domingo, 28 de dezembro de 2025

Como eu disse, reposicionamento das peças no xadrez global

Pessoal, a guerra comercial não acabou, mas ela está mudando a posição dos contendores. Sim, o EUA segue atacando navios mercantes, e agora não se restringe mais aos navios de bandeiras de países mais fracos. Na última semana perseguiu um petroleiro russo, e apreendeu um chinês. 

A ação provocou forte reação chinesa, que chamou o encarregado de negócios estadunidense em Pequim a se explicar sobre tais ações junto às autoridades diplomáticas chinesas, um forte protesto junto ao Secretário Geral da ONU, a publicação de documentos que comprovam a legalidade da compra de petróleo venezuelano, e o corte de fornecimento de terras raras a duas empresas estadunidenses. 

No dia seguinte o Irã apreendeu mais um petroleiro no Golfo Pérsico, talvez mais uma retaliação. 

Por sua vez o EUA voltou a anunciar a entrega de armas a Taiwan, no valor de USD 11,1 bi. A reação chinesa voltou a ser forte, anunciando sanções financeiras e econômicas a 20 empresas e a 10 executivos, todos do setor bélico estadunidense. Mas a principal sanção foi a proibição de venda de terras raras a essas empresas e a suas coligadas. Como eu já disse, sem terras raras não há indústria bélica de ponta hoje em dia.

Os estadunidenses também bombardearam regiões da Nigéria. A superpotência americana parece estar mudando de estratégia. Se antes tentava confrontar diretamente a China em sua vizinhança, com frotas e ações diretas de provocação, parece ter entendido que não teria nenhuma chance de vitória nesta região. Mesmo com gastos militares próximos de USD 1 trilhão, a defasagem de sua frota e a dificuldade de logística para reabastecimento e reparos levaram a essa conclusão. 

Com isso passou a usar seus proxis, principalmente o Japão, para suas provocações, e a tentar atrair China e Rússia a um confronto próximo da própria casa, onde suas debilidades seriam compensadas pela grande infraestrutura que têm na região. 

A isca perfeita é a Venezuela. Tendo acordos com China, Rússia e Irã, esses países não podem permitir a queda do regime do país caribenho, sob pena de verem suas propostas de mudança mundial serem repensadas pelos países que vêm aderindo ao BRICS e/ou suas reestruturações. Acima de tudo, a nova ordem precisa ser capaz de proteger seus aderentes, seja onde for. Uma queda venezuelana colocará principalmente o Irã em xeque direto novamente. Tendo recursos energéticos garantidos, os estadunidenses não precisarão se preocupar com o caos no fornecimento do Oriente Médio em virtude de um ataque ao Irã. 

Mas o eixo euro-asiático tem condições de reverter a vantagem geográfica estadunidense no Caribe, só que para isso é preciso transferir suas armas mais avançadas para a Venezuela. 

Mais que garantir hegemonia onde os estadunidenses consideram seu quintal, o que o EUA quer é tentar inverter a vantagem que o outro lado tem. Resta saber se os eurasianos estarão dispostos a isso, ou seja, entrar na armadilha, ou se voltarão a ser estratégicos? 

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