quarta-feira, 24 de junho de 2026

Putin numa encruzilhada

Pessoal, no Leste europeu a situação agrava. Se durante o Fórum Econômico de São Petersburgo tivemos alguns ataques com drones à cidade sede do evento, e também à capital Moscou, todos com danos menores, esses ataques seguiram após Putin ter dito que não retaliaria aos países membros da NATO, e pior, aumentaram, não apenas em intensidade, mas também em força e no tipo de armas utilizadas.

Desde que esses ataques se iniciaram, inclusive com o uso do espaço aéreo de vários países da NATO, as críticas ao Presidente Putin aumentaram bastante em intensidade e em amplitude, sendo cada vez mais fortes e amplas as críticas ao Presidente e sua administração, principalmente àquela ligada às posições dos russos não retaliarem diretamente aos países NATO que têm participado mais efetivamente dessas ações, no caso falamos dos países bálticos, incluindo até mesmo a Finlândia, e também alguns outros países do centro europeu e até das ilhas atlânticas européias.

E aqui nós temos outra encruzilhada bastante complexa. O próprio Putin chegou a afirmar que o uso de armas de longo alcance claramente ocidentais significaria um ataque direto do país NATO, e resultaria numa retaliação direta a este país. Até agora os ataques tinham sido meio nebulosos. Ainda que a Ucrânia nitidamente já tenha sido batida no campo de batalha, e apenas apresente seus últimos espasmos, ela segue sendo perigosa pelo apoio ocidental, principalmente dos europeus, mas também do EUA, que segue entregando armas e apoio logístico aos ucranianos. Só que é um apoio meio difuso. Sim, os ucranianos usam peças e outros insumos ocidentais para montar seus drones, definir alvos e programar rotas para os ataques, tanto na linha de contato, quanto na profundidade do território russo, mas ainda são eles que operam e montam os drones. Fica uma linha difusa.

Então o que mudou?

Bem, primeiro que os ucranianos têm realizado ataques à Bielorússia, numa nítida intenção de trazes Lukachenko a se juntar diretamente aos russos no conflito, o que já alastraria bastante o conflito ao mundo russófono, porque englobaria diretamente os três países que compõem esse mundo. E os alvos ucranianos não são de forma alguma militares. Depois do ataque ao domitório de uma escola com muitos adolescentes e jovens russos, outros ataques atingiram crianças, e agora foi atacado um ônibus com um time de futebol bielorusso com crianças na faixa de 12 anos. Foram ao menos 5 mortos adultos, e muitos feridos. Não vi informações sobre a morte de crianças nesse evento.

Além de todo esse processo ainda tivemos a escalada que Putin tinha avisado para não ocorrer. Há cerca de dois dias os briânicos realizaram um ataque junto com os ucranianos ao território russo. Esse ataque ocorreu com o uso dos mísseis Storm Shadow, produzidos por um consórcio franco-britânico. A operação desses mísseis necessitam obrigatóriamente do uso de informações de inteligência ocidental, e muito provavelmente de introdução de dados e operação de técnicos ocidentais.

E é aqui que a coisa colocou Putin numa encruzilhada. Se as linhas vermelhas ultrapassadas sempre foram tênues, nunca tiveram uma digital mais nítida do Ocidente, e nem uma posição mais clara vinda da própria liderança russa, agora isso está escancarado. Inclusive fontes internas do governo britânico asseguram que Keir Starmer ordenou tal ataque um dia antes de renunciar ao cargo de Primeiro Ministro Britânico, e há declarações do próprio Putin de que isso ocasionaria reação direta ao agressor dos russos. Putin é cobrado ainda mais forte, e se colocou numa encruzilhada, porque, ou não reage de acordo e com isso coloca toda a retórica russa em descrédito internacional, ou reage de acordo e entra no risco de ver suas ações deturpadas pela forte propaganda ocidental dizendo que ele “está atacando a Europa sem motivo, sem provocação”.

As informações que saem da Rússia dão conta de mais um ataque retaliatório de grandes proporções. Certamente ele atingirá a Ucrânia, o que não se sabe é se ele atingirá a Inglaterra também. A encruzilhada é difícil, assim como a decisão a ser tomada. Eu acho que essa decisão já demorou demais a ser tomada, já foram muitas as provocações e ataques aos russos, sempre com respostas comedidas e relativamente tênues por parte russa. Agora é diferente: o que fará Putin?

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