo de desenvolvimento econômico por meio de um upgradena economia, com investimento em indústrias de alta tecnologia.
P: Onde você acha que a política pública falhou?
R: Eu conheci vários empresários irritados em São Paulo pois as pessoas no Governo não parecem estar preocupadas com o declínio da indústria manufatureira no país. Sei que muitos economistas defendem que não importa se você está exportando soja ou aviões, desde que esteja fazendo dinheiro. E, no curto prazo, isso pode até ser verdade. Mas no longo prazo, é muito ruim para a economia. Além disso, as políticas macroeconômicas têm sido muito ruins para o setor industrial, especialmente a alta taxa de juros, uma das maiores do mundo.
P: No Governo Dilma, vários setores receberam subsídio e mesmo assim, os empresários não pareciam estar satisfeitos. O que faltou?
R: O Governo de Dilma canalizou vários subsídios em alguns setores em particular. Mas isso só foi necessário por conta da política de alta taxa de juros, uma vez que as companhias brasileiras não conseguem competir no mercado global de outra forma. Não sei todos os detalhes. Mas sei que houve erros, corrupção. As metas governamentais também foram determinadas de forma equivocada...sempre privilegiando a estabilidade macroeconômica. Já o declínio da indústria não foi considerado um problema. Focou em ações como Bolsa Família, mas sem prestar atenção em dar um upgrade na economia.
P: A Coreia do Sul pode ser considerada um exemplo de economia que conseguiu dar esse upgrade?
R: Depende de qual Coreia do Sul que estamos falando. A Coreia do Sul depois da crise asiática de 1997 abraçou o neoliberalismo, não tanto como os países da América Latina, mas desregulamentou o mercado financeiro e alavancou políticas industriais. O resultado é que uma economia que costumava crescer 6%, 7%, 8% até 1990, agora está sofrendo para crescer 3%. Isso porque as mudanças que criaram líderes globais na área industrial, automotiva e eletrônica, também produziram baixo crescimento, falta de trabalho e não impediram que estas indústrias migrassem para outros países. E mesmo assim, não tivemos o colapso industrial que se vê no Brasil.
P: Qual foi o papel da educação no crescimento da Coreia do Sul?
R: No começo, a educação teve um papel muito importante. Até os anos 80, era possível alguém de uma família pobre se tornar juiz, governador ou cirurgião. Infelizmente, a partir dos anos 90, tivemos um sobreinvestimento em educação, com o crescimento dos negócios privados. Tínhamos o maior investimento em educação do mundo. Mas hoje, considerando o valor que estamos investindo, e o tempo que os estudantes estão gastando para conseguir suas qualificações...o sistema se tornou bem ineficiente. A mobilidade social caiu muito nos últimos anos, porque as políticas educacionais deixaram de ser coordenadas com políticas industriais.
P: Você comenta que estamos entrando no fim da abordagem neoliberal ao desenvolvimento. O Brexit seria um exemplo desse começo do fim?
R: Poderia ser. Mas temos que considerar que há três tipos de pessoas que  votaram pelo Brexit. Um deles são os liberais que votaram para se livrar das regulamentações impostas pela União Europeia. Há ainda o grupo anti-estrangeiros e anti-imigração. E um terceiro grupo, os trabalhadores no Norte da Inglaterra, que já foi o centro produtor do país, e que experimentou uma desindustrialização massiva. Estas pessoas perderam seus trabalhos, e agora culpam trabalhadores da PolôniaRomênia e Hungria pela sua sorte. Podemos dizer que é o começo do fim no sentido em que isso aconteceu com a insatisfação que muitas pessoas têm com a globalização e o livre comércio.
P: Há algum lugar onde estaria sendo gestada uma solução para o modelo de desenvolvimento econômico dos países?
R: Cingapura é hoje o exemplo mais bem sucedido de um país com desenvolvimento pragmático e não ideológico. Quando lemos sobre Cingapura nos jornais The Wall Street Journal e na revista The Economist sempre ouvimos falar da política de livre comércio e o acolhimento positivo que o país tem com o investidor estrangeiro. O que é verdade. Mas não se fala que 90% das terras do país são de propriedade do Governo; 85% das casas são de propriedade do governo; e 22% do PIB é produzido por empresas públicas. Eles têm um modelo pragmático de economia, que mistura elementos do capitalismo de livre mercado e do socialismo. Eles não são capitalistas, nem socialistas. São pragmatistas. Uma de minhas frases favoritas é de Deng Xiaoping, o ex-líder Chinês: “Eu não ligo se o gato é preto ou branco, contanto que seja bom em pegar ratos”. Isso é o pragmatismo.