terça-feira, 23 de maio de 2017

Como ter apoio?

A matéria abaixo vem da Folha de São Paulo, jornal que defende o governo golpista a todo custo. Mas como continuar defendendo se eles mentem, e mentem mal?

A situação está ficando insustentável para o governo, mas a insistência em uma eleição indireta é apenas uma quase certeza de continuação da agenda golpista, derrotada 4 vezes consecutivas nas urnas. 

E digo quase, porque na convulsão política que assola o país, nada é mais certeza.

Em entrevista, Temer erra ao menos 4 vezes ao comentar gravações da JBS

Pedro Ladeira/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 21-05-2017, 16h00: O presidente Michel Temer durante entrevista exclusiva à Folha na biblioteca do Palácio da Alvorada. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) ***EXCLUSIVO***
O presidente Michel Temer durante entrevista à Folha na biblioteca do Palácio da Alvorada
A Agência Lupa checou a veracidade de vários trechos da entrevista de Michel Temer à Folha, publicada na segunda-feira (22). Confira a seguir:
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"Quando [Joesley Batista] tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da [Operação] Carne Fraca"
FALSO A Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de corrupção na fiscalização de carnes pelo país, foi deflagrada em 17 de março deste ano, dez dias depois da reunião que o presidente Michel Temer teve com o empresário da JBS. Em nota, o Palácio do Planalto reconhece que o presidente "se enganou".
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"Ele falou que tinha [comprado] dois juízes e um procurador (...) E logo depois ele diz que estava mentindo"
VERDADEIRO, MAS Quando entregou a gravação de sua conversa com o presidente Michel Temer à Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista de fato disse que essa afirmação havia sido uma bravata. No último sábado (20), no pronunciamento que fez à nação, Temer ressaltou esse recuo do empresário. Mas, já no dia 27 de abril, Joesley havia feito um complemento em seu primeiro depoimento à PGR e contou como tinha feito para pagar R$ 50 mil por mês ao procurador Ângelo Vilella, preso na última quinta-feira (18), para receber informações sobre a Operação Greenfield, que investiga a Eldorado Celulose, outra empresa da holding J&F, que controla a JBS. "Hoje, eu tenho um conjunto de evidências de que não era bravata", afirmou o empresário.
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"[Conheci] Quando ele era deputado, portanto, há uns dez anos"
VERDADEIRO A biografia do deputado Rocha Loures (PMDB-PR) na página da Câmara informa que ele tomou posse como deputado federal em 1º de fevereiro de 2007 para cumprir seu primeiro mandato. Na época, o presidente Michel Temer também estava na Casa, como deputado federal.
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"Daí ele [Joesley] me disse que tinha contato com [o ex-ministro] Geddel. Falou do Rodrigo [Rocha Loures], e eu falei: 'Fale com o Rodrigo quando quiser, para não falar toda hora comigo'"
FALSO Na gravação feita por Joesley Batista, quem menciona o nome do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) é Temer –não o dono da JBS. Além disso, é o empresário que pede instruções ao presidente sobre como não incomodá-lo –e não o contrário. Joesley pergunta: "Eu queria falar sobre isso, falar como é que é pra mim falar contigo, qual a melhor maneira. Porque eu vinha falando através do Geddel. Eu não quero lhe incomodar" E, logo em seguida, Temer indica Rodrigo: "É da minha mais estrita confiança". A informação também consta da petição da Procuradoria Geral da República, enviada ao STF.
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"Não tenho uma relação, a não ser uma relação institucional [com o deputado federal Rodrigo Rocha Loures]"
CONTRADITÓRIO Nos últimos dois anos, Rocha Loures (PMDB-PR) foi assessor direto de Temer em duas ocasiões. Entre 23 de janeiro e 29 de abril de 2015, foi chefe da assessoria parlamentar da Vice-Presidência da República, então ocupada por Temer.
Em setembro do ano passado, depois do impeachment de Dilma Rousseff, foi nomeado assessor especial do gabinete pessoal da Presidência. Ainda vale destacar que, na gravação que Joesley Batista entregou à PGR, o presidente afirma que Rocha Loures é da sua "mais estrita confiança"; e que, em 2014, Temer gravou um depoimento para a campanha do deputado, elogiando a ajuda que prestou a seu gabinete e dizendo que Rocha Loures era uma das "belíssimas figuras da vida pública brasileira".
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Danilo Verpa - 13.fev.2017/Folhapress
JBS diz que comprou dólares como política de 'proteção financeira"
Joesley Batista, dono da empresa JBS
"Eu nem sabia que ele [Joesley] estava sendo investigado"
CONTRADITÓRIO Em julho de 2016, o empresário Joesley Batista foi um dos alvos da operação Sépsis, da Polícia Federal -um desdobramento da Lava Jato. Em setembro, a PF deflagrou a operação Greenfield, e a Justiça bloqueou os bens do empresário. Em 31 de março, Joesley foi afastado das atividades empresariais do grupo depois de a Justiça acatar pedido do Ministério Público do Distrito Federal nesse sentido. No mesmo mês, a operação Carne Fraca investigou vários frigoríficos no país. Na lista da PF, apareceram 50 empresas, entre elas duas subsidiárias da JBS: a Seara e a Big Frango. Temer comentou publicamente a operação Carne Fraca. Disse, entre outros pontos, que não era para "causar um terror que está-se imaginando". Um dia depois, minimizou o número de frigoríficos investigados.
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"Não é ilegal [deixar de registrar um compromisso na agenda]"
FALSO A lei 12.813/13 determina que o presidente da República é obrigado a "divulgar, diariamente, por meio da rede mundial de computadores-internet, sua agenda de compromissos públicos". A Controladoria Geral da União (CGU) informa, por meio de nota, que compete à Comissão de Ética Pública, instituída no âmbito do Poder Executivo federal, fiscalizar a divulgação da agenda de compromissos públicos do presidente e de outros cargos públicos do país.
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"O PSB eu não perdi agora, foi antes, em razão da Previdência"
FALSO Em abril, o PSB foi contra as reformas trabalhistas e previdenciárias propostas pelo governo Temer. A Comissão Executiva chegou a aprovar um posicionamento oficial contrário a elas. Mas a saída do PSB só ocorreu mesmo no último sábado (20), quando a direção do partido anunciou que passaria à oposição.
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"Meirelles [ministro da Fazenda] me contou que, se não tivesse acontecido aquele episódio na quarta [dia da divulgação do caso], ele teria
um encontro com 200 empresários"
DE OLHO A agenda pública do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para a última quarta, quinta e sexta-feira (dias 17, 18 e 19 de maio) não previa reuniões com empresários.
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OUTRO LADO
Procurado, o Planalto disse que não comentará a fala do presidente. A Fazenda afirmou que o ministro participaria na sexta (19), em São Paulo, de um encontro para discutir perspectivas econômicas e que a reunião foi adiada


19 mortos e 50 feridos

O Blog dos Mercantes lamenta profundamente o atentado ocorrido em Manchester, na Inglaterra, e que deixou o saldo até o momento de 19 mortos e ao menos 50 feridos. Também nos solidarizamos com as vítimas e seus familiares e amigos.

Até quando teremos essas barbáries no planeta, seja de um lado, seja do outro?


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Seja de um jeito ou de outro, BABOU!

Não importa qual o motivo do "ótimo" dito por Temer. Não importa se foi por aprovar a compra do silêncio de Cunha, como não importa se foi por apoiar a compra de um Juiz Federal e um Procurador da República, mais ainda, não importa se Temer acreditou ou não no que Joesley dizia. O que importa é o seguinte:

1 - Se Temer apoiou a compra do silêncio de Cunha, agiu ativamente na obstrução da Justiça, com interesse direto, até porque o próprio Temer cita Moro, que indeferiu as perguntas de Cunha à Temer. Além disso há formação de quadrilha, corrupção, e assunção de que tem algo a esconder, já que "o Eduardo decidiu me fustigar". Se nada deve, porque seria fustigado?

2 - Se o "ótimo" não foi pela compra do silêncio de Cunha, mas pela compra de um Juiz Federal e de um Procurador da República. Aí ele está encobrindo corrupção, e teria que fazer as denúncias cabíveis e ordenar as investigações devidas. Ele peca pela omissão.

3 - E não importa o que ele pensava sobre a conversa que corria. Isso é a única coisa que realmente é privada, porque o pensamento é absolutamente individual, restrito a própria pessoa. Nesse caso importa o que foi dito, e não o que se pensou sobre o assunto.

Seja como for há crime de responsabilidade. Seja como for a conduta é totalmente inapropriada a um Presidente da República.

Seja como for;

Babou!


'Ótimo', diz Temer a Joesley ao ouvir sobre interferência em investigação


A conversa mantida entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu revela que o peemedebista tomou conhecimento de um plano para destituir um procurador da República que investigava a JBS, mas não reagiu de forma contrária à estratégia.
Também não há informação de que Temer tenha procurado a PGR (Procuradoria-Geral da República) ou outra autoridade de investigação para informar sobre o plano.
Pedro Ladeira/Folhapress
Presidente Michel Temer diz que não irá renunciar à Presidência durante pronunciamento no Palácio do Planalto, em Brasília
Presidente Michel Temer diz que não irá renunciar à Presidência durante discurso no Palácio do Planalto
Batista disse que estava "tentando trocar o procurador" que estava "atrás" dele. A Folha apurou que se trata de Anselmo Henrique, da Operação Greenfield. Deflagrada em novembro, a operação investiga desvios em fundos de pensão de servidores públicos federais.
O executivo disse a Temer que estava "dando conta" de dois juízes, os quais não identificou nominalmente, e que conseguiu colocar um procurador "dentro da força-tarefa" da Greenfield.
O suposto informante é uma referência ao procurador Angelo Villela, preso nesta quinta (18) na Operação Patmos, e que entrou nos quadros da Greenfield em 22 de março. Para a PGR, Villela foi "infiltrado" na operação.
"Aqui eu dei conta de um lado, o juiz, dar uma segurada, do outro lado, o juiz substituto, que é um cara que fica.... [inaudível] Tô segurando os dois", diz Joesley.
"Ótimo, ótimo", respondeu o presidente.
"Consegui um procurador dentro da força-tarefa, que tá me dando informação. E lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. Ô, se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva, com não sei o quê...", diz Joesley.
Neste momento, Temer não se manifesta contra o plano e a conversa muda.
Em outro trecho, Batista faz referência a um pagamento de R$ 50 mil mensais para um "rapaz", que lhe trazia "informação". Os investigadores interpretam como uma menção ao procurador Villela.
OUTRO LADO
Em nota, o presidente Michel Temer afirmou não ter acreditado na veracidade das declarações feitas por Joesley Batista no encontro gravado pelo empresário.
O peemedebista disse que, por na época ser investigado em inquérito, o executivo parecia contar vantagem e, por isso, não podia acreditar que ele teria cooptado um juiz e um procurador.
MEIRELLES
Batista também falou sobre a "ótima" relação que tem com Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, mas faz algumas reclamações. Eles trabalharam juntos porque Meirelles foi presidente da J&F, a holding do grupo JBS.
"Não sei o quanto vou mais firme nele, o quanto deixo ele com essa pepineira", diz Batista sobre Meirelles. O empresário diz que já conversou com Meirelles sobre o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.
"Precisa mexer na Receita Federal, pô, o Rachid está aí há tanto tempo. [Meirelles teria respondido] 'Ih não posso, [e também] BNDES é do [Ministério do] Planejamento, não'", registra o áudio.
Batista disse a Temer que já reclamou a Meirelles sobre o presidente do Cade. "Eu não vou falar nada descabido, mas olha, esse presidente do Cade... precisa ter presidente do Cade 'ponta firme'", afirma Batista.
"Eu queria ter alguma sintonia contigo para quando eu falar com ele, ele não jogar"¦ 'ah não, o presidente"¦'", disse Batista. "Não deixa", completou Temer. "Mas se eu falar com ele e ele empurrar a você, quero poder dizer 'olha'"¦", disse Batista. "Pode falar", concordou o presidente."Quando digo de ir mais firme no Henrique é isso", afirmou o delator.
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BATISTA Queria primeiro dizer: estamos juntos aí. O que o senhor precisar de mim, me fala... Queria te ouvir um pouco, presidente. Como tá essa situação toda com o Eduardo [Cunha], não sei o quê, Lava Jato...
TEMER O Eduardo resolveu me fustigar. Você viu quê...
BATISTA Não sei, como que tá essa situação?
TEMER Eu não tenho nada a ver com a defesa. O Moro indeferiu 21 perguntas dele que não têm nada a ver com a defesa dele. Eu não fiz nada [inaudível]
BATISTA: Queria falar assim: dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui pra ali zerou, tal. Ele [Cunha] foi firme em cima, ele já tava lá, veio, cobrou... Pronto, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né... O Geddel sempre tava...
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Esse... Geddel que andava sempre ali. Mas Geddel também, com esse negócio eu perdi o contato. Ele virou investigado, agora eu não posso encontrar ele...
TEMER: É, vai com cuidado. [inaudível] Obstrução de Justiça [inaudível]
BATISTA: O negócio dos vazamentos, o telefone lá do Eduardo com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora: eu tô de bem com o Eduardo, ok.
TEMER: Tem que manter isso, viu? [inaudível]
BATISTA: Todo mês...
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. Meus processos, eu tô meio enrolado aqui, né [Brasília]. No processo [inaudível]
BATISTA: Isso, é, investigado. Não tenho ainda a denúncia. Aqui eu dei conta, de um lado, do juiz, dar uma segurada, do outro lado, do juiz substituto, que é um cara que fica.... [inaudível]
TEMER: Tá segurando os dois...
BATISTA: Tô segurando os dois.
TEMER: Ótimo, ótimo.
BATISTA: Consegui um procurador dentro da força tarefa, que tá, também tá me dando informação. E lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. Se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva ou com não sei o quê... O que tá me ajudando tá bom, beleza. Agora, o principal... O que tá me investigando. Eu consegui colar um [procurador] no grupo. Agora eu tô tentando trocar.
TEMER: O que tá... [inaudível]
BATISTA: Isso! Tamo nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado porque até saiu um burburinho de que iam trocar ele, não sei o quê, fico com medo. Eu tô só contando essa história para dizer que estou me defendendo aí, to me segurando. Os dois lá estão mantendo, tudo bem.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Parada temporária

A partir de hoje o blogueiro estará entrando em seu exílio voluntário, e necessário para o pagamento das contas (o que nos atinge a todos). Mas espero estar de volta em cerca de 30 dias.

Isso, claro, se até lá não for declarada a condição de colônia norte-americana.

Um bom mês a todos!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Para refletir

A corrupção atrapalha, ela é ruim, promove atrasos. O blogueiro mesmo já publicou e comentou texto, que mostra que se a corrupção brasileira fosse menor, estaríamos em nível de Desenvolvimento Humano (e no fim das contas é isso que importa) compatível com o do Canadá.

Ninguém defende a corrupção. Mas ela é inerente a todo e qualquer sistema político e social.

A questão então não é combater a corrupção apenas, mas sim como combatê-la.

De vez em quando explode denúncias de corrupção na Alemanha. A gigantesca Volkswagen já foi atingida, existem denúncias graves sendo investigadas sobre a atuação de seus bancos, em 2012 o presidente alemão renunciou devido a denúncias de corrupção. 

Nos EUA, epicentro da crise de 2008, e que ainda faz seus estragos ao redor do mundo, muito dela foi causada devido a corrupção. Basicamente foram fraudadas as contabilidades de algumas empresas, com o objetivo de garantir e aumentar os bonus que seus administradores recebiam por desempenho. GM, AIG, Lehman Brothers, pelo menos 25 bancos faliram.

A diferença é como se age lá, e como se age aqui.

Lá os governos criaram melhores sistemas de fiscalização e controle, prenderam e/ou puniram os culpados de outras formas, como multas, mas salvaram as empresas. Em alguns casos, como o da GM, o o governo americano chegou a adquirir o controle acionário da empresa, como forma de sanear e salvar empregos e negócios.

Aqui vemos um carnaval midiático, ilegalidades cometidas por quem deveria protegê-la, uma quebradeira sem precedentes, e a destruição de setores importantíssimos da economia nacional. Tudo em nome de um combate a corrupção, que efetivamente não está acontecendo, e de uma limpeza ético-moral, que está longe de acontecer.

E a população segue a própria sorte.

A demagogia moralista da Lava Jato não tem base na realidade mundial

Escrito por , Postado em Redação
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(Michelangelo, o Último Julgamento)
A falácia de que as causas do atraso brasileiro residem na corrupção é apenas uma maneira astuciosa de fugir aos problemas principais: o juro alto, a desigualdade, o egoísmo político das elites. Corrupção, tem no mundo inteiro, em escalas muito maiores do que no Brasil, e isso não foi problema para seu desenvolvimento.
A corrupção, por isso mesmo, precisa ser combatida com realismo, sem discursos messiânicos e moralistas.
O direito não pode se confundir com moral, assim como a política tem de ser vista como ela é, objetivamente, um campo da atividade humana que é regido por uma moral própria, a da responsabilidade.
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A democracia custa caro no mundo dos coroinhas, por André Araújo
Por André Araújo
A DEMOCRACIA NÃO É PARA SANTOS
A Democracia moderna é um regime político imperfeito e pleno de problemas, um deles é o financiamento de campanhas, mecanismo onde não há nenhum bom modelo, todos tem defeitos, cabe escolher o menos ruim porque bom não há.
Os EUA montaram um modelo simples e aberto: doações sem limites por pessoas físicas e empresas, desde que declarados. No caso de empresas há um atalho, doa-se a um Comitê (Political Action Committee), um simples jogo de espelhos, o Comitê é teoricamente destinado a uma causa ou bandeira política, e esse Comitê que recolhe o dinheiro, dá recibo e repassa para candidatos simpáticos à causa do Comité, tudo isso SEM LIMITE, o dinheiro acaba bancando candidaturas sob o pretexto de que elas servem a causa originária do Comitê.
O financiamento de campanhas nos EUA é um oceano de dinheiro, háincontáveis críticos do modelo de financiamento, tanto na esquerda como na direita, consideram um sistema VICIADO, CORRUPTO e REACIONÁRIO que beneficia as grandes corporações e os candidatos que defendem seus interesses contra o interesse público, o contexto é antigo e renovado.
É claro, claríssimo, só algum santelmo não deve enxergar, que esse modelo visa a comprar apoio no Congresso para os interesses do doador ou alguém acha que a Northrop, a Grumman, a Boeing, a Lockheed, a Rockwell, a Halliburton doam dinheiro sem interesse para congressistas? Ou que tal a bancada dos remédios, poderosíssima, bancada pela Pfizer, Abott, Lilly e outros grandes laboratórios que interagem com o Estado nas cruciais questões de patentes e fundos para pesquisa? Cada empresa farmacêutica vale entre U$ 100 e 200 bilhões de dólares, são as mais valiosas da Bolsa de Nova York e precisam de apoio político.
Há casos notórios de aprovação de verbas controversas para projetos bélicos ruins e inúteis, mas que garantem benefícios para regiões de onde vem esses congressistas. Fábricas de mísseis e aviões são grandes doadoras, tem escritório de lobby em Washington.
No Congresso americano há notórios representantes do setor de energia, do setor de medicamentos, do sistema financeiro além do famoso lobby da indústria bélica.
Há também uma enorme bancada pró-Israel, das mais bem financiadas, reunidas pelo AIPAC, American Israel Political Action Committee, um dos mais ricos lobbies de Washington.
Há enorme críticas a esse bloco, que prioriza o interesse de Israel contra o interesse geopolítico do próprio EUA, que é atado aos caprichos da direita bélica israelense.
É capaz que os coroinhas da GLOBONEWS achem que nos EUA os doadores são altruístas e filantropos, doam pela bandeira, são bilhões de dólares a cada dois anos, as eleições congressuais americanas são bianuais, o giro político-financeiro é imenso e alvo de ativistas de movimentos de transparência que pretendem uma política menos mercenaria.
Além disso, há a imensa indústria do lobby, a maior indústria de Washington, com 1.200 firmas e 110.000 empregos, faturando bilhões de dólares, cuja função é influenciar o Congresso e a Administração para os interesses de quem paga, podem ser empresas e países, só a China tem nove escritórios de lobby em Washington a contrato. A Venezuela de Chavez chegou a ter 16 escritórios trabalhando pelo seu governo. O Equador de Rafael Correa teve a seu serviço o maior de todos os escritórios, o SPB, o mesmo da Arábia Saudita, Qatar e China.
Todos os contratos de lobby são REGISTRADOS no Departamento de Justiça, e no contrato consta qual a finalidade, para qual interesse específico esta se pagando, TUDO ÀS CLARAS, no Brasil não só é proibido como seria visto como corrupção, perseguido e punido, dentro do modelo de FINGIR que somos todos beatos, o Brasil prefere o faz de conta à realidade.
Há e sempre houve no Brasil um JOGO DE INTERESSES em torno da política, SEMPRE. Nos tempos do Império, os Embaixadores do Brasil em Londres ganhavam comissão dos banqueiros quando assinavam empréstimos paro o Brasil, fato bem descrito nas memórias do Embaixador Heitor Lyra (dois volumes pela Editora da Universidade de Brasília). No Governos Vargas e JK, um grupo politicamente bem entrosado do Rio de Janeiro ficou sócio da Volkswagen e da Klabin sem por dinheiro porque conseguiu vantagens no Governo para esses grupos, todos fatos públicos que todo mundo sabe, porque o escândalo agora com as ”LISTAS”, como se caíssem em um santuário de noviços? Ninguém sabia, porque o espanto? Ao tempo de Dom João VI já havia corrupção a céu aberto, os historiadores da nova safra relatam com detalhes o que se cobrava por fora na Alfândega do Rio antes da Independência, a tabela era em torno de 17%. Na República Velha o financista Percival Farquhar nadava de braçada com suas concessões de ferrovias, eletricidade, bondes, telefone, portos, mineração e Farquhar era notório pagador de propinas da época e bajulado aliciador de jornais, ver sua interessantíssima biografia O TITÃ, edição da Livraria Cultura, mais de 700 páginas.
Na construção de Brasília, a corrupção foi imensa, maior em escala que a corrupção do Mensalão e do Petrolão. Ninguém acreditava que Brasília pudesse ser construída em cinco anos, mas foi contra tudo e contra todos, a peso de ouro para as empreiteiras.
Foi atingido o alvo a partir de cataratas de dinheiro no processo de construção da cidade.
Mas consolem-se, nos demais países da América Latina o jogo é MUITO MAIS PESADO, porque incluem também assassinatos na luta pelo poder e os valores do jogo financeiro são proporcionalmente muito maiores que no Brasil, a política espanhola e francesa também tem grandes áreas de dinheiro no jogo de interesses, sem falar da Itália. Na Ásia, Oriente Médio e África, o jogo pesado do dinheiro na política é histórico, o maior corrupto do Século XX foi o Generalíssimo Chiang Kai Shek, Presidente da China até 1949, que roubava o soldo dos soldados chineses pagos pelos EUA, dando aos soldados autorização para saquear no lugar de soldos, Chiang vendeu ao Exército japonês munição de artilharia enviada pelos EUA para que a China a usasse contra os japoneses, esse era seu nível de corrupção, os soldados andavam descalços porque ele embolsava o dinheiro das botas enviado pelos trouxas americanos.
Com isso, Madame Chiang Kai Shek morreu em Manhattan aos 105 anos em 2008 em um apartamento duplex com 29 empregados, então sejamos mais realistas e menos espantados.
Na substituição de um modelo político por outro, o novo cairá no mesmo jogo de interesses em questão de tempo, porque esse jogo é da essência da Democracia, que é um regime de composição de interesses e esse entroncamento entre governo e empresas lembra sempre corrupção, seja com propinas, alto salários, mordomias, favorecimento a projetos, abertura de concessões, relações externas de comércio e investimentos, o campo desse imbricamento é infinito e sempre existirá sob formas abertas ou disfarçadas.
Nos termos dos reis absolutistas anteriores à Revolução Francesa o jogo de interesses era às claras, com a Democracia passou a ser encoberto, mas, na sua essência, pouco mudou desde os Imperadores Romanos , nas eleições de Papas o ouro corria solto, na Era Moderna o Príncipe de Talleyrand, Ministro do Exterior desde a Convenção da primeira fase da Revolução até a Restauração Bourbon de 1814, vendeu a independência da Polônia por 4 milhões de francos ouro, os regimes da Convenção, do Diretório, do Consulado, do Imperio e ao fim da Restauração se estruturavam sobre composição de interesses que eram pagos em cada caso.
No regime do absolutismo, o Tesouro nacional se confundia com a fortuna do Rei e dos seus Ministros, o Ministro da Fazenda de Luís XIV, Nicolas Fouquet, ficava com um terço dos impostos arrecadados, construiu o palácio de Vaux-le-Vicomte, para o qual convidou o Rei para um banquete de três dias, o Rei Luís XIV ficou de tal forma impressionado que mandou construir Versailles para superar seu Ministro. Fouquet conseguiu o cargo de Superintendente de Finanças de Luís XIV por compra, tendo antes vendido seu cargo anterior no Parlamento.
O célebre Primeiro Ministro Cardeal de Richelieu (Armand Louis du Plessis) se tornou o homem mais rico da França por conta de seu cargo e isso era considerado normal.
Nas monarquias do Oriente Médio, o tesouro dos Estados se confunde com a fortuna do soberano, não se sabe onde acaba uma e começa a outra. O Emir do Qatar, Hamad al Thani depos seu pai, Emir Khalifa al Thani em 1995, o pai deposto fugiu e se exilou, levando o tesouro nacional de 8 bilhões de dólares. Graças à intermediação do governo dos EUA, foi feito um acordo e se acertaram as contas, toda a operação foi organizada por um grande escritório de advocacia de Washington, com honorários a peso de ouro.
A Democracia moderna é muito nova, só tomou forma após o fim da Grande Guerra de 1914-1918. Antes disso a Democracia era censitária em todo os grandes países, era só para ricos.
A qualificação de eleitores dependia da propriedade e da renda, o voto não era universal, as mulheres só votaram nos EUA a partir de 1920, no Brasil a partir de 1932.
A primeira Democracia moderna foi a República de Weimar, nos escombros da derrota alemã de 1918, quando o Príncipe von Baden passou o poder ao primeiro presidente eleito, o socialista Friedrich Ebert, essa Democracia idealista foi um caos econômico, social e político.
Portanto a chamada “democracia moderna” só tem CEM ANOS, é um regime muito novo no tempo histórico, cheia de riscos e imperfeições e por todo esse período de um século a Democracia é uma coleção de acidentes, convulsões, riscos, golpes e lutas violentas pelo Poder.
Nos EUA, a política sempre foi muito pior, a corrupção na política americana é lendária e superava qualquer outra democracia moderna chegando até nossos tempos, quando a eleição de Kennedy de 1960 foi garantida pela ultra corrupta família Daley, que controlava a política de Chicago desde 1955 e chega a nossos dias. Richard Daley pai foi Prefeito de Chicago de 1955 a 1976 e seu filho de 1989 a 2011, reeleito cinco vezes. A eleição de Kennedy dependeu dos votos de Chicago que evidentemente não foram de presente, tendo todo o cheiro de fraude eleitoral ou votos comprados, sem esses votos Kennedy perderia a eleição de 1960.
Já o sucessor de Kennedy, Lyndon Johnson, deveu sua carreira política desde o início pelo apoio financeiro da empreiteira texana Brown & Root’s , que hoje faz parte do grupo Halliburton, também texano e profundamente enraizado na política interna e externa, sendo um dos seus controladores o Vice Presidente de George W.Bush, Dick Cheney. Após a guerra do Iraque, a Halliburton fornecia ao exército desde água a munição, era dona dos fornecimentos ao Iraque, vastíssima corrupção em escala sideral, foi multada, pagou e hoje está limpinha.
Lyndon Johnson deixou para a esposa vasta herança, tendo sido exclusivamente político toda a vida, era notoriamente corrupto e não fazia muita questão de esconder. A biografia mais importante de Lyndon Johnson THE PATH TO POWER, de Robert Caro, editora Vintage Books (Random House), com 882 páginas, narra com detalhes saborosos e escabrosos, de novela, o ambiente de corrupção onde vicejou a carreira política do futuro Presidente Johnson.
Esses fatos são importantes no atual clima político brasileiro, porque muitos jornalistas citam os EUA como contraponto à corrupção da vida política brasileira, obviamente por completa ignorância do que foram e do que são os Estados Unidos e sua política interna, onde um pesadíssimo jogo de interesses é a regra em Washington até hoje, considerado algo normal.
Compensar doadores de campanha com Embaixadas, corrupção de baixo nível, um terço das Embaixadas americanas, algumas em países importantes, fundamentais sâo “mimos” reservadas para “doadores” de campanha, em Brasília nos últimos anos os Embaixadores dos EUA John Danilovitch e Clifford Sobel não eram diplomatas, eram ricos homens de negócios que deram dinheiro para campanhas presidenciais, algo que inexiste no Brasil, portanto nesse campo e em muitos outros somos mais éticos que os americanos, apresentados pelos jornalistas da direita como exemplo da moral na política.
Um exemplo dessa leviandade foi a nomeação da notória Pamela Harriman, ex-nora de Churchill e depois casada com um dos homens mais ricos dos EUA. W. Averrel Harriman, sendo ela inglesa, foi nomeada Embaixadora dos EUA na França, pelo Presidente Reagan, Pamela não era diplomata, não era americana, tinha uma vida pessoal nada puritana e ganhou de presente uma das mais cobiçadas Embaixadas dos EUA, faleceu no cargo nadando na piscina do Hotel Ritz.
Nos países da América Latina, a corrupção é historicamente muito maior que no Brasil. No México, os Presidentes do partido hegemônico de 1929 a 2000, o PRI, seguiam o roteiro de apontar o sucessor (“el dedazo”), elegê-lo, depois sair do México para não atrapalhar o sucessor, essa era uma regra não escrita e ao deixar a Presidência poderia levar até 2 bilhões de dólares. O mais notório corrupto foi o Presidente Miguel Alemán, que no resto sempre apesar de corrupto fez um bom governo. No Peru há uma longa tradição de alta corrupção, assim como na Argentina. São exceções no continente o Chile e o Uruguai. Em alguns dos países andinos, a corrupção tem uma vertente ainda pior, é mesclada com o tráfico de drogas, que também atinge o México, é corrupção combinada com extorsão, sequestros e assassinatos por atacado, ainda pior, envolvendo por vezes as forças armadas.
No Brasil a tradição é de Presidentes saírem pobres ou remediados do cargo, não deixaram herança os Presidentes da Primeira República. Getúlio Vargas. Café Filho, Juscelino Kubitschek, Jango deixou a mesma fazenda que já era dele, os Presidentes militares retornaram às suas vidas de classe média, Tancredo não deixou fortuna, nem FHC, o Brasil tem LONGA TRADIÇÃO DE BAIXA CORRUPÇÃO em comparação com outros países emergentes, mas esqueceram de avisar os jornalistas brasileiros que ainda falam na maior corrupção do mundo POR COMPLETA IGNOR NCIA DO QUE É O MUNDO, não tem informação ou cultura para olhar fora do Brasil.
A campanha anti-corrupção no Brasil já cobrou e vai cobrar um alto preço na economia, negócios são paralisados pelo risco altíssimo de ser enredado em investigações e escracho na mídia, por mera suposição, o que pode acontecer em negócios que envolvam o Governo.
O custo da corrupção pode ser alto, mas muito mais altos são outras formas de desvios de dinheiro público como ineficiência e incompetência que grassam na Administração Pública de todos os níveis, excesso de pessoal generalizado, salários absolutamente fora de proporção com o serviço prestado, aluguéis e prédios extravagantes, as perdas monumentais da política cambial, um só semestre custou 207 bilhões de Reais de prejuízos ao Banco Central, milhares de prédios públicos abandonados , Embaixadas desnecessárias, a missão brasileira junto a OEA tem 21 brasileiros na folha do Tesouro, além da Embaixada junto ao Governo americano, mais as Comissões militares, mais a Junta Interamericana de Defesa, mais a Corte Interamericana de Direitos Humanos em San Jose, muita gente para pouco serviço, salários em dólar, a carga fiscal do Brasil custa 39% do PIB, se juntarmos o déficit vai a 41%, contra 22% no México e 23% nos EUA, que com essa carga, sustentam forças armadas espalhadas pelo mundo inteiro incluindo, 7 frotas, 10 porta aviões nucleares , 800 bases militares , auxílio militar em dinheiro a mais de 18 países, a maior cota da OTAN.
A propina é a forma mais primitiva de corrupção, há muitas outras mais sofisticadas e que nem se cogita em tocar, aliás a presente campanha deixou enormes setores intactos enquanto se implode o sistema político como um todo sob aplausos da mídia suicida, o que virá acabará com a mídia tal qual ela existe hoje, essa é a experiência histórica, a República de Weimar era uma bagunça total? A imprensa alemã atacava todo dia essa frágil democracia.
Para consertá-la chegou Adolf Hitler.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O tamanho da crise

Se você ainda não tinha noção do alcance da crise no país, agora você pode ter. Os números abaixo são inequívocos, e dão clara noção do tamanho do problema brasileiro, causado pela preparação do golpe, e agora pela aplicação da política econômica golpista.

Vejam bem, em nenhum tempo ou lugar da história humana, a economia cresceu com a implantação de políticas recessivas. E essas políticas aplicadas pelos golpistas são todas absurdamente recessivas.

Explicando o que falo. O juros "reais" de uma nação, é uma relação entre os juros básicos pagos pelo governo, e a inflação projetada no mesmo período, que é normalmente de um ano. Dessa forma, na grande maioria dos países envolvidos na crise mundial, no momento essa relação incorre em juros negativos, ou muito próximos a zero. No Brasil essa relação significa um juro real próximo a 11% ao ano (14,5% de juros, menos 3,5% de inflação projetada, dados de 2 meses atrás).

Se tomamos esse dado e admitimos que o investimento tem a intenção do lucro, e a taxa média de retorno no investimento produtivo é em torno de 10%, sendo que isso cai drasticamente numa crise como a nossa, aí vemos que, em termos de retorno do capital investido, é muito melhor aplicar no mercado financeiro, que no produtivo.

Com os cortes nos serviços públicos, resta à população - aqueles que podem pagar - buscar serviços particulares, que por sua vez costumam ser cercados de isenções fiscais, como forma de incentivo, barateamento e aumento de lucros. Mais do que os serviços em si, os lucros dessas empresas também costumam ter isenções fiscais, além de outras formas de incentivos. Atrelado aos benefícios acima, ainda costumamos ter fortes ataques a direitos trabalhistas e salários, de forma a aumentar a lucratividade das empresas. 

Tudo isso impacta diretamente no dinheiro circulante, no consumo, no bem-estar das pessoas e negativamente no desenvolvimento econômico.

Mas aqui caímos na primeira contradição desse sistema. A geração espontânea em algo tocado pelo homem não existe, ainda mais quando nos referimos a dinheiro. Assim, dinheiro não gera dinheiro, se no meio não houver produção, que agregue valor a essa equação.

A segunda contradição foi magistralmente bem expressa nas palavras da jornalista Thaís Herédia, que disse que a recessão e inflação aumentam o poder de compra dos brasileiros. Gostaria realmente que alguém consiga me dar uma explicação convincente disso.

A terceira contradição é a esperança de que o mercado irá atender às necessidades da população. Ora, o mercado é destinado ao lucro e a acumulação. Nesse sentido ele irá atender apenas às necessidades daqueles que puderem pagar por elas. Todos os demais estarão irremediavelmente fora desse sistema. Para culminar, como ele busca a acumulação, acaba por entravar a distribuição e a circulação de riquezas, entravando o sistema como em todo.

Agora gostaria que alguém me explique como a restrição da circulação de riquezas, políticas recessivas, e o não interesse de atender às necessidades da população vão fazer com que a economia cresça, com que a riqueza se distribua e circule, e a população tenha suas necessidades satisfeitas?

E por favor, não venha com a explicação de Rodrigo Constantino, que disse "eu acredito". Isso não é explicação, mas esoterismo.

Digo sempre que o Capitalismo é autofágico, e carrega em si o germe de sua autodestruição. Seus ideólogos souberam criar formas de mitigar, ou mesmo adiar esse fim.

O neoliberalismo é a mais radical expressão de sua contradição interna, e a mais rápida forma de se chegar ao fim do período capitalista por se auto-exaurir. O Brasil conseguiu exponenciar esse processo, ao radicalizar medidas adotadas em outros países (todos em crise e revendo essas medidas) e ainda aplicando (ou tentando aplicar) todo o leque de uma só vez.

Sabe quando isso vai entregar o resultado que eles prometem?

Nunca.

Lava Jato e golpe produziram o maior desastre econômico da história brasileira

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O IBGE divulgou hoje a sua pesquisa nacional de serviços. O resultado é uma tragédia.
O setor de serviços responde hoje a aproximadamente 65% do Produto Interno Bruto. Em termos de geração de empregos, sua participação é ainda maior.
Em janeiro de 2017, o setor de serviços experimentou uma forte retração, uma das maiores já registradas no histórico do IBGE.
Alguns setores, como o de “serviços técnico-profissionais”, que inclui o trabalho de advogados, consultores, publicitários, jornalistas, tradutores, registrou uma queda de proporções bíblicas: 17%, no indicador com ajuste sazonal.
O setor de turismo, que usa intensivamente mão-de-obra, também caiu barbaramente: 11% em janeiro.
A Lava Jato e o golpe produziram o maior desastre econômico da história do Brasil.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

A população vai perdendo a paciência

Ontem tivemos uma invasão parcial na Câmara dos Deputados, por parte de policiais, que protestavam contra a reforma da Previdência. Vidros quebrados, brigas, gás lacrimogêneo, detenções temporárias, etc, somente para tentar entregar uma carga (de acordo com a liderança dos manifestantes). Eles não chegaram ao plenário da Câmara. Tudo isso enquanto Rodrigo Maia, no plenário, tentava acelerar o processo de destruição da CLT, mais uma vez mostrando que não tem palavra.

Roberto Requião, em pronunciamento no Senado e outros meios, já avisou dos riscos de convulsão social no país. Alguns outros políticos também já tocaram no assunto. Tumultos no Rio de Janeiro, Espírito Santo, uma série de estados quebrados, a invasão de ontem, a reação que se organiza contra o golpe e suas políticas antidemocráticas e impopulares, o descontentamento cada vez maior da população, primeiro pelas promessas não cumpridas de recuperação econômica, segundo pelo descumprimento de promessas de melhorias nos serviços públicos, e terceiro pela busca em destruir o arcabouço jurídico, que dá alguma dignidade a essa população. Essas ações, em sentido oposto ao prometido por golpistas e mídia, vêm fazendo com que uma parte considerável da população, que até pouco tempo apoiava a mazela do golpe discretamente incentivada pelas mentiras e distorções midiáticas, esteja agora acordando para a nova situação do país. Não há como mentir a falta de comida na mesa, a falta de emprego e a queda absurda promovida nos salários.

Com isso tudo há um sério e real risco de  convulsão social generalizada no país, se não já, em futuro não muito distante.

Existem 3 saídas para essa situação. A primeira, e mais fácil para os golpistas, é parar com os ataques aos direitos previdenciários e trabalhistas, e iniciar políticas que efetivamente garantam a retomada do crescimento. A segunda é um pouco mais trabalhosa, mas melhor para a democracia, e implica num amplo debate e na consulta popular sobre essas questões. A terceira é a saída mais correta, e seria a renúncia de Temer e dos presidentes das duas casas legislativas, com as eleições de atores mais moderados para os cargos, como forma de conduzir uma transição mais tranquila até 2018, quando o povo novamente terá a chance de decidir seu futuro nas urnas. E que quem seja eleito em 2018 cumpra sua plataforma de governo.

Outras saídas existem, mas demandariam mudanças em Leis e até na Constituição. As Três acima necessitam apenas de bom senso e vontade política.